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Anais de Eventos Científicos em Diversidade e Inclusão da UFF 150

Lista dos resumos do IV Encontro de Diversidade e Inclusão da UFF - 2017

1 - Políticas de acessibilidade e inclusão nas universidades federais:

compreensão e aprimoramento das ações desenvolvidas na UFF para pessoas com deficiência visual. ... 152 2 - Ações de acessibilidade na casa da descoberta: preparando o museu para o visitante surdo. ... 159 3 - Política de educação inclusiva – um olhar docente diante da formação continuada na rede pública de ensino do município de São José do Vale do Rio Preto/RJ. ... 164 4 - A prática docente e a dislexia: a importância de uma formação

contínua. ... 171 5 - Museu inclusivo para deficientes visuais: a casa da descoberta através dos sentidos ... 177 6 - O relato da construção do setor espaço de inclusão no Instituto

Superior de Educação do Rio de Janeiro. ... 184 7 - Produções científicas sobre o aee na educação infantil, enquanto

política pública nos últimos cinco anos. ... 191 8 - Inclusão escolar no ensino fundamental: a percepção dos professores do bairro de itambi, município de Itaboraí/RJ. ... 197 9 - Produção de recursos didáticos adaptados: uma proposta em

matemática inclusiva para alunos com paralisia cerebral (PC) ... 209 10 - Contribuições para a elaboração de um programa de Identificação e Atendimento Educacional Especializado à criança com Altas

Habilidades/Superdotação. ... 214

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11 - Fisioterapeuta como falicitador no processo de inclusão de crianças com deficiência visual associada a outras deficiências ... 220 12 - Caixa de luz: material pedagógico facilitador do aprendizado do

sistema de leitura e escrita para cegos- braille, desenvolvido para pessoas que enxergam. ... 226 13 - A criança com deficiência na escola regular e o atendimento

educacional especializado ... 231 14 - Literatura de cordel e xilogravura: experiências estéticas na educação de pessoas com deficiência visual e ou surdocegueira ... 238 15 - A inclusão na universidade federal fluminense: ações das políticas de inclusão e acessibilidade nas bibliotecas ... 248 16 -Entrelaçando conhecimentos de Ciências e Matemática com

estudantes deficientes visuais ... 259 17 - Deficiência intelectual e alfabetização: questões sobre a formação265 18 - Acessibilidade e inclusão de estudantes com deficiência intelectual (DI) em museus ... 272 19 - Jogos para alfabetização de alunos com deficiência intelectual. ... 280 20 - O Mediador Pedagógico no desenvolvimento de aluno com

Transtorno do Espectro Autista (TEA) ... 286 21 - A estimulação precoce de bebês afetados pela síndrome congênita do zika vírus. ... 297 22 - Materiais educacionais inclusivos: entrelaçando conhecimentos

contidos nos produtos desenvolvidos em um mestrado profissional. .... 306

23–Tecnologias Assistivas e possibilidades de interação no trabalho com

crianças com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). ... 312

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1 - Políticas de acessibilidade e inclusão nas universidades federais: compreensão e aprimoramento das ações desenvolvidas na UFF para pessoas com deficiência visual.

Andréa Nascimento Moreira Faria1& Neuza Rejane Wille Lima2

1Estudante do Curso de Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão– CMPDI – UFF;

2Docente do Curso de Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão – CMPDI – UFF.

