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Licitações Sustentáveis

Antes de abordar sobre Licitações sustentáveis, convém uma breve explanação sobre a legislação básica sobre as licitações no Brasil, a qual está amparada na Constituição Federal de 1988 que, em seu inciso XXI, do Artigo 37, traz a previsão legal que obriga que as obras, serviços, compras e alienações públicas sejam realizadas por meio de processo licitatório, assegurando a igualdade de condições a todos os participantes do processo. Foram então elaboradas normas gerais sobre licitações e contratos com a administração pública, descritas na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, atualizada pelas Leis nºs 8.883, de 8 de junho de 1994; 9.032 de 28 de abril de 1995 e 9.648 de 27 de maio de 1998 e, mais recentemente, a Lei nº10.520, de 17 de julho de 2002, que instituiu a sexta modalidade de licitação, denominada pregão e, também, pela Lei nº 12.349, de 15 de dezembro de 2010, que altera a Lei 8.666, trazendo critérios de desenvolvimento sustentável aos processos licitatórios.

Tais critérios também se evidenciam e são propostos na Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), em respeito às licitações públicas, orientando que Órgãos governamentais deverão adotar em suas licitações, seja de bens, serviços ou obras, o conceito

de Licitação Sustentável, também chamada de licitações verdes, que derivam da interação dos conceitos de licitação pública e desenvolvimento sustentável.

No Brasil, as compras públicas representam um montante de 10% do Produto Interno Bruto (PIB)12, mobilizando vários setores da economia, que buscam ajustar-se às exigências previstas nos editais licitatórios, onde estão asseguradas as regras da livre concorrência, mantendo o interesse do setor público em obter o melhor produto ou serviço, com o menor preço; porém, segundo a publicação citada, o modelo de licitação adotado pela maioria dos editais, é omisso em relação ao tema sustentabilidade. Mudanças vêm sendo observadas e as licitações sustentáveis estão encontrando guarida no atual momento político e econômico do país. Gestores públicos estão percebendo que essa modalidade de licitação é uma solução que busca integrar as questões ambientais e sociais, em todos os estágios do processo da compra e contratação pública, trazendo, entre outros, o benefício de reduzir impactos à saúde humana, ao meio ambiente e aos direitos humanos. A licitação sustentável permite o atendimento das necessidades específicas dos consumidores finais, por meio da compra do produto que oferece o maior número de benefícios para o meio ambiente e a sociedade; é um importante instrumento à disposição dos gestores públicos, que permite a adoção de medidas concretas em favor do desenvolvimento sustentável. Seguindo a mesma tendência, o setor privado deve estar atento para as oportunidades de negócios que se apresentarão e os cidadãos, com suas atitudes fiscalizadoras, deverão cobrar dos gestores públicos a adoção de medidas positivas em prol do meio ambiente, da sociedade e do uso racional dos recursos.

Referindo-se às compras sustentáveis, Baungartner (2005), escreveu que “as compras governamentais podem desenvolver a economia sustentável, proporcionando competitividade, estímulo ao mercado formal, proteção à concorrência, fomento à tecnologia, arrecadação de tributos, entre outros”. Na mesma linha, Justen Filho (2010, p. 60) refere-se à licitação como

“um instrumento jurídico para a realização de valores fundamentais e a concretização dos fins impostos à Administração”. Observa-se, então, que os processos licitatórios vêm sendo utilizados como instrumentos de regulação de mercado e promotores de políticas públicas, tornando a observância das exigências, neles contidos, obrigatórios para aqueles setores interessados em se tornar fornecedores para as compras do Estado. As alterações na Lei nº 8.666 contidas na Lei nº 12.349, citadas por Ferreira (2012, p. 41), trazem como uma das funções da licitação pública, a promoção do desenvolvimento nacional sustentável, observando que “outrora, os processos licitatórios podiam servir de instrumento para fomentar

12 BRASIL. Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. NETO. Ana Maria V. S. Contratações Públicas e Sustentáveis. Disponível em: <http://cpsustentaveis.planejamento.gov.br/?p=1407>. Acesso em 22. jan. 2014.

comportamentos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas que se revelam úteis ou necessários à promoção do desenvolvimento nacional sustentável. Agora, devem”. Tal expressão quando observada, possibilita considerar vantajosas e vencedoras, propostas que atendam normas ambientais, mesmo que seu preço não seja o menor.

