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PERFIL DOS SUJEITOS E AMOSTRA DA PESQUISA

No documento raimundo nonato bacha lopes (páginas 178-193)

SUMÁRIO

CAPÍTULO 4 OLHAR DOS EGRESSOS DO SENAI/CAMETÁ

4.1 ENTREVISTAS

4.1.1 PERFIL DOS SUJEITOS E AMOSTRA DA PESQUISA

A pesquisa contou com informações de alunos egressos que estudaram no SENAI, nos anos de 1981, 1982 e 1983. Os sujeitos selecionados tiveram formação profissional e o perfil de cada um(a) caracteriza a tabela abaixo, de cada entrevistado(a) que realizou experiência formativa na educação.

TABELA 1: PERFIL DOS SUJEITOS SELECIONADOS

Nomes Idade Sexo Estado Civil Filhos Naturalidade Ocupação

ARIOSVALDA 51 anos Feminino Casada 2 Paraense Professora

ARIOSVALDO 53 anos Masculino Casado 3 Paraense Empresário

DMITRYUS 54 anos Masculino Casado 3 Paraense Professor

EDSON 53 anos Masculino Casado 5 Paraense Professor

RIVALDO 53 anos Masculino Casado 5 Paraense Professor

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

FOTO 26: FORMANDOS DO CURSO DE HABILITAÇÃO BÁSICA EM AGROPECUÁRIA (1986).

Nota: Fotografia para o Convite da Formatura do Curso de Habilitação Básica em Agropecuária.

Fonte: SENAI-CIEP-Cametá (1986).

A identificação dos entrevistados foi interessante para nós, pesquisadores, porque nos remete ao lugar de origem, bem como sua idade, relação familiar e profissional, pois, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Cametá surgiu em um contexto em que esses sujeitos eram jovens e tinham uma ampla visão de mundo do trabalho, com perspectivas para o futuro, onde havia os ideais efervescentes de transformações no campo político e, principalmente, no setor produtivo econômico, tal qual influenciou na formação do SENAI.

Germano (1994, p. 105) contextualiza o período da Ditadura Civil-Militar de 1964 e aponta que a ―[...] mudança na educação, pautava-se para o desenvolvimento de cunho liberal com base na Teoria do Capital Humano‖. Os entrevistados se alinhavam a esta concepção de formação, ensino-aprendizagem, despertando para os indivíduos os interesses pelos cursos profissionalizantes, na década de 1980, procurados e com grande demanda nas diferentes regiões do território brasileiro.

O período dos anos de 1975 a 1985 compreende, no município de Cametá, a disputa do poder político, tendo como uma das lideranças o ex-deputado Gerson dos Santos Peres, que, através de suas intermediações políticas, conseguiu implantar o SENAI/Cametá, pois, na sua idealização, convergiria para desenvolver a região do Baixo Tocantins.

Os entrevistados estudaram entre 1981 e 1983, como são demonstrados abaixo:

TABELA 2: CURSOS DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA PROFISSIONALIZANTE EM CONTABILIDADE

ARIOSVALDO PROFISSIONALIZANTE EM MECÂNICA DE AUTOS

DMITRYUS PROFISSIONALIZANTE EM AGROPECUÁRIA

EDSON PROFISSIONALIZANTE EM CONTABILIDADE

RIVALDO PROFISSIONALIZANTE EM CONTABILIDADE

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

O SENAI/Cametá, no período de sua implantação, tinha os seguintes cursos de habilitação: Curso de Auxiliar Técnico em Eletricidade Geral; Curso de Auxiliar Técnico em Mecânica Geral; Curso de Auxiliar Técnico em Mecânica de Autos; Curso de Técnico em Contabilidade; Curso de Habilitação Básica em Agropecuária e Curso de aprofundamento em Educação Geral.

Diante do perfil de cada entrevistado(a) e dos cursos profissionalizantes do SENAI/

Cametá, podemos destacar, para o recorte temporal, a predominância do profissional em Contabilidade, isso desponta, para nós, pesquisadores, que, para o momento, estava chegando em Cametá, nos anos de 1980 e 1990, as instituições bancárias: Banco da Amazônia (Basa), Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Banpará, então, necessariamente, precisavam-se de mão de obra qualificada para exercer funções diversas nos bancos, que, de certa forma, levou os jovens da época à procura do curso de contabilidade.

