O mapa de uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do Rio Gravatá demonstrou o predomínio das classes vegetação arbórea (45,20%) e vegetação herbácea (31,42%), seguido pelas classes urbanização (21,73%) e em menor expressão, solo exposto (1,34%) e espelho de água (0,30%), conforme demonstra a Tabela 12 e Figura 5. Nas encostas da bacia do Rio Gravatá é verificada a ocupação predominante de vegetação nativa (Mata Atlântica). Na região de planície prevalece a urbanização e a pastagem, sendo que a urbanização se encontra em maior proporção na faixa litorânea e a pastagem nas regiões com contexto rural. Ainda, na região de planície são observados em menor escala fragmentos da Mata Atlântica, seguidos pelas lagoas provenientes da mineração de areia (Figura 6) e áreas com solo exposto (Figura 7).
Tabela 12 - Classes de uso e ocupação do solo e suas respectivas áreas da bacia hidrográfica do rio Gravatá (SC).
Classes de uso e
ocupação do solo Área (km) Área (ha) Porcentagem de ocupação (%) Vegetação arbórea 13,12 1312,33 45,20
Vegetação
herbácea 9,12 912,26 31,42
Urbanização 6,31 630,88 21,73
Espelho de água 0,09 8,72 0,30
Solo exposto 0,39 39,00 1,34
Total 29,03 2903,19 100,00
Figura 5 - Mapa de classificação do uso e ocupação do solo da bacia hidrográfica do rio Gravatá (SC).
Figura 6 – Lagoas provenientes da mineração de areia, Bairro da Santa Lídia, Navegantes (SC).
Figura 7 – Área com solo exposto no Bairro da Santa Lídia, Navegantes (SC)
O mapa de uso e ocupação do solo elaborado para a bacia hidrográfica do Rio Irirí revela o predomínio das classes vegetação arbórea (38,89%), vegetação herbácea (31,81%) e urbanização (27,27%), sendo que as classes solo exposto e espelho de água representam áreas reduzidas (1,01% cada) (Tabela 13; Figura 8). A distribuição do uso e ocupação do solo da bacia do Rio Irirí é semelhante com a bacia do Rio Gravatá. Nas encostas da bacia do Rio Irirí ocorre a ocupação predominante por Mata Atlântica. Na região de planície prevalece a urbanização e a pastagem, sendo que a pastagem encontra-se em maior proporção nas regiões com contexto rural. São observados em menor escala na região de planície fragmentos da Mata Atlântica seguidos pelas áreas de solo exposto e lagoas artificiais. De modo geral, as lagoas são resultantes da mineração de areia, exceto as lagoas que foram construídas com finalidade paisagística na área pertencente a um parque temático.
Tabela 13 - Classes de uso e ocupação do solo e suas respectivas áreas da bacia hidrográfica do rio Irirí (SC).
Classes de uso e
ocupação do solo Área (km) Área (ha) Porcentagem de ocupação (%) Vegetação arbórea 6,82 682,45 38,89
Vegetação
herbácea 5,58 558,24 31,81
Urbanização 4,79 478,54 27,27
Espelho de água 0,18 17,74 1,01
Solo exposto 0,18 17,75 1,01
Total 17,55 1754,72 100,00
Figura 8 - Mapa de classificação do uso e ocupação do solo da bacia hidrográfica do rio Irirí (SC).
Ao longo das bacias hidrográficas do Rio Gravatá e do Rio Irirí é verificado o predomínio da classe vegetação arbórea, a qual é constituída pela Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica) e pelas suas subdivisões: Floresta Ombrófila Densa Aluvial (Floresta Ciliar), Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas e Floresta Ombrófila Densa Submontana. Bem como pelas formações vegetais, Formação Pioneira com Influência Marinha (restinga) e Formação Pioneira com Influência Fluviomarinha (manguezal/marisma). Essas encontram- se atualmente em processo de fragmentação, resultado do crescimento urbano e da expansão das áreas de pastagem, podendo provocar a perda da diversidade animal e vegetal. A classe vegetação arbórea é composta também por áreas de reflorestamento com pinus, essas são observadas nas regiões com características rurais em ambas as bacias. A Formação das Terras Baixas ocorre nas planícies costeiras com topografia variando de 5 a 30 metros de altitude, enquanto a Formação Submontana é observada nas encostas com altitudes que variam de 30 a 400 metros. A Formação Aluvial ou mata ciliar ocorre ao longo dos cursos de água e não varia topograficamente (IBGE, 1992), sendo que nas bacias estudadas ocorre na região potamal sem a influência da salinidade. Na região estuarina as margens dos rios Irirí e Gravatá são constituídas pela Formação Pioneira com Influência Fluviomarinha (manguezal/marisma), pois nesses ambientes há uma grande influência de maré (#1, #2 e #3 da bacia do rio Irirí; #1 e #2 da bacia do rio Gravatá). A área de estudo é constituída também pela Formação Pioneira com Influência Marinha (restinga), a qual encontra-se na faixa litorânea da Praia do Gravatá (Navegantes) e da Praia Alegre (Penha).
