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2.1 A INTERAÇÃO HUMANO-COMPUTADOR E A USABILIDADE

2.1.4 Normas, Métodos e Modelos Relativos à Usabilidade

 Dispensa profissional de ergonomia (conhecimento ergonômico no checklist);

 Facilita identificação de problemas devido à especificidade das questões;

 Reduz nível de subjetividade e por consequência aumenta a eficácia;

 Diminui custos (não há necessidade de profissional especializado);

 Sistematiza a avaliação garantindo resultados mais estáveis mesmo quando aplicada separadamente por diferentes avaliadores.

De acordo com Jeffries (et al. 1991), trata-se de uma das técnicas que apresenta um dos menores custos de aplicação. Este baixo custo é em decorrência de diversos fatores, tais como: não necessitar de especialista em IHC, não envolver usuários reais e consumir o menor tempo possível durante sessões de teste e tratamento de dados. Poderia ser enquadrado como um dos métodos de engenharia de usabilidade descontada, porém o fato de sua produtividade estar restrita a abrangência e qualidade das guidelines/listas de verificação consideradas na avaliação. Entretanto, mesmo com significativas vantagens relacionadas a custo e tempo, este tipo de avaliação muitas vezes se torna efetivamente pouco mencionada e utilizada, devido à restrita quantidade de guidelines que abordam particularidades e características pertinentes a tipos específicos de interface.

2.1.4.1 ISO 9241

Na avaliação da usabilidade de sistemas interativos, tem-se também a ISO 9241 “Requisitos ergonômicos para trabalho de escritórios com computadores” que foi criada em 1998 pela International Standard Organization e adotada pela ABNT em agosto de 2002 sob a forma de NBR-9241. Trata-se da primeira norma que definiu oficialmente a usabilidade como sendo a medida pelo qual um sistema pode ser usado por um usuário específico para alcançar objetivos específicos e em um contexto de uso específico, com eficácia, eficiência e satisfação (NBR 9241- 11).

Esta norma estabelece de uma forma ampla diretriz para sistemas computacionais com o objetivo de permitir que o usuário atinja seu objetivo e satisfação de sua necessidade em um contexto de uso particular. O contexto de uso do sistema é compreendido pela descrição dos seguintes itens: usuários, tarefas, equipamentos e ambientes (DIAS, 2003).

As recomendações existentes na ISO 9241 foram definidas a partir de uma revisão da literatura existente e através de evidências empíricas, sendo então utilizadas pelos projetistas e avaliadores de interfaces (CYBIS, 2003). A parte 10 desta norma, intitulada “Princípios de Diálogo”, merece destaque para esta pesquisa, por se ater aos princípios da usabilidade no diálogo mantido entre as interfaces e o usuário de um software. Estes princípios, segundo a própria norma aborda, podem ser aplicados genericamente no projeto de interfaces, independente da técnica especifica de diálogo que esteja sendo trabalhada no momento.

A definição proposta na norma salienta o fato de que a usabilidade não é uma propriedade isolada do produto, mas dependente de usuário, tarefas e contexto de uso do sistema. Esta norma explica como elencar as informações necessárias para a especificação ou avaliação da usabilidade em termos de medidas de desempenho do usuário e de sua satisfação. Orientações sobre como descrever o contexto de uso do produto e medidas relevantes de usabilidade são apresentadas.

2.1.4.2 ISO/IEC 9126 e ISO/IEC 25000

A norma ISO/IEC 9126 (2001) intitulada: “Engenharia de Software: Qualidade do produto”

trata da avaliação de qualidade de um produto de software, teve seu início em 1991 com a definição de características para a avaliação de um software como um produto, traz consigo o conceito de

“qualidade em uso” que trata da capacidade do produto de software em permitir a usuários

específicos atingir metas especificadas. Como o escopo de avaliação de software sofreu um rápido crescimento, no ano de 2000 a norma sofreu algumas atualizações que faltavam em 1991 (MAUDA, 2012). Apresenta métricas baseadas em normas de qualidade, engenharia de software e requisito de usabilidade para medir a qualidade de um produto de software de qualquer aplicação.

