3 A BASE DE CÁLCULO DO ICMS NA IMPORTAÇÃO
Aborda-se neste último capítulo, sobre a base de cálculo do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS na importação.
Dessa forma, explica-se nos tópicos seguintes, sobre o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS na importação, para, finalmente, examinar-se a exclusão do imposto sobre produtos industrializados – IPI na base de cálculo do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS na importação.
disposto na Emenda Constitucional nº 33/01.151
Por este motivo, disciplina o artigo 155, inciso IX, alínea “a” e, inciso XII, alínea “i”, que:
[...]. IX - incidirá também;
a) sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço.
[...]. XII - cabe à lei complementar;
[...]. i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço.152
Anteriormente a esta Emenda Constitucional, o artigo susomencionado previa que tal imposto ocorreria e incidiria, respectivamente, sempre que houvesse a entrada de mercadoria importada do exterior, mesmo que se tratasse de um bem específico e destinado ao consumo ou ao ativo fixo de um estabelecimento comercial.153
Portanto, assim como nos casos em que havia a prestação de serviço no exterior, caberia o imposto, ao ente estadual onde se encontrasse situado o estabelecimento industrial ou comercial que, consequentemente, seria o destinatário da mercadoria ou do serviço.154
Nesse ínterim, destaca-se, que:
Com efeito, antes da promulgação da EC n° 33/2001, o Pleno do Supremo Tribunal Federal havia afirmado exegese segundo a qual o texto original dessa alínea "a" do Art. 155, § 2º, inciso IX, da Carta da República, somente se aplicava a estabelecimento comercial, e não à pessoa física que realizasse a importação para o seu próprio uso e fruição.
Portanto, antes da EC n° 33/2001, já se havia firma do jurisprudência pacífica vedando a incidência do ICMS sobre as operações de importação de bens realizadas por pessoa física para uso próprio, sem finalidade comercial (RREE 185.789, 191.346, 203.075,
151 BRASIL. Emenda constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc33.htm>. Acesso em: 14 ago.
2010.
152 BRASIL. Emenda constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc33.htm>. Acesso em: 14 ago.
2010.
153 BARROS, Felipe Luiz Machado. ICMS e importação de bem pra composição do ativo permanente. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 64, 1 abr. 2003. Disponível em:
<http://jus.uol.com.br/revista/texto/3895>. Acesso em: 29 ago. 2010.
154 BARROS, Felipe Luiz Machado. ICMS e importação de bem pra composição do ativo permanente. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 64, 1 abr. 2003. Disponível em:
<http://jus.uol.com.br/revista/texto/3895>. Acesso em: 29 ago. 2010.
207.714, 266.921; AGRRE 233.935). Esse entendimento, repita-se, anterior à EC nº 33/2001, está expresso na Súmula 660 do STF: "660 - Não incide ICMS na importação de bens por pessoa física ou jurídica que não seja contribuinte do imposto".155
No entanto, afirma-se que, atualmente, segundo redação do artigo 155, inciso IX, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, verifica-se a possibilidade de ter o constituinte adotado a entrada aduaneira como um dos requisitos de imposição fiscal, razão pela qual o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS é uma exação, cuja hipótese de incidência ou fato gerador se dá na entrada do bem ou na entrada de mercadorias importadas do exterior.156
Nesse sentido, colhe-se do site Notadez, e em conformidade com o já exposto por Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, que depois da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988:
[...] o STF já declarou [...] e explicou haver sido alterado o aspecto temporal do fato gerador do ICMS na importação, tornando legítimo, agora, condicionar-se o desembaraço aduaneiro das mercadorias ou do bem importado ao recolhimento, não apenas dos tributos federais, mas também do ICMS incidente sobre a operação, uma vez que o fato gerador do ICMS passou a ocorrer no recebimento da mercadoria pelo importador [...].157
Por sua vez, ensina Ichihara que a Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001, principalmente no que se refere ao imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS inseriu variadas modificações, buscando acabar com as controvérsias acerca da incidência deste citado imposto nas operações interestaduais, extinguindo, parcialmente, com a imunidade que existia sobre essa matéria.158
Por estes argumentos, declara Sosa que:
155 NOTADEZ. ICMS/MT: Sefaz explica sobre incidência do ICMS na importação. Disponível em:
<http://www.notadez.com.br/content/noticias.asp?id=40123>. Acesso em: 30 ago. 2010.
156 SOSA, Roosevelt Baldomir. A incidência do ICMS nas importações. Jus Navigandi, Teresina, ano 7, n. 60, 1 nov. 2002. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/3484>. Acesso em: 29 ago.
2010.
157 NOTADEZ. ICMS/MT: Sefaz explica sobre incidência do ICMS na importação. Disponível em:
<http://www.notadez.com.br/content/noticias.asp?id=40123>. Acesso em: 30 ago. 2010.
158 ICHIHARA, Yoshiaki. Direito tributário: atualizado de acordo com as emendas constitucionais nºs 3, de 17-3-93, 10, de 4-3-96, 12, de 15-8-96, 17, de 22-11-97, 21, de 18-3-99, 29, de 13-9-00, 31, de 18-12-00, 32, de 11-9-01 e 33, de 11.12-01. p. 251.
[...] o ICMS tratado pelo artigo 155, IX, "a" da Constituição é um Imposto de Importação Estadual.
