Para a coleta de dados eleger-se-á 02 (dois) métodos, sendo um quantitativo e outro qualitativo. Essa escolha discricionária funda-se na necessidade de apurar os aspectos numéricos do estudo de caso, bem como presta para analisar o teor conteudista da base de dados extraída da CVP da Torre.
Com a aplicação do método quantitativo nesta pesquisa, buscar-se-á quantificar, por meio da percentagem aritmética, o número de professores que interagem nos 02 (dois) cursos/disciplinas de MBA e extensão com maior número de intervenções na CVP. A apuração numérica é importante para assegurar a exatidão dos dados e confiabilidade da pesquisa. “(...) o método quantitativo representa, em princípio, a intenção de garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análise e
interpretação, possibilitando, consequentemente, uma margem de segurança quanto às inferências” (RICHARDSON, 2012, p. 70).
A perspectiva qualitativa será efetuada mediante análise apurada do teor das mensagens postadas pelos professores na CVP nos 02 cursos/disciplinas de MBA e extensão mais movimentados na comunidade social corporativa. Pretender-se-á observar e apontar elementos que viabilizem compreender o fenômeno social posto à averiguação. “A abordagem qualitativa de um problema, além de ser uma opção do investigador, justifica-se, sobretudo, por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social” (RICHARDSON, 1989, p. 79).
Comparativamente, “o método qualitativo difere, em princípio, do quantitativo à medida que não emprega um instrumento estatístico como base do processo de análise de um problema. Não se pretende numerar ou medir unidades ou categorias homogêneas” (RICHARDSON, 1989, p. 79). Em razão disso, Vieira (2006) aduz que cada método em particular possui características próprias e visa promover análises específicas.
Método quantitativo: endossam a objetividade e positividade dos dados apresentados;
Método qualitativo: asseguram a riqueza da base de dados por permitir a inferir o fenômeno social em sua amplitude.
A “combinação” metodológica “quantitativa/qualitativa” é bastante usual e aceita na Academia por propiciar a verificação exata dos dados, numericamente, bem como por facilitar o entendimento sobre o objeto a ser tratado. “A pesquisa moderna deve rejeitar como uma falsa dicotomia a separação entre estudos “qualitativos” e
“quantitativos”, ou entre ponto de vista ‘estatístico’ e ‘não estatístico’. Além disso, não importa quão precisas sejam as medidas, o que é medido continua a ser uma qualidade”
(W. GODE; P. K. HATT, 1973, p. 398).
4.4.1 Levantamento amostral
Os dados quantitativos foram extraídos da CVP da Torre no período de 15 de setembro de 2014 a 15 de março de 2015, porém os mesmos foram atualizados até o dia 07 de abril do ano corrente, a fim de conferir maior progressão à pesquisa.
A investigação exploratória dar-se-á em 04 (quatro) tipologias de cursos/disciplinas: Extensão Livre, MBA Livre, MBA Corporativo e MBA Presencial com oferta de disciplina online), sendo que em cada qual explorar-se-á as 02 (duas) discussões com maior número quantitativo de interações promovidas pelos docentes. O numerário de intervenções (I) coletas é apresentado no quadro abaixo:
Tabela 5 - Número quantitativo de intervenções (I) na unidade de pesquisa selecionada
LEVANTAMENTO AMOSTRAL
N.º DE
INTERVENÇÕES (I)
Extensão Livre 1 e 2 183 (I)
MBA Livre 1 e 2 190 (I)
MBA Corporativo 1 e 2
719 (I)
MBA da Rede Presencial com oferta online 1 e 2 41 (I)
TOTAL 1.133
Fonte: O AUTOR, 2015.
O levantamento numérico ou coleta amostral preocupou-se em obter dados que fossem representativos, em aspectos quantitativos, no contexto da unidade de pesquisa selecionada, para fins de testes aritméticos, comparações e conclusões.
4.4.2 Categorias de análises qualitativas
Para fins de análise qualitativa, apreciar-se-á o teor das mensagens (postagens) efetuadas pelos docentes participantes na unidade de amostra selecionada e que foram
publicadas no período compreendido entre a criação da discussão no ambiente da CVP até o dia 08 de abril de 2015, data essa em que foi conferida a última atualização da base de dados por esse pesquisador.