Tais métricas são colocadas através de um conjunto de questões que deve ser observadas durante a avaliação (ISO 9126, 2001).

Semelhante à definição de usabilidade encontrada na ISO 9241, na norma ISO/IEC 9126 também existe referência ao contexto de uso para definição da usabilidade. Tratada como um dos componentes de qualidade de software, nesta norma a usabilidade é definida como a capacidade de compreensão do software pelo usuário, capacidade de aprendizado, capacidade de ser operado e atrativo para o usuário quando utilizado sob condições específicas. Trata-se de uma definição bem próxima da visão de Nielsen e Jordan, que citam a usabilidade relacionada à facilidade de uso e ao aprendizado (BETIOL, 2004).

As seis características citadas na norma ISO/IEC 9126 são: funcionalidade, confiabilidade, usabilidade, eficiência, manutenibilidade e portabilidade. Todas estas características citadas são, por sua vez, subdivididas em subcaracterísticas. Neste caso, para o trabalho aqui proposto, é importante destacar que as subcaracterísticas de usabilidade são: inteligibilidade, apreensibilidade, operacionalidade, atratividade e conformidade relacionada à usabilidade (ISO 9126, 2001).

Posteriormente, no ano de 1999, o comitê técnico da ISO realizou a revisão das normas ISO/IEC 9126 e ISO/IEC 14598, convergindo as duas em uma única família para que falhas, ambiguidades e conflitos pudessem ser eliminados. A família dessa norma é a ISO 25000, também conhecida como Projeto SQuaRE. O objetivo geral do projeto está em confeccionar uma família de normas logicamente organizadas, com o intuito de cobrir dois pontos principais: especificação de requisitos e avaliação da qualidade de software, ambos utilizando-se de um processo de medição (ISO/IEC 25000, 2005).

Um processo de avaliação de qualidade deve contemplar as várias etapas existentes dentro de um ciclo de vida de um software e assim a norma realizou a divisão deste intervalo: ISO/IEC 2500n com a Divisão da Gestão da Qualidade, ISO/IEC 2501n com a Divisão do Modelo de Qualidade, ISO/IEC 2502n com a Divisão de Métricas de Qualidade, ISO/IEC 2503n com a Divisão de Requisitos de Qualidade, ISO/IEC 2504n com a divisão da avaliação da qualidade e por fim a

ISO/IEC 25050 – 25099 que possui a extensão de padrões SQuaRE . Cada uma destas divisões é composta de um conjunto de documentos e trata de um assunto particular (ISO/IEC 25000, 2005).

A norma ISO/IEC 25010 (ISO/IEC 25000, 2005) apresenta o modelo de qualidade para software atualizando o modelo definido na norma ISO/IEC 9126. Este modelo auxilia a avaliação por vários atores de um projeto de software como gerentes, desenvolvedores, usuários. A maioria das mudanças está relacionada com as características e subcaracterísticas do modelo de qualidade (ISO/IEC 25000, 2005). Em relação à usabilidade, interesse deste projeto, as mudanças são:

 Adição da subcaracterísticas “Proteção a erros do usuário”;

 Adição da subcaracterísticas “Acessibilidade”;

 Mudança de nome “Atratividade” para “Estética de Interface com o Usuário”.

2.1.4.3 MEDE-PROS®

A ASSESPRO Nacional (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet) e o CenPRA (Centro de Pesquisas Renato Archer), firmaram em 1993 uma parceria objetivando conscientizar e incentivar a capacitação tecnológica das empresas que produzem software, que estavam associadas à ASSESPRO, criando o Prêmio ASSESPRO de Qualidade de software “Melhor software do Ano” (CARNEIRO; MOURA, 2004).

