3. TV OMNICHANNEL: CONVERGÊNCIA, ENGAJAMENTO E
4.1. OS MODELOS DE CONSUMO DE TELEVISÃO NO BRASIL
No contexto da pós-modernidade, faz-se necessário apresentar os três pilares e suas imbricações sistematizados por Moura (2018, p.95), quando destaca as perspectivas da TV digital brasileira no panorama da cultura digital, para que possam ser analisados sob o viés da nova TV.
[...] para iniciar o diagnóstico da TV, faz-se necessário enumerar esses itens que subsidiarão as discussões a seguir, apontando-os como produção, armazenamento, distribuição/acesso. Essas características da cultura digital são de extrema relevância para a análise dos meios digitais, na medida em que se combinam com os elementos essenciais do processo de comunicação, contudo, avaliam um novo ponto de vista, que é o apoio às novas tecnologias.
Os três itens se apresentam envolvidos e se imbricam de tal forma que o limite de um se confunde com o outro. Tal análise tornar-se-á fundamental para a compreensão das mudanças culturais aplicadas à televisão antes e depois da digitalização, amparando o diagnóstico do seu atual status quo no Brasil.
Deste modo, para qualquer processo de comunicação, em especial o que envolve os meios digitais, há necessidade de uma análise sob três perspectivas - produção, armazenamento, distribuição/acesso –, que direcionam a mensagem e o canal de comunicação, amplificando o escopo de alcance desses elementos. Castells (2009, p.87) destaca a relevância desse direcionamento e a importância dessa análise para a compreensão do processo comunicacional:
“El proceso de comunicación se define por la tecnologia de la comunicación, las características de los emisores y los receptores de la información, sus
137 códigos culturales de referencia, sus protocolos de comunicación y el alcance del proceso46”.
Tais significados só podem ser apreendidos quando contextualizados através da análise das relações sociais envolvidas no processo de comunicação. Destaca-se que neste processo tem-se alguns elementos indispensáveis para a análise e tomada de consciência desse período, como pode ser observado na figura abaixo.
FIGURA 24 – Processo de comunicação nos meios digitais
FONTE: Autoria própria (2022)
46 Trad.: O processo de comunicação é definido pela tecnologia da comunicação, as características dos emissores e dos receptores da informação, seus códigos culturais de referência, seus protocolos de comunicação e o alcance do processo [tradução nossa].
138 No processo de comunicação pertinente aos meios digitais, observa-se que todos os elementos de produção, armazenamento e distribuição/acesso estão atrelados à união da mensagem e dos canais, pois neste modelo proposto, não há dissociação do que será dito e como alcançará o receptor. Na cultura digital, é muito importante que os meios entreguem uma experiência final para o usuário que o envolva de tal forma para que ele não dissocie o meio da mensagem, como era realizado na cultura massiva. Toda o seu direcionamento era para que cada mídia tivesse suas características particulares e para que o produto final estivesse engessado naquele formato. Santaella e Nöth (1998, p.162) destaca a relevância de preservar esses elementos intrínsecos dos meios, contudo, traz a importância de reunir todos os atributos da relação entre as mídias para um bom processo de produção.
[...] trata-se, antes de tudo, de determinar o modo como as imagens são materialmente produzidas, com que materiais, instrumentos, técnicas, meios e mídias. É nos seus modos de produção que estão também pressupostos os papéis desempenhados pelos agentes da produção, trazendo, ademais, consequências para os modos como as imagens são armazenadas e transmitidas. Uma vez que nenhum processo de signo pode dispensar a existência de meios de produção, armazenamento e transmissão, pois esses meios que tornam possível a existência mesma dos signos, o exame desses meios parece ser um ponto de partida imprescindível para a compreensão das implicações mais propriamente semióticas das imagens, quer dizer, das características que elas têm em si mesmas, na sua natureza interna, dos tipos de relações que elas estabelecem com o mundo, ou objetos nelas representados, e dos tipos de recepção que estão aptas a produzir.
Partindo dessa premissa, faz-se necessário desenhar os modelos de TV existentes no Brasil e vislumbrar o cenário atual, bem como o futuro, para que haja uma avaliação mais aprofundada sobre a aplicabilidade de todos esses elementos à televisão brasileira.
Nesse contexto, analisando o cenário de tipos de TV no Brasil, já foram citados os formatos básicos mais conhecidos pelo público em geral. A partir de um overview de elementos aqui já pautados, tem-se os seguintes modelos televisivos: TV aberta, TV conectada, hipertelevisão e TV por assinatura.
