Tem como principal objetivo impor ao Agente Público a necessidade de realizar suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento, observadas a produtividade e a adequação técnica para atendimento da finalidade que cabe à Administração alcançar, isto é, impõem o dever de uma atuação que produza resultados favoráveis ao interesse da sociedade.
ALEXANDRINO e PAULO123, complementam o objetivo do princípio da eficiência entendo que:
eficiência tem como corolário a boa qualidade. A partir da positivação desse princípio como norte da atividade administrativa, a sociedade passa a dispor de base jurídica expressa para exigir a efetividade do exercício de direitos sociais, como a educação e a saúde, os quais têm que ser garantidos pelo Estado com qualidade ao menos satisfatória. Pelo mesmo motivo, o cidadão passa a ter o direito de questionar a qualidade das obras e atividades públicas, exercidas diretamente pelo Estado ou por seus delegatários.
Desta forma, tem-se que o princípio da eficiência veio para justificar a própria existência da organização administrativa, ao passo que a Administração Pública não é um ornamento a ser admirado, mas existe para funcionar, sendo seu fim a medida de sua atuação, bem como, impõe que a negligência e o amadorismo não tem lugar quando se fala em administrar a res publica.124
Neste título poderiam ser elencados inúmeros princípios, pois para a boa aplicação do Direito diversos devem ser aplicados, porém, visando manter-se no tema central da presente pesquisa serão expostos os princípios gerias que, de certa forma, incidem sobre a matéria.
Assim argumenta BARROSO125
Os princípios constitucionais gerais, embora não integram o núcleo das decisões políticas que conformam o Estado, são importantes especificações dos princípios fundamentais. Têm eles menor grau de abstração, sendo mais facilmente determinável o núcleo em que operam como regras. Por tal razão, prestam-se de modo corrente à tutela direta e imediata das situações jurídicas que contemplam.
A maior parte dos princípios gerais concentra-se do art 1° ao art. 6° da Constituição Federal, sendo os principais o da igualdade ou isonomia, da dignidade da pessoa humana, da presunção de inocência e do direito social ao trabalho.
2.3.1 Princípio da igualdade – isonomia.
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no caput do art 5°, prevê que:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
125 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. 6. ed.São Paulo:
Saraiva.p. 375
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...).
Para MORAES126:
A Constituição Federal de 1988 adotou o princípio da igualdade de direitos, prevendo a igualdade de aptidão, uma igualdade de possibilidades virtuais, ou seja, todos os cidadãos têm direito de tratamento idêntico pela lei, em consonância com critérios albergados pelo ordenamento jurídico.
Desde os primórdios da humanidade o ser humano tem se visto atormentado com o problema das desigualdades inerentes ao seu ser e à estrutura social em que se insere. Daí surgiu a noção de igualdade, a qual os doutrinadores comumente intitulam como igualdade substancial, não se cuidando, como se vê, de um tratamento igual perante o direito, mas de uma igualdade real e efetiva perante os bens da vida.127
2.3.2 Princípio da dignidade da pessoa humana
Da mesma forma, a Constituição Federal prevê em seu art. 1°, mais precisamente no inciso III que:
126 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006. p. 31
127 BASTOS, Celso Ribeiro; MARTINS, Ives Gandra. Comentários à Constituição do Brasil. p. 05.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui- se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: (...) III - a dignidade da pessoa humana;
Ensina MORAES128 que:
Esse fundamento afasta a idéia do predomínio das concepções transpessoalistas de Estado e Nação, em detrimento da liberdade individual. A dignidade é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas, constituindo-se um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve assegurar, de modo que, somente excepcionalmente, possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos.
É certo que este título descarta maiores explicações posto ser auto explicativo, estar inerente a qualquer ser humano ao passo que a dignidade é algo que o cidadão já encontra em seu íntimo mais interior, sendo de sua natureza a vontade de defendê-la.
Neste passo, cabe apenas frisar que a dignidade da pessoa humana é prevista como um fundamento republicano, entendendo-se como estando, de certa forma, acima até dos princípios, pois fundamento nada mais é do que o motivo que leva a instituição de normas, sendo como tal a dignidade da pessoa humana.
128 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006. p. 16.
2.3.3 Princípio da presunção de inocência
Prevê o art 5° da Constituição Federal, precisamente no inciso LVII que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”
Trata-se de preceito fundamental do direito, pelo qual ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, quando cessa a primariedade.
Cabe trazer a baila o pensamento de BASTOS E MARTINS:129
A presunção de inocência é uma constante no Estado de Direito. Ela chega mesmo a tangenciar a obviedade. Seria um fardo pesado para o cidadão o poder ver-se colhido por uma situação em que fosse tido liminarmente por culpado, cabendo-lhe, se o conseguisse, fazer demonstração da sua inocência. Tal ordem de coisas levaria ao império do arbítrio e da injustiça. A regra, pois, da qual todos se beneficiam é de serem tidos por inocentes até prova em contrário.
Assim, conforme preceitua MORAES,130 “há a necessidade de o Estado comprovar a culpabilidade do individuo, que é constitucionalmente presumido inocente, sob pena de voltarmos ao total arbítrio estatal.”
2.3.4 Direito social ao trabalho
Está previsto no caput do art. 6° da Constituição Federal que
“São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a
129 BASTOS, Celso Ribeiro; MARTINS, Ives Gandra. Comentários à Constituição do Brasil.p. 299
130 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006. p. 103
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”
Entende-se daí que todo o cidadão tem direito ao exercício de um trabalho, constituindo, por vezes, o próprio fundamento do convívio social.
A Carta Magna, por sua vez, veda a diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou Estado civil e entre trabalhador com vínculo empregatício permanente e o avulso.131