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Modalidade de trabalho (metodologia)

No documento Carolina Carine Andrade.pdf - Univali (páginas 39-44)

Saúde do Trabalhador são voltadas para o discurso do trabalho nos projetos de mudança na organização do seu próprio trabalho.

Para encerrar esta discussão, pode-se concluir que o delineamento de uma pesquisa em psicologia parte: da determinação de um objeto a ser investigado, de uma abordagem que irá determinar o olhar que o profissional terá sobre seu objetivo de estudo, de um método para determinar o caminho a ser percorrido e por último uma metodologia que definirá os procedimentos padrões para alcançar o objetivo proposto. No próximo item serão apresentadas as modalidades de trabalho, ou seja, as metodologias de pesquisa que foram identificadas nos artigos do presente estudo.

Hoje, são esses dois grandes modelos que orientam as pesquisas cientificas e determinam o tipo de metodologia que devem ser utilizados para alcançar os objetivos propostos.

De acordo com Thomas Kuhn (1987, apud SANTOS, 1999) existem dois grandes paradigmas sobre as pesquisas: o paradigma qualitativo e o paradigma quantitativo. O que determina o uso de um dos paradigmas em pesquisas são seus objetivos e os procedimentos técnicos utilizados na coleta e análise de dados.

A pesquisa quantitativa deriva dos pressupostos do positivismo, onde a construção do saber científico deve seguir: o empirismo (observar a realidade como os sentidos a percebem, e suspeitar de tudo que for diferente da experiência da realidade), a objetividade (o pesquisador deve intervir o menos possível no objeto de estudo e deve controlar todas variáveis da intervenção), a experimentação (colocar toda explicação á prova de experimentação), a validade (experimentação rigorosamente controlada, garantindo que quando repetida nas mesmas condições, chega às mesmas medidas) e as leis da previsão (o conhecimento das leis permite prever os comportamentos sociais e geri-los cientificamente) (LAVILLE; DIONNE, 1999).

O método quantitativo é geralmente utilizado de forma dedutiva, generaliza os resultados, está sempre em busca da relação de causa e efeito de um fenômeno e utiliza como métodos de coleta de dados instrumentos objetivos, como questionários fechados com resposta pré-determinadas.

Já o paradigma qualitativo tem como objetivo conhecer fenomenologicamente seu objeto de estudo, seu significado e sua compreensão, e não medir, quantificar e nem fazer uma correlação de causa e efeito.

Na pesquisa psicológica qualitativa o objetivo é compreender aquilo que se manifesta num contexto específico, ou seja, o mesmo fenômeno em outro contexto apresenta-se de forma diferente. De acordo com Martins e Bicudo (1994), a expressão “fenômeno” deriva do grego e significa aquilo que se mostra, que se manifesta.

A pesquisa qualitativa parte da descrição das características de determinado objeto de estudo ou também, propõe o estabelecimento de relação entre as variáveis que, embora sejam descritivas, servem para a construção de novas hipóteses de determinado fenômeno.

Entre os artigos identificados neste estudo encontramos 4 (quatro) tipos de modalidades de pesquisas:

3 pesquisas-intervenção;

1 pesquisa qualitativa com questionário para coleta de dados;

1 pesquisa quantitativa com questionários para coleta de dados e;

1 pesquisa bibliográfica.

A seguir será apresentada uma breve conceitualização das metodologias citadas à cima, como segue.

A pesquisa-intervenção está no âmbito das pesquisas participativas e tem como objetivo investigar a vida das coletividades de forma qualitativa ao assumir uma intervenção de caráter sócio-analítica (ROCHA; AGUIAR, 2003)

Para os mesmos autores, esta modalidade de pesquisa tem um caráter desarticulador das práticas e dos discursos instituídos pelos métodos de pesquisas convencionais, inclusive as produções científicas, propondo uma nova fórmula para as pesquisas, ao substituir o

“conhecer para transformar” por “transformar para conhecer” (COIMBRA, 1995 apud ROCHA; AGUIAR, 2003, p.67)

O método da pesquisa-intervenção depende tanto do pesquisador, quando da população investigada, pois é do envolvimento das partes que dependerá a produção do conhecimento e a transformação dos pesquisados. Neste contexto, pesquisador e pesquisados são co-autores do processo de análise e de possíveis mudanças na realidade investigada.

Adota o princípio ético de que a ciência deve estar entre grupos dominantes e dominados, durante o processo de produção e uso, o que implica na necessidade de uma ação por parte daqueles envolvidos na pesquisa para minimizar as desigualdades sociais (poder/

saber) (LUNA, 2009).

Neste modelo “as estratégias de intervenção terão como alvo a rede de poder e o jogo de interesses presentes no campo da investigação, colocando em análise os efeitos das práticas institucionais, desconstruindo territórios e facultando a criação de novas práticas” (ROCHA;

AGUIAR, 2003, p.71).

Assim, a pesquisa-intervenção mostrou-se ser o método de pesquisa mais utilizado dentre os artigos identificados neste estudo para investigar a Saúde do Trabalhador, de forma

que possibilita uma proximidade com o objeto investigado através da análise do discurso do trabalhador.

Os três artigos que tinham como modalidade a pesquisa-intervenção, fundamentaram suas práticas com abordagens (Psicodinâmica do Trabalho e Ergologia) que buscam analisar o fenômeno a partir do discurso dos sujeitos. Cujo objetivo é ouvir a subjetivação que o trabalhador faz das objetivações inseridas no contexto do ambiente de trabalho, entender o significado que o trabalhador dá para o sofrimento que lhe acomete e promover a ressignificação de suas vivências subjetivas ao adoecer.