Sob a perspectiva da TV aberta brasileira, são cinco as suas etapas mais marcantes, que se subdividem em dois momentos: TV aberta analógica e TV aberta digital. O Fórum SBTVD (2022) sistematizou uma síntese de todos esses momentos, desde o seu lançamento em 1950, que perpassa pelas fases da TV analógica, preto & branco e colorida, posteriormente do processo da TV digital: TV 2.0 e seu aperfeiçoamento 2.5 até a nova proposta de modelo televisivo que é a TV 3.0, como pode ser visto a seguir.
139 FIGURA 25 – Background da TV aberta terrestre – Evolução no Brasil (1950-2025)
FONTE: Fórum SBTVD (2022)
Em uma definição básica, a TV aberta caracteriza-se geralmente por emissoras apresentadas como veículos de comunicação tradicionais ao longo dos anos no Brasil, que propõem conteúdos com dias e horários pré-definidos e elaborados por essas organizações.
A TV analógica foi desenvolvida como um meio de comunicação de massa, sempre amplamente elencado como um importante elemento da cultura massiva. No Brasil, em especial nos últimos anos, reforça-se a existência de uma continuidade de determinados aspectos desse período cultural, devido ao incremento crescente da TV aberta. Os atuais programas de grande audiência remetem à espetacularização de temas polêmicos e de interesse do grande público, o que traz cada vez mais sucesso à televisão.
As discussões acerca das relações entre cultura e sociedade de massa, ainda tão presentes nos dias atuais, circundam os debates sobre o conteúdo dos meios de comunicação considerados massivos, tais como a TV. Nesse propósito, compreende-se que ainda no contexto atual “a cultura – feita em série, industrialmente, para o grande número – passa a ser vista não como instrumento de crítica e conhecimento, mas como produto trocável por dinheiro”, afirma Coelho (1998, p.11). Entretanto nos últimos anos, a televisão aberta experienciou um dos momentos mais importantes da sua trajetória durante os dois mandatos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Todas as transformações sugeridas para o meio possibilitaram uma verdadeira efervescência nesse mercado, pois se tratava da reformulação de um meio que sempre foi visto como o mais imponente e peculiar de todos. Foi o grande divisor de águas entre o que se conhecia por televisão e o que está sendo apresentado como TV 2.0 no período pós-
140 digitalização, pois altera o padrão de utilização do meio pelos espectadores. Desde meados dos anos 2000, Bolaño e Brittos (2007) já afirmavam que a tendência do mercado televisivo era a de que o padrão digital suplantasse o analógico em todo o mundo, o que pressionou o governo a apressar a implantação deste modelo no Brasil. Além disso, o país necessitaria de um longo período para finalizar a realização de todo o processo, graças ao volume populacional47 e ao baixo poder aquisitivo de grande parte da população48.
O governo brasileiro, para decidir sobre o padrão tecnológico de TV digital (2.0) a ser escolhido, levou em consideração a qualidade de sinal para transmissão em outros dispositivos além do televisor, sobretudo os móveis; a possibilidade de multiplicidade de canais e ainda a viabilidade da interatividade. Segundo Cannito (2010), o sistema japonês ISDB possuía, naquele momento, a melhor tecnologia de HDTV, todavia, é o padrão mais oneroso para os indivíduos e a sua implantação por parte das emissoras também requer um dos maiores investimentos, mas, mesmo assim, o formato citado foi a opção do governo.
Alguns aspectos devem ser levados em consideração para analisar a seleção desse padrão televisivo. Com relação ao desembolso financeiro para a aquisição do conversor, a maior parte da população brasileira teria dificuldade para adquirir, o que foi realizado a contragosto dos fabricantes dos aparelhos. Todavia a indicação do modelo foi realizada atendendo aos interesses do empresariado nacional, que fez parte quase que exclusivamente da comissão inicial para escolha, valorizando mais a ampla distribuição de conteúdos, em detrimento do acesso à tecnologia pelos espectadores.
Vale destacar que, ainda no processo de definição do formato televisivo, o governo já indicava uma possibilidade de complementação técnica do mesmo, criando um novo padrão, que foi chamado de ISDB-Tb49, SBTVD50 ou padrão nipo-brasileiro, como reforça Mendes (2007, p.49):
O SBTVD foi baseado no padrão de TV digital japonês, com modificações na camada de compressão e na camada de middleware. No caso da compressão de vídeo, todos os padrões de TV Digital Terrestre empregam o MPEG-2. O Brasil, no entanto, emprega uma técnica de compressão de vídeo mais recente e mais eficiente, denominada de H.264. Com esta técnica de compressão de
47 Segundo o CENSO/IBGE (2010), o Brasil possui 190.755.799 de habitantes.
48 Segundo o CENSO/IBGE (2010), o Brasil apresenta um rendimento médio domiciliar de
R$2.652,00, porém varia entre o mínimo de R$538,47 e o máximo de R$6.512,00. Contudo o maior volume de domicílios varia entre R$538,00 e R$2.000,00.
