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Com a finalidade de compreender as possíveis concepções das professoras de pré- escola sobre as ações de formação continuada proposta pelo Pnaic para EI, oferecida pela Secretaria Municipal de Educação de Jataí, a presente pesquisa delineou-se por meio dos aportes de uma abordagem qualitativa, com a fundamentação teórica e bibliográfica de estudo documental e pesquisa empírica. A respeito da pesquisa qualitativa, Triviños (2015, p. 129) afirma que

a pesquisa qualitativa de tipo histórico-estrutural, dialética, parte também da descrição que intenta captar não só a aparência do fenômeno, como também sua essência. Busca, porém, as causas da existência dele, procurando explicar sua origem, suas relações, suas mudanças e se esforça por intuir as consequências que terão para a vida humana.

Desta maneira, ao fazer uso da abordagem qualitativa na pesquisa, procuramos fazer algo que descreva e interprete as exposições de um determinado fato, sem deixar de considerar os vínculos sociais, históricos e culturais dos sujeitos envolvidos. Seguindo a mesma compreensão, Minayo (2009) acrescenta que a abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados a partir de uma realidade que não é visível, e precisa ser exposta e interpretada, em primeira instância, pelos próprios pesquisados. Para isso, recorremos ao materialismo histórico-dialético para compreender a realidade que envolve a formação continuada dos professores na esfera do Pnaic para a Educação Infantil.

Desse modo, em um movimento inverso, que vai do todo para as partes e das partes para o todo, procuramos elucidar nosso objeto de estudo, ou melhor, fazer uma análise minuciosa dos elementos da realidade que compõem seus determinantes ou suas condições históricas sociais para chegar ao concreto pensado, como afirma Marx (2011, p. 77), “o concreto é concreto porque é síntese de múltiplas determinações”.

O método de análise, de acordo com Marx (2013), permite pensar uma realidade concreta vivida pelos homens. Baseia-se no fato de partirmos do abstrato em direção ao concreto; melhor dizendo, o pensamento apropria-se do concreto e torna-se o concreto pensado, síntese das relações sociais, isto é, a totalidade do trabalho realizado pelo professor, o que coincide com a definição de sujeito docente como aquele trabalhador que desenvolve algum tipo de docência, aquele que exerce o trabalho docente.

Nesse sentido, como afirma Lima (2010, p. 52, grifos no original),

a forma imediata, abstrata, fenomênica, é sempre a forma como esse objeto se constitui. O suposto fundamental para Marx é que as coisas não são o que elas apresentam. Nessa perspectiva, o pensamento científico apreende o concreto, a essência, o mediato que não está dado na sua aparência. Rompe-se, assim, com o nível de representação, tirando o que ele encobre, visto que o compromisso é de revelar a realidade e a verdade. É preciso ainda mencionar que esta aparência, além de ser falsa é ilusória, mas é real, e Marx aponta que não é uma coisa ou outra, mas uma coisa e outra. É real enquanto existência concreta, mas é ilusória na medida em que não expressa as relações que de fato são constituídas.

Para tirar o véu do objeto, este estudo procura analisar se a formação continuada proposta pelo Pnaic adota uma perspectiva de qualidade social em relação a práxis (teoria- prática) pedagógica de todos os envolvidos no trabalho docente. Tanto a teoria como a prática necessitam ser compreendidas como um processo que se estabelece a partir da atividade humana e, como tal, são processos da vida real. Evidenciando a postura afirmativa de Marx e Engels (2002, p. 19), procuramos apreender a formação continuada em termos concretos, não do que é dito e representado na forma aparente das políticas de formação,

imaginam e representam, tampouco do que eles são nas palavras, no pensamento, na imaginação, na representação dos outros, para depois se chegar aos homens de carne e osso; mas partimos dos homens em sua atividade real, é a partir de seu processo de vida real que representamos também o desenvolvimento dos reflexos e das repercussões ideológicas desse processo vital.

Destarte, a investigação da formação continuada de professores no âmbito da EI necessita descortinar as aparências, refletir criticamente sobre o contexto no qual os docentes

estão inseridos e, assim, entender as contradições, sem perder de vista as determinações do tempo histórico no qual estão inseridos o objeto e os sujeitos pesquisados.

O enfoque marxiano parte de uma abordagem ontológica do conhecimento da realidade, que se encontra na construção de nossa imagem de mundo e pressupõe o conhecimento de cada modo do ser, bem como de suas interações com outros seres.

Para Gamboa (2007), o homem é o responsável pelas transformações que acontecem na sociedade, e acrescenta que a “dialética histórico-materialista considera que todo fenômeno deve ser entendido como parte de um processo histórico maior. No caso da educação, suas transformações estão relacionadas com as transformações culturais e sociais” (p. 115-116). De acordo com esse autor, é preciso “compreender a dinâmica da sociedade onde os processos educativos se realizam e adquirem sentidos” (GAMBOA, 2007, p. 116), pois trata-se de um questionamento crítico-dialético, o qual favorece o vínculo entre o sujeito e o objeto, buscando retirar do sujeito a síntese, assim como do objeto.

Na ótica da dialética, a visão de mundo é construída e transformada pela contradição dos fatos, ou seja, a união dos contrários e da totalidade em movimento. É uma descoberta que implica qualidade no movimento das relações entre os elementos que compõem a sociedade, entre eles, o homem como ser histórico e social.

Deste modo, a dialética materialista não é a comprovação de uma categoria do conhecimento obtido, porém, é o meio de transformação desse conhecimento real por meio de uma análise crítica e concreta do objeto real. Conforme as considerações de Kosik (1976, p. 9, grifos no original),

a dialética trata da “coisa em si”. Mas a “coisa em si” não se manifesta imediatamente ao homem. Para chegar à sua compreensão, é necessário fazer não só certo esforço, mas também um détour. Por este motivo o pensamento dialético distingue entre a representação e conceito da coisa, com isso não pretendemos distinguir apenas duas formas e dois graus de conhecimento da realidade, mas especialmente e, sobretudo, duas qualidades da práxis humana.

É esse movimento que separa a aparência da essência, aquilo que tem pouca importância do essencial, de modo a uma análise crítica das partes enquanto unidade; e, a partir disso, reconstruir o objeto perfazendo o caminho inverso.

Desta maneira, para este estudo, foi necessário considerar informações sobre determinadas realidades das professoras, em diversos contextos sociais, com a intenção de investigar as concepções das professoras de EI que giram em torno do nosso objeto de estudo.

Isso será necessário para desvelarmos a opacidade que se entremeia junto à prática docente.

Após a análise, anunciaremos as características básicas na forma de categorias simples e gerais, a partir das quais chegaremos a “uma rica totalidade de muitas determinações e relações” (MARX, 2011, p. 77).

Segundo Lima (2010), é preciso um movimento de desopacização, que constitui um instrumento que não tem fim, porque, à medida que vai se revelando, essa realidade vai sendo produzida de maneira opaca novamente. A pesquisa trabalha com pessoas sujeitas a mudanças e transformações; diante disto, é necessária a utilização de diversos recursos metodológicos para uma compreensão e apreensão da realidade em que se encontram inseridas as professoras participantes.