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PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

Em linhas gerais o termo ou palavra “princípio” redireciona para o início, começo, gênese. Para Aurélio Buarque de Holanda Ferreira,

“princípio” significa: “rudimentos, as primeiras épocas. As hipóteses mandantes de uma ciência, às quais a desenvoltura posterior dessa ciência deve estar subordinada”. 45

No Processo do Trabalho utilizam-se tanto os princípios específicos do Processo do Trabalho, quanto os princípios do Processo Civil.

Todavia, desde que as normas entre ambos os direitos, supracitados, sejam compatíveis.

A classificação pautada em Sérgio Pinto Martins é a seguinte: vigência imediata da lei nova; uni-recorribilidade; fungibilidade;

variabilidade. 46 Para Renato Saraiva a classificação é feita pelo duplo grau de jurisdição; unirrecorribilidade; fungibilidade ou conversibilidade; voluntariedade; da proibição da reformatio in pejus; variabilidade 47. Manoel Antônio Teixeira Filho

45 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. p.1130.

46 MARTINS, Sergio Pinto. Direito Processual do Trabalho: doutrina e prática forense. 26. ed.

São Paulo : Atlas, 2006. p. 383-384.

47 SARAIVA, Renato. Curso de direito processual do trabalho. São Paulo : Método, 2007. p.

443-447.

classifica da seguinte forma uni-recorribilidade; variabilidade; fungibilidade 48. E para Wagner D. Giglio a classificação é: vigência imediata da lei processual nova;

unirrecorribilidade; variabilidade e fungibilidade 49.

Amauri Mascaro Nascimento não apresenta uma classificação específica, apenas faz uma incursão ao sistema recursal:

O nosso sistema de recursos, no dissídio individual, submete-se aos princípios da concentração e da manutenção dos efeitos da sentença.

No dissídio individual não há recursos durante o desenvolvimento do processo perante a Vara. As decisões interlocutórias são irrecorríveis, e as nulidades que possam ocorrer são passíveis não de recurso imediato, mas de recurso único, com a sentença das Varas. Assim, no recurso ordinário a parte argúi todas as questões cabíveis, processuais e de mérito. 50

Dentre os doutrinadores apresentados este trabalho adotará a classificação do doutrinador Sérgio Pinto Martins.

2.1.1 Princípio da vigência da lei nova

O princípio da vigência da lei nova menciona que, quando a parte recorrer deverá verificar a lei vigente no determinado ato. Acerca do princípio da vigência da lei nova, trazidos a baila, neste item, os entendimentos de Wagner D. Giglio e Sergio Pinto Martins.

O princípio da vigência da lei nova traz muita controvérsia no aspecto prático, devendo ser bem mais estudado. A lei nova tem aplicação

48 TEIXEIRA FILHO, Manoel Antonio. Sistemas dos recursos trabalhistas. 10. ed. São Paulo : Ltr, 2003. p. 133-139.

49 GIGLIO, Wagner D. Direito processual do trabalho. 15.ed. São Paulo : Saraiva, 2005. p. 441- 444.

50 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito processual do trabalho. 21. ed. São Paulo:

Saraiva, 2002, p. 496.

imediata, e verifica os casos em andamento e os alterando o procedimento conforme sua vigência 51.

Por sua vez cabe ressaltar o princípio da vigência da lei nova, nos dizeres de Sergio Pinto Martins:

A parte não tem direito adquirido a determinado recurso, mas direito de recorrer, de acordo com o recurso que estiver previsto em lei. A lei processual tem aplicação imediata e apanha os processos em curso. Assim, se a lei nova disser que não existe mais recurso ordinário e o prazo para apelar é de dois dias, não haverá direito adquirido a recorrer mediante o recurso ordinário.

Com a sentença é que nasce o direito de recorrer, pois antes disso só se pode falar em mera expectativa do direito de recorrer, visto que o direito de recorrer é inexistente antes de ser prolatada e publicada a sentença 52.

