Este capítulo apresenta os procedimentos metodológicos, ressaltando a caracterização da pesquisa, o instrumento de coleta de dados utilizado e a unidade de análise.
3.1. Caracterização da pesquisa
A pesquisa pode ser caracterizada como o “[...] processo constituído de várias fases, desde a formulação do problema até a apresentação e discussão dos resultados” (GIL, 2007, p.
17). Desse modo, o presente trabalho de monografia foi desdobrado em três etapas distintas, para possibilitar a compreensão quanto a metodologia de pesquisa adotada:
Na etapa teórica realizou-se a definição do tema explorado, a delimitação do problema de pesquisa, a construção dos objetivos a serem atingidos e do referencial teórico;
A etapa empírica correspondeu a elaboração do roteiro da entrevista semiestruturada, refinamento do roteiro, aplicação do roteiro na IEBT;
Na etapa analítica foi realizada a construção da metodologia e da operacionalização da pesquisa, a análise e validação dos dados coletados durante a entrevista, a identificação de elementos que permitiram caracterizar como ocorre o processo de transferência do conhecimento da IEBT para as EBTs e construídas as conclusões sobre o resultado analisado.
Para realização dessas etapas foi desenvolvida uma pesquisa que pode ser caracterizada quanto à forma de abordagem como qualitativa. A utilização dessa abordagem pode ser justificada pelo fato dos objetivos deste trabalho convergirem para as seguintes características, para a pesquisa de caráter qualitativo, apontadas por Bryman (1989) apud Miguel (2010):
O pesquisador observa os fatos sob a ótica de alguém interno à organização;
A pesquisa busca uma profunda compreensão do contexto da situação;
Ênfase no processo dos acontecimentos, isto é, a sequência dos fatos ao longo do tempo;
O enfoque da pesquisa é mais desestruturado, não há hipóteses fortes no início da pesquisa. O que atribui à pesquisa bastante flexibilidade;
Emprego de múltiplas fontes de dados.
Em relação a finalidade, pode-se classificar este trabalho como sendo de natureza descritiva. De acordo com Gil (2006), a pesquisa descritiva tem como objetivo descrever características de um fenômeno e para isso faz uso de técnicas padronizadas para a coleta de dados, como por exemplo, a observação sistemática. A utilização da pesquisa descritiva permitiu descrever como ocorre o processo de transferência do conhecimento entre uma IEBT e as EBTs incubadas, por meio da identificação e descrição deste processo.
3.2. Técnica de coleta de dados
Segundo Miguel (2010) para capturar toda a complexidade contida em uma pesquisa de abordagem qualitativa são utilizadas a entrevista semiestruturada ou não estruturada, a observação participante ou não participante e a pesquisa a documentos. Dessa forma, após o delineamento do referencial teórico, sobre os temas pertinentes a este trabalho, foram elaboradas duas entrevistas com roteiro semiestruturado (Apêndice A e Apêndice B).
O primeiro roteiro (Apêndice A) teve como propósito obter de um representante da incubadora informações que permitissem descrevê-la e caracterizá-la, e que atendessem aos objetivos propostos por este trabalho em relação ao processo de transferência do conhecimento das incubadoras para as empresas, segundo a visão da incubadora. Enquanto, o segundo roteiro (Apêndice B) teve como finalidade descrever e caracterizar cada uma das empresas incubadas entrevistadas e averiguar o processo de transferência do conhecimento, a partir da visão dos representantes de cada dessas empresas incubadas.
Os sujeitos da pesquisa compreenderam a coordenadora da incubadora, um dos sócios da empresa incubada A e a sócia da empresa incubada B. Os entrevistados foram selecionados a partir da sua disponibilidade em participar deste trabalho e não por critérios de probabilidade.
Além da entrevista semiestruturada, utilizou-se também como técnica de coleta de dados a análise de documentos, previamente autorizada pelos representantes da incubadora, a fim de verificar a existência dos fluxos de transferência do conhecimento tácito e explícito, e dos meios que a incubadora propicia para a sua ocorrência. Para Lüdke e André (1986), a análise documental possibilita a validação das informações que foram obtidas por meio das outras técnicas de coletas de dados utilizadas.
