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CAPÍTULO 4 PROCESSO DE CRIAÇÃO DA IDENTIDADE VISUAL “LE FETISH"

4.1. Identidade Visual

A identidade visual é um fator imprescindível para a fidelização da marca e para o fortalecimento da imagem institucional. Possuir uma identidade visual forte pode se tornar o elo de ligação entre a empresa e o cliente, assim sendo, a identidade visual torna-se a identidade de todos os projetos e produtos de uma empresa. A identidade visual para ser considerada boa e eficaz dever ser capaz de despertar o interesse e, além de tudo, agir como um fator decisivo na escolha por determinado produto ou empresa.

Desta forma, o design gráfico torna-se o grande diferencial competitivo, pois destaca aspectos como identidade, qualidade e satisfação do cliente – condicionantes essenciais para conquistar e se manter no mercado atual, fazendo com que as empresas se destaquem por sua marca, que as identifica com seu público e, assim criam uma imagem de credibilidade com seus clientes. Magalhães (1997) afirma que o design gráfico torna-se uma ação eficaz quando antecipa os problemas, enfoca as oportunidades de mercado, levando em consideração o usuário, mas sem perder de vista a concorrência. Conforme pontua Leite (2003), “o design é, antes de tudo, um transmissor de valor, e por isso, se faz necessário o respeito pelos valores do consumidor”.

A identidade visual deve ter por finalidade representar de maneira clara ou subliminar a função da empresa. Paul Rand, criador do logotipo da IBM, dizia que as logomarcas têm variadas funções e, a mais evidente delas, é fazer lembrar o produto, companhia ou objetivo que identificam. Podemos dizer, portanto, que a identidade visual representa a imagem de uma empresa. No marketing, Kotler (2000) define imagem como “o conjunto de crenças, idéias e impressões que uma pessoa tem em relação a um objeto”. As atitudes e ações de uma pessoa em relação a um objeto são bastante condicionadas pela imagem que ela tem a seu

respeito. Diz ainda: “não consumimos produtos; consumimos a imagem que temos deles”.

Strunck (2003) afirma que:

[...] a imagem de marca é formada pelas associações que são feitas nas suas mentes ao lembrarem-se da marca. Essas associações são formadas por seus:

Atributos, características relacionadas a performance; Benefícios, as necessidades atendidas pelos atributos; Atitudes, as crenças sobre uma marca. (2003, p.32)

A imagem de marca, segundo Keller (1993), é o resultado das atividades de marketing que geram percepções sobre uma marca especificamente e que refletem as associações que os consumidores mantêm em suas mentes. Um cuidado que deve ser tomado para não trazer prejuízos aos clientes, é de se utilizar elementos que façam referência ao negócio da empresa, pois muitas vezes, o público está à procura de um produto ou empresa, mas tem dificuldade de identificá-lo e acaba não o encontrando. Um exemplo disso pode ser encontrado abaixo:

Figura 10 - Assinatura visual de difícil identificação

Além da função de identificar e destacar uma empresa, o uso da identidade visual traz benefícios extras à empresa, como cativar o público e atrair clientes. Para tanto, é necessário que a identidade visual apresente harmonia estética, que é alcançada através do uso correto de fontes e cores, e também pelo equilíbrio dos elementos utilizados. Identidades visuais agradáveis aos olhos criam simpatia pelo produto ou empresa e cativam o público, atraindo cada vez mais clientes.

No entanto, existem casos em que a identidade visual não pode ou não deve apresentar elementos tão explícitos, como no caso das sexshops, pois existem alguns fatores que devem ser levados em consideração, como o público infantil, que não deve ser exposto a elementos que contenham apelo sexual, além do próprio público alvo. Portanto, para darmos inicio ao trabalho, é necessário não só conhecermos o público-alvo das sexshops, mas também o público em geral que não é consumidor de produtos eróticos, porém são consumidores em potencial. Além de ter que enfrentar o preconceito que envolve esse ramo empresarial, preconceito tal que dificulta o trabalho dos profissionais da área de design gráfico, pois limita o uso de elementos e nos leva a buscar soluções para o problema de criar uma identidade visual que tem, ao mesmo tempo, a função de atrair o público e de não expor esse mesmo público.

Para tanto, é necessário que a assinatura visual da empresa, não contenha elementos de cunho sexual e apelativo, pois caso contrário, a assinatura visual ao invés de atrair o público- alvo, poderia afastá-lo, não atingindo assim seu objetivo principal. Essa é uma questão de extrema importância, pois há casos em que determinadas empresas são alvo de processos por causarem constrangimento, e até mesmo por desrespeito às leis, principalmente as que dizem respeito à infância e à juventude.

Realizamos uma pesquisa de campo (Apêndice 2) na qual mostra que 85% dos entrevistados não se sentem à vontade em sair às ruas portando uma embalagem ou sacola na qual estivesse estampada explicitamente a assinatura visual de uma sexshop ou imagens que a caracterizem. A maioria comenta não gostar principalmente da palavra “sexshop“. A partir desse dado relevante, buscamos criar uma assinatura visual na qual os elementos não são totalmente explícitos, podendo ser utilizado apenas o símbolo nas embalagens dos produtos.

Visando ainda não atingir o público que não corresponde ao público alvo em questão, o símbolo que constituirá a assinatura visual a ser desenvolvida deverá apresentar conceito que não seja compreendido pelo universo infantil, atendendo as leis de proteção às crianças e adolescentes, onde só é permitido qualquer tipo de informação erótica ou pornográfica para maiores de 18 anos.

Além disso, certos materiais como as embalagens oferecidas pela empresa devem se diferenciar de todos os outros mercados, uma vez que, as embalagens em geral (sacolas, caixas, envelopes), costumam apresentar assinatura visual com o objetivo de identificar e reforçar ainda mais a empresa, mas isso não poderá se aplicar nas embalagens referentes ao

mercado erótico, pois seu público busca discrição e sigilo na apresentação de seus produtos e caberá a nós, designers, desenvolvermos um projeto discreto em função do público, mas que ao mesmo tempo responda as expectativas da empresa em atingir um espaço satisfatório no mercado, conforme especificado no Briefing realizado (Apêndice 1).

Desta forma, todos os materiais desenvolvidos deverão apresentar pelo menos um aspecto que sirva para identificar a empresa, seja através das cores adotadas, elementos gráficos ou até mesmo a própria assinatura, a escolha de quais elementos e o local de utilização deverão atender às necessidades de cada material em particular. Isso, provavelmente, permitirá que o material a ser apresentado de forma discreta (sacolas, envelopes, etc.) não perca a identidade da empresa e que não sofra limitações desnecessárias durante seu processo de criação.

No documento Projeto de identidade visual para o sexshop (páginas 36-39)

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