4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Neste capítulo da dissertação é apresentada a interpretação dos dados, coletados por meio da pesquisa documental e das entrevistas semiestruturadas,visando responder à pergunta de pesquisa. Os procedimentos da coleta de dados seguiram o percurso metodológico indicado no capítulo anterior.
política de inclusão na Rede de Educação Profissional e Tecnológica4 se aprofundou no tema Inclusão Social através do “Seminário Expansão e Democratização”, ocorrido em junho de 2007, no qual foram debatidas as formas de acesso à Rede de Educação Profissional e Tecnológica.
Com a transformação do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina (CEFET-SC) em Instituto Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (IFET), por força da Lei n. 11.892, de 29 de dezembro de 2008 (BRASIL, 2008), segundoBonassa (2010, p. 88), “as ações de inclusão tomam corpo e têm maior estímulo do governo federal para que se transformem em política institucional”. Assim, amplia-se a formulação de propostas de inclusão social, favorecendo a melhoria das condições de vida de grupos em vulnerabilidade social.
Em 2009, foram publicados, e adotados pela instituição três documentos importantes:
o Plano Pedagógico Institucional (PPI)5; o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI6); e o Plano de Inclusão 2009-2013, este último, atrelado aos outros dois,“subsidiou a construção das ideias de inclusão contidas no PPI, e este, por sua vez, é um dos itens obrigatórios no PDI” (BONASSA, 2010, p.91).
O Plano de Inclusão, aprovado e publicado em abril de 2009, foi elaborado a partir de estudos realizados por grupos de trabalho institucionais (grupo de trabalho Ações Afirmativas e grupo de trabalho Permanência e Êxito); representantes de Núcleos de Atendimento a Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais (substituído por NAE), e servidores que possuíam interesse pela temática.Este grupo de trabalho (GT) se embasou na seguinte definição de Ações Afirmativas:
4 Fazem parte da Rede Federal de EPCT os 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia criados pela Lei n. 11.892/2008, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, dois Centros Federais de Educação Tecnológica, diversas Escolas Técnicas vinculadas às Universidades Federais e o Colégio Pedro II (BRASIL, 2008b).
5 O Projeto Pedagógico Institucional (PPI) apresenta concepções, princípios e diretrizes que constituem balizas para a atuação do IFSC, indicando os valores, as intenções, as ações e as prioridades da Instituição. Esse projeto, portanto, iluminará as respostas que o IFSC construirá para atender às demandas socioeducacionais, com vistas a contribuir com o desenvolvimento humano, social, cultural e econômico nos contextos em que atua (IFSC, 2009b).
6 O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) é o documento destinado a apresentar as estratégias que serão adotadas pela instituição nos próximos cinco anos, visando o alcance de objetivos e de metas, e conferindo identidade e intenções comuns a todos (IFSC, 2020).
São medidas especiais e temporárias tomadas pelo Estado, com o objetivo de minimizar e eliminar desigualdades raciais, étnicas, religiosas, de gênero e outras historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidade e tratamento, bem como compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização (Programa Ações Afirmativas, 2008).
Martendal (2012) esclarece que as ações afirmativas se tornaram mais conhecidas pela política de cotas, dado o acolhimento e a expansão no âmbito das universidades. Entretanto, as ações afirmativas não se restringem ao sistema de cotas, abrangendo outras iniciativas, previstas em leis, políticas e programas, como:
a Lei nº 10639/200345, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira na educação básica; políticas para a terceira idade, por meio do atendimento preferencial junto a órgãos públicos e privados, gratuidade do transporte coletivo; para os portadores de deficiências, por meio de reserva de vagas em concursos públicos e em organizações privadas; para estudantes de universidades privadas, por meio do Programa Universidade para Todos - PROUNI; para as mulheres, por meio de cotas nas candidaturas partidárias; para os negros, por meio de reserva de vagas no ensino superior, dentre outras(MARTENDAL, 2012, p.
46).
O plano de inclusão orientou a institucionalização de uma política de inclusão no IF- SC, cabendo destacar que não foi criado um novo Plano de Inclusão. O período encerrou, não foi feita avaliação, bem como não houve a retomada do plano. Todavia, o tema referente à inclusão estava inserido ao longo do texto do PDI: 2015-2019, especialmente nos capítulos 2 (Projeto Pedagógico Institucional) e 8 (Política de atendimento aos discentes), e, no texto do PDI: 2020-2024, mantém-se, principalmente, no capítulo 3 (Projeto Pedagógico Institucional).
É importante mencionar que,em 2013/2014, por orientaçãodo Ministério da Educação (MEC), os Institutos Federais foram chamados a escrever um Plano Estratégico de Permanência e Êxito, que vigora até o momento. Acredita-se que o foco deslocou-se, naquele momento, de inclusão para permanência e êxito.
