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Ni 7.—Fazer Ni 7.—Fazer o relatório dos processos dos réos condemnados ri pena de morte, e cumprir
N. 8. Preparar e apresentar ao jury os processos concernentes aos crimes de que trata a Lei de 10 de
Junho de 1835.—Art. 3
oda cit. Lei; Formul. sobre a marcha dos processos crimes, mandado cumprir pelo Av. I de 23 de Março de 1855, ns. 32 e 42.
E' de notar-se que com quanto diga o Formulário que ao juiz de direito compete preparar e apresentar estes pro- cessos ao jury, ainda assim se tem observado o preceito geral do Regul. de 31 de Janeiro de 1842, Arts. 324 e 347 em varias províncias, e mesmo na corte, como se vê na Ga- zeta dos Trib. n. 88.
N. 9. Dar audiências regulares no seu F j-uizo, como as demais autoridades judiciarias. Av. de 11 de Abril de 1844.
Achâ-se transcripto este Av. no § 5oD.1* deste cap.
N. 10. Passar ajurisdicção aos juizes mu-
nicipaes designados para o substituírem, pela
ordem da designação, sempre que estiver im-
pedido ; salvo nos casos de suspeição em causa
determinada. — Dec. de 20 de Setembro de
1851.- 496 -
N. 11. Numerar e rubricar os livros de rol dos culpados.-—Cod. do Proc. Crim. Ari. 146 e Rpqul, de 31 de Janeiro de 1842
art.m. I
N. 12. Communipar sempre que fâr possível aos diversos empregados da comarca as ordens que forem expedidas pelo governo. —Av.deWde Abril de 1851.
N. 13. Levar ao conhecimento dos presi-\,_, dentes de província, sem prejuízo das disposições do art. 53 do Cod. do Proc. Crim., e art. 180 e 181 do fíegul. de d ide Janeiro de 1812 todos os obstáculos, lacunas, e duvidas que encontra? na execução das leis e regulamentos criminaes, guardado o disposto no art.
195 do mesmo Regul.
As representações e officios do chefe de policia, juizes de direito, juizes muoicipaes, delegados e subdelegados das províncias, expondo ao governo imperial as duvidas, obs- táculos e lacunas, que encontrão na execução do Cod. Crimi- nal e do Processo, devem ser instruídas e informadas segundo prescrevem os arts. 495 a 497 do Reg. de 34 de Janeiro de 1842.
A forma estabelecida pelos citados artigos é applicavel a todas as autoridades, e extensiva também as leis civis e do processo respectivo, sendo ouvido quanto as leis commer- ciaes o tribunal do commercio do districto, em vez do pre- sidente da relação.
Competindo ao poder judiciário a applicação aos casos
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occurrentes das leis penaes, civis, commerciaes e dos pro- cessos respectivos, deve cessar o abuso que commettem muitas autoridades judiciarias, deixando de decidir os casos occur- rentes, e sujeitando-os como duvidas à decisão do governo imperial, pela qual esperão, ainda que tardia seja, sobres- tando e demorando a administração da justiça, que cabe em sua autoridade, e privando assim aos tribunais superiores de decidirem em grão de recurso e competentemente as du- vidas que occorrerem na apreciação dos factos, e applicação das leis.
Os citados artigos do regulamento não se relerem aos casos pendentes, senão aos que têm bavido, e em cuja decisão ha occorrido duvidas, e se tem conhecido obstáculos ou la- cunas; sendo que o governo imperial não pôde senão por modo geral ou regulamentar decidir sobre essas duvidas;
porquanto, se as suas decisões versassem sobre os casos indi- viduaes e occurrentes, darião azo a condidos e collisões com o poder judiciário, ao qual essencialmente pertence, por sua natureza, a applicação das leis e apreciação dos casos occurrentes.
Nestes termos, se alguma autoridade, em vez de decidir os casos que lhe são sujeitos, quizer, sob pretexto de duvida, submettê-los ao governo imperial, deverá a presidência de volver- lhe as representações e oflicios respectivos, para que ella julgue conforme a lei e jurisprudência, dando os re cursos que couberem para os tribunaes sup riores. Cvrc. de
7 de Fevereiro de 1856. I
Esta mesma doutrina se contém no Av.de iOde Maio de 1849, dirigido a presidência de Goyaz.