Cunha (2000, p. 31) dialoga sobre a ―aprendizagem dos ofícios‖ e dentro de uma

―[...] linha temporal analisa que a educação profissional, veio ganhando peso significativamente na medida, em que o setor econômico, tornou-se produtivo no mercado de trabalho‖. A educação profissional, mediada por estratégias do poder político, interessava à classe dominante. O ensino profissionalizante teve sua expansão no Brasil, chegou à Amazônia, na capital Belém do Pará, e depois veio para Cametá, influenciada pelos ideais de progresso e desenvolvimento. Pará e Vianna (2017) nos ajudam a compreender a lógica empresarial e as necessidades de diferentes cursos profissionais, para atender às demandas de trabalho no quadro produtivo da economia.

Entre os entrevistados, um cursou mecânica de autos, já que o município de Cametá, naquele momento, necessitava, pois, havia atividades para a mecânica, embora, no início, as práticas e experiências tivessem importância, mas, depois, foi sendo perceptível, de que a teoria tinha fundamento na relação de trabalho. Por isso, os jovens procuravam o SENAI para estudar e adquirir formação e concorrer no mercado de trabalho, como também à procura de emprego.

Quanto à agropecuária, a vocação de Cametá não era tão boa para essa atividade. No entanto, muitos procuravam cursos profissionais, à época, no SENAI, por ser a única instituição de ensino público que existia na cidade de Cametá, porém, um ―[...] índice de evasão escolar, ocasionado, vai de regra, pela necessidade que os alunos tinham de trabalhar para ajudar no orçamento da família‖ (CARVALHO, 1998a, p. 37).

FOTO 27: TURMA DO 3º ANO DO CURSO DE AUXILIAR TÉCNICO EM: ELETRICIDADE GERAL, MECÂNICA GERAL & MECÂNICA DE AUTOMÓVEL.

Fonte: SENAI-CIEP-Cametá (1986).

A educação profissional do SENAI/Cametá, embora houvesse concorrência, no intuito de se conseguir uma vaga para estudar, o ideal era almejar a conquista do mercado de trabalho, mesmo com as contradições, pois, havia cursos oferecidos na formação, cuja atividade era inexistente para absorver mão de obra, além da desistência de alunos, por motivos de saírem de Cametá, deixar a escola e ir à procura de serviços em outros municípios vizinhos da região.

Quanto à situação financeira, antes do curso SENAI:

TABELA 3: SITUAÇÃO FINANCEIRA DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA NENHUMA RENDA

ARIOSVALDO NENHUMA RENDA

DMITRYUS NENHUMA RENDA

EDSON NENHUMA RENDA

RIVALDO NENHUMA RENDA

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Deduzimos que os sujeitos da pesquisa, não possuíam renda antes do curso do SENAI, isso evidenciou-se para os jovens à busca de formação, como um dos requisitos para atuar nas atividades produtivas do trabalho. Cametá vivia, nesse contexto, a falta de atividades empregatícias, ou seja, a economia, segundo Carvalho (1998a), tinha e continua tendo como base o extrativismo. Sousa (2002) também explica que muitas famílias se mantinham da pesca, da agricultura e da extração de recursos retirados da natureza.

FOTO 28: FORMANDOS DO CURSO DE AUXILIAR TÉCNICO EM CONTABILIDADE (1986).

Nota: Fotografia para o Convite de formatura do Curso de Auxiliar Técnico em Contabilidade.

Fonte: SENAI-CIEP-Cametá (1986).

A foto acima representa a formatura de uma das primeiras turmas do SENAI/Cametá, na década de 1980, desse modo o surgimento do SENAI, como instituição de ensino profissionalizante, a educação chegou em Cametá como promessa de transformar as realidades históricas e sociais, não somente do município, como também de toda a região do Baixo Tocantins. A questão da renda foi perseguida por um ideal de formar o homem com competência para o exercício prático, em uma época que a pedagogia como ciência desenvolvia tarefas de ensino-aprendizado voltadas para capacitar as habilidades humanas, para servirem aos interesses dos empresários donos do capital.

