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Onde o Papo aconteceu em 2011

Em 2011 ocorreram 217 atividades do Projeto, entre reuniões de planejamento e apresentação do projeto e Papos, distribuídos principalmente entre instituições de ensino públicas e privadas, mas também em encontros de juventude, instituições religiosas e eventos ligados a discussão sobre drogas e vulnerabilidade social. O total estimado de público, segundo controle interno do projeto, é de aproximadamente 19.000 pessoas54.

No período, foram visitados vinte municípios em todas as regiões do Estado do Rio de Janeiro, além de uma apresentação no município de Vitória, no Espírito Santo, em um evento chamado Pacto pela Paz, e outra em Tel Aviv, em Israel, em um evento chamado Seminário Brasil. A distribuição foi de 141 Papos na capital, 76 em outros municípios do Estado, um em outro Estado e um em outro país.

54 Esses dados se baseiam em uma planilha enviada pelo Projeto, de controle interno.

*Nesta distribuição não estão incluídos os Papos no Espírito Santo nem em Israel.

No município do Rio de Janeiro, também estiveram presentes em todas as regiões, em um total de trinta e cinco bairros e 141 Papos. Na zona central da cidade, em três bairros, ocorreram 13 papos; na zona sul, em cinco bairros, foram 14 Papos; na zona norte, em vinte bairros, foram 94 Papos; e na zona oeste, em sete bairros, foram 20 Papos. Abaixo, a distribuição dos bairros, por zonas da cidade:

Bairros (por zona da cidade) Visitas Zona Central

Centro 9

Cidade Nova 1

Municípios (ordem alfabética) Número de visitas

Barra Mansa 3

Búzios 2 Cantagalo 2

Duque de Caxias 10

Itaboraí 1 Itaguaí 1

Laje do Muriaé 1

Macaé 10 Maricá 1

Miguel Pereira 1

Nilópolis 2 Niterói 5

Nova Iguaçu 2

Nova Friburgo 7

Resende 1

Rio Bonito 1

Lapa 3

Total 13

Zona Sul

Botafogo 1 Gávea 4 Lagoa 1 Laranjeiras 6 Urca 2

Total 14

Zona Norte

Abolição 2

Anchieta 4 Benfica 10 Bonsucesso 6 Colégio 5

Del Castilho 4

Honório Gurgel 1

Ilha do Governador 12

Irajá 1 Madureira 1 Maracanã 3

Marechal Hermes 1

Méier 1 Penha 2 Riachuelo 1

Rio Comprido 2

São Cristóvão 1

Tijuca 33

Vaz Lobo 1

Vicente de Carvalho 3

Total 94

Zona Oeste

Bangu 2

Barra da Tijuca 1

Campo Grande 2

Jacarepaguá 7 Realengo 6

Recreio dos Bandeirantes 1

Santa Cruz 1

Total 20

Em cada região, central, sul, norte e oeste, percebe-se que há uma moda, representada, respectivamente pelos bairros do Centro, Laranjeiras, Tijuca e Jacarepaguá. Essas coincidem com a existência de unidades do SESI/Senai, em que foram realizadas quantidade concentrada de encontros do Papo, que ensejaram esse destaque em relação aos outros bairros.

O registro do Presença em todas as áreas do município do Rio de Janeiro e em diversos municípios do Estado vai de encontro à crítica interna que por vezes recebem de colegas, que argumentam que “o projeto só vai aonde quer ir”. Quanto ao tipo de instituições, estão contempladas as de natureza pública e privada, sem qualquer sinal aparente de distinção que possa denotar algum tipo de seletividade55.

Analisando a distribuição ao longo dos meses, percebemos uma correlação positiva com o calendário letivo. Há um número reduzido de Papos nos meses de janeiro, fevereiro, meses de férias escolares, um número um pouco maior nos meses de março, julho e dezembro, nos quais ou as aulas estão começando, como no caso de março, ou há parte do mês destinado às férias, como em julho e dezembro. A concentração de atividades pode ser observada, portanto, nos meses de abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro.

Meses Atividades

Janeiro 4 Fevereiro 7

55 O item 3.5.1 apresenta uma análise da agenda do Projeto em 2011 baseada na lista disposta no Anexo III desta dissertação.

Marco 15 Abril 23 Maio 24 Junho 25 Julho 11 Agosto 22 Setembro 24 Outubro 30 Novembro 23 Dezembro 9

Total 217

Como foi abordado anteriormente a respeito da inexistência inicial de qualquer tipo de registro da presença de público, em 2011 foi tomada a decisão de introduzir um livro de assinatura, a ser portado por cada um dos policiais. É um livro grande e espesso, que o inspetor Marco Pedra diz fazer lembrar os antigos livros-tombo das delegacias, onde se registrava tudo o que acontecia nos plantões. A esse respeito, os inspetores esclareceram que anteriormente nenhum tipo de registro era requerido, pois se partia do pressuposto de que se as pessoas já possuem um estigma negativo da polícia, não era desejado transmitir a impressão de que o Projeto tinha por finalidade identificar quaisquer indivíduos ou grupos.

Nesse sentido, no livro, cada presente deve voluntariamente escrever seu nome. Mesmo considerando esse esforço, dado o caráter não obrigatório do registro pessoal, permanece aberta a possibilidade do sub-registro de presentes, que podem simplesmente não registrar sua presença. Os inspetores, entretanto, acreditam que, com o ganho de visibilidade e credibilidade do Projeto, essa sub-registro tende a reduzir-se progressivamente.

No momento em que esta pesquisa foi realizada, havia apenas um único livro, fazendo com que apenas um policial pudesse portá-lo por vez, causando prejuízo no registro dos presentes em atividades que ocorressem de forma simultânea. Para remediar essa condição e não perder registros de presença, os demais policiais passavam uma lista de presença na audiência, para depois passar os nomes a limpo de forma consolidada no livro de registros.

Segundo os próprios policiais, esse processo traz um problema para um registro fidedigno do número de presentes a cada encontro, que a introdução de um livro individual para cada

policial irá sanar, à medida que o nome de cada um passará a ser registrado definitiva e diretamente pela própria pessoa. Esse procedimento minimiza, em tese, que ocorra, por exemplo, a perda de nomes registrados em folhas soltas ou mesmo que alguém faça uma rasura.