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O procedimento a ser descrito é o do 190, número de emergência e atendimento ligado à SEGUP. Essa é a praxe dos atendimentos menos complexos, como crianças em sinais de trânsito, vendendo em barracas diversas, trabalhando como ambulantes, enfim trata-se, basicamente, do trabalho urbano em que não há a necessidade, por exemplo, de uma Operação envolvendo órgãos como Ministério Público.

Denúncia feita por cidadão comum. Ao ligar para o 190, a pessoa identifica-se e descreve a situação. Esta, por sua vez, é registrada, protocolada e encaminhada, de acordo com as peculiaridades, ao policiamento que está presente na rua. Uma viatura da CIEPAS é acionada os policiais são incumbidos de averiguar a denúncia. Cada ocorrência repassada ao CIOP gera um número de registro, o qual dará origem a um BOPM, que será feito pelos policiais que averiguaram a denúncia.

Vamos descrever o caso de L. G. N25. Este adolescente estava em um sinal limpando para-brisas e pedindo dinheiro. A viatura 560726 da CIEPAS foi acionada e entrou em contato com o adolescente. Como de praxe, a CIEPAS dá seguimento ao atendimento encaminhando a vítima ao órgão que irá assisti-la, e neste caso foi o Conselho Tutelar II, da Cidade Nova27.

No Conselho Tutelar ele foi recepcionado pela conselheira Denice Mendes, que nos descreveu como é feito o atendimento por este órgão após a entrega da criança ou do adolescente pela CIEPAS. Toda entrada recebe um protocolo. Neste caso, o BOPM que foi gerado pelo CIOP, é que vai gerar o protocolo do Conselho Tutelar, documento que irá possibilitar o acompanhamento do caso. Se, por exemplo, for do interesse do denunciante saber ocorrido após a denúncia, basta ele informar este número ou o nome da criança.

Ciente da denúncia, o Conselho Tutelar irá notificar28 os pais ou o representante legal da criança ou adolescente, deverão comparecer ao Conselho Tutelar para tomar ciência, oficialmente, do ocorrido. Na oportunidade, serão advertidos dos demais procedimentos29, inclusive da possibilidade de responder em Juízo, pela falta cometida.

25 Anexo 1

26 Anexo 2

27 Anexo 3

28 Anexo 4

29 Anexo 5

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Outrossim, são tomadas as providências sociais para ajudar a criança. No caso em tela, L. G. N. não tinha qualquer tipo de documentação, o que impedia que ele se matriculasse em uma escola regular. O Conselho Tutelar, então, age para providenciar os documentos (carteira de identidade, CPF, etc.) e a inserção desse adolescente em uma escola, assegurando-lhe, entre outros direitos, a educação.

Vale ressaltar que todo o procedimento de notificação, assinatura do termo de compromisso, é feito no Conselho com a ida do responsável ao referido órgão. Cabe ao Conselho Tutelar averiguar os fatores que levaram aquela criança ou adolescente a ser encontrada na situação de risco. Além de visitar a residência e verificar documentos, o conselheiro pode solicitar, se necessário, o apoio de assistentes sociais e psicólogos, os quais irão contribuir para uma melhor análise do caso.

Após esse trabalho, é elaborado um relatório, que é encaminhado para a Vara da Infância e Juventude responsável por aquela área. No caso exposto, é a 8ª Vara, responsável pelo município de Ananindeua/PA. O Conselho Tutelar é a porta de entrada na apuração dos casos de trabalho infantil. Ele é quem toma o primeiro passo na investigação e acolhimento da criança ou adolescente. Só depois, a demanda é encaminhada para a Delegacia do Adolescente (DATA), ou, ao Ministério Público do Estado ou Ministério Público do Trabalho e Juizado de Infância e Juventude. Há casos extremos onde se tem a necessidade de internação em abrigo, que deverá deve ser autorizada por um juiz.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Pará, infelizmente, lista os que são considerados os piores tipos de trabalho infantil, de acordo com o decreto nº 6481/2008, que regulamenta a Convenção nº 182 da OIT, ratificada pelo Brasil. Segundo a pesquisa feita Delegacia Regional de Trabalho do Pará, em 200330, foram encontradas crianças trabalhando em lixões, feiras livres, carvoarias, praças públicas, mercados municipais, orla fluvial, manguezal, agricultura, pesca e olarias.