Dimanão dessa circular, disse o ministro da justiça em seu relatório ao corpo legislativo (1855), e dos artigos do regulamento á que ella se refere os seguintes principios: I
« 1.° Não basta para que o governo dê a sua decisão, que
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se lhe apresente a duvida proposta por alguma autoridade;
é preciso verificar a matéria da duvida, que aliás bem pôde ser a opinião singular dessa autoridade contra a jurispru- dência estabelecida, cuja derogação fora um abuso.
« 2.° Para que o governo dé a sua decisão, devem prece- der-lhe as informações e pareceres do presidente da relação ou do tribunal do commercio, do procurador da coroa, e de outras pessoas doutas e competentes a respeito dos arestos e praxe seguida.
« 3.° A decisão não é por meio de aviso, senão sobre con- sulta da secção de justiça oa doconselho de estado, mediante a imperial resolução, que tem força de decreto, cuja autoridade procede do Art. 102, § 12 da Constituição.
« 4.* As decisões não podem versar sobre casos individuaes sujeitos ou affectos ao poder judiciário, senão sobre a col- lecção de casos que tenhão occorrido, e por forma geral ou regulamentar.
« 5." As decisões não devem transpor as regras que a her- menêutica tem estabelecido para conhecer a vontade do legisla
!or, sendo que se devem referir ao poder legislativo os casos que dependem de providencias, ou cuja decisão estabe- leceria direito novo, isto é, contra ou além da disposição. »
Na mesma occasião chamou o illustrado ministro a atten- ção do corpo legislativo para esta matéria, pedindo que sobre ella fosse adoptada uma providencia consentânea com o prin- cipio constitucional da harmonia e divisão dos poderes.
As regras que o governo se impoz, disse elle, mostrão de sobejo o respeito que elle consagra a esse principio, e certo deixaria de exercer, como tem exercido, o direito de inter- pretar se não tivesse a responsabilidade de sacrificar o impé- rio da lei ás subtilezas do sophisma, os interesses collectivos aos individuaes, a unidade da execução ás duvidas de cada um.
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Infelizmente é bem verdade que em todos os tempos, tanto antes como depois da circular; tem-se julgado o governo com o direito de interpretar, sob a forma de avisos, e por via de autoridade, as disposições duvidosas das nossas leis, que boje são acompanhadas de um cortejo innumero de
avisos e decisões. ,,„>- ;„,
São bem conhecidos os inconvenientes resultantes deste systema; e além da questão constitucional que ahi vem en- volvida, se pôde ou deve o governo interpretar, quando só lhe cabe expedir inslrucções ou regulamentos adequados à boa execução das leis, funcção inteiramente distincta, accresce que, não havendo, e nem podendo haver entre os ministros que rapidamente se succedem, uniformidade de opiniões sobre as questões propostas, moitas vezes acontece vir um aviso posterior estabelecer uma doutrina diametralmente opposta à de outro anterior, resultando dessa discordância notável confusão e desordem na pratica, ou então, o que é peior, recommendar um aviso uma theoria que não é aceita e antes rejeitada pelos juizes e tribunaes superiores, e dahi novos embaraços na applicação.
Como exemplos de uma e outra espécie apontaremos os seguintes Avisos:
Diz o de 17 de Novembro de 1853 (transcripto no Cap. 4*,
§ 4, n. 1), que o juiz de direito em correição só pôde instau- rar processos de responsabilidade; o contrario estabelece, e mui judiciosamente, o de 10 de Fevereiro de 1854.
Dizem os de 30 de Julho de 1844,29 de Outubro de 1832 (acha-se no n. 76 da Revista dos Tribun.) e 27 de Abril de 1853 que não ha lugar o procedimento official nos ferimentos leves (Art. 201 do Cod. Crim.), salvo sendo o offendido pes- soa miserável, ou sendo o offensor preso em flagrante ; o contrario se declara no de 6 de Março de 1854.
