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Fonte 38: Biquini Lycra Xtra Life

4.2 Luxo

O luxo continua sendo uma raridade, mas o que é raro hoje pode não ser exatamente o que era no passado. Diversos especialistas da área são unânimes em mencionar o tempo como o bem mais escasso da atualidade, seguido da autonomia, do silêncio, da beleza e do espaço. Luxo, nos dias atuais, é ter tempo para si próprio, é poder descansar em lugares tranqüilos e confortáveis, é poder usufruir e possuir o bom e belo.

O novo luxo envolve mais que o valor econômico e monetário intrínseco no material: estética e conceito, vinculados à simbologia e à linguagem do seu criador.

4.1.2 Os significados do luxo

O luxo possui diversos níveis de valores e significados, alguns universais e inerentes, que variam de acordo com o tempo e a sociedade.

Lipovetsky destaca que não há sociedade que rejeite o luxo. "A antropologia mostra que o luxo já existe desde o neolítico, onde o homem ao invés de pensar na escassez da caça se dedicava a fazer adornos e festas grandiosas sem preocupação com o desperdício". Antes mesmo de desenvolver as artes da civilização, o homem já usufruía o luxo.

Berry (1994) afirma que o conceito de luxo é determinado dentro de uma sociedade estabelecida, em um lugar e momento específico, ou seja, o luxo está totalmente relacionado à cultura. Bourdieu e Appadurai também apresentam um conceito com realce da dimensão social onde o gosto não é estabelecido por um indivíduo apenas, mas principalmente pelo meio social e cultural onde o mesmo vive.

Etimologicamente, "luxo" é originário da palavra "luxus", em latim, que significa "abundância, refinamento" De acordo com Castarède (2005) posteriormente e erroneamente, tentou-se aproximá-lo de dois termos parecidos: lux (luz) e luxuria (luxúria), o primeiro fazendo referência à luz e diz respeito à luminosidade, brilho, esplendor e, o segundo, faz relação a um gosto esplendoroso pela ostentação e o prazer ou a vaidade.

Segundo o sociólogo Domenico de Masi (2000), na sociedade industrial "os ricos exibiam a própria opulência, sobretudo para surpreender, intimidar e reforçar o poder que tinham e a insuperável distância que os separava da massa".

Sob aspectos impalpáveis, o luxo se associa a um signo e símbolo, a um código, comportamento, comodidade, conforto, a valores éticos e estéticos, ao reconhecimento, ao prazer e à satisfação e requinte. O luxo também se envolve com o raro, com a restrição, o exclusivo e, por isso, o alto custo. Por estar associado à qualidade, diferença, raridade, satisfação pessoal, reconhecimento, à preferência, ao desejo, ao inatingível, pode-se dizer que o luxo é uma diferenciação com custo mais elevado (Shermach, 1997;

Castarède, 2005).

Outra palavra importante para o entendimento do significado de luxo é a "tradição". Isso significa saber manter raízes, origens, estilos, autorias, a preservação das memórias, valorização do passado, reconhecimento, a preservação das tradições históricas e herança dos ancestrais e, portanto, valorizar o tradicional.

Assim, hoje, para muitos, luxo ainda está associado à suntuosidade, à pompa, à extravagância, magnificência, ao supérfluo, à frivolidade, à aparência, ao poder material, porém nota-se que progressivamente este conceito tem se modificado. De acordo com Lipovetsky (2004), o luxo é tradicionalmente visto como algo inacessível, mas essa é só uma das suas facetas.

4.1.3 O mercado de luxo no Brasil

Segundo o site Design Brasil, cresce o número de consumidores em todo o mundo de produtos de alto luxo. Na mesma medida, crescem os setores da economia, como a indústria têxtil, cosmética, perfumaria, bebidas, hotelaria e tantos outros que atendem “o mercado do luxo”, como a joalheria. O Brasil também entra na onda, estando entre os dez maiores mercados do mundo. Na América, só perde para os EUA.