RESUMO

Os avanços nas políticas inclusivas na educação brasileira têm colaborado para que mais pessoas com deficiência tenham acesso ao ensino superior, como, por exemplo, a aprovação da lei, no ano de 2016, que estabelece cotas para pessoas com deficiência em universidades federais. Em virtude disso, pensou-se na construção desse trabalho, que visa reforçar a necessidade de as universidades brasileiras estarem suficientemente preparadas para receber alunos com deficiência visual, garantindo não apenas o acesso, mas fornecendo subsídios que permitam uma boa permanência e deem condições que possibilitem sucesso acadêmico e profissional. Será realizado um estudo analítico acerca das políticas de acessibilidade e inclusão, voltadas ao público com deficiência visual, que vêm sendo desenvolvidas, desde 2009, na Universidade Federal Fluminense (UFF), através da Divisão de Acessibilidade e Inclusão – Sensibiliza UFF, que conta com o apoio do Programa Incluir, do Ministério da Educação (MEC), criado em 2005, cujo principal objetivo é fomentar a criação e a consolidação de núcleos de acessibilidade em Institutos Federais de Ensino Superior (IFES). Em linhas gerais, temos como principal objetivo construir propostas que contribuam para tornar a Universidade Federal Fluminense uma instituição de ensino superior de referência nacional em acessibilidade e inclusão. Para tanto, serão utilizadas metodologias como pesquisas bibliográficas e documentais, referentes ao período entre 1994 e 2016; visita à Divisão de Acessibilidade e Inclusão; levantamento de dados sobre as condições de acessibilidade da Instituição; entrevistas semiestruturadas ao público-alvo da pesquisa. Como produto final, aspira-se construir um guia orientador das práticas pedagógicas e atitudinais para a inclusão efetiva da comunidade acadêmica com deficiência visual.

Palavras-chave: acesso; educação especial superior; legislação; limitações; pessoa com deficiência

INTRODUÇÃO

A Constituição Federal (BRASIL,1988) foi um marco fundamental para que os brasileiros pudessem exercer sua cidadania, considerando a importância da democracia e prezando pela igualdade, liberdade, justiça, respeitando a pluralidade social. Esse documento deixa claro,

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também, o dever de o Estado proporcionar o acesso a direitos básicos sociais, como saúde, moradia, educação. O texto em que está assegurado o direito de todos à educação, encontra- se na seção que trata da Ordem Social, título VIII, capítulo III. A educação ali tratada visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. O artigo 208, inciso III, deixa claro o direito de “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.

Para efeito compreensivo, vale pontuar que o atendimento educacional especializado consiste no “conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucional e continuamente” (BRASIL,2011). Funciona como complemento ou suplemento, não sendo substitutivo do ensino regular, desenvolvendo recursos que possibilitem o acesso e participação nos processos de ensino e aprendizagem.

Na década de 1990, houve a “Conferência Mundial sobre Educação para Todos”, realizada em Jomtien, Tailândia, na qual o Brasil assumiu a responsabilidade, perante as outras Nações, de erradicar o analfabetismo e tornar universal o ensino fundamental, satisfazendo as necessidades básicas de aprendizagem dos grupos excluídos socialmente, como aqueles que têm deficiência e, assim, promovendo a equidade. Em 1994, em Salamanca, na Espanha, aconteceu a “Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: Acesso e Qualidade”, onde fora assinada a Declaração de Salamanca, firmando ações políticas que objetivavam a educação de estudantes com necessidades educacionais especiais, originadas em função de deficiências ou da aprendizagem, nas escolas regulares.

No âmbito nacional, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n° 9394 de 1996 veio dar um complemento à Constituição Federal de 1988, no que condiz à educação, ampliando o atendimento educacional especializado, anteriormente direito apenas de pessoas com deficiência, aos alunos com transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, definidos como público-alvo da Educação Especial, modalidade de ensino que atende a esse alunado, devendo propiciar currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, nas classes regulares, preferencialmente.

Quanto ao Ensino Superior, no ano de 2005 é criado o Programa Incluir, do Ministério da Educação, com objetivo de fomentar a criação e consolidação de núcleos de acessibilidade.

Esses espaços respondem pela organização de ações institucionais que garantam a integração de pessoas com deficiência à vida acadêmica, eliminando barreiras comportamentais, pedagógicas, arquitetônicas e de comunicação. Temos, também, a ampliação da Educação Especial até o Ensino Superior assegurada na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL,2008), que enfatiza a educação sob um caráter mais integrador, estabelecendo como público-alvo os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, e garante o atendimento educacional especializado em todos os níveis e modalidades de ensino.

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Com a Lei Brasileira de Inclusão, sancionada em 2015, fica mais evidente o direito das pessoas com deficiência de terem acesso à educação. Em seu capítulo 27, do art. IV, compreendemos que

A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurado sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem... (BRASIL,2015)

É resguardado o direito de a pessoa com deficiência ter acesso ao ensino superior. O documento estabelece que os cursos de nível superior devam adotar em seus currículos temas ligados às pessoas com deficiência; endossa que os tradutores e intérpretes de Libras, quando direcionados à tarefa de interpretar nas salas de aula dos cursos de graduação e pós- graduação, devem possuir nível superior; garante a realização de provas em formatos acessíveis , os recursos de acessibilidade e de tecnologia assistiva adequados, e tempo estendido de provas e demais atividades acadêmicas para alunos com deficiência, que apresentem tal necessidade.

