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Movimento estudantil e luta armada no contexto da

UNIDADE 3: Educação Brasileira na República – 1945-2000

3.4 A ditadura militar e o pensamento tecnocrático

3.4.3 Movimento estudantil e luta armada no contexto da

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Além disso, o processo de expansão quantitativa que a educação obriga-

tória de oito anos sofreu após 1971 não foi acompanhado de medidas pedagó- gicas que, concomitantemente, garantissem a qualidade de ensino oferecido às crianças de 7 a 14 anos que frequentavam as escolas públicas de 1o grau. Entre os vários elementos econômicos e sociais que geravam precariedade no ensino da escola pública e obrigatória, uma merece destaque: a política de formação e remuneração dos professores. Oriundos do ensino superior noturno, os profes- sores tinham uma formação que carecia tanto dos conhecimentos humanísticos mais gerais como daqueles referentes às disciplinas que ministravam. Além disso, estavam submetidos a uma brutal política de arrocho salarial.

Desse modo, a combinação entre formação profissional inadequada e re- baixamento salarial engendrou uma categoria social que não gozava de prestí- gio profissional porque se proletarizou econômica e culturalmente. Para reivin- dicar condições dignas de vida e de trabalho, os professores organizaram-se em associações e faziam greves por reajustes nos salários, que eram siste- maticamente corroídos pela inflação. A título de exemplo, o Brasil possuía, em 1982, 899 mil professores de 1o grau, excluindo a zona rural da Região Norte, e a remuneração média mensal, levando em consideração o nível de instrução, era de 182,58 dólares. Essa conjugação de fatores criou uma categoria docente bem distinta daquela que o Brasil teve até 1960, e isso influenciou também na qualidade de ensino oferecida nas escolas públicas após 1971 (FERREIRA Jr.

& BITTAR, 2006). Assim sendo, as crianças oriundas das classes populares passaram, cada vez mais, a ter o direito de acesso à escola pública, mas con- tinuavam excluídas do conhecimento clássico acumulado historicamente pela humanidade. Este ainda continuava sendo de aquisição quase que exclusiva- mente dos filhos das elites econômicas e políticas que frequentavam as escolas privadas do mesmo grau de ensino.

3.4.3 Movimento estudantil e luta armada no contexto da ditadura

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vez, padecia de outros quatro grandes problemas: a) defasagem dos currículos e da qualificação do corpo docente – esta era determinada pela cátedra (cargo ocu- pado pelo professor titular); b) precariedade da infraestrutura dos laboratórios de pesquisa e de ensino; c) existência de uma estrutura acadêmica que conferia ao sistema universitário uma característica autoritária; d) elitismo, pois era destinada para poucos. Além disso, a crise agravou-se com a questão dos chamados “ex- cedentes” (candidatos aprovados nos vestibulares, mas que não eram chamados para efetivarem as matrículas por causa da falta de vagas). Foi nesse contexto que os estudantes passaram a reivindicar, por meio das organizações estudantis, o aumento do número de vagas, mais verbas e democratização da universidade.

Figura 29Manifestação estudantil contra a Reforma Universitária de 1968.

As camadas médias urbanas, de modo geral, haviam apoiado o golpe de 1964. A instalação do regime militar, entretanto, frustrou suas expectativas so- ciais mediante a supressão das liberdades políticas e da crise econômica ge- rada pelo Plano de Ação Econômica do Governo, adotado durante o governo do general Castello Branco (1964-1967). Assim o movimento estudantil, influen- ciado pelas organizações de esquerda, transformou-se no desaguadouro das insatisfações dos jovens provenientes das classes médias urbanas e, portanto, o setor social mais mobilizado na luta contra a ditadura militar. Por outro lado, a conjuntura internacional reforçava o quadro de radicalismo político dos estu- dantes, principalmente influenciados pelos seguintes acontecimentos: a Revo- lução Cubana (1959), as derrotas militares norte-americanas durante a guer- ra do Vietnã (1959-1975), o movimento a favor dos direitos civis nos Estados Unidos (1955-1968), os movimentos de libertação colonial (principalmente na África) e as rebeliões estudantis que ocorriam na Europa (1968). Todos esses acontecimentos foram inspirados, de um modo ou de outro, por ideais socialistas, comunistas e libertárias.

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Figura 30 Manifestação estudantil contra a ditadura militar.

Após a Reforma Universitária de 1968, subsidiada pelo acordo MEC-USAID (Ministério da Educação – United States Agency for International Development), um grande contingente de estudantes aderiu às organizações de esquerda clan- destinas que participavam da luta armada contra a ditadura militar. Para grande parte da esquerda brasileira, que vivia um processo de fragmentação desde a instauração da ditadura, a luta armada parecia ser a única via para a revolução socialista. Assim diversas organizações revolucionárias foram sendo criadas com base no recrutamento de quadros oriundos do movimento estudantil. Em São Paulo, por exemplo, cerca de 70% dos militantes da dissidência estudan- til do Partido Comunista Brasileiro (PCB) foram incorporados aos quadros da Ação Libertadora Nacional (ALN). A ALN, fundada por Carlos Marighella, ex-mili- tante do PCB, adotou a estratégia revolucionária centrada na tática do foquismo (focos de militantes armados espalhados pelo país) e da guerrilha urbana. A decretação do Ato Institucional no 5 (AI-5), em dezembro de 1968, impulsionou outros agrupamentos oriundos de dissidências estudantis do PCB a também ado- tarem a tática do foquismo, como foi o caso do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), na Guanabara. Essas organizações acreditavam que as cama- das populares, especialmente do campo, iriam aderir à estratégia da guerrilha e, com isso, a revolução socialista estaria desencadeada, o que não aconteceu, já que os estudantes que permaneceram no PCB adotaram ações de organizações de base para combater a ditadura militar.

Enfim, o movimento estudantil representou uma das grandes forças de opo- sição ao regime implantado após 1964, além de ter se tornado uma das principais frações das camadas médias urbanas a aderir às organizações de esquerda e, por conseguinte, a participar da luta armada como forma de combate à ditadura militar.

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