Com o intuito de aumentar a confiabilidade do julgamento técnico do prêmio, o CENPRA desenvolveu, em 1993 o MEDE-PROS®, uma metodologia de avaliação da usabilidade registrada junto a Fundação Biblioteca Nacional (MEDE-PROS, 1997) e pertencente ao Centro de Pesquisa Renato Archer – CenPRA (SILVA JUNIOR, 2008).

Quando desenvolvido, este método tinha seus critérios baseados apenas na norma NBR ISO/IEC 9126 e apresentava 43 questões de verificação. Mais tarde, em 2000, o método passou para 540 questões sendo que os critérios passaram a ser baseados em outras normas, tais como: ISO/IEC 9126, 14598-5, 12119, 9241 e IEEE 1063, além também de toda a experiência adquirida pelo CENPRA ao longo dos anos (CARNEIRO; MOURA, 2004).

Este método passou a ser referência nacional na avaliação de qualidade de produtos de software, passando a ser utilizado não somente para o prêmio, mas também para a qualificação do

PNAFAM (Programa Nacional de Apoio a Gestão Administrativa e Fiscal dos Municípios Brasileiros), para as CNS (Chamada Nacional SOFTEX de 1997) e na avaliação de produtos de software de empresas com o objetivo de qualificar os seus produtos (CARNEIRO;MOURA, 2004).

Trata-se de um modelo utilizado nas avaliações de qualidade de produto de software em várias ocasiões nas quais o CTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer) desenvolveu atividades sob demanda (GUERRA; COLOMBO, 2008). O MEDE-PROS® é formado por três componentes: listas de verificação, manual do avaliador e um modelo de relatório de avaliação.

A lista de verificação é uma ferramenta de avaliação da qualidade de produtos de software formada por cinco módulos que permite avaliar um produto de forma completa. Destes cinco módulos, dois são de pacote e descrição do produto e verificam se as informações disponíveis ao comprador, antes da compra efetuada, estejam em conformidade com os requisitos da norma NBR ISO/IEC 12119, um terceiro módulo, de documentação, verifica se os requisitos de qualidade definidos pela ISO/IEC 12119 e 9126 e ANSI IEEE 1063 estão presentes no produto de software que se encontra em avaliação. O quarto módulo verifica se os requisitos de software definidos pela norma ISO/IEC 9126 estão presentes no produto avaliado. Por fim, o quinto módulo, de interfaces, verifica se os requisitos de qualidade definidos pelas normas ISO/IEC 9126, 9241-10, 11, 12, 14 e 16 e pelo ERGOLIST também estão presentes no produto avaliado (CARNEIRO; MOURA, 2004).

Cada um destes módulos citados é dividido em características de qualidade que são avaliadas segundo um ou mais quesitos, sendo que cada quesito é um atributo que deve ser observado por um avaliador em um contexto definido (GUERRA, COLOMBO, 2008). Dessa forma, com a lista de verificação apresentada pelo MEDE-PROS®, é possível avaliar elementos que compõe um produto de software, tais como: embalagem, descrição do produto, documentação, interface e software (SILVA JUNIOR, 2008). A Figura 1 apresenta a estrutura da lista de verificação de um método de avaliação no MEDE-PROS®.

Figura 1. Estrutura de lista de verificação de um método de avaliação (mede-pros) Fonte: Adaptado de Guerra e Colombo (2008).

O módulo de interface no MEDE-PROS® é composto de características e subcaracterísticas.

As características citadas são usabilidade (formada pelas subcaracterísticas: inteligibilidade e operacionalidade), funcionalidade (formada pelas subcaracterísticas: adequação, acurácia e segurança de acesso) e confiabilidade (formada pelas subcaracterísticas: maturidade e tolerância a falhas). Todas estas características e subcaracterísticas são avaliadas por um total de 66 questões.

As listas de verificação são compostas de questões com proposições lógicas sobre um determinado atributo a ser verificado. Sendo assim, cada proposição que compõe um atributo é o mais objetiva possível, envolvendo apenas um aspecto do atributo, sendo que as possíveis respostas para as questões são: “S” – Sim, para as proposições verdadeiras; “N” – Não, para as proposições falsas; “NA” – Não Se Aplica, para as sentenças que referenciam um aspecto que não se enquadra ao produto avaliado e por fim, “AP” – Avaliação Prejudicada, para aquelas sentenças em que o avaliador não está em condições de avaliar (SILVA JUNIOR, 2008).

O manual do avaliador, segundo componente do MEDE-PROS® apresenta um conjunto de informações utilizadas em conjunto com as listas de verificação, durante a avaliação da qualidade de um produto de software, fornecendo diretrizes e recomendações para a execução de um processo de avaliação. Trata-se de um manual composto de explicações e exemplos de alguns atributos presentes nas listas de verificação para que seja possível uma melhor compreensão do aspecto a ser avaliado, convenções utilizados no checklist, diretrizes para a execução da avaliação, regras e

obrigações dos avaliadores e informações acerca do preenchimento do checklist (SILVA JUNIOR, 2008).

Por fim, o último componente do MEDE-PROS®, o “Relatório de Avaliação”, é um laudo técnico sobre a qualidade do produto de software avaliado do ponto de vista de um usuário final.

Trata-se do resultado da avaliação, destacando os aspectos do produto de software que atendem as normas de qualidade de software, bem como os aspectos a serem revistos, originados pelas não conformidades encontradas durante o período de avaliação.

2.1.4.4 ERGOLIST

O LabIUtil (Laboratório de Utilizabilidade) é um laboratório, vinculado ao Departamento de Informática e Estatística e ao Departamento de Produção de Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que fornece serviços de avaliação de qualidades ergonômicas de dispositivos com interfaces humano-computador. Tem como principal objetivo auxiliar na criação e manutenção das qualidades ergonômicas, buscando: facilidade de aprendizagem, facilidade de uso e adequação a tarefa dos dispositivos interativos informatizados (ERGOLIST, 2008).

O ERGOLIST, disponibilizado via internet, possui como principal objetivo disponibilizar informações, serviços e oportunidades de comunicação para auxiliar no projeto (design) e na avaliação de interfaces humana-computador ergonômico. Composto por uma base de conhecimento em ergonomia é formado pela união de várias recomendações escolhidas considerando alguns critérios: importância e pertinência da recomendação, existência de material explicativo sobre a recomendação e sua aderência a um critério ergonômico e a uma característica de interface (ERGOLIST, 2008).

O ERGOLIST foi desenvolvido por diversos profissionais do Laboratório de Utilizabilidade e conta com dezoito critérios elementares: Presteza, Agrupamento por Localização, Agrupamento por Formato, Feedback, Legibilidade, Concisão, Ações Mínimas, Densidade Informacional, Ações Explícitas, Controle do Usuário, Flexibilidade, Experiência do Usuário, Proteção contra Erros, Mensagens de Erro, Correção de Erros, Consistência, Significados e Compatibilidade.

Para que o Ergolist possa ser utilizado, basta que o avaliador acesso seu endereço na internet: http://www.labiutil.inf.ufsc.br/ergolist, onde existem informações sobre a ferramenta e o usuário posteriormente define qual o módulo que será acessado:

 Módulo 1 – Checklist: auxilia o avaliador a realizar uma inspeção sistemática da qualidade ergonômica da interface com o usuário de seu sistema. O checklist apresentado no site é dividido em 18 critérios de avaliação;

 Módulo 2 – Questões: possibilita o conhecimento das questões que formam o checklist. Os 18 critérios de avaliação apresentam um total de 194 questões;

 Módulo 3 – Recomendações: encontram-se recomendações ergonômicas que podem auxiliar nas decisões de projetos de interface com o usuário. Os 18 critérios de avaliação apresentam um total de 194 recomendações.

Também fica disponível para o usuário, acesso a glossário de termos, enunciados das questões e informações complementares.