Embora, desde 2009, a Universidade Federal Fluminense tenha aberto caminho para a criação do Sensibiliza UFF, reconhecendo sua importância, com o apoio do Programa Incluir, percebe- se que ainda há um desconhecimento, por parte de uma considerável parcela da comunidade acadêmica, sobretudo professores, diretores e coordenadores de curso, a respeito de políticas inclusivas, incluindo métodos e ferramentas de avaliação, e da existência de um setor responsável por prover recursos de acessibilidade aos alunos que demandarem atendimento educacional especializado. Nem mesmo o regulamento dos cursos de Graduação, da Universidade, contempla a realidade de estudantes com deficiência. Em contrapartida, temos a sanção presidencial, em 2016, da Lei 13.409, que estabelece um percentual de cotas para que pessoas com deficiência ingressem nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

Cabe esclarecer que o conceito de deficiência consiste em

impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas... (BRASIL,2015, grifo nosso) Para este trabalho, será dado um recorte ao público com deficiência visual, que abrange a baixa visão e a cegueira. Isto porque esta limitação sensorial demanda mudanças atitudinais e importantes adaptações arquitetônicas e dos materiais didático-pedagógicos, a fim de permitir acesso aos conteúdos e o aprendizado de conceitos científicos (NUNES; LOMÔNACO, 2010;

REIS; EUFRÁSIO; BAZON, 2010; HAYASHI et al.,2012; SELAU et al., 2017). Júnior e Hammes (2014) são criteriosos ao afirmarem que é de responsabilidade da gestão acadêmica conhecer

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as necessidades específicas dos alunos com deficiência visual, a fim de incluí-los verdadeiramente, elaborando projetos pedagógicos facilitadores do aprendizado.

A grande preocupação é com a garantia de que esses alunos tenham respeitados seus direitos de acesso e permanência, e que a Universidade dê meios para que o êxito acadêmico seja alcançado. Almeja-se, então, com essa pesquisa, desenvolver, na comunidade acadêmica da Universidade Federal Fluminense, maior consciência inclusiva; reduzir, ao máximo, as barreiras atitudinais, metodológicas e arquitetônicas ainda presentes; contribuir para uma maior democratização do acesso ao ensino superior; despertar o interesse nas pessoas com deficiência visual de terem acesso aos níveis mais elevados de ensino.

MATERIAIS E MÉTODOS

Para o desenvolvimento dessa pesquisa, foi feito um levantamento bibliográfico nas principais bases de dados como Scielo, Google Acadêmico, Lilacs e Periódicos Capes, com o intuito de analisar a relevância dada à temática estudada e abordada na pesquisa, pelas literaturas, anteriormente, produzidas, e, também buscar maior arcabouço teórico, conhecendo diferentes realidades e comparando esses estudos com a pesquisa aqui pretendida. Além disso, realizou-se uma análise dos principais documentos legais brasileiros, que sustentam o direito de acesso das pessoas com deficiência visual à educação superior, sendo respeitadas as necessidades educacionais existentes e fornecidos os materiais, recursos e técnicas que minimizem as barreiras e proporcionem a esses estudantes maior autonomia e bem-estar. Por fim, não menos importante, foi elaborado, através de um formulário on-line, um questionário semiestruturado, e, enviado a alguns (ex) alunos com deficiência visual da Universidade Federal Fluminense, com perguntas que versavam sobre suas percepções e experiências a respeito das condições de acessibilidade e inclusão, oferecidas pela referida instituição de ensino.

RESULTADOS

As pesquisas, realizadas nas bases de dados, sobre inclusão, acessibilidade e educação superior e pessoa com deficiência visual, e também as respostas ao questionário, mostraram que, muito embora esses alunos estejam ingressando nas universidades, muitos entraves ainda existem e têm sido enfrentados. Percebeu-se uma grande ênfase dada à insuficiência de instrumentos e materiais pedagógicos que auxiliem o processo inclusivo. Outro fator bastante relevante e preocupante é a existência de barreiras arquitetônicas e atitudinais, sendo esta última marcada por preconceito e sentimento de desprezo, advindos de professores e alunos.