49 Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial (Brasileiro).
50 Sistema Brasileiro de TV Digital.
141 vídeo, é possível manter a qualidade de imagem, porém reduzindo sensivelmente a taxa de bits. Este ganho de desempenho de compressão resulta em um uso mais eficiente do espectro. Já com relação ao Middleware, o Brasil adotou uma solução nacional, denominada de ginga, que foi desenvolvido pela PUC-RJ e pela UFPB. No que se refere à camada física, o SBTVD é exatamente igual ao padrão ISDB-T.
Todos os atributos de diferenciação tecnológica desse sistema, possibilitaram que diversos países, especialmente da América do Sul, adotassem esse padrão, entretanto, as características citadas não são as únicas do padrão japonês e brasileiro. De acordo com Cannito (2010, p.71):
Partindo desse propósito, os grandes diferenciais da TV digital brasileira, a priori, são a qualidade de imagem e a mobilidade e portabilidade do conteúdo, ou seja, poder assistir televisão dentro de veículos diversos, mesmo em movimento e também através de plataformas móveis. Em uma segunda análise, a convergência de meios é o grande ganho da tecnologia digital, por possibilitar uma ampliação dos pontos de contato com o consumidor.
Isto posto, pode-se inferir que a referida convergência dos meios possibilitou o surgimento da TV conectada, formato televisivo que será ainda mais detalhado nessa pesquisa, ao associar a televisão à internet, o que configura uma das tecnologias adicionadas à proposta de TV digital brasileira (2.0, 2.5 e 3.0): a interatividade. Essa característica permite aos espectadores, por exemplo, a compra de um produto que foi exibido em uma telenovela.
Outro aspecto a ser destacado é a hipertextualidade, permitindo que os programas para a televisão digital não precisam mais ser vistos de forma linear: início, meio e fim. Além de assistir às transmissões ao vivo, as obras audiovisuais podem ser gravadas, reproduzidas ou armazenadas no conversor, no aparelho de TV integrado ou em mídias externas, como afirma Cannito (2010).
Com o desenvolvimento da TV digital 2.0, o espectador se tornou mais ativo na escolha dos conteúdos e pode optar pelo que quer assistir e quando quer assistir o que é ofertado pelos veículos de comunicação, além do que foi permitido ao indivíduo participar mais ativamente da troca de informações. Segundo a SET (2018), o completo desligamento do sinal analógico, o switch-off, está programado para 31 de dezembro de 2023.
Após a digitalização da TV brasileira, essa proposta se amplificou e as emissoras propuseram um armazenamento dos programas para que os espectadores pudessem assistir quando e como fosse mais conveniente para eles. A possibilidade de pausar a programação também foi outra característica trazida pelo padrão de TV adotado nesse processo de
142 digitalização, que foi o japonês, adaptado no Brasil, e uma de suas funcionalidades aqui agregadas foi o sistema ginga, que proporcionava uma interatividade, a partir de um canal de retorno. Contudo como a digitalização no país foi tardia e este sistema não foi aceito pela maior parte da população, pois, neste momento, havia um ápice no consumo das plataformas de streaming de vídeo no Brasil. Para que o consumidor tivesse acesso ao ginga, ele teria de adquirir uma TV que comportasse essa tecnologia, que não era aplicada de forma geral aos aparelhos. Além disso, não adianta dispor da tecnologia sem pensar que as emissoras não apresentavam uma capacidade mais imediata de trazer a interatividade para a sua programação, pois isso pressupunha que o espectador teria de receber um grande volume de informações como retorno às suas ações.