As licitações verdes correspondem a uma forma de inserção de critérios ambientais e sociais nas compras e contratações realizadas pela Administração Pública, priorizando a compra de produtos que atendem a critérios de sustentabilidade, como facilidade para reciclagem, vida útil mais longa, geração de menos resíduos em sua utilização e menor consumo de matéria-prima e energia. Para isso, é considerado todo o ciclo de fabricação do produto e da extração da matéria-prima até o descarte.

Stroppa (2011, p. 21) define Licitação Sustentável como "um processo por meio do qual as organizações, em suas licitações e contratações de bens, serviços e obras, valorizam os custos efetivos que consideram condições de longo prazo, buscando gerar benefícios à sociedade e à economia e reduzir os danos ao ambiente natural".

Maneguzzi (2011, p. 22), ao definir as licitações verdes, além de citar a Agenda Ambiental na Administração Pública, traz também uma visão de cunho regulatório, onde o Poder Público age também como fomentador da produção sustentável:

Contratar (comprar, locar, tomar serviços...), adequando a contratação ao que se chama consumo sustentável, meta da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), levando em conta que o governo é grande comprador e grande consumidor de recursos naturais, os quais não são perpétuos: acabam. Como o governo compra muito poderia estimular uma produção mais sustentável, em maior escala, além de dar o exemplo.

Portanto, as compras através de licitações sustentáveis visam assegurar no procedimento licitatório que se respeitem os critérios ambientais dos produtos, obras e serviços a serem contratados, de modo que o Poder Público, ao averiguar a necessidade de contratar bens, obras ou serviços, o faça observando não somente o critério econômico, mas de igual modo o critério ambiental.

Várias são as formas e critérios que podem ser adotados nos processos licitatórios e a inclusão das alterações, após a Lei nº 12.349, deixou clara a possibilidade legal para que os objetivos do desenvolvimento sustentável estejam contidos nos editais de licitação. É de extrema importância que se observe, antes de tudo, a legalidade das exigências que se pretende estabelecer, tornando o processo justo, tanto para a administração pública, como também para os participantes do certame.

Bliacheris (2011) destaca, como características da política pública de licitações sustentáveis, a opção pela sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável como conceito aberto e verificável caso a caso; a transversalidade; a avaliação do produto ou serviço e não do fornecedor; o ciclo de vida do produto como medida de sustentabilidade e a ecoeficiência como fim da política pública. Segundo o mesmo autor, os conceitos envolvidos nas licitações sustentáveis são demasiadamente específicos e técnicos, exigindo intensa observação das normas, para afastar subjetividades e controle, garantindo a efetividade da política pública.

Como material de apoio para que Órgãos da administração pública se utilizem dos princípios do desenvolvimento sustentável nos processos licitatórios, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, através do projeto Compras e Inovação, publicou o

“Relatório de Diretrizes aos Planos de Gestão de Logística Sustentável - Compras Sustentáveis pela Inovação e por uma Economia Verde e Inclusiva”, onde, entre outros, pode- se encontrar um resumo de todo o material utilizado no Relatório, destacando as normas mais relevantes que norteiam o tema e a atuação do poder público no Brasil. Pode-se verificar, nas tabelas subsequentes, a divisão dos temas em Normas Gerais, Específicas e Vinculadas, tendo como referência, Betiol et al (2012)13.