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DISCUSSÃO

O fator principal que colabora para que ainda existem obstáculos na inclusão educacional das pessoas com deficiência visual é o desconhecimento que se tem a respeito das suas necessidades, o que resulta na construção de mitos e crenças que minimizam os seres humanos com essa condição e desconsidera as potencialidades. Muitos acreditam que as pessoas com essa limitação sensorial são incapazes de aprender conteúdos científicos, estando o seu desenvolvimento cognitivo restrito, pois ainda há uma supervalorização da visão na aquisição do conhecimento. É notória a insegurança, falta de interesse e despreparo que as pessoas, sobretudo professores, têm para lidar com quem tem deficiência visual, resultado dos estigmas construídos acerca dessa limitação, cuja consequência é a discriminação. Esse comportamento discriminatório gera a invisibilidade e falta de comunicação, fazendo com que os obstáculos sejam ainda maiores, uma vez que as pessoas com deficiência visual não têm a possibilidade de verbalizar as suas dificuldades e expor as demandas.

CONCLUSÕES

Mediante os expostos, percebe-se que há uma urgente de necessidade de formar os professores para o cenário de inclusão educacional, que tem sido realidade em muitas instituições de ensino superior brasileiras, e que tende a aumentar, graças à política de cotas, que assegura o direito de acesso às pessoas com deficiência. Entretanto, a legalidade por si só é insuficiente, sendo necessário maior comprometimento social, para que a equidade se torne uma realidade no contexto educacional. O ambiente universitário tem como responsabilidade a produção de conhecimento, cultura e cidadania, devendo, portanto, ser um ambiente que favoreça a aprendizagem de todos, inclusive as pessoas com deficiência visual, para que possam exercer seus direitos e alcançar qualificação profissional. Deste modo, deve concentrar seus esforços em definir bem suas políticas de acessibilidade e inclusão, incentivando a participação de toda comunidade acadêmica e oferecer capacitação a docentes e funcionários, através dos núcleos de acessibilidade. Aos professores e gestores cabem disponibilizar recursos de acessibilidade e adotar didáticas e metodologias, tais como adaptação curricular, que possibilitem a integral participação desses alunos. Por fim, vale destacar a importância de os cursos de formação inicial prepararem os profissionais para atuar com a heterogeneidade social, para que um dia as barreiras impostas sejam mínimas ou até mesmo inexistentes.

AGRADECIMENTOS

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); à Universidade Federal Fluminense; ao Curso de Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão (CMPDI); à Divisão de Acessibilidade e Inclusão-Sensibiliza UFF ; à amiga e professora, Ana Cristina Teixeira Prado, pelo apoio e incentivo ao estudo desse tema.

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REFERÊNCIAS

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Acessado em 11.abr.2017.

_______. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.

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______. Decreto n° 7611. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Brasília,2011. Disponível em:

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2 - Ações de acessibilidade na casa da descoberta: preparando o museu para o visitante surdo.

Bruna Wendhausem Enne¹; João Paulo Ferreira da Silva² & Erica Cristina Nogueira³

1Estudante do Curso de Engenharia Química – UFF; 2Professor do Centro Universitário La Salle/RJ – UNILASALLE; 3Professora da Universidade Federal Fluminense – UFF.

RESUMO

A Casa da Descoberta é um Centro de Divulgação Científica da Universidade Federal Fluminense. São oferecidas, entre outras atividades, visitas guiadas por esses mediadores ao espaço do museu, nas quais o visitante recebe explicação teórica sobre o acervo exposto. Além dos visitantes avulsos, recebemos visitas de escolas públicas e particulares, algumas das quais trazem alunos portadores de necessidades especiais. Devido a essa demanda, percebemos a necessidade de mudanças na Casa da Descoberta, que antes não poderia ser considerada acessível. Este trabalho tratará dessas mudanças no âmbito da surdez. Foram realizadas ao longo do ano, diversas atividades com o objetivo de aproximar o público Surdo da Casa da Descoberta, incluindo a capacitação dos mediadores e a tradução da visita para a Língua de Sinais Brasileira.

