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NECROSE DERMO-CUTANEA E COVID-19

1. INTRODUÇÂO

Um surto de pneumonia atípica causada por um novo coronavírus foi relatado em Wuhan, na província de Hubei, na China, em dezembro de 2019 (HOFFMANN et al., 2020).

Posteriormente O Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) nomearam esse coronavirus como SARS-CoV2 (vírus da família dos coronavirus que nos humanos causa doença chamada COVID-19), o significado do SARS-CoV2 e dada pela doença causada (síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2). Os pacientes que sofrem de infecção por SARS-CoV2 geralmente apresentam febre, tosse seca, congestão das vias aéreas superiores, produção de escarro e falta de ar, e raramente cefaleia, hemoptise e diarreia (ZHANG et al., 2020), além de anosmia e ageusa (TSANG et al., 2021; HOFFMANN et al., 2020).

A infecção por SARS-CoV2 pode resultar em manifestações dermatológicas com diversas apresentações clínicas, o que pode auxiliar no diagnóstico oportuno dessa infecção.

1.1. FISIOPATOLOGIA

O risco de um órgão desenvolver infecção por SARS-CoV2 é determinado pela presença de receptores virais funcionais ACE2 (enzima conversora de angiotensina 2) e TMPRSS2 (protease transmembrana serina 2) que estão expressos nas superfícies de células locais, a ACE2 é encontrado principalmente nas células epiteliais alveolares, explicando a alta vulnerabilidade dos pulmões ao SARS-CoV2, alguns estudos também mostraram que o ACE2 é detectável na camada basal das células da epiderme e nos folículos pilosos, mas não em queratinócitos e melanócitos (BOURGONJE et al., 2020) isto e importante já que faz que o vírus seja incapaz de penetrar e infectar diretamente a pele, levando a que o comprometimento cutâneo seja indireto e ocorre por infecção das células endoteliais dos vasos dérmicos. A presença de SARS-CoV2 em lesões de pele foi

confirmada pela técnica de PCR (reação em cadeia da polimerase) em tecido com baixa replicação, mesmo em pacientes com PCR negativa no swab nasal e sorologia, mostrando que a pele pode ser um órgão infectado (JAMIOLKOWSKI et al., 2020).

Magro et al. (2020) a traves de técnicas de histopatologia e imnunohistoquimica evidencio que o processo fisiopatológico responsável pelo acometimento pulmonar também pode ocorrer na pele, tanto hígida quanto lesada (MAGRO et al., 2020) . Da mesma forma, Colmenero et al. (2020), também identificaram partículas virais no endotélio de lesões semelhantes a eritema pérnio (COLMENERO et al. 2020).

O SARS-CoV2 causa uma resposta fisiopatologica multifactorial que envolve a imunidade inata, resposta humoral, hipercoagulabilidade, ativação monocítica/macrófágica, aumento importante de citocinas (“tempestade de citocinas”), entre outros (CRIADO et al., 2020). O sistema monocítico-macrófago produz uma resposta imune exacerbada, gerando um intenso processo inflamatório sistêmico e a ativação viral de mastócitos e basófilos poderia justificar a presença de lesões como urticária e exantemas (CRIADO et al., 2020). Em pacientes críticos com lesões purpuricas, a trombose vascular na pele e em outros órgãos estaria associada a uma resposta mínima do interferon, permitindo replicação viral exaservada, com liberação de proteínas virais que se localizam no endotélio extrapulmonar e desencadeiam extensa ativação do complemento (MAGRO et al., 2021; CAVANAGH et al., 2020).

As controvérsias sobre a fisiopatologia e a presença de partículas virais desencadeadoras de lesões de pele são baseadas em estudos que verificam a ausência dessas partículas em pesquisas, utilizando a técnica de PCR em biópsias de lesões de pele (GARCÍA-GIL et al., 2021).

As manifestações cutâneas foram divididas em duas formas quanto à fisiopatologia:

(1) inflamatória, como resposta imune aos nucleotídeos virais, e (2) vascular, secundária a fenômenos de vasculite, vasculopatia e trombose (SUCHONWANIT; LEERUNYAKUL;

KOSITKULJORN, 2020).

1.2. MANIFESTAÇOES CUTANEAS

Dentro das manifestações cutâneas temos a dermatológicas (exantema, vesículas, urticariformes), vasculares (maculas violáceas, livedo, purpura necrótica com fenômeno de Reynaud, bolhas, angioma eruptivo, etc.) durante a infecção por SARS-CoV2 foram descritos como as mais comuns, pudendo evoluir com sobre infecção bacteriana, disfunção orgânica

e até a morte (BOUAZIZ et al., 2020; FAHMY et al., 2020; JIA et al., 2020; TAMMARO et al., 2021).Essas manifestações podem ser os primeiros sintomas da infecção por SARS-CoV2, como é o caso de lesões acrais, erupções vesiculares e urticária. Em relação à gravidade, a presença de lesões liveoides pode estar associada a um curso mais grave da doença (FERNÁNDEZ-LÁZARO; GARROSA, 2021).

Existem já vários relatos de manifestações cutâneas relacionados a SARS-CoV2, dentre elas Recalcati et al. (2020), analisaram 88 pacientes italianos confirmados com SARS-CoV2 (foram excluidos pacientes tratados recentemente com medicamentos) relataram uma prevalência de 20,4% de manifestação cutânea (RECALCATI, Sebastiano, 2020), esta prevalência relatada pode ter sido subestimada devido à falta de imagens clínicas, e porque as lesões ocorrem frequentemente em pacientes assintomáticos/levemente sintomáticos ou que não puderam realizar o swab nasal (SACHDEVA; GIANOTTI; SHAH, 2020) .

Numa revisão feita por Sachdeva et al. (2020), foi relatado a o exantema maculopapular (morbiliforme) como a manifestação mais frequente presente em 36,1%

pacientes, seguidas de exantema papulo-vesicular 34,7%, urticária 9,7%, pápulas roxas vermelhas acrais dolorosas 15,3% dos pacientes, lesões livedo reticulares 2,8% e petéquias 1,4%. A maioria das lesões foram localizadas no tronco em 66,7% e nas mãos e pês em 19,4%, o desenvolvimento da lesão cutânea ocorreu antes do início dos sintomas respiratórios ou diagnóstico de COVID-19 em 12,5% dos pacientes (SACHDEVA; GIANOTTI;

SHAH, 2020).

1.3. TRATAMENTO

Dentro da terapia utilizada para lesões dermatológicas inclui tratamento com anticoagulantes, corticosteroides e anti-histamínicos (FERNÁNDEZ-LÁZARO; GARROSA, 2021). O tratamento combinado foi incentivado como parte do gerenciamento de pacientes críticos com COVID-19 nesta pandemia (TSANG et al., 2021). Preconizasse nos pacientes graves com sobre infecção bacteriana, basear-se nos critérios de sepse (EVANS et al., 2021).

Apesar da necessidade urgente de estratégias de tratamento eficazes, ainda não há tratamento antiviral específico para a SRAS-CoV2, atualmente as diretrizes de tratamento variam entre os países.

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