4.3.1. Introdução
Para elaboração do diagnóstico ambiental da área de influência direta do empreendimento faz-se necessário o reconhecimento das principais unidades fitoecológicas existentes na região do estudo, delineada neste estudo como área de influência indireta, compreendendo o município de Galinhos.
4.3.2. Objetivos
O estudo biótico da área do empreendimento tem como objetivos: identificar e caracterizar as unidades ecológicas das áreas de influência do projeto; fazer um levantamento da flora e da fauna da área; fazer uma análise dos componentes bióticos para fins de diagnóstico ambiental; caracterizar as condições bioecológicas para prognóstico da evolução da área após o empreendimento; identificar aspectos da paisagem natural que devem ser conservados; identificar espécies da fauna e da flora nativa de interesse medicinal, econômico e/ou ecológico ou espécies ameaçadas de extinção; e, descrever aspectos da biocenose local.
Gráfico 4.10 – Regime das Marés para o Porto de Guamaré (2011) – 1° Semestre
CENTRAL EÓLICA REI DOS VENTOS I–GALINHOS /RN
-0,5 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3
01/01/11 01/02/11 04/03/11 04/04/11 05/05/11 13/05/11 13/06/11
Fonte: Adaptado de DHN (http://www.mar.mil.br/dhn/chm/tabuas/30443Jan2011.htm), acessado em 10/05/2011.
Gráfico 4.11 – Regime das Marés para o Porto de Guamaré (2011) – 2° Semestre
CENTRAL EÓLICA REI DOS VENTOS I–GALINHOS /RN
-0,5 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3
01/07/11
01/08/11 09/08/11
09/09/11
10/10 /201
1
10 /11
/2011
11/12 /2011
Fonte: Adaptado de DHN (http://www.mar.mil.br/dhn/chm/tabuas/30443Jan2011.htm), acessado em 10/05/2011.
4.3.3. Metodologia
Para a caracterização do potencial biótico da área de influência funcional do empreendimento, procedeu-se com a caracterização regional e local dos grupos de fauna e flora de interesse. O diagnóstico local foi resultado de observações diretas em campo e o diagnóstico regional de incursões a campo e compilação de dados bibliográficos.
Para ecossistemas terrestres foram compartimentadas as unidades vegetais homogêneas e identificadas as fisionomias vegetais com base nas características de forma de vida, estrutura e função da vegetação.
O diagnóstico da fauna é constituído de uma caracterização regional e local dos grupos de vertebrados: mamíferos, aves, répteis e anfíbios.
O estudo do meio biótico existente nos ambientes aquáticos foi procedido de observações de campo e estudo bibliográfico de trabalhos anteriores feitos na área. Como não existem corpos hídricos relevantes na área de implantação do empreendimento (as lagoas existentes são sazonais e diminutas), os levantamentos realizados foram qualitativos, não se justificando a apresentação de dados quantitativos.
4.3.4. Área de Influência Indireta (AII)
As fitofisionomias dominantes encontradas no município de Galinhos consistem os ecossistemas litorâneos formados por dunas e manguezais, bem como pela vegetação de caatinga, nas áreas mais interioranas.
Uma fisionomia bem marcada na AII é a o Manguezal. Também chamado de estuário, os manguezais são áreas que se caracterizam pela mistura da água doce e água salgada; muito ricas em matéria orgânica, que sustentam uma vegetação típica. No município de Galinhos destaca-se o manguezal que ocorre no estuário do rio Galinhos (ou Aratuá), Tomás, Pisa Sal e Camurupim.
Outra vegetação presente é a Vegetação Herbácea Psamófila que ocorre recobrindo trechos que acompanham a linha de costa. É encontrada também crescendo sobre as dunas móveis da região, porém em baixíssima
densidade. Apresenta com uma sucessão primária que se inicia com o estabelecimento das pioneiras do tipo salsa-de-praia e pinheirinho, seguindo com capim-gengibre e moitas de murici.
O setor de dunas apresenta um tipo de vegetação chamada de Vegetação Subperenifólia Arbóreo-Arbustiva de Dunas que recobre as dunas chamadas de dunas fixas e exibe uma cobertura predominantemente herbácea a arbustiva.
Ocorre também a Vegetação Caducifólia de Caatinga ao sul da área de implantação do empreendimento. As plantas da caatinga possuem adaptações ao clima, tais como folhas transformadas em espinhos, cutículas altamente impermeáveis, caules suculentos, etc. A Caatinga apresenta três estratos principais: arbóreo (7,0 a 12,0 m), arbustivo (2,0 a 6,0 m) e o herbáceo (abaixo de 2,0 m).
Em relação à fauna da região litorânea de Galinhos, ocorrem principalmente aves, répteis e artrópodes. Já no setor de caatinga, que ocorre no setor mais interiorano do município de Galinhos, compreende mamíferos, aves e répteis, além de grande variedade de artrópodes.
4.3.5. Área de Influência Direta
A área de influência direta do empreendimento insere-se em um campo de dunas móveis, num ambiente caracterizado pelas condições estressantes como altas temperaturas, solos arenosos e bem drenados, ventos e sprays marinhos, condições aparentemente responsáveis pela baixa diversidade e densidade de espécies vegetais e animais.
4.3.5.1. Área de Intervenção do Projeto 4.3.5.1.1. Ambiente Terrestre
Nos setores mais próximos a faixa de praia a vegetação que ali ocorre é denominada de vegetação pioneira de dunas e caracteriza-se pela baixa riqueza de espécies. Como espécies características, predominam: salsa-da-praia e capim-da-praia, sendo esta última a mais frequente na área do empreendimento. Nesta faixa são observados também exemplares de
ciúme, espécie invasora bastante comum no litoral de Galinhos.