Palavras-Chave: inclusão social; museus de ciências; surdez

INTRODUÇÃO

A Casa da Descoberta é um Centro de Divulgação Científica da Universidade Federal Fluminense (UFF) situado no andar 2P do Instituto de Física, Campus da Praia Vermelha. Conta com aproximadamente quarenta mediadores (bolsistas e voluntários), todos alunos de graduação da Universidade. São oferecidas, entre outras atividades, visitas guiadas pelos mediadores ao espaço do museu, nas quais o visitante recebe explicação teórica sobre o acervo ali existente. Recebemos visitas de escolas da Rede de Educação Básica (públicas e privadas), alunos, professores e servidores da UFF e a comunidade em geral. Alguns desses visitantes são portadores de necessidades especiais e, por isso, precisam de uma atenção diferenciada.

A acessibilidade aos museus e centros de ciência está prevista no Estatuto de Museus (BRASIL, 2009), através da Lei nº 11904 de 14 de Janeiro de 2009, no seu artigo 2 inciso V, artigo 35 e artigo 46 inciso IV. Além disso, o artigo 14 do decreto no 5.626, de 22 de Dezembro de 2005, que regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de Abril de 2002, conhecida como Lei de Libras, também afirma que as instituições de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas acesso à comunicação, à informação e à educação, desde a educação infantil até a superior.

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Devido à diversidade do público que recebemos e para atender a legislação em vigor, a Casa da Descoberta assumiu o compromisso de tornar o seu espaço acessível para os diferentes públicos. Esse trabalho terá como foco a acessibilidade para pessoas surdas.

É importante enfatizar que os museus de Ciência não podem ser vistos como espaços de contemplação passiva. Na Casa da Descoberta, o visitante é convidado a interagir com a obra e também com outros visitantes. As visitas são guiadas por um mediador, aluno de graduação da Universidade Federal Fluminense, que fornece o conteúdo teórico, além de relacionar os conceitos científicos às experiências do dia a dia e ajudar no manuseamento do equipamento.

Assim, tomando como foco o visitante Surdo e prezando a qualidade da interação entre este e o mediador, percebemos a necessidade de realizarmos a capacitação dos monitores da Casa da Descoberta, já que a maioria nunca havia tido contato com um Surdo.

Entendendo o visitante como protagonista da experiência no museu, iniciamos também a tradução da visita para a Língua de Sinais Brasileira (Libras), integrando de forma correta os Surdos que têm a Libras como primeira língua (L1).

MATERIAIS E MÉTODOS

Como dito por Silva et al. (2015):

“Aceitar a inclusão não é uma tarefa fácil por parte dos museus e centros culturais, não se trata apenas de uma obra ar uitet nica no espaço a inclusão re uer um estudo efetivo sobre as possibilidades de receber cada pessoa.” (Silva et al., 2015, p.7)

A partir dessa perspectiva, iniciamos, com os mediadores da Casa da Descoberta, um trabalho de preparação para o recebimento do visitante Surdo no nosso espaço. Entender o Surdo e sua história são elementos essenciais para a convivência, para que se coloque no lugar do outro e aprenda com as diferenças. Além disso, um conhecimento básico de Libras também foi fornecido para que o mediador possa interagir com o visitante de maneira independente.

Após a capacitação, iniciamos um processo de tradução das obras do Português para a Língua Brasileira de Sinais, realizado por uma profissional bilíngue, mediadora da Casa da Descoberta.

O profissional bilíngue é aquele que tem acesso aos dois idiomas e estabelece o diálogo entre os dois grupos. No nosso caso, a mediadora possui o Português como primeira língua e a Libras como segunda língua.

Assim como as línguas faladas, as línguas gestuais não são universais. Podemos notar a existência da ASL – American Sign Language, originaria dos Estados Unidos, LGP – Língua Gestual Portuguesa, de Portugal, entre muitas outras. Variâncias linguísticas regionais também devem ser consideradas. Desta forma, pode-se perceber a importância da utilização da Língua de Sinais como forma de aquisição de conhecimento, produção de identidade e cultura:

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