1.2 DO INQUÉRITO POLICIAL
1.2.6 P ROCEDIMENTO
Durante o procedimento devem ser efetuados o reconhecimento de pessoas e coisas; as acareações; o exame de corpo de delito nos casos em que o crime deixar vestígios; a reconstituição do crime ou reprodução simulada dos fatos, desde que ofenda a ordem pública e os bons costumes.
No tocante ao reconhecimento de pessoas e coisas, CAPEZ96 comenta que durante o procedimento poderá ser realizado o reconhecimento de pessoas ou coisas nos termos dos arts. 226 a 228 do Código de Processo Penal, “devendo-se ressaltar que o reconhecimento fotográfico tem valor probatório, embora relativo”.
Com relação às acareações, as mesmas podem ser realizadas nos termos dos arts. 229 e 230 do Código de Processo Penal, caracterizando-se pelo “confrontamento de depoimentos divergentes entre acusado, testemunhas e ofendido”, podendo-se dar tanto na instrução criminal como no próprio inquérito policial.97
Por sua vez, o exame de corpo de delito nos casos em que o crime deixar vestígios, nos termos dos arts 158 a 184 do Código de Processo Penal, “deverá ser determinada a realização de exame de corpo de delito ou de quaisquer outras perícias que se mostrarem necessárias à elucidação do ocorrido”. Para isso, MIRABETE98 elucida que de acordo o art. 159 do Código de Processo Penal “os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois peritos oficiais, que podem desempenhar suas funções independente de nomeação da autoridade policial ou do juiz”, não prestando, portanto, o compromisso em razão do cargo. Tais peritos serão “requisitados pela autoridade ao diretor da repartição juntando-se ao processo laudo assinado por eles”.
Ressalte-se ainda, que quando não houver peritos oficiais deverá ser obedecido o disposto no art. 159 § 1º do Código de Processo Penal,
96 CAPEZ, Fernando. COLHAGO, Rodrigo. Prática forense penal. p.22.
97 CAPEZ, Fernando. COLHAGO, Rodrigo. Prática forense penal. p.22.
98 MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal. p. 261.
sendo que em casos extremos, conforme Súmula 361 do Supremo Tribunal Federal, o exame pericial deverá ser feito por dois peritos particulares.99
De seu turno a reconstituição do crime ou reprodução simulada dos fatos, deverá ser apurada desde que ofenda a ordem pública e os bons costumes. A respeito disso MIRABETE100 considera:
É ótimo elemento de convicção para o julgado e garantia e serenidade de quem dirige o inquérito, pois, cercado o ato quase sempre de certa publicidade, demonstra a espontaneidade do indiciado. O Indiciado, porém, não está obrigado a participar da reconstituição, ainda que tenha confessado o delito no interrogatório. Se, em termos constitucionais, pode permanecer calado (art. 5º, LXIII, da CF), com muito maior razão não pode estar obrigado a produzir prova contra si mesmo.
Entretanto complementa o referido autor que desde que não contrarie a moralidade ou a ordem pública é possível verificar a possibilidade de haver sido praticada de determinado modo, sendo que para isso a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos. Nesse sentido, de maneira complementar, afirma CAPEZ101:
Embora o inquérito policial seja um procedimento de difícil ritualização, uma vez que não há uma ordem prefixada para a prática dos atos, o art. 6º do Código de Processo Penal indica algumas providências que, de regra, deverão ser tomadas pela autoridade policial para a elucidação do crime e de sua autoria.
[...]
Mais adiante, CAPEZ102 deixa claro que de acordo com o art. 6º, inciso II, III e art. 11 do Código de Processo Penal, deverão os instrumentos e todos os objetos que tiverem nexo com o fato criminoso, após liberados pelos peritos criminais, acompanhar os autos do inquérito e servir de provas para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias, afirmando inclusive que “os instrumentos empregados na prática da infração serão periciados, a fim de se lhes verificar a natureza e eficiência (CPP, art. 175).”