Por derradeiro, os atos praticados por lei anterior devem ser respeitados. O recurso será regido pela lei nova a partir de sua publicação, surgindo o direito de recorrer.

2.1.2 Princípio da uni-recorribilidade

Chamado também de princípio da unicidade ou da singularidade processual recursal, o princípio da uni-recorribilidade preceitua que os recursos trabalhistas devem ser interpostos um de cada vez. 53

Para Manoel Antonio Teixeira Filho:

O princípio em tela significa que para cada ato jurisdicional que se deseja impugnar existe um recurso único e adequado; é o que ocorre no sistema processual brasileiro vigente, inclusive, no do trabalho, em que cada recurso possui não apenas uma destinação específica, mas também uma exclusividade no ataque à decisão

51 GIGLIO, Wagner D. Direito processual do trabalho. p. 441.

52 MARTINS, Sergio Pinto. Direito Processual do Trabalho: doutrina e prática forense. p. 383.

53 SARAIVA, Renato. Curso de direito processual do trabalho. p. 443.

relativamente à qual o interessado se manifesta insatisfeito. Em síntese: a CLT não prevê dois recursos para um mesmo caso.

Basta ler os artigos 894 a 897 para verificar, com clareza, essa especificidade e unicidade das modalidades recursais. Estas derivam, assim, do próprio sistema legal, embora não haja, em rigor, na CLT, nenhum dispositivo que confesse, expressamente, o acolhimento do princípio em exame, que a doutrina identifica como da irrecorribilidade. 54

Só é possível a interposição de um recurso de cada vez, e quando forem protocolados mais de um recurso o juiz determinará que a parte escolha o recurso que deve subir para exame no Tribunal. 55

Em suma, pelo princípio da uni-recorribilidade, além de não ser possível interpor mais de um recurso ao mesmo tempo, em verdade, não se pode interpor mais de um recurso da mesma decisão.

2.1.3 Princípio da fungibilidade

O terceiro princípio elencado nessa pesquisa é o da fungibilidade. Fungível é a coisa que pode ser substituída por outra do mesmo gênero, número e grau 56.

No entendimento de Eduardo Gabriel Saad: “Trata-se da possibilidade de o juízo de admissibilidade e o tribunal ad quem receberem recurso erradamente oferecido em lugar de outro indicado pela lei processual” 57.

Para Renato Saraiva:

O princípio da fungibilidade permite que o juiz conheça de um recurso que foi erroneamente interposto como se fosse recurso

54 TEIXEIRA FILHO, Manoel Antonio. Sistemas dos recursos trabalhistas. p. 133.

55 MARTINS, Sergio Pinto. Direito Processual do Trabalho: doutrina e prática forense. p. 384.

56 MARTINS, Sergio Pinto. Direito Processual do Trabalho: doutrina e prática forense. p. 384.

57 SAAD, Eduardo Gabriel e outros. Curso de Direito Processual do Trabalho. 5.ed. São Paulo : Ltr, 2007, p.712.

cabível. Por este princípio permite-se o recurso erroneamente nominado, como se fosse o que deveria ser interposto, atendendo-se ao princípio da finalidade e da simplicidade do processo do trabalho. Para aplicação do princípio da fungibilidade torna-se necessária a conjugação de três fatores:

• Inexistir erro grosseiro;

• Tem que haver dúvida plausível quanto ao recurso cabível;

• O recurso erroneamente interposto deve obedecer o prazo do recurso cabível 58.

Cumpre observar, preliminarmente, que o princípio da fungibilidade dá permissão ao juiz para aceitar o recurso com nome diverso daquele que deveria ser interposto. Vale salientar o entendimento de Sergio Pinto Martins: “[…] que a fungibilidade decorre da uni-recorribilidade. Na fungibilidade, ocorre o aproveitamento do recurso erroneamente nominado, como se fosse o que devia ser interposto”. 59

No entendimento de Manoel Antonio Teixeira Filho:

