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A GÊNESE DA OBRA NHÔ GUIMARÃES

Toda obra literária que chega às livrarias, já publicada, passa por um longo processo de produção. Muitos leitores não imaginam todo o labor de um escritor na produção de seus textos. Alguns autores, inclusive, iniciam um texto com uma proposta de gênero e no decorrer do processo de escrita o modificam.

O processo de criação do romance Nhô Guimarães se iniciou com a proposta de um conto, que inicialmente se chamou “Nhô Guimarão”. Esta primeira escolha se deu ao fato de uma certa insegurança por parte do escritor, um receio de que sua proposta de remontar o cenário do imaginário sertanejo de Guimarães Rosa fosse tomada como uma imitação, porém após refletir sobre a perspectiva da homenagem, decidiu manter a originalidade do sobrenome Guimarães. Em entrevista25 com Aleilton Fonseca, o escritor afirmou que Nhô Guimarães (o romance) surgiu primeiramente no formato de um conto, que inclusive foi publicado em uma de suas obras intitulada como Desterro dos mortos, em 2001. Este livro contou também com uma segunda edição publicada pela editora Via Litterarum em 2010. Aparentemente, em 2001, o conto foi dado como concluído, mas a voz narrativa ainda incomodava o autor, partindo disso ele afirmou que voltou ao texto e começou a transformar o conto em uma novela.

Quando o escritor mandou para a editora, sentiu que ainda faltava algo no texto e pediu mais tempo para finalmente transformar a novela em um romance, só assim o autor se deu por satisfeito e publicou o livro Nhô Guimarães, em 2006, pela Editora Bertrand Brasil. O trecho abaixo revela a fala do escritor sobre o surgimento de Nhô Guimarães:

25 Entrevista realizada com o escritor em 17 de junho de 2010. As respostas foram gravadas em câmera digital e, logo após, transcritas para um arquivo Word.

Nhô Guimarães surgiu com a ideia de um conto no ano 2001, que de fato eu escrevi o conto Nhô Guimarães que foi publicado no livro Desterro dos mortos (2001), e pronto dei o caso como encerrado, mas eis que com o passar de alguns anos, aquela narradora que tinha aparecido e tomado fluxo da linguagem do conto me voltava à consciência, eu sentia que aquela narrativa não estava conclusa no conto, que havia muito mais a narrar. Até que um dia eu voltei ao computador, abri o conto e senti que naquele conto havia momentos, passagens, que poderiam responder por uma história de base e entre as passagens daquela história de base poderiam ser inseridas essas outras histórias que a narradora queria ditar para que eu digitasse no texto. E assim eu pensei que aquele conto ia se tornar uma novela. Em algumas versões eu tenho a configuração de uma novela, em que a história de base é segmentada e entre esses segmentos se desenvolve outras passagens. 26

O processo de criação de uma obra é tão dinâmico que o texto, na sua mobilidade, pode sofrer inúmeras alterações, inclusive de gênero, como é o caso de Nhô Guimarães, que

começou como um conto, transformou-se em uma novela e por fim em um romance.

O tempo de criação do romance Nhô Guimarães foi de aproximadamente um período de seis anos.

Pode-se considerar que um conto é uma pequena história com poucos personagens e uma ideia central que é discutida ao longo do texto e tem em geral dois temas. O escritor, em entrevista, disse que não se deu por satisfeito com aquela publicação. Então começou a reformular o texto do conto e adequá-lo a um formato de novela.A novela seria basicamente uma história de maior extensão que o conto, com mais personagens e uma narrativa rápida, com episódios que acontecem em pontos curtos de história que podem se conectar ou não a um arco maior envolvendo as personagens principais. A novela não precisa ter um final claro, por isso sempre pode continuar.

Assim, Aleilton Fonseca, não se dando ainda por satisfeito, começou a fazer novas alterações no texto a fim de transformá-lo em um romance, que seria aquela história de grande extensão, com grande número de personagens, sendo que muitas são bem desenvolvidas.

Existe sim uma grande preocupação com a psicologia das personagens, a verossimilhança, a coerência narrativa etc. Esse tipo de narrativa costuma ter início, meio e fim, ou seja, não costuma ter continuações. Pode ser que seja até dividida em três ou mais livros, mas uma vez contada está contada. Assim aconteceu com Nhô Guimarães, após sua publicação em 2006, o escritor, até o momento, não fez mais alterações nem voltou a publicar outras edições, preservou essa característica do gênero romance.