Quadro 6 - Normas Gerais

Norma Objeto Artigo

Constituição Federal de 1988 Princípios Art. 37 CF – princípios que regem a administração pública

Art. 70 – princípio da economicidade Art. 170 – princípios gerais da atividade econômica, II, IV e VI

Art. 173 – regula a exploração direta de atividade econômica pelo Estado Art. 174 – princípios gerais do Estado como regulador econômico

Art. 225 – normas de proteção ao meio ambiente e princípio do

desenvolvimento sustentável Lei 8.666/93 Lei de Licitações e Contratos Artigos 3º e 12º.

Lei nº 12.349 de 15 de dezembro de 2010

Novo objetivo às contratações públicas: o desenvolvimento nacional sustentável

Altera o artigo 3º da Lei nº 8.666/93

Decreto (Presidencial) nº 7.746, de 5 de junho de 2012

Vinculado apenas aos órgãos da administração pública federal.

Estabelece critérios, práticas e diretrizes para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável nas contratações realizadas pela administração pública federal, e institui a

Regulamenta o artigo 3º da Lei 8.666/93

Artigos 2º, 4º, 5º, 6º, 7º e 8º

13 Disponível em <http://cpsustentaveis.planejamento.gov.br/wp-content/uploads/2013/11/Relatorio_Diretrizes_

MP_Final_30set13.pdf

Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública – CISAP

Instrução Normativa nº 1, de 19 de janeiro de 2010

Regulamentação das compras pela administração pública federal.

Dispõe sobre os critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação de serviços ou obras pela

Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional e dá outras providências

Artigos 4º, 5º e 6º

Lei nº 9605/98 Lei de Crimes Ambientais Dispõe sobre a impossibilidade de empresas contratarem com o poder público caso tenham sido

condenadas por crimes ambientais

Art. 72, § 8º

Decreto nº 4.131 de 14 de fevereiro de 2002

Dispõe sobre medidas emergenciais de redução do consumo de energia elétrica no âmbito da

Administração Pública Federal

Artigos 1º a 5º

Fonte: Betiol et. al, 2012 (adaptado pelo autor) Quadro 7 - Normas Específicas

Norma Objeto Artigo mais relevante

Lei Nº 12.462, de 4 de agosto 2011

Institui o Regime Diferenciado de Contratações Públicas – RDC, dentre outras disposições.

Artigos 1º, 3º, 4º Decreto nº 7.174, de 12 de

maio de 2010

Favorecimento do Setor de Informática e Automação Artigos 2º, 3º e 5º Decreto nº 5.940, de 25 de

outubro de 2006

Disciplina a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis.

Artigo 6º

Decreto nº 2.783, de 17 de setembro de 1998

Dispõe sobre proibição de aquisição de produtos ou equipamentos que contenham ou façam uso das substâncias que destroem a camada de ozônio - SDO pelos órgãos e pelas entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional

Artigo 1º

Portaria do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão SLTI/MP nº 02/2010

Regulamenta a compra de tecnologia da informação com critérios ambientais de sustentabilidade (TI verde)

Artigo 1º

Portaria nº 43 do Ministério do Meio Ambiente, de 28 de janeiro de 2009

Proíbe o uso do amianto em obras públicas e veículos de todos os órgãos vinculados à administração pública.

Artigo 1º

Resolução CONAMA nº 20, de 7 de dezembro de 1994

Dispõe sobre a instituição do selo ruído, de uso obrigatório para aparelhos eletrodomésticos que geram ruído no seu funcionamento

Portaria nº 61 do Ministério do Meio Ambiente, de 15 de maio de 2008

Estabelece práticas de sustentabilidade ambiental quando das compras públicas sustentáveis

Artigos 1º e 2º

Fonte: Betiol et. al, 2012 (adaptado pelo autor)

Quadro 8 - Normas Vinculadas

Norma Objeto Artigos relevantes

Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011

Lei de acesso à informação, regulamentada pelo Decreto nº 7.724, de 16 de maio de 2012 Obriga os órgãos públicos a prestarem informações de onde vem sendo aplicados os recursos públicos, dentre eles em compras e contratações governamentais

