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A Lei 9.099, de 26 de setembro de 1995, em seu artigo 61, definia como infrações penais de menor potencial ofensivo as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior há um ano, exceto os que a Lei prevê procedimento especial.

Com o advento da Lei n. 10.259, de 12 de julho do ano de 2001 em seu artigo 2° parágrafo único, as infrações penais de menor potencial ofensivo passaram a ser as contravenções penais e os crimes em que a pena máxima não pudesse ultrapassar a dois anos, ou multa, tendo assim um elastério no requisito de pena máxima e abrangendo mais crimes e contravenções penais.

O Código de Processo Penal não refere-se ao crime e aos de menor potencial ofensivo, os crimes de contravenção. A possibilidade de flagrante nos crimes de contravenção ou prisão em flagrante contravenção.

62 MIRABETE, Julio Fabbrini. Processo Penal, p. 371.

Com fundamento na Lei 9099, de 26 de setembro de 1995, em seu artigo 69:

A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários

Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado ao assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, coo medida de cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima.63

Destarte, quando alguém for flagrado cometendo uma infração será preso e conduzido até a delegacia de polícia. Neste ato, não será autuado em prisão em flagrante e sim será lavrado o Termo Circunstanciado que será pré-cedido de boletim de ocorrência.

No Termo Circunstanciado conterá o nome do autor, das testemunhas se houver, local e hora dos fatos, assinatura de todos que nele intervieram o qual será encaminhado ao juizado especial criminal, ou seja, quando encaminhado imediatamente ao juizado especial criminal ou assinar o termo de comparecimento será dispensada a prisão em flagrante e da fiança.

Segundo Tales Castelo Branco64, o Termo Circunstanciado é um boletim de ocorrência mais informativo e pormenorizado. Se necessário providenciará a autoridade policial as requisições dos exames periciais necessários.

O Termo Circunstanciado será lavrado dentro do princípio adotado pela própria legislação, singularidade e celeridade. A rapidez com que o caso é apresentado a autoridade policial a mesma que será encaminhada ao juizado especial criminal. O Termo Circunstanciado é considerado como uma formalíssima comunicação da infração, realizações de diligências probatórias formais, e com a certeza de que o autor comparecerá ao juizado especial criminal.65

63 Lei 9.099/95, artigo 69 e parágrafo único.

64 Cf. BRANCO, Tales Castelo. Da prisão em Flagrante, p. 219

65 Cf. THOMÉ; Ricardo Lemos. Contribuição a Prática de Polícia Judiciária, 1997, p. 70/71.

O juizado especial criminal tem a competência para as conciliações, julgamento e execução das infrações de menor potencial ofensivo.66

O referido processo é submisso ao princípio da oralidade, informalidade, economia processual e celeridade.67

O compromisso de comparecer ao juizado especial deve ser expresso e juntado aos autos, esse direito é subjetivo ao agente não podendo ser negado pela autoridade policial. Caso o agente descumpra o compromisso de comparecer aos atos do juizado especial criminal, arcará com as conseqüências, passará a responder o processo à revelia e ainda poderá ser decretada a sua prisão preventiva desde que presentes os requisitos.68

Portanto, o Termo Circunstanciado é um substitutivo do auto de prisão em flagrante nas hipóteses de infrações penais de menor potencial ofensivo, quando o acusado for imediatamente encaminhado ao Juizado Especial Criminal ou assumir o compromisso de comparecimento em data futura.

3.12 ESPÉCIES DE IMUNIDADES NA PRISÃO EM FLAGRANTE

O Presidente da República, como estabelece o artigo 86, parágrafo 3°, da CF, não estará sujeito à prisão.

Em nosso direito processual penal existem as seguintes possibilidades de imunidade à prisão em flagrante: 3.12.1 diplomáticas; 3.12.2 parlamentares.

3.12.1 Diplomáticas

66 Cf. Art. 60 da Lei n. 9099/95

67 Cf. Art. 62 da Lei n. 9099/95

68 Cf. BRANCO, Tales Castelo. Da prisão em Flagrante, p. 220.

Os chefes de Estado, os Ministros Plenipotenciários, os Embaixadores, estarão protegidos perante o Código de Processo Penal. Os representantes dos Estados estrangeiros serão tratados como se estivessem em seus próprios países, caso ocorrer fato a ser apurado deverá ser comunicado às autoridades competentes.

