A legislação ambiental brasileira se desenvolveu de forma tardia em relação a outras políticas setoriais do país e, devido a isso, apresenta deficiências e lacunas apesar dos grandes avanços já alcançados, impulsionados, principalmente, por exigências do movimento ambientalista internacional.
O conjunto de leis, normas e políticas nacionais para resíduos sólidos da construção civil também é recente e possui alguns problemas, que envolvem a polêmica para o descarte de pilhas e baterias, como ainda o quadro cultural das empresas e da sociedade, que não tem percepção de educação ambiental, entre outros problemas. Esse conjunto é fundamental na gestão dos resíduos, contribuindo para minimizar os possíveis impactos ambientais gerados pelos mesmos (FRANÇA, 2009).
2.4.1 Âmbito municipal, estadual e nacional.
2.4.1.1 Legislação Federal
Encontram-se Leis e Resoluções, como:
A Lei nº 9605, dos Crimes Ambientais, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.
E a Lei nº 12.305, da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, de 02 de agosto de 2010, foi criada com o intuito de minimizar os impactos causados pelos resíduos oriundos de diversos setores, ficando como Lei que os municípios ficam obrigados a elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, que deverá ser aprovado pelo órgão ambiental competente (BRASIL, 2010).
Resolução CONAMA nº 307, de 05 de julho de 2002, estabelecendo diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Sendo a principal resolução no caso dos canteiros de obras, foi criada pela necessidade de uma gestão diferenciada para os resíduos da construção civil, visando solucionar os impactos ambientais provenientes das atividades relacionadas à geração, transporte e, principalmente, a destinação dos RCC.
De acordo com o CONAMA, com o passar dos anos, a Resolução n° 307 sofreu algumas atualizações e modificações, como:
A resolução n° 431, de 25 de maio de 2011 que altera o os incisos II e III do art. 3°
da Resolução n° 307, estabelecendo nova classificação para o gesso;
A resolução n° 348, de 16 de agosto de 2004, que altera o inciso IV do art. 3° da Resolução n° 307, incluindo o amianto na classe de resíduos perigosos;
A resolução nº 448, de 18 de janeiro de 2012, que altera os artigos 2º, 4º, 5º, 6º, 8º, 9º, 10 e 11 e revoga os artigos 7º, 12 e 13 da Resolução n° 307, estabelecendo novos critérios de destinação, priorizando a não geração de resíduos, redução, reutilização, reciclagem, tratamento.
Os principais aspectos da resolução n° 307 com suas atualizações são os seguintes (PINTO, 2005):
1. Definição e princípios
• Definição – Resíduos da construção e demolição são os provenientes da construção, demolição, reformas, reparos e da preparação e escavação de solo.
• Princípios – priorizar a não-geração de resíduos e proibir disposição final em locais inadequados, como aterros sanitários, em bota-foras, lotes vagos, corpos-d’água, encostas e áreas protegidas por lei.
2. Classificação e destinação
• Classe A – alvenaria, concreto, argamassas e solos. Destinação:
reutilização ou reciclagem com uso na forma de agregados, além da disposição final em aterros licenciados.
• Classe B – madeira, metal, plástico e papel. Destinação: reutilização, reciclagem ou armazenamento temporário.
• Classe C – produtos sem tecnologia disponível para recuperação (isopor, por exemplo). Destinação: conforme norma técnica específica.
• Classe D – resíduos perigosos (tintas, óleos, solventes etc.), conforme NBR 10004:2004 (Resíduos Sólidos – Classificação). Destinação: conforme norma técnica específica.
3. Responsabilidades
• Municípios - elaborar Plano Integrado de Gerenciamento, que incorpore: a) Programa Municipal de Gerenciamento (para geradores de pequenos volumes); b) Projetos de Gerenciamento em obra (para aprovação dos empreendimentos dos geradores de grandes volumes).
• Geradores – elaborar Projetos de Gerenciamento em obra (caracterizando os resíduos e indicando procedimentos para triagem, acondicionamento, transporte e destinação).
