CAPÍTULO 2 A EVOLUÇÃO DO DIREITO DO CONSUMIDOR NO MUNDO
2.2 ORIGEM DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR NO BRASIL
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Há também a HausTWG (Lei sobre a revogação de negócios realizados na porta de casa e negócios semelhantes) que, inclusive foi alterada pela lei anteriormente mencionada. Essa lei contém um traço interessante acerca da declaração de vontade, levando-se em conta o local da declaração Harriet Christiane Zitscher29 assinala que tal declaração “deve ser manifestada no local de trabalho do consumidor ou na sua residência privada; quando terceiro leva a algum local; ou nas ruas ou meios de transporte”. É importante lembrar que as legislações acima referidas se aplicam no campo da proteção contratual do consumidor. Mas há também outras legislações específicas objetivando a proteção extracontratual do consumidor. Como exemplo citamos a ProdHaftG de 1989, conhecida como Lei sobre a responsabilidade por produtos defeituosos e a ProdSG de 1997 (Lei sobre a exigência de segurança de proteção e para a proteção do símbolo CE). Essa lei foi criada com o objetivo de regulamentar as exigências de produtos e para que possuam a informação CE, que identifica a origem do produto como sendo a União Europeia.
Verifica-se, através do estudo da legislação alemã, que o nosso direito do consumidor acabou por se inspirar em grande parte naquele sistema, que consagra o direito à proteção da informação, da saúde, segurança, interesses econômicos, ressarcimento do dano sofrido, direito à instrução e formação e o direito à representação (direito de ser ouvido).
No Século XXI, a globalização e o uso da internet alcançaram todos os países indistintamente, facilitando o acesso a aquisição de produtos e serviços oferecidos a população, bem como os movimentos de trabalhos preventivos e educativos, despertando interesse pelos valores da cidadania.
2.2 ORIGEM DO CÓDIGO DE DEFESA DO
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consumeristas individuais como também as coletivas, englobando direitos difusos e coletivos
O vocábulo Consumerismo tem origem do inglês consumerism, e significa o movimento social surgido nos EUA na década de 1960, contra a produção, e comercialização e a comunicação em massa, contra os abusos nas técnicas de marketing, propaganda, contra a periculosidade de produtos e serviços, visando a qualidade e confiabilidade deles. O movimento se fortaleceu com já citada mensagem do presidente Kennedy, e daí ganhou o mundo. Estabelecia-se, assim, um março; um novo modelo de direito do consumidor, que reconhece neste um sujeito de direitos específicos e lhe atribui direitos fundamentais.30
Teve grande destaque no surgimento de uma legislação voltada para proteger o consumidor, o advogado americano Ralph Nader, que teve papel importante na origem do primeiro recall automobilístico de que se tem notícia, e pela quebra do paradigma de indenizações “tarifadas” no direito norte-americano. A história do direito norte- americano dá conta de que aquele causídico ajuizou uma ação contra um fabricante de automóveis após um defeito de fabricação em um de seus automóveis, o qual apresentava falhas em seu sistema elétrico, provocando a produção de fagulha num dos fios que conduzia eletricidade ao farol traseiro do veículo, sendo que tal falha se dava próxima ao tanque de combustível do mesmo, provocando sua explosão.31
O advogado americano passou por uma tragédia familiar, se envolvendo em um acidente automobilístico, culminando com a morte do filho do casal, Ralph Nader que ingressou com uma ação indenizatória contra a empresa, sendo, então, auxiliado por um antigo contabilista que havia trabalhado na empresa, sendo este arrolado como testemunha nesta ação judicial, o qual revelou ao Juízo da causa que a empresa fabricante do veículo automotor preferia pagar as indenizações pelos danos causados, inclusive por morte, (raramente esse valor ultrapassava US$10.000,00) do que chamar os veículos para reparar o defeito (recall). O êxito na demanda fez com que Nader conseguisse o pagamento de uma indenização milionária à família vitimada, além de
