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VERBENACEAE)

2.2 MORFOANATOMIA

A fixação foi feita com FAA + glutaraldeído (LERSTENEE; CURTIS, 1988; JÚNIOR et al., 2017; FRANCO; ALBIEIRO, 2018) por um período de 18 a 24 horas. Depois da fixação, as amostras foram armazenadas em etanol a 50%. Na avaliação microscópica do material botânico, cortes transversais foram realizados com uma lâmina de barbear. As lâminas temporárias foram preparadas utilizando 50% de água glicerina (KRAUS; ARDUIN, 1997; BERLYN, 1976). As seções foram clarificadas em solução de hipoclorito de sódio a 5% e coradas com astra azul + fucsina básica (LUQUE et al., 1996; ROSER, 1962). As lâminas semipermanentes foram preparadas com as secções branqueadas em solução de hipoclorito de sódio a 33%, lavadas com água destilada, coradas com 1% de safranina e 1% de solução de astra azul, com gelatina de glicerol (1: 1) (SASS, 1951). O material foi avaliado sob microscopia de luz e fotografado com uma câmera acoplada no microscópio Zeiss / Axioplan com filme Kodak Gold 100.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A nervura central do corte transversal do folíolo da espécie L. camara apresenta-se circundada pela endoderme onde está o periciclo apresentando forma côncava (Fig.1.A) e pela epiderme que é composta por uma camada de células uniestratificada com as células da parede pouco espessadas (Fig.1.B). Segundo Scatena et al. (2004), o periciclo apresenta forma estrelada e está presente internamente a endoderme nas espécies, Syngonanthus paepalophyllus sub sp. paepalophyllus e Syngonanthus niveus (Eriocaulaceae). Segundo Pires et al. (2015) a espécie Schinusmolle L em um corte transversal apresenta uma epiderme composta por células tabulares com espaçamento das paredes periclinais. A epiderme da espécie Catopsis berteroniana apresenta forma retangular com paredes periclinais espessas (MARCONDES et al., 2018).

O feixe vascular do tipo colateral distribuído na região mediana do mesofilo sendo rodeado homogêneo por células parenquimáticas e endoderme (Fig.1.B). Segundo Lima et al. (2019) o feixe vascular presente na folha da espécie Diploon Cronquist (Sapotaceae) é do tipo plano-convexo. O mesofilo é do tipo homogêneo e está posicionado entre as epidermes superior e inferior (Fig.1.C). Segundo Faria; Vihalva (2016), numa análise

anatômica foliar da espécie Plectranthus barbatus (Lamiaceae), o mesofilo é homogêneo ou isodiamétrico apresentando tricomas glandulares. As células glandulares recobrem o folíolo (Fig.1.D), sendo estas células as responsáveis pela presença de óleos essenciais, encontrados em variadas famílias, bem como na família Lamiales (ASCENÇÃO;

MARQUES; PAIS, 1995; METCALF; CHALK, 1983).

Figura 1. Lantana camara. Folíolo em seção transversal: A. Nervura central; B. Detalhe da nervura central; C. Mesofilo; D. Detalhes do mesofilo. Abreviações: EP: epiderme, EN:

endoderme, PC: periciclo, FV: Feixes vasculares, CG: Células glandulares. Bar = 1000 μm e 100 μm.

No detalhe do mesofilo foliar da espécie L. camara apresenta-se uma camada de parênquima paliçádico uniestratificado, longo e fino e uma de parênquima esponjoso apresentando espaços intercelulares (Fig.2.A). Na espécie Oxalis latifólia o parênquima paliçádico apresenta uma camada (Oxalidaceae) (REIS; ALVIM, 2015). O parênquima paliçádico na seringueira apresenta duas camadas, uma superior com células mais alongadas e uma inferior com células mais baixas, (MEDRI, 1983). Bündchen et al. (2015) relata que a espécie Lantana brasiliensis (Verbenaceae) contém grande porcentagem relativa de ar no parênquima esponjoso e grande espessura. Segundo Martins (2002), no

seu trabalho de anatomia foliar das espécies Mentha spicata e Mentha suaveolens (Lamiaceae) o parênquima paliçádico apresenta-se com células mais curtas e mais largas Segundo Schwarz e Furlan (2002), envolvendo o núcleo das células parenquimáticas das espécies Oxypetalum confusum e Oxypetalum obtusifolium permitiram chegar à verificação que em todas há presença de células secretoras em paliçadas. As células parenquimáticas do tipo clorofiliano são grandes de paredes delgadas (Fig.2.B). No mesofilo da espécie Brachiaria brizantha (Poaceae) o parênquima clorofiliano apresenta-se com células grandes, poliédricas e de paredes delgadas (BRITO; RODELLA, 2002).