Avaliando cada perspectiva da TV aberta tradicional, hoje intitulada de TV linear, temos as seguintes características: grande abrangência e infraestrutura com cobertura do sinal digital para todo o território brasileiro; o custo do conversor ou TV com conversor integrado permite que cada família compre o que de fato se adequa ao seu bolso; apresenta uma robustez no quesito de cobertura de sinal; qualidade superior em áudio e vídeo; 60 anos de know-how em produção, herança cultural e social da TV analógica; boa mobilidade e portabilidade, pois é acessível em dispositivos de recepção parados ou em movimento, havendo a cobertura do sinal digital e a ausência de área de “sombra”; e interatividade através do middleware aberto ginga, como afirmam Angeluci, Lopes e Zuffo (2012). Contudo a digitalização da TV, que ocorreu a partir do ano de 2007, trouxe apenas um padrão inicial para essa transformação televisiva, atualmente chamada de TV 2.0.
O SBTVD, Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, criado no momento da implementação da TV digital no Brasil, é composto por membros de seis setores: fabricantes de televisores, fabricantes de transmissores, radiodifusores, softwares, universidades e centros de pesquisa e desenvolvimento, e possui a função de assessorar tecnicamente o governo brasileiro na implantação do serviço de TV digital no país, sintetizou as características da TV 2.0 e as suas evoluções: TV 2.5 e TV 3.0.
De acordo com o Fórum SBTVD (2022):
From 2007, the first generation of Digital Terrestrial Television (that we conventionally call “TV 2.0”) was introduced in Brazil, bringing high- definition video, surround sound, mobile reception, and interactivity. Since then, the technological landscape changed a lot. Based on this technological landscape, the SBTVD Forum recognized the necessity to evolve the SBTVD.
It also acknowledged that changing the physical layer, the transport layer, and/or audiovisual coding would not be backward-compatible. Nevertheless,
143 the transition to a new generation of Digital Terrestrial Television is a long process, based on the investments required for both broadcasters and consumers and the expected life span of TV transmitters and receivers. It was, therefore, deemed necessary to increase the life span of the existing Digital Terrestrial Television system as much as possible through a backward- compatible evolution (a project we called “TV 2.5”) and to start the development of the next generation Digital Terrestrial Television system (the project we called “TV 3.0”)51.
Esse possível encurtamento da efetividade da TV 2.0 ocorreu porque, conforme já citado, o midlleware ginga não foi de fato validado pelo público e emissoras, o que provocou a necessidade de uma atualização do padrão implantado. Desta maneira, a adaptação da TV 2.0 para a TV 2.5 vem para conseguir adequar essa necessidade do mercado à sua sugestão inicial.
Este modelo compreende dois incrementos com relação às da primeira TV digital brasileira:
integração broadcast-banda larga52 e a qualidade audiovisual. Sob a primeira ótica, direciona- se o desenvolvimento de um novo perfil de receptor para o dispositivo complementar sincronizado ginga, chamado de receptor D ou DTV play, com o objetivo de incrementar o uso de vídeo sob demanda, aprimorando o audiovisual pela internet e o conteúdo direcionado. O segundo incremento é a introdução de três novos codecs de áudio imersivos opcionais53, mantendo o áudio principal MPEG-4 AAC para compatibilidade com antigas versões e através da introdução de dois formatos de vídeo HDR novos e opcionais54. Todo este processo possibilita ao usuário um adicional para que ele possa interagir com os conteúdos propostos pela TV aberta brasileira.
A implantação desse novo modelo de ginga foi direcionada pelo governo através da Portaria Interministerial nº 40, de 24 de julho de 2020, que determinou que a partir de 2021,
51 Trad.: A partir de 2007, foi introduzida no Brasil a primeira geração de Televisão Digital Terrestre (que convencionalmente chamamos de “TV 2.0”), trazendo vídeo de alta definição, som surround, recepção móvel e interatividade. Desde então, o cenário tecnológico mudou muito. Com base nesse cenário tecnológico, o Fórum SBTVD reconheceu a necessidade de evoluir o SBTVD. Também reconheceu que alterar a camada física, a camada de transporte e/ou a codificação audiovisual não seria compatível com versões anteriores. No entanto, a transição para uma nova geração de Televisão Digital Terrestre é um processo longo, baseado nos investimentos necessários para emissoras e consumidores e na expectativa de vida útil dos transmissores e receptores de TV. Foi, portanto, considerado necessário aumentar a vida útil do sistema de Televisão Digital Terrestre existente, tanto quanto possível, através de uma evolução compatível com versões anteriores (um projeto que chamamos de “TV 2.5”) e iniciar o desenvolvimento da próxima geração de TV Digital Terrestre. Sistema de Televisão (o projeto que chamamos de “TV 3.0”) [tradução nossa].