No que respeita a doutrina [...] entendo que se caracterizando o ICMS como um adicional do Imposto sobre a Importação, deveria jungir-se as regras, critérios e princípios do Imposto de Importação, até porque sua função, encarado como adicional tributário, seria puramente suplementar ou complementar, não se diferenciando do imposto-matriz.
Quero dizer, com isto, que essa exação não poderia ser ubíqua, caracterizando-se como Imposto de Importação para efeitos de incidência e, simultaneamente, como ICMS para os efeitos de suas regras de imposição.159
A nova redação da alínea “a” ampliou a base econômica referente ao imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS nas atividades em que se desenvolve a importação. Assim, pode-se dizer que, hodiernamente, este imposto não alcança somente a entrada de mercadoria, mas também a entrada de bens e produtos que sejam importados do exterior.160
Na verdade, o que ocorreu a partir da nova redação dada à alínea “a”, do artigo 155, inciso IX, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é que tanto a pessoa física quanto a jurídica poderá ser considerada como contribuinte do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS de importação, razão pela qual, mesmo que a pessoa não seja contribuinte habitual deste imposto, poderá participar desta relação obrigacional, isto é, mesmo que não tenha suas atividades voltadas para a área industrial ou comercial.161
Além disso, assinala-se que é através do binômio - incidência e base de cálculo -, que se possibilita ao imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS que seja compreendido como sendo um Imposto de Importação Estadual, uma vez que tomará como critério quantitativo os mesmos
159 SOSA, Roosevelt Baldomir. A incidência do ICMS nas importações. Jus Navigandi, Teresina, ano 7, n. 60, 1 nov. 2002. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/3484>. Acesso em: 29 ago.
2010.
160BARROS, Felipe Luiz Machado. ICMS e importação de bem pra composição do ativo permanente. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 64, 1 abr. 2003. Disponível em:
<http://jus.uol.com.br/revista/texto/3895>. Acesso em: 29 ago. 2010.
161 BARROS, Felipe Luiz Machado. ICMS e importação de bem pra composição do ativo permanente. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 64, 1 abr. 2003. Disponível em:
<http://jus.uol.com.br/revista/texto/3895>. Acesso em: 29 ago. 2010.
requisitos do Imposto sobre a Importação Federal.162
Dessa forma, a alíquota que corresponde à determinada porcentagem, recairá sobre o valor atribuído aos produtos importados.163
De seu turno, leciona Werneck, que:
O ICMS incide sobre a entrada de bens importados do exterior, qualquer que seja a sua finalidade, o que também ocorre com o Imposto de Importação.
O bem ser objeto de compra e venda ou doação, ter finalidade cultural ou assistencial, nada disso altera a incidência do ICMS.
É claro que não deixam de valer as imunidades definidas constitucionalmente, como, por exemplo, a que beneficia livros, bem como os estados podem conceder isenções ou reduções, se entenderem adequado.
A base de cálculo do imposto é o valor aduaneiro do bem, acrescido do Imposto de Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do imposto sobre operações de câmbio, do montante do próprio ICMS, e de quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras.164
Partindo destes argumentos trazidos à tona, insta salientar, em contrapartida, que o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS:
[...] incide nas operações de importação realizadas por pessoas física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a finalidade dos bens importados. O ICMS incidente na importação cabe ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço.
Após a promulgação da Emenda Constitucional nº 33/2001, determinante da alteração ocorrida no dispositivo constitucional acima descrito, é constitucional a cobrança do ICMS, do fato gerador desembaraço aduaneiro de bens e mercadorias do exterior (ICMS da importação), tanto de pessoas físicas quanto de pessoas jurídicas, mesmo que não sejam contribuintes habituais do ICMS, sejam ou não inscritas no Cadastro da Secretaria de Fazenda (Inscrição Estadual), qualquer que seja a finalidade da operação de importação (arrendamento operacional, arrendamento mercantil, empréstimo, doação, leasing, bem como qualquer outra denominação específica), levando-se em consideração as desonerações (isenções, não- incidências, reduções de base de cálculo, regimes especiais,
162 SOSA, Roosevelt Baldomir. A incidência do ICMS nas importações. Jus Navigandi, Teresina, ano 7, n. 60, 1 nov. 2002. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/3484>. Acesso em: 29 ago.
2010.
163 SOSA, Roosevelt Baldomir. A incidência do ICMS nas importações. Jus Navigandi, Teresina, ano 7, n. 60, 1 nov. 2002. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/3484>. Acesso em: 29 ago.
2010.
164 WERNECK, Paulo. ICMS na importação. Disponível em: <http://mercadores.blogspot.com/
2009/06/icms-na-importacao.html>. Acesso em: 30 ago. 2010.
drawback, diferimento, ou qualquer outro motivo previsto em legislação estadual), firmadas nos termos da Lei Complementar Federal 24/75 (Lei que instituiu e fixou as diretrizes do CONFAZ), ainda que Súmulas do STF venham a expressar-se em sentido contrário, haja vista a Carta Magna ser a fonte primária de validade de qualquer instrumento normativo infraconstitucional ou decisão jurisprudencial do sistema jurídico brasileiro.165
Portanto, demonstrado no que consiste o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação – ICMS e quais foram as modificações que ocorreram depois da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, passa- se a tratar no item seguinte sobre a exclusão do IPI na base de cálculo do ICMS na importação.