Quanto à renda familiar mensal, podemos considerar que os entrevistados responderam o seguinte:

TABELA 4: RENDA FAMILIAR MENSAL DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA 1 A 3 SALÁRIOS MÍNIMOS

ARIOSVALDO 1 A 3 SALÁRIOS MÍNIMOS

DMITRYUS 1 A 3 SALÁRIOS MÍNIMOS

EDSON 1 A 3 SALÁRIOS MÍNIMOS

RIVALDO 1 A 3 SALÁRIOS MÍNIMOS

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Analisando a questão da renda familiar, compreendemos que havia uma equiparação de igualdade salarial comum, entre os sujeitos da pesquisa, pois todos eram filhos de professores, trabalhadores autônomos e de iniciativa privada. A Teoria do Capital Humano, segundo Frigotto (1984), com perspectiva tecnicista, tinha no seu plano os investimentos na educação do indivíduo, como uma das estratégias para a formação humana. O homem poderia ser retribuído muito, na medida em que investisse nele próprio, como garantia de aumentar a rentabilidade.

FOTO 29: TURMA DO 3º ANO DO CURSO DE AUXILIAR TÉCNICO EM MECÂNICA GERAL &

MECÂNICA DE AUTOMÓVEL (1986).

Fonte: SENAI-CIEP-Cametá(1986).

O SENAI, no dizer de Moraes (1998), trouxe uma concepção de educação que baseava seus conhecimentos, como produtos que poderiam ser comercializados, ou seja, vendidos por bons preços. Shultz (1973), em sua análise, demonstra que o capitalismo trata o

―[...] conhecimento como força produtiva no mercado‖, pois os processos formativos seguiam uma lógica de educação como capital humano, voltado para a preparação de uma mão de obra produtiva, que, ao conceber determinados conhecimentos, o indivíduo esperaria o respectivo resultado. O SENAI de Cametá trouxe para os jovens essa esperança de formar para o mercado, permitindo o acesso ao saber, para definir seu profissionalismo, ou seja, sua prática social de trabalho.

Quanto à origem da renda, os entrevistados apontaram a caracterização:

TABELA 5: ORIGEM DA RENDA DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA SALÁRIO

ARIOSVALDO SALÁRIO

DMITRYUS SALÁRIO

EDSON SALÁRIO

RIVALDO APOSENTADORIA

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Os estudantes do SENAI/Cametá mantinham suas despesas por meio de seus pais, como comentado anteriormente. Eram filhos de funcionários públicos municipais ou estaduais, o caso de Rivaldo seu pai já era aposentado. Contudo, as influências da educação profissional, levaram os jovens a optarem pelos cursos oferecidos, visando a formar-se com o intuito de encontrar o primeiro emprego. O processo de ensino-aprendizagem desenvolvido pelo SENAI caracterizou-se por uma pedagogia das competências, à qual Neves (2005) dialoga como alinhada ―[...] ao conhecimento pragmático e técnico‖, com formação específica, atendendo à lógica distinta do capital.

A questão salarial tem influência a partir da educação escolar, uma vez que nela os indivíduos pensam e visualizam perspectivas para o futuro, sempre objetivando alcançar resultados satisfatórios. Aranha (1996) dialoga sobre o tecnicismo, corrente pedagógica, que, segundo a autora, teve sua origem na filosofia positivista.

A ciência, por meio da produção do conhecimento científico, ―[...] daria conta de responder e transformar‖ as realidades sociais humanas, intervindo por meio de ações. A educação profissional do SENAI buscou, em seus pressupostos, pensar um tipo de formação específica para o homem, apontando a preparação para desenvolver atividades laborais e o salário acompanhou essa lógica, que passará pelo campo da educação profissional.