Em concreto, portanto, no processo do trabalho se ocorrer de a parte interpor, digamos, o recurso de agravo de petição, quando o correto seria o ordinário, deverá o juízo de admissibilidade a quo (e por igual o ad quem) conhecer do recurso errôneo (agravo de petição) como se o legalmente adequado fosse (ordinário), dado que, longe de estar fazendo um favor ao recorrente (o que lhe é defeso pelas regras de equanimidade processual), estará, sim, respeitando os princípios da simplicidade e da instrumentalidade das formas, que, por sua vez, dão conteúdo ao da fungibilidade. 60 O princípio da fungibilidade dá a oportunidade ao juiz reconhecer o recurso nominado de forma diversa e ser aceito. Todavia, não pode

58 SARAIVA, Renato. Curso de direito processual do trabalho. p. 444.

59 MARTINS, Sergio Pinto. Direito Processual do Trabalho: doutrina e prática forense. p.384.

60 TEIXEIRA FILHO, Manoel Antonio. Sistemas dos recursos trabalhistas. p.137-138.

existir erro grosseiro, deve haver dúvida referente ao recurso cabível e obediência ao prazo legal estipulado. 61

2.1.4 Princípio da variabilidade

O quarto e último princípio destacado na classificação adotada por essa monografia é o princípio da variabilidade. Em linhas gerais o princípio da variabilidade dá direito a parte que interpôs recurso de modificá-lo com o protocolo de um segundo recurso.

No entendimento de Renato Saraiva:

O princípio da variabilidade era previsto no Código de Processo Civil de 1939, o qual dispunha que a parte poderia variar de recurso dentro do prazo legal. Esse princípio, embora não tenha sido recepcionado pelo Código de Processo Civil de 1973, é defendido por doutrinadores de renome como Manuel Antônio Teixeira, Sergio Pinto Martins e Wagner Giglio. Esses doutos afirmam que a simples interposição do segundo recurso, no prazo legal, faz presumir a desistência tácita do primeiro apelo, sendo admitida a variabilidade, em função da simplicidade do processo do trabalho. Outros doutrinadores não admitem a variabilidade em função da denominada preclusão consumativa, uma vez que, interposto um recurso, estaria precluso, consumado o prazo para recorrer. 62

Há variabilidade dos recursos, quando a parte desistindo do recurso interposto, substitui este por outro, verificando prazo convencionado em lei. Há também a presunção para o fato da parte que ingressar com outro recurso, havendo a desistência tácita do primeiro. 63

No que tange ao princípio da variabilidade, a faculdade de variar, menciona Manoel Antonio Teixeira Filho:

61 MARTINS, Sergio Pinto. Direito Processual do Trabalho: doutrina e prática forense. p.384.

62 SARAIVA, Renato. Curso de direito processual do trabalho. p. 447.

63 MARTINS, Sergio Pinto. Direito Processual do Trabalho: doutrina e prática forense. p. 384.

A faculdade de variar o recurso interposto também encontra fundamento no princípio da uni-recorribilidade, já examinada, e de acordo com o qual não se consente que se interponha de uma só decisão, mas de um apelo. Impedir-se a alteração do remédio recursal seria, de certa forma, obrigar a que a parte interpusesse um outro recurso, que seria o adequado, fazendo com que, desse modo, restasse sensivelmente escoriado o princípio da uni- recorribilidade.64

Para Eduardo Gabriel Saad: “O art. 809 do CPC de 1939 autorizava, expressamente, a parte a trocar um recurso por outro, desde que isso ocorra dentro do prazo legal.” Assinala ainda que ”O CPC de 1973 é omisso sobre esse ponto, o que levou alguns estudiosos a eliminar o princípio da variabilidade.”

Convém destacar que ”a despeito de igual silêncio da CLT, atende melhor às peculiaridades do processo trabalhista admitir a mudança do recurso dentro do prazo legal de sua interposição”65.

Além dos princípios recursais, os quais embasam a doutrina sobre recursos trabalhistas, têm-se também as singularidades recursais. Como será visto a seguir, o processo do trabalho tem detalhes próprios que constituem as singularidades.

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