Em se tratando de caso peculiar, atender-se-á priorizar as simbioses entre os elementos presentes nos textos-mensagens dos docentes, destacando os trechos relevantes que apontem caminhos capazes de ratificar ou retificar o postulado da pesquisa formulada. Além disso, busca-se autorizar carear as constatações com os resultados provenientes do levantamento quantitativo de feição numérica.
Em casos em que a amostra é reduzida e sistematicamente selecionada, como a utilizada neste estudo, recomenda-se aplicar o método de análise de conteúdo a fim de ressaltar a significância das composições e resultados encontrados. Segundo Bauer e Gaskell (2002), com a aplicação dessa técnica torna-se legítimo e também viável o tratamento de dados em que se pretenda identificar o que é dedicado em determinado tema ou assunto.
Para Berelson (1954, p.18), trata-se de “uma técnica de pesquisa para a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação”. Já Vergara recordando Bardin traz a seguinte definição:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 1977 apud VERGARA, 2005, p. 15).
A análise de conteúdo é autorizada quando se trabalha com textos escritos, podendo ser: produções acadêmicas, transcrições de entrevistas, textos jornalísticos ou protocolos de observação, pois a partir do conteúdo codificado formalmente torna-se possível o cientista inferir constatações que denotam o teor da mensagem comunicada (CAREGNATO; MUTTI, 2006; VERGARA, 2005).
Para Richardson (1989, p.225), o espectro pode ser dilatado ante ao amplo volume de maneiras existentes para se comunicar, estando o campo de aplicação da metodologia de análise restrita apenas pela criatividade do cientista, podendo ser, exemplificadamente:
desmascaramento da ideologia subjacente nos textos didáticos;
diferenças culturais refletidas na literatura;
avaliação da importância do sinais no transito urbano;
reação das pessoas a programas de rádio ou televisão;
levantamento do repertorio semântico ou da sintaxe de jornais ou revistas;
levantamento do universo vocabular de uma população;
análise de estereótipos sociais, culturais ou raciais das fotonovelas; e
detecção de intenções em um discurso político.
No caso em particular, todo o teor dos diálogos travados entre os professores atuantes no segmento online de educação a distância da Torre encontram-se integralmente codificados e registrados em linguagem escrita. A interação ocorre por escrito tendo em vista que o suporte de fixação tecnológico utilizado na CVP prioriza esse tipo de linguagem entre os participantes.
O próximo passo para proceder o exame de conteúdo em estudos de caso é estabelecer algumas classes de análise, pois o “procedimento básico da análise de conteúdo refere-se à definição de categorias pertinentes aos propósitos da pesquisa”
(VERGARA, 2005, p. 18).
Nessa “tipagem” metodológica, as categorias devem ser definidas previamente, a partir da literatura concernente ao objeto investigado (CAREGNATO; MUTTI, 2006;
VERGARA, 2005). Todavia, a escolha discricionária das ordens analíticas não significa uma prisão das capacidades do espírito, pois esse estudo não avalia o impacto da transferência do conhecimento na aprendizagem social e no desempenho da empresa, esses aspectos estão além do escopo do trabalho.
Para Richardson (1989, p. 223), as categorias de análise devem atender 4 (quatro) quesitos fundamentais: “i) homogeneidade (não misturar critérios de classificação); ii) exaustividade (classificar a totalidade do texto); iii) exclusão (um mesmo elemento do conteúdo não pode ser classificado em mais de uma categoria, e iv) objetividade (codificadores diferentes devem chegar aos mesmos resultados)”.
Em observância às condições apresentadas, levantar-se-á, para esse estudo, algumas categorias de análises resultantes da fundamentação técnica que se encontram presentes nos capítulos teóricos dessa pesquisa, vejamos:
Quadro 7 - Categorias para a análise de conteúdo
CATEGORIAS DE ANÁLISE
Ambiente favorável à crítica/questionamento e transferência de conhecimento
Confiança
Estratégias para a transferência de conhecimento tácito
Poder
Reconhecimento e recompensa Rede de relacionamento
Fonte: O AUTOR, 2015.
Mediante a submissão ao método de análise de conteúdo, realizar-se-á o tratamento e interpretação hermenêutica das mensagens a contento na base de dados da CVP, observando a delimitação da amostra. Além disso, aspirar-se-á identificar ou até mesmo localizar traços e elementos decorrentes das categorias de apreciação extraídas da fundamentação teórica. Com isso, e a partir das inferências percebidas pela análise e dos resultados interpretativos das postagens (mensagens), pretender-se-á confirmar ou negar a hipótese levanta no introito desse estudo.