Segundo Neto, Tessaro e Castanheira (2016), o número de instituições de ensino superior (IES) com metodologia EaD vem crescendo nos últimos dez anos de forma rápida no país, incentivada por programas do governo para facilitar o acesso de alunos ao ensino superior. A Educação a Distância é a modalidade de ensino que mais cresce no Brasil e esse crescimento está acontecendo mais rapidamente em IES privadas de pequeno e médio porte.
Há uma tendência de abertura de novos cursos anualmente, o que sinaliza a intenção do Governo em investir mais em EaD. Todo ano, novos cursos superiores são reconhecidos pelo MEC e segundo o CENSO EAD (2013), as matrículas de bacharelado, licenciatura e cursos superiores tecnológicos a distância já somam mais de um milhão.
A flexibilidade dos horários, não ter obrigação de frequentar a sala de aula, a “quebra”
da temporalidade, a interatividade, a ampliação do tempo de estudos, o acesso ao material didático a qualquer hora e o uso do computador como ferramenta de estudo são algumas
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vantagens da Educação a Distância que facilitam a interconexão e a comunicação entre os usuários dos recursos tecnológicos, contribuindo para democratizar o acesso ao conhecimento e expandir as oportunidades de estudo.
De acordo com o Mapa do Ensino Superior do Brasil (2015), existe uma maior procura por cursos de graduação EaD em redes privadas do que em universidades EaD públicas,
o progresso das matrículas de nível superior a distância registrou de 2009 a 2013, um crescimento de 37,5% sendo um aumento de 50% na rede privada e uma queda de 10,5% na pública. No período de 2012 a 2013 o crescimento na rede privada alcançou 7,2% (932 mil matrículas para 999 mil). No entanto, na rede pública ocorreu uma queda acentuada de 14,9% nas matrículas (eram 182 mil matrículas em 2012 e chegou a 155 mil em 2013).
Os cursos de licenciatura são os com maior número de alunos EaD, seguida pelos cursos superiores de tecnologia (tecnólogo) e bacharelado. O número significativo de alunos nos cursos de licenciatura está relacionado ao Plano de exigência de formação superior de professores a partir do Plano Nacional de Educação tendo a necessidade de oferecer uma certificação de ensino superior aos professores em exercício sem este nível de qualificação (NEVES E SEGENREICH, 2009).
Segundo o Portal do MEC (2016a) para oferecer cursos superiores EaD, as instituições devem obter o credenciamento junto ao Ministério da Educação e, uma vez criados, os cursos a distâcarmoncia passam pela mesma avaliação aplicada em cursos presenciais. Os diplomas obtidos em cursos superiores e, reconhecidos pelo MEC, possuem a mesma validade do diploma presencial. Para avaliar as instituições como um todo, o MEC sobrepõe dois conceitos: Conceito Institucional (CI) e Índice Geral de Cursos. Dentre algumas das universidades a distância mais bem conceituadas, destacamos: Universidade de Franca (UNIFRAN); Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL), Universidade Norte do Paraná (UNOPAR), Universidade Nove de Julho (UNINOVE), Universidade Estácio de Sá (UNESA) e Universidade Paulista (UNIP).
Os cursos EaD mais procurados no Brasil de modo geral, tanto no privado quanto no público são: Pedagogia, Administração, Serviço social, Competências Gerenciais, Ciências Contábeis Gestão de Pessoal/Recursos Humanos, Administração Pública, Licenciatura em Letras e Licenciatura em Matemática. No entanto, os cursos superiores a distância da rede privada mais procurados são: Pedagogia, Administração, Gestão de pessoal / recursos humanos, Empreendedorismo e Ciências contábeis (MAPA DO ENSINO SUPERIOR DO BRASIL, 2015).
O Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas de estudos em faculdades privadas também compreende a modalidade EaD. Através de um mapeamento dos
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cursos oferecidos, a partir do cerco de inscrição dos candidatos a bolsa, foi possível identificar a presença da EaD no Prouni. Verificou-se, nos dados apresentados, não só a presença desta política de financiamento público direto na rede privada como, sobretudo, o crescimento da oferta de bolsas em cursos de EaD (SEGENREICH, 2010).
Este programa foi criado pelo governo brasileiro em 2005 com a finalidade de concessão de bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes de baixa renda, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições particulares de ensino superior, oferecendo em compensação determinados tributos às instituições que aderirem ao programa (NEVES E SEGENREICH, 2009; SEGENREICH, 2010).
Embora os custos de um curso a distância sejam inferiores aos de um curso presencial, para os estudantes, é fato que a busca por financiamento, bolsas e ajuda de custo para esses cursos também é relevante. Discentes e instituições vem solicitando ao governo que ampliem o FIES1 para cursos EaD e o governo mostra-se interessado em estender o programa. Em abril de 2014 o então Ministro da Educação, Henrique Paim, fez um pronunciamento onde o governo presumia a liberação de verbas destinadas ao FIES para alunos regularmente matriculados em cursos de graduação a distância, contudo até o presente momento tal liberação ainda não foi concedida. A principal explicação para a não liberação de verba destinada à graduação a distância é que a própria regulamentação e fiscalização desses cursos são desprovidas de diretrizes mais específicas e fiscalizações mais efetivas. Entretanto, os profissionais da EAD têm conhecimento que a rigidez de liberações para a modalidade são há tempos, efetivas e rigorosas, sem contar com o grande preconceito que a modalidade carrega (NETO, TESSARO E CATANHEIRA, 2016).
Para os mesmos autores, seguido desse primeiro impedimento, é preciso ainda superar a criação e a efetivação de institutos específicos de regulamentação do ensino superior e suas particularidades de aplicação. Antes da conquista pelo direito de gozar do benefício do FIES, o aluno EaD ainda precisará cumprir os seguintes requisitos que hoje são aplicados aos alunos regularmente matriculados no ensino presencial:
Estar matriculado regularmente em curso superior participante do programa;
ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem para alunos que concluíram o ensino médio a partir de 2010; e ter um comprometimento de pelo menos 20% da renda familiar bruta mensal per capita com os encargos educacionais (NETO, TESSARO E CATANHEIRA, 2016, p.6-7).
1 O Fundo de Financiamento Estudantil(FIES) é um programa do Ministério da Educação destinado a financiar a graduação na educação superior de estudantes matriculados em cursos superiores não gratuitas na forma da Lei 10.260/2001. Podem recorrer ao financiamento os estudantes matriculados em cursos superiores que tenham avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério da Educação ( PORTAL DO MEC, 2016).
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As regras do programa ainda não foram anunciadas para EAD. Calcula-se que quando houver a liberação por parte do Ministério da Educação, haja, evidentemente, um período de cadastramento dos cursos pelas Instituições de Ensino Superior e só a partir dessa realidade serão abertas as vagas aos alunos.