52 Broadcast é o sistema de transmissão de sons e imagens por meio do rádio ou da televisão.
53 MPEG-H Áudio, E-AC-3 JOC e AC-4.
54 Metadados dinâmicos SL-HDR1 e sinalização HLG de características de transferência preferenciais.
144 todas as Smart TVs, que suportem a conectividade IP, com tela de cristal líquido produzidas na Zona Franca de Manaus, deverão incorporar o perfil D do middleware ginga (DTV Play), conforme definido na Seção 9 da ABNT NBR 15606-1, respeitando o cronograma de evolução gradual ao longo dos anos, conforme pode ser observado abaixo:
TABELA 2 – Cronograma de implementação da DTV Play
FONTE: Portaria Interministerial nº 40, de 24 de julho de 2020
A portaria detalha que os televisores que possuem conectividade IP apenas para troca de dados com servidores ou unidades de gerenciamento de arquivos em redes locais não estão englobados nessa determinação. Outro ponto a destacar é que o ginga perfil D deverá vir instalado, pré-configurado e habilitado de fábrica e que as indústrias deverão garantir o acesso das aplicações interativas aos canais de comunicação.
Outra característica pertinente à TV 2.5 é a integração da programação enviada pelas emissoras de TV com o conteúdo de streaming OTT, acessado pela internet. Além disso, há uma possibilidade de acompanhamento do perfil de consumo do espectador, mesurado de forma única para esses dois “canais”. Deste modo, é possível personalizar a oferta para os consumidores a partir do rastreamento das preferências dos usuários, possível graças ao target advertising. Este recurso permite o direcionamento de comunicações para cada grupo menor de consumidores, de acordo com o seu interesse, possibilitando uma maior granularidade para alcance de público, excelente para os anunciantes.
Pensando que a TV 2.5 possui um formato que temporariamente vingará no Brasil e já mirando em uma transição para a TV 3.0, o Fórum SBTVD (2022) propôs alguns elementos fundamentais para que possa ser formada esse novo modelo televisivo no Brasil. Foi decido pelo grupo de aproximadamente 80 membros que a TV 3.0 contemplará cinco elementos
145 principais: camada física over-the-air, camada de transporte, codificação de vídeo, codificação de áudio e codificação do aplicativo. Suas perspectivas iniciais delineadas pelo fórum estão descritas no documento de chamada para propostas da TV 3.0:
The system considers two complementary delivery methods: over-the-air and Internet. The Internet access physical interface (Broadband Interface) is out of the scope of TV 3.0 system definitions and is assumed to be any bidirectional IP-based broadband access interface. The over-the-air physical layer comprises the unidirectional broadcast modulation/demodulation scheme and the error correction. The transport layer comprises the multiplexing and transport of video, audio, captions, and applications, as well as all the required metadata. Video coding, audio coding, and captions are self-evident. The application coding in TV 3.0 includes, besides the interactivity functions and broadcast-broadband integration, handling the presentation of all audiovisual content. Accessibility and Emergency Warning features and requirements are embedded as sub-components of these system components, as appropriate (FÓRUM SBTVD, 2020, p.7)55.
Segundo a Telesíntese (2022), em entrevista com o coordenador do módulo técnico do Fórum SBTVD, Luiz Fausto, do ponto de vista do usuário, três pontos são importantes na inovação tecnológica desse novo modelo televisivo: qualidade de imagem e som, segmentação geográfica e integração maior por meio da internet.
O novo padrão trará inúmeras melhorias na experiência do telespectador no quesito de mais qualidade de som e imagem, através da tecnologia de vídeo UHD (ultra high definition) e da tecnologia de áudio imersível. Com a TV 3.0, espera-se uma maior qualidade da experiência, de realismo e da sensação de imersão do conteúdo, como pode ser percebido nas imagens a seguir.
55 Trad.: O sistema considera dois métodos de entrega complementares: over-the-air e internet. A interface física de acesso à internet (Interface de Banda Larga) está fora do escopo das definições do sistema TV 3.0 e é considerada qualquer interface de acesso de banda larga baseada em IP bidirecional.
A camada física over-the-air compreende o esquema de modulação/demodulação de transmissão unidirecional e a correção de erros. A camada de transporte compreende a multiplexação e transporte de vídeo, áudio, legendas e aplicativos, bem como todos os metadados necessários. A codificação de vídeo, a codificação de áudio e as legendas são evidentes. A codificação do aplicativo na TV 3.0 inclui, além das funções de interatividade e integração broadcast-banda larga, para todo o conteúdo audiovisual. Os recursos e requisitos de acessibilidade e aviso de emergência são incorporados como subcomponentes desses componentes do sistema, conforme apropriado [tradução nossa].