99 MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal. p. 262.
100 MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal. p. 72.
101 CAPEZ, Fernando. COLHAGO, Rodrigo. Prática forense penal. p.21.
102 CAPEZ, Fernando. COLHAGO, Rodrigo. Prática forense penal. p.21.
Segundo CAPEZ, o indiciado103 deve, caso sobre ele for imputada a prática de crime e houver indícios de sua autoria, embora tenha o direito de permanecer calado (inc. LXIII art. 5º Constituição Federal). Se o indiciado for magistrado ou órgão do Ministério Público, o inquérito deve ser encaminhado à autoridade competente. Ao indiciado maior de 18 anos e menor de 21 anos não precisa de curador.104
A identificação criminal não pode ser efetuada quando o indiciado já estiver civilmente identificado (inc. LVIII art. 5º Constituição Federal), salvo se envolvido em organização criminosa (Lei nº 9.034, de 1995), bem como nas hipóteses da Lei nº 10.054/00, em que ele não tiver, não comprovar, houver erro, estiver imprestável ou houver suspeita de falsificação da sua identificação civil, e ainda nos crimes de homicídio doloso, contra o patrimônio com grave ameaça, receptação qualificada e falsidade documental.105
Segundo MIRABETE106, ao final das investigações a autoridade policial deve lavrar um relatório com narração minuciosa e objetiva dos fatos, sem expressar qualquer juízo de valor, cuja peça deve ser remetida ao juiz, que pode determinar inclusive a instauração do incidente de insanidade mental.
Entretanto, de regra o inquérito deve ser encerrado em 30 dias a partir da sua instauração se o indiciado estiver solto e em 10 dias se o indiciado estiver preso.
Assim, preceituam MIRABETE107 e DEMERICAN108 que o inquérito policial somente pode ser arquivado por determinação judicial a requerimento do Ministério Público, quando não houver justa causa. Se o juiz não concordar, deve enviar a peça ao Procurador Geral que pode oferecer a
103 “O indiciado deverá ser interrogado pela autoridade policial, podendo, para tanto, ser conduzido coercitivamente (CPP, art. 206). É importante anotar que o indiciado não é obrigado a responder às perguntas que lhe forem feitas, pois tem assegurado o direito constitucional de permanecer calado (CF, art. 5º, LXIII). Inexiste vício no interrogatório policial realizado sem a presença de defensor constituído para o indiciado, uma vez que a presença de defensor é facultativa nesta fase”. In:CAPEZ, Fernando. COLHAGO, Rodrigo. Prática forense penal. p.23.
104 CAPEZ, Fernando. COLHAGO, Rodrigo. Prática forense penal. p.23-24.
105 MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal. p. 73-74.
106 MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal. p. 80-81.
107 MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal. p. 82-83.
108 DEMERICAN, Pedro Henrique. MALULY, Jorge Assaf. Curso de Processo Penal. p. 130-131.
denúncia, designar outro órgão do Ministério Público que está obrigado a oferecer a denúncia (art. 28 Código de Processo Penal) ou ainda insistir no arquivamento.
O pedido de arquivamento realizado pelo titular da ação penal privada é causa de extinção de punibilidade. Somente pode ser reaberto o procedimento arquivado por falta de provas caso surgirem novas provas.
Desse modo, vistos todos os preceitos da persecutio criminis no Inquérito Policial, é necessário abordar os crimes de competência da Justiça Federal, na qual será o objeto do segundo capítulo.
CAPÍTULO 2
CRIMES DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL
2.1 COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL
Historicamente a competência da Justiça Federal foi fixada pelo ato nº 2 e acrescentada a sua estruturação pela Emenda Constitucional de nº 16 da Carta Magna de 1946, sendo restabelecida desde então, uma vez que de 1891 a 1937, uma vez que a Constituição do Estado Novo a excluiu do ordenamento jurídico pátrio á época.109
Nesse sentido, FERREIRA FILHO110 considera:
A supressão buscava simplificar a máquina judiciária, eliminando- se o inconveniente da multiplicidade de órgãos judiciários. A experiência, porém, não deu bons resultados ressentindo-se com isso a administração da justiça e os cofres estaduais. Viram-se os Estados forçados a manter os juízes e cartórios, em número sempre crescente, para atender a casos de interesse exclusivo da União, como as questões referentes a seus tributos, o que pesava bastante. Por outro lado, a importância e o valor de inúmeras questões de interesse federal não encontravam juízes à altura de certas justiças estaduais, ou, ao menos, não recebiam o tratamento merecido em algumas regiões do País.
