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Os Elementos Objetivos da Relação de Consumo

CAPÍTULO 2. A RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO

2.1 Considerações Conceituais

2.1.2 Os Elementos Objetivos da Relação de Consumo

Ante o exposto, se passará ao próximo elemento objetivo da relação jurídica de consumo, e de suma importância para o presente estudo monográfico, os serviços, já que a publicidade é uma espécie de serviço, conforme se demonstrará a seguir.

2.1.2.2 Serviço.

De forma exemplificativa, define o Código de Defesa do Consumidor, no artigo 3º, §2º, como serviço “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”87

Preliminarmente, deixou-se claro ao conceituar o tema, que o conceito de serviço empregado pelo Código de Defesa do Consumidor é meramente exemplificativo, fato este que pode se notar da expressão “qualquer”, que designa a possibilidade de outros serviços prestados pelo fornecedor, como por exemplo, o serviço publicitário, que pode ser abarcado pela citada codificação de leis.

Segundo Rizzatto Nunes serviço “é tipicamente uma atividade. Esta é uma ação humana que tem em vista uma finalidade.” Tal atividade pode ser durável ou não durável. Preleciona o autor que serviços não duráveis serão “aqueles que, de fato, exercem-se uma vez prestados, tais como, por exemplo, os serviços de transportes, de diversões públicas, de hospedagem”. E há também os serviços duráveis, como aqueles que:

a) tiveram continuidade no tempo em decorrência de uma estipulação contratual.

b) embora típicos de não durabilidade e sem estabelecimento contratual de continuidade, deixara como resultado um produto.88

Chama a atenção a modalidade de serviço durável, eis que é típico do serviço publicitário, uma vez que este normalmente é prestado sobre a vinculação de um

87 BRASIL. Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 12 set. 1990.

Disponível em < https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8078.htm>. Acesso em: 28. out. 2013.

88TARTUCE, Flávio; NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito do consumidor: direito material e processual. 2.ed. rev. atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2013. p.92.

contrato de prestação de serviços publicitários, e que normalmente possuí um prazo determinado de exposição comercial.

Adverte ainda, Rizzatto Nunes, ao trabalhar a temática sobre a conceituação de serviço, pela importância da publicidade neste caso, como meio de promoção da venda de um produto, em curiosa análise menciona o autor que: “qualquer venda de produto, implica simultaneidade de um serviço. O inverso não é verdadeiro. Há serviços sem produtos.”89 É o caso, por exemplo, da publicidade, em que seu serviço não necessariamente implica na transferência de um produto para determinado consumidor, mais promove tal somente a imagem deste produto, para uma possível e posterior venda.

Há de se ressalvar, que os serviços também podem ser públicos, já que o Código de Defesa do Consumidor inclui no rol do artigo 3º, como fornecedores as pessoas jurídicas de direito público. Muito embora, as pessoas jurídicas de direito público geralmente utilizem-se da propaganda (capítulo 1) e não da publicidade, a Lei nº. 12.232/10, que dispõe sobre as normas gerais de licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade, traz importante conceito sobre serviço publicitário, o qual se transcreve abaixo:

Art. 2o Para fins desta Lei, considera-se serviços de publicidade o conjunto de atividades realizadas integradamente que tenham por objetivo o estudo, o planejamento, a conceituação, a concepção, a criação, a execução interna, a intermediação e a supervisão da execução externa e a distribuição de publicidade aos veículos e demais meios de divulgação, com o objetivo de promover a venda de bens ou serviços de qualquer natureza, difundir ideias ou informar o público em geral. 90

Caso comum de publicidade realizado por entes da administração pública indireta91, ocorre, por exemplo, nos anúncios publicitário praticados por empresas

89 NUNES, Luís Antônio Rizzatto. Curso de Direito do Consumidor. 8.ed. rev. e atual. São Paulo:

Saraiva, 2013.p.150.

90BRASIL. Lei n.º 12.323 de 23 de abril de 2010. Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12232.htm>.

Acesso em 05.nov.2013.

91 Segundo José dos Santos Carvalho Filho (2012, p.489) “Administração Indireta do Estado é o conjunto de pessoas administradas à respectiva Administração Direta, têm o objetivo de desempenhar atividades administrativas de forma descentralizada.”

públicas92 e sociedades de economia mista93, como a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, Petrobras, e CORREIOS.

Por fim, ainda sobre o que consta do artigo 3º, §2º94 , observa-se o cárter remuneratório da prestação de serviço, como descrito no capítulo 1, da presente monografia, a publicidade é atividade remunerada por outrem. Ainda sobre esse aspecto Herman Benjamin menciona que o comitê de definições da American Association of Advertising Agencies (AAAA), oferece a seguinte noção “Publicidade é qualquer forma paga de apresentação impessoal e promoção tanto de ideias, como de bens ou serviços, por um patrocinador identificado”.95 E Conclui que: “Em tal sentido, a publicidade não é uma técnica pessoal cara a cara entre consumidor e fornecedor”96

Destarte, pelo conjunto exposto, finaliza-se aqui o segundo critério objetivo da relação de consumo. Desta forma, podemos agora analisar a proteção jurídica aplicado a relação de consumo, em especial a relação consumerista, primordial da presente monografia, que é a publicitária.

92 Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da administração Indireta do Estado, criadas por autorização legal, sob qualquer forma jurídica adequada a sua natureza, para que o Governo exerça atividades gerais de caráter econômico ou, em certas situações, execute a prestação de serviços públicos. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. 2012, p.490).

93 As Sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Pública Indireta do Estado, criadas por autorização legal, sob a forma de sociedades anônimas, cujo controle acionário pertence ao Poder Público, tendo por objetivo, como regra, a exploração de atividades gerais de caráter econômico e, em algumas ocasiões, a prestação de serviços públicos. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. 2012, p.490).

94 Artigo 3º, §2ª como serviço “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

95 BENJAMN, Antônio Herman; MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo Roscoe. Manual de Direito do Consumidor. 4.ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012.p.242.

96 BENJAMN, Antônio Herman; MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo Roscoe. Manual de Direito do Consumidor. 4.ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012.p.242.

CAPÍTULO 3. A PROTEÇÃO JURÍDICA DO CONSUMIDOR EM FACE DA