26 Informação obtida em entrevista realizada com o escritor no dia17 de junho de 2010.

Pode-se observar que o gênero novela se perdeu no meio do caminho e foi quase que riscado do processo escritural, suas marcas estão presentes nos testemunhos B, C e D, texto corrido sem numeração de capítulos; a partir do testemunho E, os textos já tomam um formato de romance, já aparecem o sumário e os números dos capítulos. Segundo Aleilton Fonseca27 (2010), do testemunho A ao D existia uma proposta de uma novela, inclusive o conto “Nhô Guimarães” já havia sido publicado. Porém o retorno ao texto (o conto publicado), o fez pensar em transformá-lo em uma novela. Anos depois, o escritor retoma aquele texto inicial, e quando já estava quase tudo pronto para a publicação da novela, o escritor pede mais um tempo à Editora Bertrand Brasil e transforma a novela em romance. Os testemunhos28 E, F, G e H representam essa mudança de gênero e caracterizam a etapa de finalização do texto, até que o escritor decida por outra mudança, pois está vivo e em plena atividade de produção acadêmica.

Nessa perspectiva de mudança de gênero, vale ressaltar que a obra Grande sertão:

veredas também teve uma proposta inicial de um conto. A reportagem “Biscoitos e catedrais”, escrita por Álvaro Costa e Silva, publicada no Jornal do Brasil, no dia 18 de fevereiro de 2006 traz esse relato. A seguir um trecho da reportagem

Segundo depoimento de Otto Lara Resende, Grande sertão: veredas era pra ser um conto – e não dos mais longos: “Seria mais um biscoito a sair prontinho do seu forno doméstico. Começou a escrever [numa sexta-feira] e não parou mais. Entrou num delírio que prosseguiu pela noite adentro, até o sábado. Só parou obrigado pelo cansaço ou pela necessidade. Entrou pela noite de sábado para domingo. Até segunda-feira, quando tinha delineado o romance fluvial, a sua pirâmide”. (COSTA E SILVA, 2006, p. 2)

Coincidentemente, Nhô Guimarães também sofreu essa mudança de gênero, de um conto para um romance, e ainda perpassando pelos caminhos da novela, e mesmo não tendo sido construído em três dias e sim num período aproximado de seis anos, trouxe essa perspectiva de transformação de gênero, o que nos remete a perceber essa característica de Aleilton Fonseca, quase que insaciável, como assim também era chamado Guimarães Rosa, de sempre voltar aos textos e achar que necessitavam de uma modificação, de uma alteração, de uma correção, de um aperfeiçoamento, até mesmo quanto ao gênero.

Para que fique claro como se deu a realização desse trabalho de análise do processo criativo, faz-se necessário uma descrição dos documentos que utilizamos para tal. O material

27 Informação obtida em entrevista realizada com o escritor no dia17 de junho de 2010.

28 São manuscritos ou impressos que transmitem a obra. Designa o exemplar de um texto com todas as

características próprias: suportes, lições, variantes. (DUARTE, 2010, on line)

completo para a realização da pesquisa e análise do processo de criação do romance é composto por oito testemunhos digitoscritos, todos autógrafos e um impresso (o livro publicado). Os oito testemunhos, exceto o livro, estão todos digitados, materializados em impressora digital e encadernados, apresentando, porém, algumas anotações manuscritas feitas pelo autor, que serão analisadas e mostradas no decorrer do trabalho. Foram nomeados como: A, B, C, D, E, F, G e H. A sequência dos testemunhos foi definida pela ordem de produção com ajuda do escritor e através das próprias marcas deixadas nos documentos. Essa identificação foi feita com certa facilidade, surgiu apenas uma dúvida entre o TB e o TC, pois inicialmente se pensou que TC seria o segundo testemunho, levando em conta que os textos de TB e TC são bem semelhantes, no entanto o escritor fez uma anotação entre a f. 34 e a f.

39, em TC, que esclareceu os fatos. O TB apresenta uma sequência de folhas sem cortes. Até a f. 34, em TC, isso também ocorre, porém ao chegar nesse ponto, no verso da f. 34, em TC, há uma anotação do escritor dizendo que as folhas 35 a 38 foram retiradas. A contagem recomeça a partir da f. 39. A seguir os fac-símiles que demonstram esse processo.

Figura 54 – Fac-símile da f. 34 em TC

Figura 55 – Fac-símile do verso da f. 34 em TC

Figura 56 – Fac-símile da f. 39 em TC

Todos os testemunhos foram cedidos pessoalmente pelo escritor e estão sob a guarda do Núcleo de Estudos do Manuscrito - NEMa, da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS. Alguns foram datados, outros não. A seguir a descrição física dos testemunhos para que se tenha uma visão mais detalhada do material utilizado para este estudo do processo criativo de Nhô Guimarães.

4.1.1 Testemunho A (TA) – (não datado)

Papel A4, sem pauta, branco, medindo 297mm X 210mm. Texto digitado, materializado em impressora digital e encardenado. Na capa do testemunho não existem anotações escritas a mão. O título do testemunho é: Nhô Guimarães: Estórias Gerais.