Assim, conforme o passar do tempo, e com a promulgação de outras constituições, a questão da competência só pôde ser tratada se há jurisdição o que remonta, ainda, à necessidade da preexistência de um Estado, que é o ente dotado de poder político, sendo que a detenção desse poder político exterioriza-se com a possibilidade da imposição de uma vontade legítima, com o
109 FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 32 ed, rev. e atual.
São Paulo: Saraiva, 2006. p.254. 396 p.
110 FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. p. 254.
objetivo de promover o bem de todos, assim como estipula o artigo 3º, IV, Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que preconiza que
“promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” são é um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil.111
Entretanto, é o tema central deste capitulo conhecer a competência criminal da Justiça Federal. E para isso considerações acerca da jurisdição e competência são relevantes ao tema. Desse modo, inicialmente, seria possível afirmar que a jurisdição penal é o poder dever do Estado que aplica o direito ao caso concreto, substitui a vontade das partes e resolve a causa penal com força definitiva, pois conforme preconiza MIRABETE112, “jurisdição penal é o poder de dirimir o conflito entre a pretensão punitiva e os direitos concernentes à liberdade do indivíduo”.
Assim, diante da jurisdição penal e do poder dever do Estado em aplicar o direito ao caso concerto, preceitua BASTOS113 quanto à estrutura do Poder Judiciário Brasileiro:
A estrutura da justiça brasileira deve ser estudada levando-se em conta dois aspectos: de um lado, em decorrência da forma federal de Estado, a justiça se divide em federal e estadual, de outro, em razão da competência outorgada pela Constituição, temos a justiça comum e a justiça especializada. Tanto a justiça federal quanto a estadual se bipartem em comum e especializada. A esta incumbe a prestação jurisdicional relativa às matérias: militar, eleitoral e trabalhista. A justiça comum é toda aquela remanescente da justiça especializada. Não sendo especializada, é comum.
Desse modo, fornece CAPEZ114 seu conceito de jurisdição definindo:
111 “A repartição de competências é considerada como um dos elementos essenciais do federalismo e sua caracterização efetiva. Não havendo hierarquia entre os entes federativos, e para garantir-lhes a autonomia, as Constituições procedem a uma repartição de competências.
Contudo, é certo que á variações na forme de atribuição de competências quando comparados diversos modelos constitucionais de federação” In: TAVARES, André Ramos. Curso de Direito Constitucional. 3 ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 971. 1208 p.
112 MIRABETE, Julio Fabbrini, Processo Penal. p. 152.
[...] é a função estatal exercida com exclusividade pelo Poder Judiciário, consistente na aplicação de normas da ordem jurídica a um caso concreto, com a conseqüente solução do litígio. É o poder de julgar um caso concreto, de acordo com o ordenamento jurídico, por meio do processo.
De seu turno, DINAMARCO115 preceitua que é "função do Estado, destinada à solução imperativa de conflitos e exercida mediante a atuação da vontade do direito em casos concretos".
Com relação à competência, CARNEIRO116 preceitua que “é a medida da jurisdição, ou, ainda, é a jurisdição na medida em que pode e deve ser exercida pelo juiz”. Corroborando com tal idéia, CAPEZ117 afirma:
competência é a delimitação do poder jurisdicional (fixa os limites dentro dos quais o juiz pode prestar jurisdição). Aponta quais os casos que podem ser julgados pelo órgão do Poder Judiciário. É, portanto, uma verdadeira medida da extensão do poder de julgar.
Especificamente, acerca das competências da Justiça Federal, a fim de elucidar o tema, convém citar o art. 109, I da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que preceitua:
À Justiça Federal compete o processamento e o julgamento das causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, os acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho.