Artigos 6º, 7º e 8º

Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010

Política Nacional de Resíduos Sólidos

Destaca como um dos objetivos a prioridade nas aquisições e contratações governamentais de produtos reciclados e recicláveis, assim como de bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo social e ambientalmente sustentáveis

Art. 7, XI

Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010

Regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos Título XI (instrumentos econômicos) especificamente artigo 80, V Lei nº 12.187, de 29 de

dezembro de 2009

Política Nacional das Mudanças Climáticas

Tem como uma de suas diretrizes o estímulo e o apoio à manutenção e à promoção de padrões sustentáveis de produção e consumo e como um de seus instrumentos a possibilidade de estabelecer critérios de preferência nas licitações e concorrências públicas

Art. 5º, XIII Art. 6, XII

Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006

Favorecimento de Micro e Pequenas Empresas, regulamentada pelo Decreto nº 6.204/07. Objetivo de fomento econômico do setor

Capítulo V, seção única

Decreto nº 5.504, de 5 de agosto de 2005

Torna obrigatório o uso do pregão referencialmente na forma eletrônica – foco na contratação de bens e serviços comuns com recursos da União por parte dos Estados e DF,

Municípios Fomento da transparência e eficiência no uso dos recursos Públicos

Lei nº 10.295, de 17 de outubro de 2001

Lei da Eficiência Energética - dispõe sobre a política nacional de conservação e uso racional da energia, apregoa a alocação eficiente dos recursos energéticos e também a preservação do meio ambiente

Artigos 1º, 2º e 5º

Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981

Política Nacional do Meio Ambiente

Apresenta a possibilidade do poder público criar instrumentos econômicos de proteção ao meio ambiente, sendo possível apontar as contratações públicas sustentáveis uma dessas modalidades

Art. 9º, XIII

Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990

Lei do Regime Jurídico dos Servidores Públicos – dispõe a obrigatoriedade do servidor público, em sua atuação, proteger o meio ambiente.

Previsão de punição aos gestores públicos que não cumprirem com a sua obrigação de proteção ao meio ambiente

Artigo 116, III, c/c art. 124 e 127

Fonte: Betiol et. al, 2012 (adaptado pelo autor)

Considerando os expostos acima, evidencia-se que a adoção de políticas sustentáveis nos processos licitatórios é uma ação esperada e necessária aos Órgãos públicos e, mais especificamente no caso da UNICENTRO, objeto deste estudo, necessário se faz um trabalho junto aos gestores, principalmente, com os gestores envolvidos com Compras e Licitações,

para que tais princípios sejam adotados e façam parte das metas para que a instituição seja também disseminadora de mudanças, tanto nos atuais padrões de consumo e, ainda, como fomentadora do consumo consciente e do desenvolvimento sustentável, tendo o processo de compras sustentáveis como uma de suas propostas de ação.

2.10.1 Exemplos de aplicações de licitações sustentáveis na administração pública, publicados na edição do 4º Prêmio Melhores Práticas da A3P14

Muito aquém do esperado e do necessário é a aplicação das políticas sustentáveis nas licitações, porém, alguns exemplos vêm se destacando e poderão servir de modelo para que outros Órgãos da administração pública, seja na esfera federal, estadual ou municipal, se espelhem nessas ações, buscando pontos comuns que se enquadrem nos seus processos; e que, também, através da criatividade de seus gestores e colaboradores, desenvolvam procedimentos próprios, conforme a realidade do meio onde se está inserido e observando as leis, normas e regulamentos vigentes, sempre tendo como meta a adoção dos princípios do desenvolvimento sustentável. Comprovando que essas ações são passíveis de realização, citamos como exemplo, a Câmara dos Deputados, que, por meio do projeto “Regulamentando as Licitações Sustentáveis na Câmara dos Deputados - Esverdeando as Aquisições”, desde 2003 adotou nos processos licitatórios, a observância de quesitos socioambientais, fazendo constar nos editais as exigências legais de cunho ambiental, como por exemplo, as aquisições de papel com certificações e, ainda, papéis produzidos com bagaço de cana-de-açúcar, que estão em fase de testes. Nos processos para a aquisição de madeira ou derivados, o fornecedor deve possuir credenciamento ou registro junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e, também, deve comprovar a procedência legal da madeira através do Documento de Origem Florestal e que as espécies utilizadas não estejam entre as espécies ameaçadas. Para a aquisição de pilhas, recomenda-se a aquisição de recarregáveis e também a exigência da logística reversa, critério também utilizado na aquisição de pneus, conforme normas e resoluções em vigor.