2.4.1.2 Legislação Estadual
Dentre as leis, resoluções e decretos no estado de Santa Catarina, destacam se as referentes aos resíduos sólidos como:
A Lei 11.347, de 17 de janeiro de 2000, que dispõe sobre a coleta, o recolhimento e o destino final de resíduos sólidos potencialmente perigosos que menciona, e adota outras providências.
A Lei 407, de 29 de outubro de 2009, trata sobre a coleta dos resíduos sólidos inorgânicos nas áreas rurais.
Decreto 3.272, de 19 de maio de 2010, que fixa os critérios básicos sobre os quais devem ser elaborados os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos – PGRS, referentes a resíduos sólidos urbanos municipais, previstos na Lei nº 14.675, de 13 de abril de 2009, que institui o Código Estadual do Meio Ambiente.
No estado de Santa Catarina existe ainda a CONSEMA - Conselho do Meio Ambiente, tendo a Resolução 003, de 13 de maio de 2008, que aprova a listagem das atividades consideradas potencialmente causadoras de degradação ambiental passíveis de licenciamento pela Fundação do Meio Ambiente – FATMA.
2.4.1.3 Legislação Municipal
No município de Itajaí não constam leis especificas aos resíduos da construção civil.
Diferente do município de Balneário Camboriú, onde as Leis referentes aos resíduos sólidos da construção civil são:
Lei 2223 de 2003, que dispõe sobre a colocação e a permanência de caçambas para a coleta de resíduos inorgânicos nas vias e logradouros públicos do município de Balneário Camboriú e dá outras providências.
Lei 2508 de 2005, que institui o Sistema para a Gestão Sustentável de Resíduos da Construção Civil no município de Balneário Camboriú e dá outras providências.
Além das Leis cada município deverá elaborar o seu decreto referente aos resíduos sólidos, se o município não dispuser de um decreto, adota-se o de um município próximo com as mesmas características, os municípios de Itajaí e Balneário Camboriú dispõem de decretos.
O Decreto Municipal Nº 5.125, de 05 de agosto de 2008, do município de Balneário Camboriú, regulamenta o Sistema para Gestão Sustentável de Resíduos da Construção
Civil, disciplinando as ações necessárias de forma a minimizar os impactos ambientais.
Esse decreto é baseado na Resolução CONAMA nº 307, de 2002, e trata do estabelecimento de definições, classificações para os RCC, definem responsabilidades e disciplinam os agentes envolvidos.
O Decreto Municipal Nº123, de 08 de maio de 2012, do município de Itajaí, que regulamenta o Sistema de Gestão Sustentável de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos e o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de acordo com o previsto na Resolução CONAMA n º307, de 2002, e na Lei Federal nº 12.305, de 2010, e dá outras providências.
2.4.2 Normas técnicas brasileiras
Entre as normas técnicas existentes, as referentes aos resíduos sólidos são:
NBR 10004:2004 - Resíduos sólidos – Classificação.
Objetivo: Classifica os resíduos sólidos quanto aos seus potenciais danos ao meio ambiente e à saúde pública, para que possam ser gerenciados adequadamente.
NBR 15112:2004 - Resíduos da construção civil e resíduos volumosos - Áreas de transbordo e triagem - Diretrizes para projeto, implantação e operação.
Objetivo: Fixa os requisitos exigíveis para projeto, implantação e operação de áreas de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos.
NBR 15113:2004 - Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes - Aterros - Diretrizes para projeto, implantação e operação.
Objetivo: Afirma os requisitos mínimos exigíveis para projeto, implantação e operação de aterros de resíduos sólidos da construção civil classe A e de resíduos inertes.
NBR 15114:2004 - Resíduos sólidos da Construção civil - Áreas de reciclagem - Diretrizes para projeto, implantação e operação.
Objetivo: Fixa os requisitos mínimos exigíveis para projeto, implantação e operação de áreas de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil classe A.
NBR 15115:2004 - Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes - Aterros - Diretrizes para projeto, implantação e operação.
Objetivo: Estabelece os critérios para execução de camadas de reforço do subleito, sub- base e base de pavimentos, bem como camada de revestimento primário, com agregado reciclado de resíduo sólido da construção civil, denominado agregado reciclado, em obras de pavimentação.
NBR 15116:2004 - Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural – Requisitos.
Objetivo: Estabelece os requisitos para o emprego de agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil.