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Notas Conclusivas acerca de Serviços Municipais

No documento ESTUDO DE SCOOTERS ELÉTRICAS (páginas 54-57)

C. USOS DAS SCOOTERS ELÉTRICAS

5.4 Notas Conclusivas acerca de Serviços Municipais

As opções para a utilização de scooters elétricas em serviços municipais são diversas e incluem do primeiro atendimento, em casos de emergência médica, a serviços de manutenção para equipamentos públicos, segurança, inspeção de áreas, limpeza e outros.

Foram colhidos relatos positivos, justificando sua utilização com razões que vão desde a agilidade em vias de tráfego intenso até a menor exposição das pessoas à emissão de monóxido e dióxido de carbono em caso de acidentes, a prevenção de fraudes, furtos e desvios de insumos ou dos próprios veículos e a redução da poluição sonora.

Conquanto Madri tenha se mostrado o maior destaque entre os casos analisados, em especial pela variedade e abrangência nos serviços em questão, o estudo foi capaz de detectar outros projetos em andamento, bem como oportunidades com sistemas já implantados com ciclomotores a combustão que poderiam ser substituídos por scooters elétricas com certa facilidade, proporcionando benefícios reconhecidos. Restam como barreiras, no Brasil, adaptações regulatórias, além de adequações de desenho e potência dos veículos para alguns casos, como a utilização como motolâncias.

ANÁLISE SWOT III

Com base nos dados levantados e nas entrevistas realizadas nas etapas de pesquisa de mercado e estudos de caso, foram identificadas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças do segmento de scooters elétricas e verificada, de maneira objetiva, a viabilidade de desenvolver um mercado próprio no Brasil, como ocorre em outras economias no mundo.

Para a análise de forças e fraquezas, o ambiente interno do segmento incluiu o conjunto de recursos humanos, financeiros e físicos. Sobretudo, é possível exercer controle sobre esses recursos, pois são intrínsecos ao segmento, podem se manejar e administrar de forma estratégica e juntos se transformam em uma vantagem competitiva para o desenvolvimento do segmento em relação a outras opções de mobilidade. No sentido oposto, analisaram-se

também os pontos fracos, deficiências que o segmento apresenta relativamente aos seus similares a combustão.

Quanto ao ambiente externo – oportunidades e ameaças –, apresentam-se os fatores que existem fora dos limites do segmento, mas que, de alguma forma, o influenciam.

Apesar de eles deverem ser monitorados continuamente, pois são a base para o planejamento estratégico, não é possível controlá-los.

Finalmente, se considerarmos que os fatores externos influenciam de forma homogênea todas as empresas que atuam no segmento, podemos afirmar que somente aquelas que conseguirem melhor identificar as mudanças e tiverem agilidade para se adaptar tirarão melhor proveito das oportunidades.

Figura Pontos Positivos e Negativos Mais Citados pelos Entrevistados no Brasil

Em países como China e Índia, os prós e contras no uso das scooters elétricas em muito coincidem com as respostas dos entrevistados para este estudo no Brasil, apesar das profundas disparidades no nível de amadurecimento de cada um desses mercados. É relevante considerar a percepção de ambas estas economias, uma vez que toda a região latino-americana ainda está estruturando o segmento e pode se beneficiar dos erros e acertos de outras regiões.

Como pontos positivos dos segmentos chinês e indiano, foram indicados a significativa redução de emissões de poluentes e trânsito, o melhor fluxo de tráfego quando as scooters tornam-se mais abundantes e a redução de custos

operativos, principalmente no carregamento da bateria e na manutenção, mas também com relação à isenção de impostos e taxas aplicáveis. Como negativos, foram apontados a escassez de estações de recarga, os altos custos de seguro e as poucas oficinas de manutenção.118 Outra perspectiva relevante foi a de um grupo protagonista no mercado de veículos elétricos: a Renault não atua ainda com scooters elétricas, mas é líder do mercado de veículos elétricos no mundo. Em sua entrevista, identificou três desafios principais para o desenvolvimento do mercado no Brasil que merecem atenção e, de certa forma, motivam sua ausência neste segmento:

118 Fonte: https://theicct.org/sites/default/files/publications/India-hybrid-and-EV-incentives_working-paper_ICCT_27122016.pdf#page=14.

Preços altos: a aquisição de scooters elétricas (cujas baterias são o componente mais caro) requer um investimento razoavelmente alto para a população de economias em desenvolvimento, apesar de ser justificado após menos de um ano de uso, ao contrário de veículos elétricos de maior porte.

Falta de incentivos que os arrefeçam: de acordo com seus estudos, 6% da população brasileira poderia pagar, por exemplo, um automóvel elétrico dos modelos mais simples por R$ 150.000. No entanto, pelo mesmo preço, pode adquirir um veículo a combustão de luxo. Vale notar que, no caso de scooters elétricas, a empresa reconhece que os preços são menos discrepantes e há algumas exceções em que o valor da scooter elétrica é ainda mais competitivo que o de seu similar a combustão.

Apesar de ser uma situação rara, o melhor modelo da montadora Wind do Brasil, por exemplo, custa entre R$ 9.000 e R$ 10.000,00, ao passo que a moto a combustão básica das grandes multinacionais,

Honda, Yamaha ou Suzuki, está avaliada em patamar próximo, de aproximadamente R$ 10.000,00.

Carga tributária: o imposto de importação também é um obstáculo, e sua redução contribuiria para baixar o preço para o consumidor. A melhoria das condições tributárias permitiria, no curto e médio prazo, baratear o veículo elétrico no Brasil e, no longo prazo, desenvolver o mercado interno. Dessa forma, o negócio seria estruturado via importações e montagem inicialmente, com a expectativa de, em um segundo momento, a produção local se encarregar de suprir a demanda.

Os veículos elétricos de uma forma geral constituem um mercado crescente no Brasil e, de acordo com estudos, parte significativa da população está interessada em mobilidade elétrica.119 Além disso, o Brasil e outros países latino-americanos já estão bem avançados em termos de energia renovável, o que é favorável ao desenvolvimento do mercado de veículos elétricos.

119 Fonte: MARX, Roberto; MELLO, Adriana Marotti de; ZILBOVICIUS, Mauro; LARA, Felipe Ferreira de. Spatial contexts and firm strategies:

applying the multilevel perspective to sustainable urban mobility transitions in Brazil. Journal of Cleaner Production, 1 dez. 2015.

DA SILVA, Luiz C. P. et al. Sustainable campus model at the University of Campinas—Brazil: an integrated living lab for renewable generation, electric mobility, energy efficiency, monitoring and energy demand management. In: Leal Filho W., Frankenberger F., Iglecias P., Mülfarth R. (eds). Towards Green Campus Operations. World Sustainability Series. Springer, Cham. 2018. Acesso em: https://link.springer.com/

chapter/10.1007/978-3-319-76885-4_30.

COSTA, Evaldo; PAIVA, Arthur; SEIXAS, Julia; COSTA, Gustavo; BAPTISTA, Patricia; Ó. GALLACHÓIR, Brian: Spatial planning of electric vehicle infrastructure for Belo Horizonte, Brazil. Journal of Advanced Transportation, 2018.

120 Fonte: http://emissoes.energiaeambiente.org.br/graficos. Acesso em: 12 out. 2019.

No documento ESTUDO DE SCOOTERS ELÉTRICAS (páginas 54-57)