A coleta de dados foi realizada na incubadora nos meses de maio e junho de 2016. Para garantir a segurança das informações repassadas pelos entrevistados foi utilizado um termo de confidencialidade (Anexo A).
3.3. Seleção das unidades de análise
O presente trabalho de monografia foi realizado em uma incubadora fundada no ano de 1996, que está inserida em uma Universidade Federal localizada no estado de Minas Gerais e em duas empresas incubadas inseridas pela incubadora. A escolha da incubadora foi determinada pelo fato dela incubar empresas que são de base tecnológica, pelo número de empresas incubadas no momento ser maior que os das demais incubadoras que foram pesquisadas e pela sua disponibilidade e interesse em participar deste trabalho.
Quanto à escolha das empresas incubadas, essa se deu de maneira aleatória, de acordo com a disponibilidade dos seus responsáveis em participar e fornecer dados para este trabalho, posto que todas são de base tecnológica.
3.4. Operacionalização da pesquisa
Para nortear a apresentação e discussão dos resultados foi utilizada a operacionalização da pesquisa (Figura 11), que consistiu no desdobramento do desenvolvimento da pesquisa em oito etapas.
Figura 11- Operacionalização da pesquisa Fonte: Elaborada pela autora Etapa 1: Descrever os
critérios utilizados pela IEBT para o processo
seletivo
Etapa 2: Descrever os serviços e facilidades que
a IEBT oferece as EBTs
Etapa 3: Identificar os conhecimentos críticos que a IEBT detém e que são transferidos as EBTs
Etapa 4: Classificar os conhecimentos transferidos em gerenciais
(serviços especializados) ou técnicos, e em tácitos
ou explícitos Etapa 5: Identificar os
ambientes no qual ocorrem o compartilhamento do
conhecimento e as ferramentas utilizadas Etapa 6: Analisar como as
EBTs absorvem o conhecimento transferido
pela IEBT
Etapa 7: Identificar quais são os fatores que facilitam e dificultam a
transferência do conhecimento
Etapa 8: Sintetizar como ocorre a transferência de
conhecimento da IEBT para as EBTs
Etapa 1: Descrição dos critérios que orientam a IEBT na seleção das EBTs a serem incubadas. Pois segundo Dornelas (2002) o processo de seleção dos incubados constitui em um dos fatores críticos de sucesso de uma IEBT, uma vez que, esta deve selecionar EBTs que tenham a missão condizente com a sua;
Etapa 2: Descrição dos serviços e facilidades que a IEBT estudada disponibiliza as EBTs, a partir dos seguintes fatores apresentados pelo MCT (1998): espaço físico individualizado e compartilhado; vínculo com a universidade ou outra instituição tecnológica, serviços especializados (gerenciais); capacitação, formação e treinamento. Pois a presença desses fatores no ambiente de incubação auxilia a IEBT no processo de desenvolvimento de EBTs que estejam em constante crescimento sejam viáveis financeiramente e competitivas (DORNELAS, 2002);
Etapa 3: Identificação dos conhecimentos críticos, ou seja, dos conhecimentos considerados essenciais e que devem ser transferidos para as EBTs;
Etapa 4: Classificação dos conhecimentos críticos, que a IEBT transfere as EBTs, em gerenciais (serviços especializados) ou em técnicos, e subclassificação desses conhecimentos em tácitos ou explícitos, com o objetivo de identificar quais conhecimentos são transferidos;
Etapa 5: Identificação dos ambientes nos quais, ocorre o compartilhamento dos conhecimentos descritos nas etapas anteriores e das ferramentas que a IEBT utiliza para disponibilizá-los as EBTs;
Etapa 6: Análise da capacidade absortiva das EBTs em relação aos conhecimentos transferidos a fim de avaliar o processo de transferência do conhecimento;
Etapa 7: Identificação dos fatores que facilitam e dos que dificultam o processo de transferência do conhecimento, a partir da visão da IEBT e das EBTs;
Etapa 8: Síntese do processo de transferência do conhecimento da IEBT para as EBTs estudadas a partir do framework proposto por Petrin (2015).