De modo geral, qual a situação de trabalho, antes do curso? Havia ocupação? Os informantes respondem:

TABELA 6: SITUAÇÃO ANTERIOR DE TRABALHO DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA NUNCA TRABALHOU

ARIOSVALDO NUNCA TRABALHOU

DMITRYUS BUSCAVA O 1º EMPREGO

EDSON NUNCA TRABALHOU, BUSCAVA O 1º EMPREGO

RIVALDO NUNCA TRABALHOU

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Quando indagado sobre trabalho antes da formação do SENAI, os entrevistados relataram que, além de nunca terem trabalhado, buscavam o seu primeiro emprego, após os estudos, evidentemente que o sentimento e a percepção que temos desta amostra é que a educação profissional oferecida pelo SENAI estimulou os educandos a pensarem positivo, mesmo aquele(a) que nunca trabalhou, pois, Ramos (2005) destaca, em sua interpretação, que o Estado será um ―articulador‖, que fomentará a educação profissionalizante no ensino público, forma esta de incentivar os sujeitos a buscarem estratégias para qualificar profissionalmente e ter a esperança de encontrar emprego salarial e melhorar de condições de vida.

A valorização da educação escolar do SENAI/Cametá criou para os jovens perspectivas esperançosas de ingresso no mercado de trabalho, o pensamento girava em torno apenas em absorver experiências, definir os conhecimentos e técnicas para enquadrar-se no sistema produtivo capitalista. Araújo (2011) traz, para nós, a ideia de pedagogia das competências, como também Neves (2005) que, grosso modo, consistia na prática de ensino- aprendizagem, que a objetivava preparar o indivíduo, para o exercício de atividades práticas ou pragmatismo como são denominadas.

Sobre os cursos do SENAI: Aprendizagem Industrial. Quais os principais interesses que levou você a fazer o curso? Os entrevistados respondem:

TABELA 7: PRINCIPAIS INTERESSES DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

ARIOSVALDO QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

DMITRYUS QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

EDSON QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

RIVALDO QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Compreendemos que os interesses dos entrevistados que os levaram à realização do curso do SENAI/Cametá estavam na concretização da qualificação profissional, como um dos requisitos da lógica do mercado capitalista. Para Oliveira (2003), ―[...] ajustar os cursos para habilitar pessoas na aquisição dos conhecimentos, deveria ser um passo importante a partir da flexibilidade da instituição de ensino, com a organização de conteúdos teórico-prático‖, visando consolidar determinado tipo de formação educacional, para atender aos grandes empreendimentos do capital, deixando de lado o ensino de caráter humanístico, pensado dentro de uma integração de conhecimentos para manifestar a arte, a história e a cultura.

A racionalidade, a objetividade e a eficiência, segundo Aranha (1996), seriam propostas ideais para a qualificação profissional, o que, de certo modo, os entrevistados tiveram opção naquele momento, por ser um contexto histórico e social importante, onde a expansão do capitalismo está ocorrendo, isso permitiu a oferta de um tipo de ensino que foge ao padrão pensado de modo humanístico.

Assim, perguntado aos sujeitos entrevistados sobre o que esperavam conseguir com essa ação, eles enfatizaram o seguinte:

TABELA 8: PERSPECTIVAS DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA TER UMA PROFISSÃO (OCUPAÇÃO/FORMAÇÃO)

ARIOSVALDO TER UMA PROFISSÃO (OCUPAÇÃO/FORMAÇÃO)

DMITRYUS TER UMA PROFISSÃO (OCUPAÇÃO/FORMAÇÃO)

EDSON TER UMA PROFISSÃO (OCUPAÇÃO/FORMAÇÃO)

RIVALDO TER UMA PROFISSÃO (OCUPAÇÃO/FORMAÇÃO)

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

O caráter educacional do SENAI/Cametá levou os jovens a identificarem como uma oportunidade para conseguirem uma profissão/ocupação no mercado de trabalho. Moraes (1998) ajuda a compreender quando aponta as ―[...] transformações sócio-econômicas e educacionais‖ do território brasileiro, como uma das mobilizações do sistema capitalista, que se expandiu e necessitou adequar os profissionais em seus respectivos espaços de trabalho, dando-lhes assim, estratégias para serem eficientes nos exercícios de suas atividades laborais.

FOTO 30: TURMA DO 3º ANO DO CURSO DE AUXILIAR TÉCNICO EM MECÂNICA GERAL (1986).

Fonte: SENAI-CIEP-Cametá (1986).

Frigotto (1994) também, ao tratar da Teoria do Capital Humano, lembra, para nós, pesquisadores, que a ―[...] perspectiva tecnicista oferecia um modelo metodológico adequado‖

para a formação profissional, mediada pelo estímulo de investimento na educação do próprio homem, como capital, também evidenciam-se os procedimentos teórico-metodológicos e técnicos, com fundamentos do ensino profissionalizante. O SENAI/Cametá despertou interesse nos estudantes, correlacionados com fatores externos das políticas de educação, que chegou através de político correligionário.