Quer o de 9 de Agosto de 1844 (acha-se no n. 158 da antiga
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Gazela dos Tribtmaes) que possa ser o réo admittido a pres- tar fiança solto, ainda depois de formada a culpa e decretada a pronuncia, mas o contrario se encontra no de 28 de Setem- bro de 4860.
Mandão os de 2 de Abril de 1836,10 de Janeiro e 31 de Julho de 1854 e 1° de Agosto de 1859 que no caso de se não poder completar, por falta de numero, o conselho de jurados que houver de tomar conhecimento de uma causa seja ella adiada para a sessão seguinte; diz o de 31 de Ja- neiro de 1853 que nessa hypothese deve o juiz fazer sortear tantos jurados quantos faltarem para o numero de 48, para com estes assim chamados sortear-se o resto do conselho.
Os de 13 de Novembro de 1851 e 27 de Janeiro de 1855 dizem que ao promotor incumbe denunciar as tentativas ou cumplicidades dos crimes inafiançaveis, embora admittão ellas fiança, mas em sentido opposto foi julgado pela relação da corte em data de 20 de Dezembro de 1858, como em outra occasião notámos. (Gap. 4o, § 4°, n. 6.)
O mesmo Av. de 1855 declara que a recusa ou exclusão de um ou outro juiz de facto destroe a identidade do jury, no caso do Art. 331 do God. do Proc. Crim.; a relação da corte, em accordão de Io de Fevereiro de 1855, na appellfn. 1895, decidio o contrario, attendendo a que a intelligencia do cit.
artigo não deve ser considerada restríctamente quanto ao numero dos jurados recusados.
O de 7 de Abril de 1852 (acha-setranscripto noCap. 4o,
§ 5° n. 7) diz que o juiz de direito não appellará ex-officio da sentença que condemnar o réo á pena de morte ou de galés perpetuas, quando por motivo decommutação feita de conformidade com a lei, não fôr qualquer dessas penas effec- tivamente imposta; em contrario tem sido decidido pelo supremo tribunal de justiça e relação da corte nos julga- mentos de que demos noticia anteriormente.
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Ora, em face desta diversidade de opiniões e julgamentos, e quando ainda ha pouco vimos que a secção de justiça do conselho de estado (Com. de 3 de Abril de 1860) julgou dever ser censurado e advertido um magistrado por haver representado contra a jurisprudência de um Aviso que lhe pareceu menos jurídico (salvo o Dec. de 6 de Julho de 4859, pois só nos referimos ao Av. de 4 A de Novembro do mesmo anno, que deu lugar â insistência do juiz), aconselhando por ultimo que fosse elle responsabilisado se deixasse de dar cumprimento a esse Decreto e ao Aviso, como nos poderemos entender em tão intricado dédalo de diflicul- dades?
Nem concebemos como possa ser responsabilisado um juiz por haver deixado de cumprir um aviso que nada mais é de que uma opinião individual, alias muito respeitável, porém emittida sem força obrigatória; e assim devemos crer que no caso proposto só se fallou em aviso por conter elle a mesma doutrina do citado decreto; o contrario seria um erro, que jamais poderia partir da esclarecida intelligencia da secção de justiça: em todo o caso, para obviar taes ques- tões, o qae mais conviria, a bem da regular administração da justiÇa, seria de facto reservar, no sentido da Constitui- ção, a interpretação das leis ao poder legislativo, incumbindo a um tribunal judiciário, como o supremo tribunal de jus- tiça, centro único da administração da justiça civil e criminal, a tarefa de regularisar e uniformisar a jurisprudência, fazendo cessar a contradicção e desordem que no foro produzem as desencontradas decisões e interpretações que em vez de es- clarecer, mais perturbâo e difficultão o estudo e pratica das nossas leis.
É sabido que a interpretação que o governo sóe dar ás leis não é a interpretação authentica que pela Constituição exclusivamente cabe ao poder legislativo; mas è uma inter-