Afastando-se da faixa da praia em direção ao interior da área de estudo, ocorrem as dunas sem cobertura vegetal (dunas móveis) e as dunas com cobertura vegetal (dunas fixas e semi-fixas). O que difere as dunas fixas das dunas semi-fixas é que nas dunas fixas, o tapete herbáceo de uma forma geral é mais contínuo, nas dunas semi- fixas, a cobertura vegetal é menos incipiente, de forma que os sedimentos arenosos podem ser carreados pelo vento com maior incidência.
A vegetação que recobre as dunas na área da CENTRAL EÓLICA REI DOS VENTOS I trata-se de vegetação herbácea tendo como única espécie arbórea a algaroba. Entre as demais espécies foram observadas cabeça-branca, capim-de-praia, capim-da-praia, crista de galo, ipepacuanha-do- campo, poaia e gervão.
A fauna local é formada principalmente por representantes da avifauna mais adaptados ao tipo de vegetação aberta existente no terreno.
Durante o período chuvoso porém, a formação de áreas alagadas atrai para o local uma fauna mais diversificada que vem em busca de área de alimentação e dessedentação.
Segundo os levantamentos de campo e as entrevistas realizadas com os moradores, as espécies mais frequentes de aves são: tetéu ou quero-quero, rolinha-da-praia, rolinha, papacú, anum preto, anum branco, bem-ti-vi, sibitinho, andorinha, sabiá-da-praia, sanhaço, campina, pardal, viuvinha, caboré, gavião, carcará, jaçanã, urubu, etc.
O grupo de répteis é constituído por espécies de calango, cobra e pequenos anfíbios.
Em relação aos mamíferos, guaxinim, peba, tatu- galinha, cassaco, gambá e raposa possivelmente utilizam a área como passagem entre o manguezal e a caatinga do entorno.
4.3.5.1.2. Ambiente Aquático
Nas planícies interdunares, formam-se na época chuvosa ambientes aquáticos onde a vegetação herbácea torna-se mais densa e viçosa. O aspecto vegetacional nessas áreas apresenta o mesmo da tipologia do ecossistema do entorno, mostrando
apenas uma variação em termos quantitativos de espécies vegetais.
Nos ecossistemas aquáticos foi possível observar a presença de conchas dos moluscos aruá e do gastrópode pertencente à família Planorbidae.
Foram também verificados peixes em algumas áreas e anfíbios. Em relação aos Insetos que ocupam estes tipos de ambientes aquáticos conhece-se que estão bem representados pela maioria das ordens aquáticas.
A sazonalidade das áreas sujeitas a alagamentos faz com que apenas os grupos animais de ciclo de vida curto, como anuros, moluscos e insetos, utilizem estas áreas para reprodução.
A avifauna encontrada nas áreas sujeitas a alagamentos é composta predominantemente por:
marreca-toucinho, garça-branca-pequena, garça- branca-grande, jaçanã, martim-pescador-verde, martim-pescador-grande, socó, além de gavião, andorinha-do-rio, anum-branco, batuíra-de-coleira e bem-te-vi.
4.3.5.2. Área de Entorno 4.3.5.2.1. Ambiente Marinho
O ambiente marinho relacionado à área de influência indireta do projeto abrange setores de ocorrência de praias arenosas (praia de Galinhos) e setores com presença de recifes de arenito, também conhecidos como beach rocks. As praias arenosas apresentam uma menor diversidade animal quando comparadas aos arenitos de praia.
Quanto à fauna relacionada à praia de Galinhos, os grupos mais comuns são os de aves, crustáceos e alguns moluscos. Dentre as aves que são avistadas na praia de Galinhos são comuns:
batuíra de bando, bobo-grande-de-sobre-branco, batuiruçu-de-axila-preta, vira-pedras, gaivota de cabeça cinza, piru-piru, águia-pescadora, maçarico-rasteirinho, trinta-réis-de-bico-preto, trinta-réis-de-bando, maçarico branco, maçarico de papo vermelho, maçariquinho, maçarico de coleira, entre outras.
Em relação aos beach rocks ou arenitos, estes são povoados basicamente por mexilhões, mexilhão pequeno e cracas. Outros animais comuns são:
caranguejinho, anêmonas, cracas, paguros ou
caranguejo-ermitão, ouriços, além de inúmeros vermes.
Dentre as principais espécies de peixes coletadas em rede de arrasto na praia de Galinhos citam-se xira, coró, carapicu, linguado, solha, ariacó, biquara, coró-preto, cambuba, camorim e baiacu (LEMOS, 2006), além de peixe voador, tainha, corvina, guaiuba, peixe galo, sardinha, cioba, peixe espada, pema, agulhão vela, peixe agulha, cavala, serra e arraia.
Dentre a diversidade de espécies de mamíferos citadas para a praia de Galinhos tem-se boto cinza, golfinho-cabeça-de-melão e peixe boi marinho (SENA et al., 2007; LIMA, 1999). Em relação à comunidade de tartarugas, dados bibliográficos indicam que as espécies mais comuns na costa do Rio Grande do Norte são tartaruga verde e tartaruga de pente, sendo ambas citadas por moradores como ocorrente na praia de Galinhos.
4.3.5.2.2. Ambiente de Transição
No entorno sul da área do empreendimento ocorre o ambiente de manguezal onde predomina o mangue vermelho. Dentre as demais espécies de mangue encontradas estão o mangue preto, mangue branco e mangue de botão.
São identificados também no entorno sul da área do empreendimento setores chamados de apicum onde não há vegetação arbórea de mangue e sim o desenvolvimento de uma vegetação herbácea e/ou arbustiva (mangue-de-botão).