Em relação à situação financeira, a sua renda mensal modificou após o curso? Para os informantes:

TABELA 9: PERGUNTA SOBRE RENDA DOS SUJEITOS SELECIONADOS APÓS O CURSO

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA SIM

ARIOSVALDO SIM

DMITRYUS SIM

EDSON SIM

RIVALDO NÃO

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

No universo de sujeito informantes, dos cinco, apenas um diz não ter modificado, enquanto os outros quatro disseram que sim. O município de Cametá sempre apresentou situações desfavoráveis para absorver mão de obra, para as atividades de trabalho, pois, sua economia, segundo Sousa (2002) e Carvalho (1998a), tem o extrativismo retirado da natureza, com a chegada do SENAI, e os ideais de desenvolvimento para toda a região Tocantina, muitos jovens, entre estes os entrevistados, acreditavam nas possibilidades de se formar e de se tornar um profissional para desempenhar funções diversas no mundo do trabalho.

De acordo com Germano (1999), do qual faço reflexão do seu pensamento, a ―[...]

propaganda da educação e sua valorização se caracterizou por incentivo do Estado militarizado, como uma das estratégias para desenvolver a nação‖. No entanto, estudar e ter uma formação de conhecimento educacional tinha mudança no que diz respeito à questão financeira, o exemplo disso está na entrevista de Rivaldo, aluno do SENAI/Cametá.

Quanto ao nível de renda atual, os entrevistados dizem ser:

TABELA 10: NÍVEL DE RENDA ATUAL DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA TRÊS A CINCO SALÁRIOS MÍNIMOS

ARIOSVALDO MAIS DE CINCO SALÁRIOS MÍNIMOS

DMITRYUS TRÊS A CINCO SALÁRIOS MÍNIMOS

EDSON MAIS DE CINCO SALÁRIOS MÍNIMOS

RIVALDO MAIS DE CINCO SALÁRIOS MÍNIMOS

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Pelo perfil estabelecido dos sujeitos, podemos observar que, para o contexto atual do nosso tempo, a questão da renda melhorou, pois, foram para as universidades e institutos, adquiriram formação superior, têm titularidade, e isso permitiu, então, que seus salários chegassem a esse patamar. Se observarmos, veremos que a presença da Teoria do Capital Humano, de Schultz (1973) está tão autêntica pela sua reformulação e ressignificação dos conhecimentos, pois os indivíduos investem em educação, porque ela reacende a esperança de melhorar de nível de vida e salário.

FOTO 31: FORMANDOS DO CURSO DE AUXILIAR TÉCNICO EM: ELETRICIDADE GERAL, MECÂNICA GERAL & MECÂNICA DE AUTOMÓVEL (1986).

Nota: Fotografia para o Convite de formatura do Curso de Auxiliar Técnico em: Eletricidade Geral; Mecânica Geral & Mecânica de Automóvel.

Fonte: SENAI-CIEP-Cametá (1986).

Araújo e Rodrigues (2011), ao tratar da educação profissional, caracterizam que haviam disputas entre o caráter formativo, ou seja, aquela que educava para conformar o espírito do homem, apenas recebendo informações das realidades sociais sem questionar ou problematizar as suas condições de vida e a outra formação de crítica com proposição para transformar as relações históricas humanas. No mundo do capital, o trabalho redimiu-se com a educação, formando para o exercício de atividades produtivas, a busca da corrida por emprego e salário.

Questionados sobre qual o nível de satisfação com o término do curso, os informantes relataram:

TABELA 11: NÍVEL DE SATISFAÇÃO COM O TÉRMINO DO CURSO DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA BOM

ARIOSVALDO EXCELENTE

DMITRYUS BOM

EDSON BOM

RIVALDO BOM

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Ariosvaldo disse que foi excelente, os demais atribuíram o conceito bom. Sabemos que a formação do SENAI tinha uma organização, objetivos, metas e sistematização, com base na pedagogia tecnicista, por isso, vemos a fragmentação e superficialidade dos processos formativos das práticas de ensino-aprendizagem. Aranha (1996) contribui com a nossa discussão de análise, pois a visão do cientificismo do conhecimento se funda na crença da ciência e despreza as outras dimensões formadoras da aquisição do saber.

