Oceanografia da Universidade do Vale do Itajaí.
As atividades com intervenção pedagógicas ocorridas no PO e resultados estão descritos nos capítulos, em formato de artigos, nos textos a seguir.
O IC divide o plano de trabalho em três áreas: “Comunicação, Ética e Cidadania”,
“Relações Pessoais” e “Mundo do trabalho”. As áreas citadas são subdivididas por eixos.
A área de Comunicação Oral e Escrita é orientada a trabalhar com a oratória, inglês, os gêneros textuais e a produção escrita/oral. Já a área de Relações Pessoais está vinculada aos eixos Sustentabilidade, Empreendedorismo, Comportamento social, Cidadania e patrimônio, Consumo / produção, e Autonomia. Mundo do trabalho propõe-se a trabalhar com Finanças pessoais, Finanças de sociedade/empresas, sendo a relação direta do estudante com assuntos da atualidade.
Importante esclarecer que as áreas apenas norteiam o trabalho, cabe aos professores afiliados, de forma interdisciplinar, aplicar as metodologias e práticas alicerçadas pelas Escolas Criativas e preparar o sujeito para além da cognição, ou seja, formar sujeitos transformadores, criativos e inovadores. Cidadãos habilitados para intervir no mundo de forma coerente e sustentável. Para o trabalho interdisciplinar e com o envolvimento de todos os eixos, os professores se reúnem semanalmente, avaliam as aulas realizadas, e, a partir das informações, elegem temáticas que serão trabalhadas, sendo abordadas no eixo de cada professor na semana seguinte.
Para a concretização do trabalho é preciso lançar mão de metodologia de trabalho coletivo, com vistas a educar os sujeitos na busca da formação de conceitos sustentáveis, para a leitura crítica da realidade e para a reflexão transformadora e propositiva, com vistas a conduzir o sujeito a pensar em seus valores e sua postura em relação ao mundo.
Conectando o conhecimento à realidade que o cerca, na perspectiva de relacionar as problemáticas diárias ao planeta Terra e à vida. (MORIN, 2011).
Porém, para a preparação do indivíduo crítico, criativo e atuante no mundo é preciso ter uma equipe preparada para lidar com as diversas problemáticas atuais. Para tanto, é vital a formação inicial e continuada do corpo docente, o qual, por meio de conhecimentos específicos e metodologias alicerçadas nas ideias das Escola Criativa, leva o conhecimento aos estudantes e potencializa a reflexão durante as intervenções, buscando estabelecer relação entre os assuntos tratados nos eixos, na vida cotidiana e nas problemáticas contemporâneas.
De acordo com Torre (2009), as Escolas Criativas embasam seus trabalhos nas práticas ecoformadoras, as quais evidenciam vínculos com o meio natural e social, pessoal e transpessoal, desvelando o caráter flexível e integrador das aprendizagens (TORRE & ZWIEREWICZ, 2009) e acarretando, pelos envolvidos, conscientização
sobre as problemáticas atuais e sensibilização sobre a formação do próprio indivíduo e da sua relação com o mundo.
Para concretizar-se em uma instituição ecoformadora e vivenciar os fundamentos das Escolas Criativas, o IC conta, desde 2017, com os ensinamentos da Professora Vera Lúcia de Souza e Silva, professora pesquisadora do Departamento de Ciências Naturais, do programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática da Universidade Regional de Blumenau que, gentilmente compartilha seus conhecimentos com os professores, pedagogos, pesquisadores, psicólogos e assistentes sociais do instituto, auxiliando-os em seus planejamentos e elevando o conhecimento individual e coletivo de todos, objetivando que os mesmos sejam aplicados aos estudantes do próprio instituto.
Em 2018 o IC firmou parceria com o Projeto de Extensão Universitária Oceanos e desde então vêm trabalhando, agora com maior ênfase, em prol dos jovens e de um mundo mais consciente e sustentável.
1.5.1 Rede Internacional de Escolas Criativas (RIEC)
As Escolas Criativas (EC) foram concretizadas pelo Grupo de Investigación y Asesoramiento Didáctico (GIAD), do Departamento de Didática e Organização da Educação da Universidade de Barcelona-Espanha e consistem em um grupo de professores universitários que adotam abordagens transdisciplinares para a construção do conhecimento, da educação intercultural e da vida.
As Escolas Criativas se pautam na busca em trabalhar o sujeito em sua integralidade, preocupado com a formação cidadã crítica, autônoma e criativa, superando a memorização de símbolos e conceitos e a decodificação de fórmulas.
Marilza Suanno (2014, p.1) esclarece que,
na escola criativa, os indivíduos se transformam, porque começam a se preocupar com a coerência da sua relação com o meio ambiente. Preocupam- se com a alimentação, o modo de ser, as próprias prioridades nesse mundo que nos atropela com tanto trabalho, correria e atividades e também com o tempo necessário para estar em contato com a natureza. Essas escolas estão formando sujeitos capacitados a rever valores, princípios e opções.
Os ideais das EC convergem com as ideias de Capra (1996) Behrens (2003) e Moraes (2019), que congregam a ideia da indissociabilidade entre o indivíduo e o
contexto, quando contestam o paradigma newtoniano-cartesiano, mecanicista e fragmentado, e passam a tratar o conhecimento como “uma complexa teia de relações entre as várias partes de um todo unificado” (Capra, 1996, p.41), buscando ações pedagógicas problematizadoras e desafiadoras, possibilitando aos estudantes o trabalho coletivo, aliado ao individual, desafiando-o a investigar, propor e contribuir com novas ideias e novas possibilidades para soluções de problemas.
As experiências exitosas das Escolas Criativas reverberaram em terras tupiniquins, inicialmente, nos estados de Goiás, Santa Catarina e Tocantins (SUANNO, 2015) onde ocorrem sólidas pesquisas e vários projetos orientados pelas diretrizes da Rede Internacional das Escolas Criativas. No Brasil, realizou-se uma adaptação do referencial metodológico das EC, ficando conhecido como Projetos Criativos Ecoformadores (PCE).
Segundo Pasquali e Silva (2015, p. 57), o diferencial do PCE é a “capacidade em ensinar a partir da própria vida, voltando-se a ela com soluções idealizadas e planejadas na própria sala de aula, por meio de recursos e situações que vão além do conhecimento científico”, aliando, segundo Torre e Zwierewicz (2009), a cognição, a ação e a emoção.
Os PCE são organizados em 9 etapas conceituais, sendo elas: Epítome (tema), Legitimação Teórica e Pragmática (justificativa), Perguntas Geradoras (problema), Metas (objetivos), Eixos Norteadores (conteúdo), Itinerários (metodologias), Coordenadas Temporais (cronograma), Avaliação Emergente (avaliação), Polinização (socialização).
As etapas, planejadas coletivamente e debatidas antes e durante o processo educativo, provocam transformações a nível pessoal e coletivo que transpassam as áreas do conhecimento e auxiliam na construção de saberes, estimulando habilidades, criatividade e tomada de consciência. Desta forma, viabilizando aos envolvidos no processo a tomada de consciência sobre o mundo e sua transformação (PASQUALI;
SILVA, 2015), por meio de conhecimento científico e de valores e atitudes sustentáveis e coletivas.
2. MATERIAIS E MÉTODO