Conforme o PDI de 2009-2013 (IFSC, 2009a), as “políticas inclusivas” deveriam ser implementadas por meio de ações que proporcionassem “condições de acesso, permanência com êxito no percurso formativo, e inserção socioprofissional de grupos em desvantagem social” (IFSC, 2009a, p. 51). Neste documento, assim como no Plano de Inclusão da instituição (IFSC, 2009b), o conceito de grupos em desvantagem social é o mesmo utilizado
no documento Políticas de Inclusão da Rede Federal de Ensino Tecnológico e Profissional, nos seguintes termos:
[…] todos aqueles que, por diferentes razões (sociais, econômicas, étnico raciais ou culturais), apresentam dificuldades de acesso, de permanência ou conclusão no seu percurso formativo em instituições de ensino de qualidade. Não se trata esses grupos como desvalidos da sorte ou classes menos favorecidas, aos quais devemos, por princípio de solidariedade, praticar qualquer tipo de ação assistencialista. Os grupos em desvantagem social são identificados por receberem da sociedade um reconhecimento negativo em função de características (condição étnico-racial, gênero, renda), por suas relações sociais (origem familiar, rede de relações pessoais) ou por suas condições como agentes econômicos, políticos e culturais. Trata-se de construir uma diversidade, construída social, histórica e culturalmente que se traduz em prejuízo no momento de um processo seletivo competitivo no qual se pressupõe condições de igualdade para todos. Pela condição que possuem, as pessoas em desvantagem social enfrentam barreiras que podem se tornar impeditivas para o seu ingresso, permanência e conclusão com sucesso(SETEC, 2008, p. 12 apud IFSC, 2009b, p. 4).
Tanto o conceito de desvantagem social quanto o de vulnerabilidade social expressam a “dinâmica de uma sociedade desigual que produz efeitos de exclusão sobre determinados sujeitos sociais”(ZUCCHETTI, 2014, p. 10).No PDI: 2015-2019 (IFSC, 2014b) e no PDI:
2020-2024, o público-alvo das políticas de inclusão do IFSC continuam os mesmos, porém o modo de discorrê-las foi modificado, aparecendo ao longo do capítulo.
Conforme o PDI de 2020-2024 (IFSC, 2020), o IFSC desenvolve programas e ações de inclusão, alinhadas a demandas dos diferentes públicos atendidos. Visando atender ao público em vulnerabilidade social, o IFSC tem oferecido os seguintes programas e ações:
cursos de Formação Inicial e Continuada, Programa Nacional de Integração de Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) (BRASIL, 2006), Ações Afirmativas, Núcleo de acessibilidade educacional (NAE), Programa de Certificação Profissional e Formação Inicial e Continuada (Certific), Programa de Atendimento ao Estudante em Vulnerabilidade Social (PAEVS), e Programa de Segurança Alimentar do Estudante (PSAE).
Cabe mencionar que os programas de extensão são importantes meios para promover a inclusão social, bem como a inovação social. Conforme seu Projeto Pedagógico Institucional (IFSC, 2020), os Institutos Federais têm a missão de gerar e difundir conhecimentos, ancorados na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. A extensão se caracteriza
como uma ponte entre o ensino e a pesquisa com a sociedade, promovendo, por meio de suas atividades, uma transformação social, e contribuindo, dessa forma, para o cumprimento da missão institucional.A extensão promove a formação integral do cidadão, uma vez que fortalece a empatia social, conduzindo o estudante e o servidor para a realidade econômica e cultural da região onde está inserido (IFSC, 2020).
De acordo com o PDI de 2020-2024, (2020, p. 77), do ponto de vista da sociedade, a extensão tem como diretriz: “apoiar e desenvolver atividades de inclusão e de tecnologias sociais, atendendo preferencialmente a populações e comunidades em situação de vulnerabilidade social”. Neste contexto, os Institutos federais desempenham papel relevante no desenvolvimento de projetos de extensão que envolvam a inclusão social.
Para melhor compreensão dessa temática, descrevem-se, no Quadro 7, os programas/ações de inclusão desenvolvidas, facilitando a visualização.
Quadro 7- Projetos/programas com ações de inclusão desenvolvidas pelo IFSC.
Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES)
Criado em 2008 pelo Decreto n. 7.234, objetiva ampliar as condições de permanência dos jovens no ensino superior público presencial, para evitar a repetência e a evasão.
Sistema de Seleção Unificada(SISU) Implantado em 2010, permite a utilização das notas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).Foi criado em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da educação básica; e, em 2009, passou a ser utilizado também como mecanismo de seleção para ingresso no ensino superior.
Ações afirmativas Políticas públicas com o objetivo de corrigir desigualdades presentes na sociedade.
Núcleo de Acessibilidade Educacional (NAE) Visa assegurar a permanência e êxito dos estudantes público-alvo da Educação Especial.Cada câmpus do IFSC conta com um NAE. Esse setor agrega profissionais quebuscam promover processos educativos em condições de igualdade para esses estudantes.
Câmpus Palhoça bilíngue Primeira unidade da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica na modalidade bilíngue – Libras/Português. Câmpus que prioriza a inclusão dos estudantes portadores de deficiência.
Projetos de extensão A Extensão Universitária, sob o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, é um processo
interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre Universidade e outros setores da sociedade (FORPROEX,2012, p. 28).
Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA)
O Decreto n. 5.478/2005 criou o PROEJA, e determinou que, a partir de 2006, 10% das vagas de cada instituição da rede federal de educação profissional fossem destinadas ao EMI, na modalidade EJA
CERTIFIC Os cursos de Certificação Profissional por
Competência (Certific) são oferecidos pelo IFSC para quem tem experiência profissional em uma determinada área, mas ainda não tem o diploma.
Neste curso, o aluno comprova experiência profissional em uma área específica e apenas complementa as disciplinas necessárias para obter a certificação profissional. Os cursos Certific fazem parte dos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) do IFSC.
Fonte: Elaborado pela autora.
Nesse contexto, diante do exposto, destaca-se que o Instituto Federal de Santa Catarina, a partir do reconhecimento das diferenças históricas e sociais, buscam promover a inclusão e formar cidadãos, por meio da educação profissional, científica e tecnológica, visando a melhoria da qualidade de vida das pessoas em vulnerabilidade social.
CC
4.2 CARACTERÍSTICAS DOS PROJETOS DE EXTENSÃO SELECIONADOS NA