Compreendemos que os conceitos atribuídos pelos entrevistados, para o período de 1981-1983, tinha validade e era muito importante para os educandos conseguirem uma profissão como hoje, é inevitável identificar que a educação seja dinâmica e sofre mudanças de acordo com as necessidades da sociedade, mediada pelo capital, seu endereçamento ocorre e projeta o homem para servir de mão de obra no mercado.

Como você vê sua formação teórico-prática, satisfaz suas necessidades atuais? E as teorias, foram importantes para a sua formação? Os relatos abaixo evidenciam:

TABELA 12: A PERSPECTIVA DOS SUJEITOS SELECIONADOS SOBRE A IMPORTÂNCIA DA TEORIA NA FORMAÇÃO

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA EM PARTE

ARIOSVALDO SIM

DMITRYUS SIM

EDSON SIM

RIVALDO SIM

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Quanto à questão teórica e prática do curso de formação, a maioria disse estar satisfeita, porém, apenas um disse ser ―em parte‖, uma vez que a educação escolar, dentro de sua organização e objetivos, buscou desenvolver atividades inerentes às necessidades dos educandos. Contudo, a base pedagógica e metodológica fundem-se para convergir um determinado tipo de homem, que, segundo Cunha (2000), concentra-se na ―[...]

individualidade para ensinar determinado assunto‖. Com isso, veremos que as epistemologias teóricas são variantes, no que diz respeito à própria formação educacional do indivíduo. A integração social na organização e condições de trabalho.

As relações interpessoais e profissionais mudaram após os cursos? Os informantes respondem:

TABELA 13: A PERSPECTIVA DOS SUJEITOS SELECIONADOS SOBRE RELAÇÕES INTERPESSOAIS E PROFISSIONAIS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA SIM

ARIOSVALDO SIM

DMITRYUS SIM

EDSON SIM

RIVALDO NÃO

Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Do ponto de vista dos relatados, apenas um disse que não houve mudanças interpessoais, após os cursos, já os quatros disseram que sim. Analisando os aspectos formativos da integração curricular, veremos que parte do que foi ensinado pouco ou quase nada tem a ver com relações humanas, pois, os cursos profissionalizantes, tinham e têm caráter ―tecnicista e pragmático‖ (ARANHA, 1996, p. 176), logo formarão grande parte das pessoas, sem a sensibilidade afetiva humanista e transformadora.

A integração social, segundo Freire (1996), caminha dentro do contexto de relações de subjetividade individuais compartilhadas com o coletivo. Assim, a educação, como processo de emancipação política, desenvolve no homem aspectos emocionais, afetivos, humanista e democrático.

Desse modo, podemos compreender o alicerce da formação do ensino-aprendizagem.

Sobre o aproveitamento do curso, as informações caracterizam:

TABELA 14: SOBRE O APROVEITAMENTO DOS CURSOS POR PARTE DOS SUJEITOS SELECIONADOS

NOME RESPOSTA

ARIOSVALDA APRESENTOU NOVIDADES QUE PERMITIRAM MELHORAR MINHA

FORMAÇÃO

ARIOSVALDO APRESENTOU NOVIDADES QUE PERMITIRAM MELHORAR MINHA

FORMAÇÃO

DMITRYUS APRESENTOU NOVIDADES QUE PERMITIRAM MELHORAR MINHA

FORMAÇÃO EDSON

APRESENTOU NOVIDADES QUE PERMITIRAM MELHORAR MINHA FORMAÇÃO E O QUE ENSINARAM SE APLICA DIRETAMENTE AOS MEUS INTERESSES DE TRABALHO

RIVALDO APRESENTOU NOVIDADES QUE PERMITIRAM MELHORAR MINHA

FORMAÇÃO Fonte: Elaborado pelo autor do trabalho.

Para o recorte temporal investigado, a educação profissional tinha determinado valor e um dos grandes avanços para o município de Cametá foi justamente proporcionar formação específica, apresentando novidades para os jovens que estudaram, elevando, assim, o nível de

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