Inicialmente esse título foi pensado com a ideia de representar ou fazer uma relação sintática e estrutural, com o título da obra Grande sertão: veredas, ou seja, um título principal, dois pontos e um subtítulo, segundo informações do próprio escritor Aleilton Fonseca29. A seguir, trecho da entrevista.

Inicialmente eu quis colocar esse nome para manter a estrutura sintática do título da obra Grande sertão: veredas, algo que se pudesse comparar ou representar a obra que tomei como referência para homenagear. Mas, depois decidi retirar o termo “Estórias Gerais” e manter somente Nhô Guimarães.

Achei que ficaria mais original.30

Abaixo desse título: Nhô Guimarães: Estórias Gerais registra-se a palavra Romance e em seguida o nome do escritor e seu endereço. Na folha 2, há uma citação de Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas, que diz assim: “Ah, eu estou vivido, repassado. Eu lembro das coisas antes delas acontecerem... Com isso minha fama clareia? Remei vida solta. Sertão:

estes vazios. O senhor vá. Alguma coisa ainda encontra”. Em todo o texto não existem anotações manuscritas. Os capítulos foram numerados de 1 a 30 e as folhas receberam numeração de 2 até 111 na margem inferior à direita. Esse testemunho não apresenta rasuras ou emendas feitas à tinta azul, como acontece em outros testemunhos, o que aparece com frequência é uma sucessão de supressões e acréscimos que são percebidos ao longo da análise dos outros testemunhos até o texto que foi publicado.

29 Entrevista realizada com o escritor no dia17 de junho de 2010.

30 Informação obtida em entrevista realizada com o escritor no dia17 de junho de 2010.

4.1.2 Testemunho B (TB) – (não datado)

Papel A4, sem pauta, branco, medindo 297mm X 210mm. Texto digitado, materializado em impressora digital e encardenado. Na capa do testemunho não existem anotações escritas a mão nem numeração de folha. O testemunho foi intitulado como: “Nhô Guimarães”. Abaixo do título a palavra “Romance”, e em seguida o nome e o endereço do escritor. Na folha 2 existe uma citação de Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas que diz assim: “Ah, eu estou vivido, repassado. Eu lembro das coisas antes delas acontecerem... Com isso minha fama clareia? Remei vida solta. Sertão: estes vazios. O senhor vá. Alguma coisa ainda encontra”. Em todo o testemunho existem apenas algumas anotações manuscritas a lápis feitas pelo próprio autor. Nenhum dos capítulos foi numerado, somente as folhas receberam numeração de 2 até 123 na margem inferior à direita.

4.1.3 Testemunho C (TC) – (não datado)

Papel A4, sem pauta, branco, medindo 297mm X 210mm. Texto digitado e impresso.

Na capa do testemunho não existem anotações escritas a mão nem numeração de folha. Esse testemunho traz uma característica especial, pois o próprio autor o enviou a uma escritora de forte expressão na área de crítica literária chamada Maria Lúcia Martins para que ela lesse e emitisse um ponto de vista crítico sobre a obra, ela então fez sugestões manuscritas no próprio testemunho, essas observações foram feitas a lápis, isso foi muito positivo, pois fez distinção entre as anotações manuscritas do autor, que foram escritas a tinta azul. O testemunho foi intitulado como: “Nhô Guimarães”. Abaixo do título a palavra “Romance” e em seguida o nome e endereço do escritor. Na folha 2 existe uma citação de Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas que diz assim: “Ah, eu estou vivido, repassado. Eu lembro das coisas antes delas acontecerem... Com isso minha fama clareia? Remei vida solta. Sertão: estes vazios. O senhor vá. Alguma coisa ainda encontra”. Abaixo dessa citação existe uma anotação escrita a lápis que diz: “Perfeita escolha”.

Em todo o testemunho existem várias anotações manuscritas a tinta azul e a lápis.

Nenhum dos capítulos foi numerado, somente as folhas receberam numeração de 2 até 123 na margem inferior à direita.

Este testemunho é diferente de todos os outros, pois além das anotações manuscritas feitas por Aleilton Fonseca, à tinta azul, há também uma grande quantidade de anotações feitas à lápis por Maria Lúcia Martins. Ao longo da análise dos outros testemunhos, percebeu-

se que muitas sugestões foram aceitas pelo autor e outras não. Este é um documento que definiu muitos aspectos de produção na construção final da obra (ver subseção 3.3, f. 76).

