• Nenhum resultado encontrado

O Ambiente institucional do Straight Vegetable Oil – SVO 95

No documento Embrapa (páginas 95-98)

2.5 B IOCOMBUSTÍVEIS P RODUZIDOS A P ARTIR DE Ó LEOS V EGETAIS

2.5.2 O Straight Vegetable Oil – SVO

2.5.2.1 O Ambiente institucional do Straight Vegetable Oil – SVO 95

O Straight Vegetable Oil (SVO) já se encontra em uso há mais de 10 anos na Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, já existem postos de combustíveis com bombas de óleo vegetal refinado ao preço: € 0,749.litro-1.

No Brasil durante a crise do petróleo da década de 1970, o Governo Federal brasileiro havia voltado a discutir o uso de óleos vegetais como combustível. Em 1975, sob a coordenação do Ministério da Agricultura, deu origem ao Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos (Proóleo), que resultou na Resolução nº 7 da Comissão Nacional de Energia, a qual nunca chegou a ser implantada. Visando a regulamentar o uso direto de óleos vegetais (SVO) como combustível , Melo (2009) sugere que seja revista a regulamentação da ANP, adequando-a à Lei nº 11.097, de 13/01/2005, para liberar o uso dos óleos vegetais como combustíveis no Brasil; e que seja revisto o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), para incluir os óleos vegetais puros como um dos combustíveis viáveis para o uso em motores diesel, desde que os motores estejam adaptados para isto.

Para incentivar o uso direto de óleos vegetais em motores de ciclo diesel, Melo (2009) recomenda o estimulo governamental e não governamental ao seu uso em comunidades rurais auto-produtoras de energia que possam utilizar os óleos vegetais em comunidades Locais e tornar obrigatório o seu uso em frotas cativas de ônibus urbanos em cidades com problemas de poluição ambiental, para diminuir os níveis de emissão de particulados e de outros poluentes atmosféricos.

O próprio Governo Federal brasileiro, por meio do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) está desenvolvendo, em parceria com a montadora Fiat, um projeto na área de biocombustíveis para transformar motores a diesel em motores que conseguem trabalhar diretamente com óleo vegetal virgem (SVO). O projeto envolve tecnologia, motor e certificação, encontra-se em fase experimental e a previsao de inauguração é em fevereiro de 2010 pelo presidente do Brasil.

O INMETRO está desenvolvendo conjuntamente com o National Institute of Standards and Technology (NIST), órgão similar ao INMETRO, nos Estados Unidos, os primeiros padrões de medição para biocombustíveis e é fundamental para a transformação do biocombustível em commodity, particularmente interessante para comercialização de produtos agrícolas no mercado internacional obtendo-se padrões facilmente acessíveis de qualidade.

Os padrões desenvolvidos pelo INMETRO e o NIST estão sendo usados agora nos principais laboratórios da Comunidade Europeia para aferir a capacitação desses laboratórios em medir a qualidade dos biocombustíveis. O projeto com a União Europeia é denominado Biorama.

Mediante o referido projeto para uso direto de óleo vegetal em motores a diesel, está facilitando a aprovação do Projeto de Lei do Senado 81/2008, que regulamenta o uso e a comercialização do óleo vegetal refinado como combustível. Esse possivelmente será o primeiro instrumento legal para o SVO no Brasil, e como visto, parte da iniciativa do Senado Federal.

Aprovado pelo Senado o projeto de autoria do senador Goellner sobre o uso do óleo vegetal refinado como combustível de motores diesel. O referido projeto de Lei, foi aprovado no dia 18/3/2010, em caráter terminativo, por unanimidade, pela Comissão de Serviços e Infraestrutura do Senado.