Nesse sentido, considera MIRABETE118 que compete unicamente à Justiça Federal julgar os crimes em que sejam envolvidos bens, serviços ou interesses da União, ou até mesmo de suas entidades autárquicas ou
113 BASTOS, Celso Ribeiro Bastos. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Celso Bastos Editora, 2002. p. 616. 807p.
114 CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 9ª Ed. – São Paulo: Saraiva, 2003, p. 186.
115 DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil – Volume I – 3ª Ed. – São Paulo: Malheiros, 2003, p. 309.
116 CARNEIRO, Athos Gusmão. Jurisdição e Competência – 9ª Ed. – São Paulo: Saraiva, 1999, p. 49.
117 CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 188.
118 MIRABETE, Julio Fabbrini, Processo Penal. p. 154.
empresas públicas, ressalvando que as contravenções serão sempre julgadas pela Justiça Estadual, ainda que haja interesse da União (art. 109, IV, da CF) (Súmula 38 do STJ)”.
Nesse sentido, considera MORAES119:
Aos juízes federais, o art. 109 estabelece competir processar e julgar: as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País; as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional.
BASTOS120, define de igual modo a competência da Justiça Federal comum, abordando inclusive a competência dos tribunais regionais federais:
Justiça federal comum –é exercida em primeiro grau de jurisdição pelos juízes federais. Cada Estado, assim como o Distrito Federal, constituíra uma seção judiciária federal que terá por sede a respectiva Capital (CF, art. 110). A competência da justiça federal comum vem discriminada no art. 109 da Constituição Federal. Em segundo grau de jurisdição a justiça federal comum é exercida pelos Tribunais Regionais Federais, cuja composição e competência estão previstas nos arts. 107 e 108 da Constituição Federal.
Do mesmo modo ressalta FERREIRA FILHO121 que a competência para atuação da Justiça Federal vem discriminada no art. 109 da Constituição da República Federativa do Brasil, considerando inclusive que é atribuída, em primeiro lugar, a competência expressamente elencada no referido dispositivo constitucional (ratione personae)122, e, em segundo lugar a
119 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 17 ed. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2004. 503 p.
863 p.
120 BASTOS, Celso Ribeiro Bastos. Curso de Direito Constitucional. p. 617.
121 FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. p. 254-255.
122 “[...] cabem à justiça federal as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País; as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro
competência discriminada a favor da justiça federal nos casos dos crimes internacionais, crimes contra a organização do trabalho, bem como os cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da justiça militar (ratione materiae).
Assim, a competência da Justiça Comum Federal, em sentido amplo, passou a ser composta pelos Tribunais Regionais Federais e pelos juízos de primeira Instância, que são as Varas Federais. A atribuição da Justiça Federal também tem previsão constitucional a partir do artigo 106 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que a divide em dois órgãos, os tribunais regionais federais e os juízes federais.123
Desse modo, em primeiro grau, os juízes federais atuam nas Seções Judiciárias, sediadas na capital de cada um dos estados da Federação, e, às vezes, em Varas Federais situadas em cidades mais importantes ou populosas desses estados. Vinculam-se a um dos Tribunais Regionais Federais, conforme a região jurisdicional em que a Seção Judiciária ou Vara Federal se insira. Em alguns estados, além da Seção Judiciária existente na capital, foram instaladas Varas Federais em outras cidades, com jurisdição sobre municípios específicos, a fim de interiorizar a atuação da Justiça Federal, facilitando e barateando o acesso do cidadão à justiça, bem como evitando a sobrecarga de processos nas Varas da capital do estado.124
Assim, se em determinado Estado existe apenas a Seção Judiciária localizada em sua capital, todos os processos deverão dar entrada nesta Seção, que tem jurisdição territorial sobre todos os municípios; caso existam Varas Federais em outras cidades do Estado, o lugar em que o
ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País, os mandados de segurança e hábeas data contra autoridade federal, salvo os de competência dos tribunais federais; os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, ressalvada a competência das justiças militar e eleitoral; os hábeas corpus, quando o constrangimento provier de autoridade cuja atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição, etc.” In: FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. p. 255.