Figura 2. Lantana camara. Detalhes do mesofilo foliar. Abreviações: EP. Epiderme, CG:

Células glandulares; PP: parênquima paliçádico, PJ: parênquima esponjoso, CP: Células parenquimáticas do tipo clorofiliano. Bar = 1000 μm e 100 μm.

Na (Fig.3.A) no corte em seção transversal do caule da espécie L. camara observa- se o caule de forma aproximadamente cilíndrica, feixes vasculares e as células parenquimáticas medular. O caule da espécie Lepismium cruciforme mostrou-se com formato triangular em secção transversal (CURY et al., 2018), Lepismium warmingianum formato achatado (DETTKE; MILANEZE-GUTIERRE, 2008) e em nove variedades da espécie Cucurbita maxima o caule mostrou-se arredondado e angular (PRIORI et al., 2018).

O xilema e o floema se mostram cilíndricos (Fig.3.B).

Apresentar feixes vasculares laterais, não são típicos como observado na espécie Tanacetum vulgare estudada no trabalho de Guerreiro et al. (2016), onde o floema é localizado centrifugamente e o xilema centripetamente. Na espécie Smilax polyantha os feixes vasculares são também laterais (MARTINS; APPEZZATO; DA GLÓRIA, 2006). O

feixe vascular da espécie Microlicia hatschbachii (Melastomataceae) apresenta o floema externamente e o xilema internamente (CASSIANO et al., 2010). A espécie Piper gaudichaudianum (Piperaceae) apresenta os feixes vasculares na medula do caule (ALBIERO et al., 2005). Na (Fig.3.C) a presença de células parenquimáticas do tipo clorofiliano. A espécie Phoradendron mucronatum (Viscaceae) apresenta de três a sete camadas de células parenquimáticas do tipo clorofiliano homogêneo (DETTKE;

MILANEZE-GUTIERRE, 2007).

Na (Fig.3.D) há a presença de células parenquimáticas medular isodiamétricas pela qual corresponde boa parte do conteúdo caulinar. Na espécie Elephantopus mollis (Asteraceae) o volume caulinar é composto em sua grande parte por células parenquimáticas isodiamétricas (EMPINOTTI; DUARTE, 2008). As células parenquimáticas da espécie Pyrostegia venusta (Bignoniaceae) é lignificada correspondendo cerca de 30%

do conteúdo caulinar (DUARTE; JURGENSEN, 2007).

Figura 3. Lantana camara. Corte em seção transversal do caule: A. Imagem central; B-D.

Ampliação do corte central. Abreviações: EP: epiderme, FV: Feixes vasculares, CP:

Células parenquimáticas do tipo clorofiliano, PM: Células parenquimáticas medular. Bar = 1000 μm e 100 μm.

4. CONCLUSÃO

Conclui-se que a espécie L. camara apresentou o folíolo circundado pela endoderme onde o periciclo apresenta forma côncava, e epiderme composta por uma camada de células uniestratificada com as células da parede pouco espessadas, o feixe vascular do tipo colateral distribuído na região mediana do mesofilo do tipo homogêneo e posicionado entre as epidermes superior e inferior. No detalhe do mesofilo foliar apresentou uma camada de parênquima paliçádico uniestratificado, longo e fino e uma de parênquima esponjoso apresentando espaços intercelulares. As células parenquimáticas do tipo clorofiliano grandes de paredes delgadas. O caule apresentou forma aproximadamente cilíndrica, o xilema e o floema se mostram cilíndricos compondo feixes vasculares laterais, presença de células parenquimáticas do tipo clorofiliano e presença de células parenquimáticas medular isodiamétricas pela qual corresponde boa parte do conteúdo caulinar.

Portanto, a caracterização morfoanatômica do folíolo, mesofilo e caule da espécie L.

camara auxilia na mofodiagnose da espécie, servindo de subsídio para novas pesquisas, tendo em vista que a identificação de caracteres é de extrema relevância quando se trata de plantas medicinalmente utilizadas para diversas enfermidades.