Além de oferecer uma oportunidade para que os trabalhadores verbalizem suas práticas cotidianas, permitem também a elaboração de estratégias, dentro da sua realidade, do trabalho real, para a redução de fatores que contribuem para o adoecimento daquele ambiente e das pessoas que lá trabalham. A próxima modalidade de pesquisa a ser discutida é a pesquisa qualitativa.

A pesquisa qualitativa, como já foi descrita acima, é caracterizada como uma tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais do momento investigado (MARKONI; LAKATOS, 2007a, p.90), e foi identificada em 1 (um) dos artigos, que compõe esta pesquisa.

O artigo 6 ”Sofrimento” que caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, tem como objetivo compreender se o trabalho intelectual propicia condições de surgimento do sofrimento psíquico no docente universitário, através da coleta de dados realizada por um questionário com questões fechadas e abertas.

No mesmo estudo, as questões abertas permitiram que fossem analisados qualitativamente o discurso dos sujeitos a partir de sua percepção acerca das condições da saúde e as condições de trabalho. Já as questões fechadas, tinham como propósito a coleta de informações objetivas, tais como: dados pessoais, situação socioeconômica, funcional, tempo de serviço, titulação e carga horária, que caracterizassem os sujeitos investigados.

“O questionário é um instrumento de coleta de dados construído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem e a presença do entrevistador” (MARCONI; LAKATOS, 2007b, p.98).

De acordo com o mesmo autor, o questionário é uma técnica da observação direta extensiva e que acarreta em vantagens (economiza tempo, atinge um número grande de pessoas, obtém respostas mais rápidas, etc) e desvantagens (grande número de perguntas sem respostas, dificuldade de compreensão por parte dos informantes, devolução tardia, etc) na sua utilização para coletar dados. Os questionários tanto podem ser utilizados nas pesquisas quantitativas, quanto qualitativas, dependendo da forma como eles são elaborados e analisados posteriormente.

A pesquisa quantitativa também foi identificada neste estudo. Como já foi exposto anteriormente, o método quantitativo procura generalizar seus resultados, em busca de uma relação de causa e efeito de um fenômeno investigado e utiliza como método de coleta de dados instrumentos objetivos, como questionários com questões fechadas.

Esta modalidade de pesquisa pode ser identificada no artigo 4 “Burnout”, onde o instrumento utilizado para coleta de dados foi um questionário, para coletar informações sóciodemográficas dos trabalhadores e sua relação com o trabalho, e um inventário para identificar o nível de burnout entre os sujeitos.

Nesta mesma pesquisa a análise descritiva foi realizada para apresentar os índices médios de cada dimensão da variável dependente (burnout), caracterizar a população estudada com o objetivo de medir o grau de relação linear entre burnout e variáveis independentes qualitativas ordinais.

Assim, a partir do método de coleta de dados e os objetivos da pesquisa do artigo 4

“Burnout”, de medir o grau de relação linear entre burnout e variáveis independentes, pode-se identificar o paradigma quantitativo do método científico.

A última modalidade a ser analisada e discutida identificada neste estudo foi a pesquisa bibliográfica. O artigo 5 “Fadiga” caracterizado como uma revisão teórica trata-se de uma pesquisa bibliográfica. Que é definida como um levantamento de toda bibliografia já publicada, em fonte de livros, artigos, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita (MARKONI; LAKATOS, 2007a, p.44). Cuja finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo que foi escrito sobre o assunto pesquisado e permite novas interpretações e hipóteses daquilo que já foi investigado.

A pesquisa bibliográfica foi identificada em 1 (um) artigo deste estudo. A importância desta modalidade de pesquisa apresenta-se tanto na investigação sobre o que já se tem publicado de um determinado fenômeno, como também na fundamentação dos demais tipos de pesquisa.

Para o desenvolvimento de qualquer pesquisa é preciso fazer uma leitura do que já se tem produzido de conhecimento científico de qualquer objeto/fenômeno investigado. A finalidade da pesquisa científica não é apenas um relatório ou descrição de fatos coletados empiricamente, mas o desenvolvimento de um caráter interpretativo (MARKONI;

LAKATOS, 2007a, p.114). Para os mesmos autores, toda pesquisa deve conter premissas ou pressupostos teóricos sobre os quais o pesquisador fundamentará sua interpretação. Portanto, é indispensável correlacionar a pesquisa com o aporte teórico.

Quanto as modalidades de pesquisa, a contribuição que fica para as práticas psicológicas em Saúde do Trabalhador são as pesquisas-intervenção. Percebe-se que os psicólogos associam a importância das pesquisas com a troca de experiências vivenciadas nas intervenções. Pois, o resultado da pesquisa parece ser o menos importante, a relevância está na prática da intervenção, que oferece ao trabalhador um espaço para elaborar possíveis transformações no seu ambiente de trabalho.

A importância das pesquisas-intervenção estão nas oportunidades oferecidas para os trabalhadores em resignificar o sofrimento oriundo da relação com o trabalho, através das intervenções propostas pelo método desta modalidade de pesquisa.

No item seguinte será apresentada a análise e discussão do terceiro eixo temático desta pesquisa, que fará uma relação entre a ocorrência de patologias e as diferentes classes trabalhadoras identificadas neste estudo.

No documento Carolina Carine Andrade.pdf - Univali (páginas 39-44)

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