4.1.4 Testemunho D (TD) – (30/07/2005)

Papel A4, sem pauta, branco, medindo 297mm X 210mm. Digitoscrito materializado por meio de impressão e encardenado. Na capa existem duas anotações escritas a mão e a tinta azul. Uma na margem superior, que diz: “Memorial de Rosa” e outra na margem inferior com a expressão: “Revisto e corrigido em 30/07/2005. Salvador – Bahia”. O autor intitula esse testemunho de Memorial de “Rosa Nhô Guimarães”, abaixo disso coloca “Narrativa”, e em seguida o nome e o endereço do escritor. O título foi colocado na capa, que foi numerada como 1. Na folha 2 a citação de Guimarães Rosa, em Grande sertão: veredas, é mantida. Em todo o testemunho existem várias anotações escritas a mão e a tinta azul. Nenhum dos capítulos foi numerado, somente as folhas receberam numeração de 1 até 89 na margem inferior, à direita.

4.1.5 Testemunho E (TE) – (10/03/2006)

Papel A4, sem pauta, branco, medindo 297mm X 210mm. Texto digitado, materializado em impressora digital e encardenado. Na capa do testemunho existe apenas uma anotação escrita a mão, refere-se à data: “10/03/2006” e logo abaixo está uma assinatura do escritor. O testemunho foi intitulado como: “Nhô Guimarães”. Abaixo do título a palavra

“Romance” e em seguida o nome do escritor e seu endereço. Na folha 2, a citação de Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas continua sendo mantida, porém com uma diferença, a folha foi numerada como 1. Na folha 2 aparece um sumário que apresenta o nome de 35 capítulos. Os capítulos foram numerados de 1 a 35 e as folhas receberam numeração de 1 até 125 na margem inferior, à direita. Em todo o testemunho não existem anotações manuscritas, somente o capítulo 33, traz poucas anotações manuscritas a tinta azul.

4.1.6 Testemunho F (TF) – (não datado)

Papel A4, sem pauta, branco, medindo 297mm X 210mm. Texto digitado, materializado em impressora digital e encardenado. Na capa do testemunho não existem anotações escritas a mão. O testemunho foi intitulado como: “Nhô Guimarães”. Abaixo do

título a palavra “Romance”, em seguida o nome do escritor e da editora na qual o livro foi publicado: BB BERTRAND BRASIL. Neste testemunho, a citação de Guimarães Rosa aparece também na folha 1 e o sumário, que apresenta o nome de 35 capítulos, na folha 2. Os capítulos foram numerados de 1 a 35 e as folhas receberam numeração de 1 até 131 na margem inferior à direita. Em todo o testemunho não existem anotações manuscritas. Na última folha (131) consta a nota do autor (ver fig. 92).

4.1.7 Testemunho G (TG) – (não datado)

Papel A4, sem pauta, branco, medindo 297mm X 210mm. Texto digitado, materializado em impressora digital e encardenado. Na capa do testemunho não existem anotações escritas a mão. O testemunho foi intitulado como: “Nhô Guimarães”. Abaixo do título a palavra “Romance”, em seguida o nome do escritor e da editora na qual o livro foi publicado: BB BERTRAND BRASIL. A citação de Guimarães Rosa aparece também na folha 1 e o sumário, que apresenta o nome de 35 capítulos, na folha 2. Em todo o testemunho não existem anotações manuscritas. Os capítulos foram numerados de 1 a 35 e as folhas receberam numeração de 1 até 131 na margem inferior à direita. Na última folha (131), consta a nota do autor.

4.1.8 Testemunho H (TH) – (não datado)

Papel A4, sem pauta, branco, medindo 297mm X 210mm. Texto digitado, materializado em impressora digital e encardenado. Na capa do testemunho não existem anotações escritas a mão. O testemunho foi intitulado como: “Nhô Guimarães”. A citação de Guimarães Rosa aparece também na folha 1 e o sumário, que apresenta o nome de 35 capítulos, na folha 2. Em todo o testemunho não existem anotações manuscritas. Os capítulos foram numerados de 1 a 35 e as folhas receberam numeração de 1 até 133 na margem inferior, à direita. Na folha 131, aparece a nota do autor. A folha 132 aparece intitulada como:

TEXTOS/ informação PARA A QUARTA CAPA. A página 133 aparece com o título:

TEXTO DAS ORELHAS. Texto preparado para envio à editora com o fim de publicação.

4.1.9 Obra publicada em 2006

Papel pólen, sem pauta, medindo 218mm X 135mm. Texto impresso e publicado.

Quanto à estrutura, o livro caracteriza-se como brochura. Na capa há uma imagem de uma mulher sertaneja, supostamente a narradora do romance, o projeto gráfico foi feito por Raul Fernandes. Na maioria dos capítulos existe um desenho que representa simbolicamente o relato ali descrito. Na orelha inicial do livro existe um texto de Antônio Torres e na final um pouco da vida e obra do escritor Aleilton Fonseca. Na última capa aparecem comentários críticos dos seguintes escritores: Jerusa Pires Ferreira, Rinaldo de Fernandes e Maria Lúcia Martins. O livro foi publicado pela editora Bertrand Brasil em 2006.

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