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Capítulo VIII IrrigaçãoIrrigação

8.4. Manejo da Irrigação

O manejo da irrigação envolve a tomada de decisão sobre quando e quanto irrigar. Entre os métodos de manejo da irrigação disponíveis, os mais acessíveis ao produtor baseiam-se em: (1) turno de rega calculado; (2) medidas do teor ou do potencial da

Fig. 8.5. Produtividade do terceiro ciclo das bananeiras ‘Pra- ta Anã’ e ‘Grande Naine’ sob diferentes níveis de irrigação no Norte de Minas Gerais, Nova Porteirinha, 2001.

y = -2E-05x2+ 0,0442x + 35,703 R2= 0,9715

50 52 54 56 58 60 62 64

0 200 400 600 800 1000 1200

Irrigação (mm)

Produtividade(t/ha)

Grande Naine

y = -7E-06x2+ 0,0174x + 24,291 R2= 0,9904

30 31 31 32 32 33 33 34 34 35 35

0 200 400 600 800 1000 1200

Irrigação (mm)

Produtividade(t/ha)

Prata Anã

8.4.1. Turno de rega calculado

O turno de rega (TR) ou freqüência de irrigação (dias) é dado pela seguinte equação:

(1)

onde LRN = lâmina real necessária ou lâmina líquida (mm) a ser reposta a cada irrigação e ETc = evapotranspiração da cultura.

O valor de LRN pode ser dado por:

(2)

onde θCC e θPM = correspondem à umidade do solo (cm3/cm3) na capacidade de campo e no ponto de murcha permanente, respectivamente; z = profundidade efetiva do sistema radicular (mm); e f = redução máxima permissível da disponibilidade de água no solo (decimal), sem causar redução significativa (física e econômica) na produtividade da cultura.

Sugere-se usar valores para f entre 30% e 35%. Tem-se verificado que mais de 86% da extração de água pelas raízes tem-se dado até 40 cm de profundidade, embora o sistema radicular, dependendo do tipo de solo, possa chegar a 2,0 m.

Com isso, sugere-se 50 cm, como valor de z para a bananeira.

8.4.2. Medidas do teor ou do potencial da água no solo

Nesse caso, o momento da irrigação é determinado pelo estado atual da água no solo, por meio de sensores, quer para determinação da umidade, quer para determinação

TR = LRN ETc

LRN = (θCC - θPM) z f

. .

ou estado de energia da água no solo pode auxiliar o produtor a decidir quando irrigar. Dos componentes do estado energético da água no solo, o potencial matricial é o mais importante no manejo da irrigação. Nesse caso, utiliza-se um tensiômetro do tipo vacuômetro ou um tensímetro digital, que indicam o potencial matricial da água no solo (ψm) em função da umidade, a uma dada profundidade. Existe uma tensão crítica (ψmc), além da qual é imprescindível a irrigação.

Conhece-se a umidade critica (θc) a partir de ψmc, com o uso da curva de retenção de água no solo. O ψm é expresso em unidades de pressão como bar, atm e kPa. Os níveis de tensão de água no solo recomendados para a bananeira situam-se entre -25 kPa a -45 kPa para camadas superficiais do solo (até 0,25 m), e entre -35 kPa até -50 kPa para a profundidade próxima de 0,40 m.

Um ponto importante a ser observado é quanto à localização dos sensores no perfil do solo. Essa localização deve estar embasada na distribuição da extração de água no volume molhado do solo, onde se situa o sistema radicular da bananeira. Não adianta instalar tensiômetros onde não há absorção ou onde a absorção não seja significativa. A pesquisa tem mostrado que as regiões de maior ou menor absorção variam, principalmente, com o manejo da irrigação, que determina o volume de água a ser aplicado na cultura.

No caso da bananeira, recomenda-se instalar os tensiômetros em quatro baterias por hectare, sendo cada bateria composta por dois tensiômetros instalados em profundidades entre 20 e 40 cm e na distância de 30 a 40 cm da planta em direção ao microaspersor (Fig. 8.6).

8.4.3. Instrumentos de evaporação

Dentre os instrumentos de evaporação usados em manejo da irrigação destaca-se o tanque Classe A. O tanque é prático e de fácil aplicação, podendo portanto ser usado para definir a quantidade de irrigação, quando não for possível o uso de outros métodos de manejo.

O uso do tanque Classe A para manejo da irrigação, além de servir na determinação da ETo, permite obter uma relação direta entre ECA e ETc, por meio de um fator de conversão (k), como se segue:

(3) onde ETc = evapotranspiração da cultura e ECA = evaporação do tanque Classe A.

A equação acima representa uma outra maneira de usar- se o tanque Classe A para fins de manejo da irrigação. A princípio, sugere-se, um valor de k igual a 0,6, que poderá ser ajustado pelo

Fig. 8.6. Disposição de tensiômetros para determinar o momento da irrigação em bananeira.

Foto: Eugênio Ferreira Coelho

ETc = k x ECA

Nos métodos de manejo considerados, a LRN (lâmina real ou líquida necessária) corresponderá à diferença entre a ETc e a precipitação efetiva, que, caso não possa ser determinada, poderá ser a total. O valor da LRN não inclui as perdas inevitáveis de água inerentes a todo sistema de irrigação. Determina-se então a lâmina total necessária, como se segue:

(4)

onde LTN = lâmina total necessária ou lâmina bruta de irrigação a ser aplicada (mm) e Ea é a eficiência de aplicação (decimal) do sistema de irrigação usado.

8.4.4. Balanço aproximado de água no solo

O balanço aproximado de água no solo, recomendado para sistemas de alta eficiência de irrigação, tal como a microaspersão, consiste em fazer um balanço entre o que entra no sistema solo- planta, considerando a precipitação pluvial efetiva e a irrigação, e o que sai do sistema, no caso, a evapotranspiração, uma vez que se considera desprezível as perdas por percolação e por escoamento superficial. É um balanço aproximado, porque não leva em conta a redução permissível da disponibilidade de água do solo ou a lâmina real necessária para os cálculos.

O cálculo da lâmina de irrigação, nesse método, segue os seguintes passos:

1. Coleta de dados da precipitação pluvial ou chuva (PT) e da evapotranspiração potencial (ETo) em mm. A ETo pode ser estimada por meio de diferentes equações, apresentadas em aplicativos (REF-ET, SISDA, além de outros), ou por leituras diretas em estações meteorológicas automáticas. A precipitação

LTN = ,Ea LRN

1.1. Calcula-se a redução permissível da água disponível do solo para as plantas, ou (θCC - θPM) z f, que será tomada como valor limite da PE, isto é, se PT > (θCC - θPM) z f, PE = (θCC - θPM) z f. Se PT < (θCC - θPM) z f, PE = PT.

2. Cálculo da evapotranspiração da cultura (ETc) em mm. Esse cálculo envolve a equação ETc = ETo x Kc, onde os coeficientes de cultura podem ser obtidos das Fig. 8.2 e 8.3.

3. Cálculo do volume total necessário (VTN) em litros. O volume de água de irrigação será dado pela equação:

(5) onde Am é a área molhada pelo microaspersor em m2 e Ea é a eficiência de irrigação do sistema, que pode ser tomada como 0,85, ou seja, 85%, na falta de dados disponíveis.

O tempo de irrigação é calculado dividindo o volume total (VTN) a ser aplicado pela vazão do microaspersor.

4. Se a precipitação efetiva for superior à evapotranspiração da cultura, isto é, PE>ETc, usa-se a diferença (PE – ETc) como precipitação para ser somada à precipitação total na próxima irrigação, obedecendo o mesmo critério estabelecido em 1.1.