Na aquisição de computadores, passou-se a exigir o cumprimento dos requisitos estabelecidos na norma IEEE1680 (estabelece padrões de sustentabilidade para equipamentos eletroeletrônicos), implementados pelo selo EPEAT (que é um órgão que avalia o impacto ambiental de um produto com base em quanto ele é reciclável), reconhecido pela Agência de

14 Disponível em <http://hotsite.mma.gov.br/foruma3p/wp-content/uploads/Cartilha-4%C2%BA- Pr%C3%AAmio-A3P.pdf> . Acesso em 30 jan. 2014.

Proteção Ambiental (EPA), na categoria GOLD, comprovando que o equipamento está de acordo com as exigências para controle do impacto ambiental em seu processo de fabricação.

Para os eletrodomésticos são exigidos o selo de eficiência energética do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL). Outras medidas como a exigência de embalagens com o menor volume possível e com reciclabilidade efetiva no Brasil, a aquisição de equipamentos médico-hospitalares e laboratoriais, onde o Departamento Médico e o EcoCâmara mantêm programas de segregação, retirada e descarte dos resíduos de serviços de saúde e dos componentes substituídos e ainda a contratação de empresa especializada no recolhimento e no descarte ambientalmente correto de resíduos químicos oriundos do serviço gráfico.

As ações adotadas não só alcançaram os objetivos propostos, como também estimularam os fornecedores a adotar métodos de produção sustentáveis, já que houve também aumento expressivo do número de processos licitatórios com requisitos ambientais.

Destaca-se também ação desenvolvida pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) que, em 2010, realizou o I Simpósio de Responsabilidade Socioambiental da Justiça do Trabalho com os Tribunais Regionais do Trabalho (TRT), buscando atender à A3P em Li- citações Sustentáveis. Criou-se, então, um grupo para elaborar um Guia com critérios de sustentabilidade para contratações da Justiça do Trabalho. Tal ação iniciou-se através de um seminário sobre o tema e seus aspectos jurídicos, seguido de reuniões, em sua maioria, virtuais. O Guia, recentemente lançado, aborda critérios a serem exigidos nos editais dos Órgãos da Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus e na Resolução CSJT 103, de 25 de maio de 2012, tendo como meta estipulada que 80% dos TRTs, até 2014, adotem plenamente o Guia.

Tal Resolução também instituiu o Fórum Permanente que conta com a participação de dois servidores de cada Tribunal Regional do Trabalho de 24 Regiões, sendo um titular e outro suplente, um representante da área de Responsabilidade Socioambiental e outro de área técnica relacionada a licitações e contratações. Esse Fórum é o ponto focal para o compartilhamento de sugestões, para a resolução de dúvidas, para a gestão do Portal de Contratações Sustentáveis (plataforma virtual para compartilhamento de editais, ideias e informações importantes sobre o tema), para cuidar das parcerias com outros órgãos, para propor eventos e capacitação para os Tribunais Regionais e para acompanhar as metas elaboradas pelos Órgãos da Justiça do Trabalho, para implementação das diretrizes propostas.

As ações citadas foram recentemente publicadas pelo Ministério do Meio Ambiente, através dos resultados do 4º Prêmio Melhores Práticas da A3P – Agenda Ambiental na Administração Pública, seguindo diretrizes da Agenda 21 brasileira.