123 SCHLICHTING, Arno Melo. Teoria Geral do Processo. 2 ed. V. 2. Concreta, Objetiva, Atual.
Momento Atual: Florianópolis, 2004. p. 77-78. 198p.
124 TOURINHO FILHO, Fernando da Costa., Processo Penal. Vol. 2. 27 ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2005. 89 p. 831 p.
interessado deverá ingressar em juízo dependerá de a qual Vara ou Seção encontre-se vinculado o município em que tenha ocorrido a lesão a seu direito, o que se denomina prorrogação de jurisdição.125
Por fim, no topo da Justiça Comum, Federal e Estadual, resta o Superior Tribunal de Justiça, com função de guardar a lei federal e com a competência que lhe é atribuída pela Carta Magna.126
Assim, no tocante à competência em razão da matéria, aborda SCHILITING127:
Em razão da matéria, compete à Justiça Federal os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, de entidade autárquica ou de empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvadas a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral e outras ações identificadas nos incisos do art. 109 da Constituição Federal.
Nesse sentido aborda FERREIRA FILHO128 a competência será originária dos tribunais (ratione materiae) quando se tratar de foro por prerrogativa de função. A justiça especializada, por sua vez, compõe-se de três ramos: justiça do trabalho, justiça eleitoral e justiça militar, todas com competências dispostas na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, respectivamente, nos artigos 111 e seguintes, 118 e seguintes e 122 e seguintes, entretanto,estes não são objeto do presente estudo, servindo apenas de embasamento para o presente estudo.
125 “Há algum tempo, as Varas Federais ficavam sediadas nas Capitais dos Respectivos Estados (com exceção daquelas criadas no interior de alguns estados). Atualmente foram criadas Varas Federais em várias comarcas em quase todos os nossos Estados, exceto em Tocantins, Amapá, Acre e Roraima. Nesses, os Juízes Federais ficam sediados nas Capitais, com jurisdição em todo o território estadual. Nos demais, houve enorme interiorização da Justiça Federal, de sorte que o Juiz Federal de determinada comarca exerce o seu poder jurisdicional sobre outras que lhe estejam próximas.” In: TOURINHO FILHO, Fernando da Costa., Processo Penal. 89 p.
126 Art. 105 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
127 SCHLICHTING, Arno Melo. Teoria Geral do Processo. 2 ed. V. 2. Concreta, Objetiva, Atual.
Momento Atual: Florianópolis, 2004. p. 77. 198p.
128 FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 32 ed, rev. e atual.
São Paulo: Saraiva, 2006. p.254. 396 p.
Com relação às competências ratione materiae e ratione personae atribuídas à Justiça Federal no art. 109 inciso I da Constituição da República Federativa do Brasil, preconiza BASTOS129:
O preceito adota o critério ratione personae para atribuir à Justiça Federal a competência para processar e julgar as causas em que a União tiver interesse e nessa condição figurar como autora, ré asistente ou oponente no processo. O mesmo se diga das autarquias federais e das empresas públicas federais. A competência ratione personae é de ordem absoluta, e portanto, não pode ser modificada.
De maneira a corroborar com tais considerações acerca dos crimes propriamente ditos em que existe a competência da Justiça Federal, expõe MORAES130:
[...] os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça eleitoral; os crimes previstos em tratado ou convenção internacional quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; [...] os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais; os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves; ressalvada a competência da Justiça Militar; os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o exequatur, e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização e a disputa sobre direitos indígenas.
Nesse sentido considera BASTOS131 acerca dos crimes políticos, de acordo com art. 109 , inciso IV da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988:
129 BASTOS, Celso Ribeiro. MARTINS, Ives Gandra. Comentários à Constituição do Brasil:
promulgada em 5 de outubro de 1988.Volume 4. Tomo III. São Paulo: Saraiva: 1997. p. 333. 526 p.
130 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 17 ed. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2004. 503 p.
863 p.
131 BASTOS, Celso Ribeiro. MARTINS, Ives Gandra. Comentários à Constituição do Brasil:
promulgada em 5 de outubro de 1988. p. 343.