30 Guglinski. Vitor. Breve histórico do Direito do Consumidor e suas origens. Publicado em 08 de maio de 2019.
https//vitorgug.jusbrasil.com.br
31 Guglinski. Vitor. Breve histórico do Direito do Consumidor e suas origens. Publicado em 08 de maio de 2019.
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uma determinação judicial no sentido de que os veículos defeituosos fossem recolhidos pela fabricante para os devidos reparos.32
Em 1985, experiências no campo da proteção do consumidor levaram a Organização das Nações Unidas a estabelecer, na sua 106ª Sessão Plenária, através da Resolução nº 39/248, o princípio da vulnerabilidade do consumidor, reconhecendo- o como a parte mais fraca na relação de consumo, e tornando-o merecedor de tutela jurídica específica, exemplo que foi seguido pela legislação consumerista brasileira.
Criava-se, assim, uma série de normas internacionais de proteção do consumidor, com o objetivo de universalizar esse direito. O objetivo destas regras ali contidas era oferecer direcionamentos para os países, especialmente os em franco desenvolvimento, para que as utilizassem na edição ou até mesmo no aperfeiçoamento das normas e legislações de proteção e defesa do consumidor já existentes, bem assim incentivar a cooperação internacional nesse sentido.
Registra-se que o consumo, no Brasil, se intensificou após o início de nossa industrialização, em meados da década de 1930, sendo que, já nessa época, o Estado possuía características fortemente intervencionistas na ordem econômica (Sayeg, 2004)33.
Há vários relatos em que o consumo, no Brasil, se intensificou em meados da década de 1930, após o início de nossa industrialização, sendo que, já nessa época, o Estado possuía características fortemente intervencionistas na ordem econômica.34 Antes mesmo de ser incluída na Carta Constitucional de 1988, a defesa do consumidor, no Brasil, teve como março mais significativo a edição da Lei nº 7.347/85, conhecida como Lei da Ação Civil Pública, com vistas à proteção dos interesses difusos da sociedade. No mesmo ano, criou-se o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor.
32 Guglinski. Vitor. Breve histórico do Direito do Consumidor e suas origens. Publicado em 08 de maio de 2019.
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33 SAYEG, Ricardo Hasson
. O Contexto Histórico da Defesa do Consumidor em Face do Abuso de Poder Econômico e sua Importância. Revista de Direito Internacional e Econômico. Ano II – nº 07 – abr, maio, jun/2004.
34 SAYEG, Ricardo Hasson. O Contexto Histórico da Defesa do Consumidor em Face do Abuso de Poder Econômico e sua Importância. Revista de Direito Internacional e Econômico. Ano II – nº 07 – abr, maio, jun/2004.
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Com um histórico eminentemente intervencionista, o Brasil, visando a preservação dos direitos sociais, sempre interveio no domínio econômico. Na Constituição Federal de 1988, a matéria é regulada no artigo 170, que traz em sua letra: “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social”.35
O direito do consumidor brasileiro possui fincas na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, cuja garantia de defesa do consumidor encontra-se consagrada em seu art. 5º, XXXII, onde estão prescritos outros direitos e garantias fundamentais nos demais incisos.
No que se refere ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90), constitui-se como um microssistema vinculado aos preceitos constitucionais. Há de se diferenciar, contudo, o sistema político do sistema normativo de defesa do consumidor. Aquele é representado pelo SNDC – Secretaria Nacional de Direito Econômico, enquanto o último decorre da lei.
Desta forma pode afirmar que o Código de Proteção e Defesa do Consumidor é uma lei principiológica, na medida em que encerra em si princípios gerais cujo objetivo precípuo é o de abranger todas as situações envolvendo o consumo, sem, no entanto, especificar cada caso, como o fazem as leis casuísticas. Trata-se de um sistema de cláusulas abertas onde alguns dispositivos possuem rol meramente exemplificativo, dando margem interpretativa ao julgador quando da apreciação de ações cujo objeto é afeto às suas disposições36.