Segundo Alberto Serrentino, sócio-diretor da Gouvêa de Souza &

MD. Se o luxo for associado a moda, beleza e jóias, estima-se que seja um mercado que movimente cerca de US$ 200 bilhões, globalmente. No Brasil, estima-se que esse mercado de luxo movimente R$ 5,5 bilhões e tenha cerca de 250 mil consumidores potenciais.

O brasileiro tem o perfil perfeito para esse tipo de compra: adquire produtos por impulso e se deixa levar pela emoção. Nesse sentido, o país tem apresentado um crescimento contínuo nos últimos cinco anos dentro deste mercado. São Paulo é a única cidade do mundo a ter quatro butiques da Montblanc. Das 320 lojas mundiais da Louis Vuitton, a de São Paulo, está na terceira posição entre as mais rentáveis por metro quadrado. Nos últimos anos, no eixo Rio-São Paulo, destacaram-se grifes como Tiffany e Fendi. Não importa como vai a economia do país, parece que as vendas só aumentam.

São exemplos que comprovam a ascensão do mercado no País.

Figura11: Produtos de Luxo Fonte: Design Brasil  

Porém, o consumidor no Brasil está cada vez mais exigente e a compra do produto em si já não basta. Um “algo mais” é a alma do negócio.

Ninguém compra uma Montblanc para escrever, um celular Vertu para falar, um óculos Vuitton para se proteger do sol ou um relógio Van Cleef apenas para ver as horas. As pessoas já não compram jóias por seus preços altos e inacessíveis mas pelos outros valores que o produto carrega consigo: tradição, funcionalidade, qualidade, status, moda e design.

Enfim, o que ontem era visto como direito de “berço” (linhagem, tradição, nobreza, aristocracia), hoje é considerado “conquista” (liderança,

realização). Hoje uma jóia pode ser adquirida por qualquer mortal, se seu símbolo representa ascensão pessoal, validação, apresentação pessoal, ou seja, o luxo integra um grupo de pessoas que venceram na vida através de suas conquistas profissionais. (Livro "O Poder do Design: da ostentação à emoção").

O luxo brasileiro também começa a ganhar espaço fora dos limites territoriais, o que reforça a globalização do mercado e a evolução da qualidade dos produtos e serviços brasileiros, que ganham robustez num mercado tão competitivo.

O faturamento do mercado do luxo em 2006 foi de US$ 3,9 bilhões, o que representa cerca de 1% do faturamento do mercado mundial e um crescimento de 32% se comparado ao ano anterior. No mesmo ano, o investimento brasileiro foi de US$ 680 milhões, 62% a mais que 2005. Deste total, 24% da verba foi alocada na área de comunicação e 20% na expansão do negócio.

Outro resultado importante se refere às cidades que tiveram maior crescimento do negócio do luxo. Só em São Paulo esse mercado cresceu 74%

em 2006; no Rio, 32%; em Belo Horizonte e Porto Alegre, 21%; e Curitiba e Distrito Federal, 16%. Vale ressaltar que para os próximos anos cidades do Norte e Nordeste brasileiro começam a surgir como destinos de investimentos e crescimento.

Um prestígio para o pais é a marca Louis Vuitton. Nos primeiros seis anos o Brasil teve uma participação muito “pequena”, diz Carlos Ferreirinha, para o site www.rldiseno.com. Hoje, as vendas de canetas e lenços de seda Louis Vuitton no país estão entre as cinco maiores do mundo. O leque de produtos, a cada ano, vem aumentando.

4.1.4 Consumo de artigos de luxo

O brasileiro é tido como um dos que mais gasta em suas viagens, tanto em compras como em serviços adicionais nos hotéis de alta categoria. De acordo com a Core Brazil, as principais capitais do País são as que mais

concentram os viajantes endinheirados: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Santa Catarina.

Além disso, os destinos mais procurados pelos brasileiros no mercado turístico de luxo são os países da Europa (como Itália e França), América do Sul (principalmente Argentina), Ásia e Estados Unidos. E segundo levantamento do Banco Central, em março de 2007, os turistas brasileiros deixaram US$ 521 milhões no exterior em despesas de viagem, o que representa 4,62% a mais do que um mês antes. No mesmo período, os desembarques internacionais cresceram 6,38%, atingindo 1,283 milhão, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

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