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A partir de levantamentos bibliográficos este trabalho propõe a abertura de uma cooperativa de catadores de recicláveis no bairro Matadouro, o que poderá ocorrer por intermédio da associação de moradores do local em parceria com o poder público municipal. Mesmo que inicialmente a rentabilidade da produção seja baixa, após certo tempo a coleta seletiva poderá ser expandida para outros bairros da cidade.

É necessário que a população separe o lixo e forneça voluntariamente os materiais que serão a matéria-prima do trabalho da cooperativa, no entanto para que isso aconteça, a sociedade deve ser levada a mudar seus hábitos e costumes.

A Educação Ambiental deve estar sendo usada como ferramenta neste processo, quando é imprescindível buscar a compreensão no que se refere à abrangência do projeto e sua importância sócio-ambiental.

3.1. Criação da Cooperativa de Catadores

A seguir são apresentadas sucintamente algumas etapas para a criação de uma cooperativa de catadores de acordo com as orientações feitas pelo Sebrae- SP junto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) (www.sebraesp.com.br em 11/01/2008):

- Inicialmente, é importante criar alguns mecanismos de informação que permitam a discussão do projeto em formação, criando capilaridade junto à comunidade e tornando-o conhecido da população e dos órgãos públicos, o que pode ocorrer através de seminários, mesas redondas e outros tipos de fóruns de discussão.

Também é interessante estabelecer contato com jornais, emissoras de televisão ou rádio locais, com o objetivo de ampliar a divulgação, os propósitos e necessidades. Pois posteriormente, quando a coleta seletiva for lançada, os veículos de comunicação serão também imprescindíveis, para possíveis esclarecimentos a população sobre os materiais a serem separados, bairros e ruas atendidos.

- O segundo passo a ser seguido é informar ao maior número possível de pessoas, como irá funcionar a coleta seletiva, como elas deverão separar seus

materiais e como dispô-los para recolhimento. A realização de reuniões e palestras na sede da Associação de Moradores da comunidade Matadouro, o apoio da Escola, a divulgação na mídia e a elaboração de materiais de divulgação (folhetos, cartilhas, cartazes e faixas) são de grande valia neste contexto.

- Num terceiro momento faz-se necessário formar o grupo de catadores da comunidade, pode-se reunir todas as pessoas interessadas em participar na cooperativa.

- Após a formação do grupo de catadores, torna-se necessário o processo de capacitação destes, pode-se agendar a primeira reunião do grupo para o início deste processo.

3.1.1. Treinamento de formação dos futuros catadores

O principal propósito do treinamento é propiciar a qualidade das ações dos catadores na gestão da cooperativa, estimulando a participação e garantindo a perenidade de empreendimento. Ele deverá ocorrer à noite, uma vez que durante o dia os futuros catadores podem continuar buscando seu meio de sobrevivência (através de “bicos”).

Como os participantes moram no local, propõe-se que as reuniões sejam duas vezes por semana com duração de 3h/dia.

A seguir, os conteúdos que devem ser trabalhados com os participantes do treinamento.

- Destacar a história e as condições ambientais da comunidade (também é válido falar um pouco da cidade como um todo), apesar dos componentes do grupo já morarem no Matadouro, isso tornará o processo mais fácil.

- Trabalhar os ciclos de vida dos materiais, os diferentes tipos de plástico, de papel, de metais e os valores desses produtos no mercado, formas de beneficiamento dos materiais, a construção de um diagnóstico de seus compradores no município, a importância do trabalho dos catadores na sociedade de consumo, além de noções de saúde e segurança no trabalho de coleta seletiva e seleção dos materiais.

- Informar como é o funcionamento de uma cooperativa, se possível agendar uma visita a alguma que seja similar a que irão trabalhar.

3.1.2. Condições básicas para a implantação

A cooperativa de catadores requer um conjunto de condições básicas para transporte, triagem, beneficiamento e comercialização dos materiais recicláveis.

Para a organização manter um padrão mínimo de operação, os equipamentos necessários à coleta dos materiais recicláveis e a estrutura do galpão de triagem são:

1- Carrinhos de tração humana ou carroças de tração animal – para transporte do material recolhido nas residências até o galpão;

2- Galpão ou central de triagem – este é o local que receberá e processará os materiais coletados para a comercialização;

3- Equipamentos para triagem e beneficiamento – facilitam o trabalho ou agregam valor aos materiais:

4- Balança – para controle de entrada e saída de material,

5- Balcão ou esteira – onde deverá ocorrer à triagem manual dos materiais, 6- Prensa – equipamento importante na economia de espaço na armazenagem e otimiza o transporte das cargas, aumentando seu valor.

7- A organização também deve prover equipamentos de proteção individual (EPIs) e uniformes para seus cooperados – calças, jalecos, capas de chuva, botas e luvas.

3.1.3. Estabelecimento de Parcerias

Para a abertura de uma cooperativa, diferentes formas de parceria e caminhos são possíveis, que dependem do perfil do projeto e das circunstâncias específicas em que ele é criado e implantado.

Campos dos Goytacazes é uma cidade que possui um elevado orçamento, sua administração pública pode ser convidada a entrar como parceira da cooperativa. Porquanto o lixo urbano é de responsabilidade da Prefeitura, logo discutir as possibilidades desse trabalho em conjunto é muito vantajoso para todos os envolvidos. O convênio, instrumento jurídico geralmente utilizado quando o poder público se dispõe a realizar parcerias, apoiando iniciativas privadas de interesse da sociedade, pode assumir diversas formas: repasse de verbas, uso de equipamentos, de recursos humanos e materiais, de imóveis, etc. Deverá haver a designação de um responsável que será o interlocutor da administração pública para qualquer assunto envolvendo a cooperativa.

A cooperativa também pode buscar o apoio de empresas parceiras, que diante da importância social do trabalho de coleta seletiva e da valorização dos catadores poderão ajudar através da doação de materiais, suporte técnico, assistência financeira e social, entre outras iniciativas para o bom funcionamento da organização. Empresas conscientes com seu papel transformador na sociedade, com o objetivo de investirem no bem comum.

As ações realizadas pela cooperativa devem ser coordenadas e bem estruturadas de forma a garantir o bom funcionamento da mesma, na Figura 5 é mostrada uma seqüência de etapas importantes na sua manutenção e expansão.

Figura 5: Etapas a serem seguidas pela cooperativa Formar o grupo de catadores cooperados

Sensibilizar a comunidade para

separar o lixo

Coletar o lixo seco 2 vezes por

semana

Comercializar o produto final

Enfardar e acondicionar os

materiais selecionados Selecionar os

materiais recicláveis por

categoria

Expandir o projeto para outras áreas

da Cidade

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