Da forma como foi aprovado, inicialmente este uso será priorizado a toda cadeia de produção agropecuária para redução de custos e nos ônibus urbanos, para melhoria da qualidade do ar nas cidades. A utilização do óleo vegetal refinado proporciona redução de custo para o produtor agrícola em R$ 0,60 por litro, em relação ao diesel, além de gerar renda adicional pelos ganhos com créditos de carbono, pela substituição do combustível fóssil pelo renovável. O combustível reduzirá a dependência de petróleo, bem como a emissão de gases poluentes. “No transporte público urbano, a intenção é fazer com que os ônibus das cidades que vão sediar os

jogos da Copa de 2014 empreguem o óleo vegetal refinado como combustível, mostrando ao mundo que o Brasil, além do Etanol utilizado nos motores dos automóveis, também possui uma matriz energética com viabilidade técnica e econômica para os motores diesel, que movimentam o transporte e a produção agrícola” (GOELLNER, 2009).

Outra vantagem na utilização de óleo vegetal refinado como combustível é que na sua produção podem ser usadas diversas oleaginosas, permitindo a regionalização e beneficiando pequenos produtores e as regiões longínquas, que poderão utilizar o combustível para abastecimento de motores estacionários empregados na geração de energia elétrica e embarcações (ELSBETT, 2010). No caso particular do setor elétrico brasileiro, por estar em permanente evolução, devido a mudanças legais e normativas quanto do avanço tecnológico, de acordo com Brasil (2008a) “é um desafio levar energia elétrica a mais de 61 milhões de consumidores, espalhados num território de dimensão continental.

O Brasil superou, no ano de 2007, a marca de 100 mil megawatts (MW) em potência instalada, sendo 75% de fonte hídrica e 25% de fonte térmica, e é possível expandir o parque hidroelétrico, pois menos de 30% foi aproveitado. A eficiência energética é de grande relevância e os projetos apresentados pelas distribuidoras nessa área, desde o início do primeiro ciclo em 1998, totalizam investimentos de mais de R$ 1,93 bilhões. Projetos que são aprovados pela Aneel e já atingiram uma economia de redução anual na ordem de 5.597 GWh/ano no consumo de energia elétrica.

Diversas montadoras no Brasil, com base em tecnologia já usada há mais de 10 anos na Europa e Estados Unidos, iniciaram programas de testes do uso de SVO, entre elas: a MAN Latin America, que produz os caminhões e ônibus, a Volkswagen no Brasil e a FIAT, através da marca CASE, que produz máquinas e implementos agrícolas. O INMETRO em convênio com a FIAT- CASE também está trabalhando no desenvolvimento do uso de óleo vegetal como combustível.

Além da FIAT há outras montadoras trabalhando nesta linha. O esquema adotado é a aplicação de um kit de adaptação. O funcionamento do kit não requer modificação nos motores, e segundo a TECPAR (2010) a tecnologia é apropriada para utilização de óleo vegetal em motores e muito utilizada em países desenvolvidos, através de um sistema de dois tanques com

aquecimento do óleo vegetal, devendo-se respeitar a norma DIN V 51605, em vigor na Europa, que estabelece o padrão para o óleo vegetal combustível.

O processo de inovação tem forte ligação como o ambiente institucional desde a aprovação das linhas de pesquisa. Como a participação do óleo diesel no mercado brasileiro de combustíveis líquidos é bastante significativa, quase a totalidade deste mercado atende ao setor de transportes e de uso agrícola (ANP, 2008).

Considerando-se que os processos de refino e distribuição de combustíveis líquidos não são monopolizados e não possuem subsídios (MELO, 2009) e que a busca da forma correta de comercialização dos biocombustíveis indica que não se deve impedir que uma inovação tecnológica, que traz benefícios econômicos e ambientais para a sociedade que a utilizará, não possa ser implantada pela motivação de que não se deve alterar a estrutura anterior por ainda ser uma estrutura economicamente estável, conclui-se que o ambiente institucional não pode restringir as inovações que não se adequem aos moldes praticados pelo modelo atual de comercialização e tributação, parecendo ser mecanismos artificiais para inviabilizar um salto tecnológico.

A manutenção deste modelo, exige custos econômico-financeiros adicionais para a transformação técnica do óleo vegetal em biodiesel e para desenvolver a sua logística de distribuição. Esses custos são arcados pelos consumidores finais de combustíveis (MELO, 2009).

No documento Embrapa (páginas 95-98)