Para Cristóvan Buarque31, a origem da exploração do trabalho infantil é, essencialmente, a pobreza, e trabalho infantil, é criança fora da escola. Assim também, existe um ideário social de que a educação é, sobretudo, um investimento econômico, e não cultural, o que resulta, lamentavelmente, na exclusão das crianças pobres a um ensino pleno e de qualidade. Por conseguinte, essas crianças, já marcadas pela miséria, acabam sendo duplamente escravizadas: pelo trabalho precoce e pela falta de falta de ensino, pois

30 UNICEF. Ser criança na Amazônia: uma análise das condições de desenvolvimento infantil na região norte do Brasil. Fundação Joaquim Nabuco: Belém, 2004.

31 BUARQUE, Cristovam. Trabalho infantil: realidade e perspectivas. In: Seminário Trabalho Infantil: realidade e perspectivas. Brasília: Revista do Superior Tribunal do Trabalho, 2015. P.

30-39.

sem tempo e sem recursos para ter acesso a uma educação digna, tornam-se reclusas dentro de si, cada vez mais distantes do que seria seu instrumento de libertação.

Somado a isso, o trabalho precoce da criança traz consequências danosas de ordem físico-biológica, emocional e social. No que tange ao desenvolvimento físico-biológico, este é afetado pelo trabalho precoce uma vez que expõe a criança a riscos e lesões, notadamente, porque o trabalho, não raro, exige esforço desproporcional às possibilidades de defesa do corpo da criança. O número de acidentes de trabalho envolvendo crianças é duas vezes superior ao de adultos. O desenvolvimento emocional é comprometido porque a criança submetida precocemente ao trabalho pode apresentar dificuldades para estabelecer laços afetivos em razão das condições de exploração, da humilhação dos patrões, dos maus- tratos. Por fim, fica prejudicado o desenvolvimento social, pois essas crianças e adolescentes acabam tendo que amadurecer de forma precoce, não acompanhando a fase vivida por outras pessoas da mesma idade, nem mesmo se socializando com esses grupos.

Diante da realidade de exploração do trabalho infantil em Belém, bem como dos efeitos degradantes causados por esse labor, insta salientar que o direito, e, em especial, o ramo do Direito Tutelar do Trabalho, formam o plexo de normas que é substancial à proteção, repressão e conscientização sobre essa temática. É preciso superar o mito de que o trabalho pode ser benéfico às crianças, na família e na sociedade. Por outro lado, apenas dizer “não” ao trabalho infantil não é suficiente; exige-se a projeção positiva do direito, que é o agir do Estado consubstanciado na implementação de políticas públicas de promoção à sustentabilidade socioeconômica das famílias e de suas respectivas crianças e adolescentes.

Prevenir e erradicar formam o binômio chave para enfrentar essa grave violação de direitos humanos que é o trabalho infantil. Lugar de criança é na escola, sim!

CHILD LABOR ON PUBLIC ROADS OF BELÉM/ PA E ANANINDEUA / PA ABSTRACT: This paper aims to present the activities of public bodies which function to combat the exploitation of child and youth work, in Belém / PA and Ananindeua / PA, using , therefore, the data in the various spheres of service to children and adolescents at risk , since the intervention of the assistance Company of the Military Police ( CIEPAS) and delivery to the Guardianship Board to by courts . interventions will be studied military police , the Guardian Council , the Public Prosecutor ( State Prosecutor’s Office and the Ministry of Labor ) and the Juvenile Court of Childhood and Youth . The method of approach is the procedural .

KEYWORDS: Belém . Child Labor. Exploration . Right Tutelary Work

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50 R. Minist. Públ. Est. PA, Belém, v.9, n. 9, 2016.

ANEXOS

Anexo 1 – Anverso do Boletim de Ocorrência Policial (BOPM)