• Nenhum resultado encontrado

Parâmetros Indicadores de Qualidade de Águas e Efluentes

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 34-37)

A DQO demanda química de oxigênio dissolvido, é a medida da quantidade de oxigênio, necessária para oxidar quimicamente a matéria orgânica contida em uma amostra. Existem vários elementos que podem contaminar ou poluir um corpo de água, sendo a matéria orgânica uma composição desses elementos e dependendo da concentração desta, a qualidade do corpo de água é seriamente afetada. Alguns parâmetros como DBO e DQO, por exemplo, estimam essa quantidade de matéria orgânica em uma amostra de água/efluente sendo amplamente utilizados para tal finalidade. Quando acima de determinados valores, indicam que ocorrera um alto consumo de oxigênio dissolvido realizado por bactérias em sua respiração e síntese, para estabilização da matéria orgânica.

Em consequência desse fato o oxigênio dissolvido acaba ficando com uma baixa concentração no meio, afetando toda cadeia de organismos, ocasionando uma série de problemas do ponto de vista ambiental, sendo o tratamento de efluentes muitas vezes a única forma de controle desse tipo de poluição (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).

2.3.2 Sólidos Totais

Sistemas de tratamento de efluentes se baseiam na transformação de diversos poluentes, dissolvidos ou em suspensão, em outras formas de estado como sólidos sedimentáveis, possibilitando maior facilidade de remoção desses. Ou seja, pode-se realizar um balanço de massa, utilizando a Lei de Lavoisier sobre a conservação da matéria, por meio da diferença do parâmetro sólidos totais, pois se este parâmetro tem seu valor reduzido, significa que uma quantidade de elementos foi removida (poluentes, partículas, microrganismos).

O efluente possui determinada carga orgânica e inorgânica, essa é removida por algum método e tem-se o subproduto (lodo). A parte clarificada passa teoricamente a ter menor carga poluidora de matéria orgânica e inorgânica. Para conhecimento dessa carga em um efluente, em termos de sólidos, pode-se utilizar o parâmetro sólidos totais. Este engloba os demais parâmetros como sólidos dissolvidos, sólidos dissolvidos fixos e voláteis, sólidos em suspensão, sólidos em suspensão fixos e voláteis, onde a diferença entre ambos está baseada no tamanho, mais precisamente o diâmetro de cada partícula, e a soma de todos

os sólidos resulta no valor de sólidos totais (GIORDANO, 2013), conforme exemplifica a figura 8.

Figura 8- Fracionamento de sólidos, e respectivas divisões em função características físicas e químicas.

Fonte: (GIORDANO, 2013).

A retirada de sólidos de um determinado efluente implica na retirada de poluição, logo esse parâmetro pode ser utilizado como um indicador de tratabilidade como salientado.

2.3.3 Temperatura

A resolução 430/2011 do CONAMA estabelece que a temperatura de efluentes tratados, deve ser inferior a 40 °C para lançamento em corpos de água receptores, sendo que na zona de mistura do corpo de água, a temperatura não deve exceder três °C acima deste valor base. Deve-se levar em consideração que o lixiviado é passível de temperaturas elevadas, ou pelo menos acima da temperatura média normal do ar, por exemplo, pois em sua decomposição e tratamento ocorre liberação de energia na forma de calor devido a atividades microbianas.

A restrição da legislação em relação à temperatura do efluente, devidamente deve ser controlada, pois esse parâmetro influencia diretamente a velocidade das reações químicas, físicas e biológicas, a dissolução de certas substâncias e também o metabolismo de

diversos organismos (ESTEVES, 1998). Nesse sentido a temperatura torna-se um importante parâmetro a ser controlado e medido no estudo.

2.3.4 Turbidez

A turbidez de uma amostra de água ou efluente pode ser entendida como a quantidade de materiais em suspensão, finamente divididos, podendo estar em estado coloidal, ou ainda, ser a soma dessas partículas com microrganismos microscópicos (BRAGA et al., 2005).

Esse parâmetro também se caracteriza como um indicador da qualidade atual do efluente, podendo ser usado para verificação da possível eficiência que uma determinada forma de tratamento proporcionou a um efluente, demonstrando o quanto foi removido, em termos de materiais em suspensão. Um exemplo de uso amplo da turbidez como parâmetro operacional, além de indicador de qualidade, é o das estações de tratamento de água, que controlam a dosagem do coagulante em função da turbidez da água bruta aduzida para estação, pois como já mencionado, esse parâmetro indica a presença de materiais coloidais suspensos e até microrganismos, e fornece um resultado de redução destes materiais sem nenhum tipo de análise mais complexa. Nos dias chuvosos, a água do manancial normalmente apresenta uma turbidez mais elevada, e por meio de correlação (coagulante - turbidez) ou teste de bancada (jar-test) rapidamente a dosagem é ajustada.

2.3.5 pH

A resolução CONAMA 430/2011determina parâmetros de lançamento de efluentes, sendo um desses o pH, que deve ficar na faixa compreendida entre 5 e 9. Para neutralizar o pH que dá característica ácida ou básica a uma água ou efluente, podem ser utilizados vários produtos como, por exemplo, cal (Ca(OH)2, hidróxido de cálcio) para alcalinização, e ácido sulfúrico para acidificação do meio. O pH influi diretamente em uma série de reações físicas, químicas e biológicas, que ocorrem de forma natural ou controlada, como as reações físicas e químicas nas estações de tratamento de água. Uma variação do pH pode propiciar, por exemplo, a precipitação de determinados metais pesados, pode também, exercer influência sobre a solubilidade de nutrientes, sendo estes alguns exemplos da vasta importância que o parâmetro possui para o tratamento e controle de efluentes (CETESB, 2009). Levando em consideração o estudo pretendido, onde um determinado pH ideal deve ser encontrado, para obtenção de maior eficiência nos processos químicos e físicos do tratamento, nem sempre este pH ideal poderá corresponder ao que exige a legislação, e obviamente, antes do efluente ser lançado no corpo receptor, este deve ter seu valor ajustado, caso fora dos valores ideais, para valores condizentes com a faixa que a legislação específica exige.

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali (páginas 34-37)