A atividade de pecuária influencia diretamente na forma das paisagens das bacias hidrográficas do Rio Irirí e Rio Gravatá, resultado da substituição da vegetação nativa por pastagem (Brachiaria sp.). Ainda, a supressão da vegetação ripária para inserção de pastagem proporciona o agravamento dos processos erosivos nas margens dos rios das bacias estudadas (Figura 9). Evans (1998) e Aumond et al. (2009) afirmam que o pastoreio aumenta a densidade do solo, a taxa de erosão das margens e faz com que o escoamento superficial induza a formação de sulcos e ravinas. De acordo com Dias e Thomaz (2011) há uma preferência do pastoreio do gado nas zonas ripárias devido a maior disponibilidade de forragem, proximidade da água e condições de conforto térmico. Além disso, as áreas ripárias utilizadas para pastoreio apresentam maior sensibilidade frente aos processos erosivos, uma vez que os gados removem a vegetação das margens, eliminando a função de filtro exercida pela mata ciliar e tornando mais frequente a deposição de sedimentos oriundos da encosta no interior dos riachos. As pastagens são mais prejudiciais aos ambientes aquáticos que as áreas cultivadas, pois contribuem significativamente para o assoreamento (YANKEY et al., 1991 apud WOHL & CARLINE, 1996). Deste modo, os mananciais de ambas bacias estudadas, devido às grandes extensões das margens
ocupadas por pastagem, encontram-se vulneráveis aos impactos ambientais provenientes do pastoreio.
As áreas de urbanização nas bacias hidrográficas dos rios Irirí e Gravatá estão localizadas em maior proporção na faixa litorânea, observando-se também edificações nas margens dos rios em áreas de APP (mata ciliar). Conforme Tucci (1997) as construções de edificações, pavimentação de ruas e outros processos de ocupação das cidades resultam na impermeabilização do solo, causando o aumento do escoamento superficial da água e o rebaixamento do lençol freático. O aumento do volume de água escoado para os cursos d’água, associado ao assoreamento dos mesmos, resulta em inundações, as quais podem implicar em graves prejuízos para a população que ocupa as margens dos rios. A supressão da mata ciliar para a construção de edificações ou estradas (Figura 10), além de aumentar a vulnerabilidade da população que ocupa essas áreas à ocorrência de cheias, implica na perda da qualidade dos mananciais, pois a mata ciliar exerce importantes funções ecológicas. Segundo Lacerda & Figueiredo (2009) a vegetação ripária absorve a água proveniente do escoamento superficial, contribuindo para a redução dos processos erosivos e filtra a água que pode estar contaminada com resíduos químicos das atividades agrícolas, evitando a contaminação do curso d’água. Ainda, como os municípios de Navegantes e Penha não possuem tratamento adequado dos esgotos domésticos, esses são lançados diretamente nos corpos de água das bacias. Em consequência, pode ocorrer a diminuição do oxigênio dissolvido e eutrofização dos rios, considerando que águas residuárias, sem o devido tratamento, são ricas em matéria orgânica e nutrientes (ARBUCKLE& DOWNING, 2001). Desta forma, a urbanização pode constituir-se em uma fonte de poluição e alteração dos rios nas bacias hidrográficas do rio Irirí e Gravatá.
Figura 9 – Presença de pastagem na área rural do município de Penha (SC).
Figura 10 – Ocupação urbana nas margens do Rio Gravatá, Bairro do Gravatá, Navegantes (SC).
As áreas com solo exposto nas bacias hidrográficas do Rio Irirí e Rio Gravatá são, no geral, oriundas da atividade de mineração e da ampliação ou inserção de novos loteamentos.
Essas áreas podem acarretar em impactos ambientais negativos para os cursos de água de ambas as bacias, pois favorecem a ocorrência de processos erosivos que acarretam no transporte das partículas de solo para os rios, podendo promover o aumento da turbidez e o assoreamento dos córregos. Ainda, a área de estudo apresenta um grande número de estradas de terra, essas contribuem também para o assoreamento dos mananciais das bacias estudadas, pois segundo Espíndola et al. (2003) as estradas sem pavimentação apresentam os maiores índices de perda do solo pela erosão decorrente do escoamento superficial. Assim, essas vias são multiplicadoras do efeito de carreamento superficial de materiais para o interior dos rios das bacias hidrográficas do Rio Irirí e do Rio Gravatá. As áreas com a superfície do solo desprovida de vegetação podem resultar em impactos negativos para o próprio solo, pois essas ficam mais expostas ao impacto das gotas da chuva o que pode induzir o processo de compactação e a consequente degradação deste.
O solo exposto sofre com modificações nas suas características físicas, na rugosidade superficial, na porosidade, na disponibilidade de água subsuperficial e na atividade biológica ali presente (PORTELA & GOMES, 2005).
Em ambas bacias estudadas observa-se um grande número de canais de drenagem. Na área urbana esses canais têm como finalidade drenar as águas pluviais, facilitando o desenvolvimento urbano e na área com característica rural os canais são construídos para drenar áreas úmidas, possibilitando a implantação de pastagens e facilitando o acesso do gado. Na bacia do Rio Irirí, segundo Gregório (2006), o Canal Sul DNOS e o Canal Leste DNOS foram construídos pelo extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento com a finalidade de drenar a área de um Parque Temático (Beto Carreiro). O Canal DNOS Sul encontra-se interrompida pelo assoreamento, esse era responsável pela antiga ligação que unia as bacias hidrográficas dos Rios Irirí e Gravatá. Com isso, atualmente o Canal DNOS Oeste drena o Parque Temático que recebe os afluentes provindos da face oeste do promontório da Praia Vermelha e utiliza a água desses para a construção de lagoas artificiais.