Essa imunidade se estende ainda para os familiares bem como ao pessoal técnico e administrativo e também para os funcionários internacionais. Os diplomatas estrangeiros em decorrência dos tratados e convenções internacionais são as hipóteses do artigo 1°, inciso I, do Código de Processo Penal brasileiro.

3.12. 2 Imunidades parlamentares

Perante a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 53, parágrafo 3°, somente nos crimes inafiançáveis é que os deputados e senadores serão presos em flagrante e os autos serão remetidos no prazo de vinte e quatro horas para à Casa respectiva que decidirá se autoriza ou não a prisão. Imunidade material ou absoluta, quando praticado durante o mandato e a imunidade material ou relativa, à impossibilidade de prender em crimes afiançáveis.

Os mesmos benefícios serão aplicados também aos deputados estaduais.

Os vereadores gozam apenas da imunidade material ou absoluta, quando o crime for cometido dentro do município ou no exercício do mandato. perante a Constituição de 1988.

Não poderão ainda ser sujeito passivo da prisão em flagrante o menor de 18 anos. Os magistrados só poderão ser presos quando se tratar de crimes inafiançáveis (art. 33, II, da LOMN), da mesma forma os membros do Ministério Público (art. 20, III, da LONMP). Também não poderão ser autuados em flagrante quem socorre vítima de acidente de trânsito (Código de Trânsito). 69

69 Cf. MIRABETE, Julio Fabbrini. Processo Penal, p. 373.

CONCLUSÃO

Com lastro nas observações assinaladas, cumpre ressaltar que prisão no ordenamento penal tanto quanto no processual penal é a privação da liberdade individual de ir e vir. Quando é sem condenação definida trata-se de prisão provisória ou cautelar, que são justificadas por suas necessidades.

Podemos concluir que em nosso ordenamento jurídico penal temos cinco modalidades de prisões provisórias ou de cunhos cautelares.

A prisão temporária é instituída pela Lei 7960/89, visa instruir o inquérito policial, deve ser imprescindível para as investigações policiais, pode ser decretada também quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários para sua identificação. Poderá ser decretada ainda quando houver o indiciado indícios de autoria nos crimes hediondos. Tem um lapso temporal limitado que é de 5 dias podendo ser prorrogado por igual tempo, já nos casos dos crimes hediondos é de 30 dias podendo ser prorrogada por igual prazo. Deverá ser representada pela autoridade policial ou a requerimento do ministério público e decretada pelo juiz competente.

A prisão preventiva é medida cabível e decretada pela autoridade judiciária em qualquer fase do inquérito policial ou da ação penal antes de transitar em julgado. Poderá ser decretada, também, de ofício pelo juiz mediante representação da autoridade policial do representante do ministério público ou do querelante. Só poderá ser decretada quando houver indícios de autoria e prova da existência do crime.

Prisão decorrente da decisão de pronúncia é a medida processual a ser decretada exclusivamente nos casos apreciados pelo Tribunal do Júri, ou seja, nos crimes dolosos, consumados ou tentados, contra a vida ou conexos.

A prisão decorrente de sentença penal condenatória recorrível tem como pressuposto para o recurso, recolhimento do réu a prisão. Dar-se-á quando condenado

por delito em que a pena se restringe a privativa de liberdade cumprida no regime fechado.

A prisão em flagrante é a prevista nos artigos 301 a 310 do Código de Processo Penal, é uma prisão cautelar, uma medida acautelatória que dispensa a ordem escrita, prevista na Carta Magna de 1988 em seu artigo 5°, inciso LXI.

São hipóteses de prisão em flagrante: flagrante próprio ou verdadeiro, previsto no art. 302, incisos I e II do CPP; flagrante impróprio ou quase-flagrante previsto no art. 302, inciso III do CPP; flagrante presumido ou ficto previsto no art. 302, inciso IV do CPP e flagrante diferido ou retardado previsto na Lei 9.034/95.

São as classificações de flagrantes: o flagrante provocado ou preparado;

flagrante esperado e flagrante forjado.

Só será justificada a permanência do indiciado preso para assegurar a aplicação da lei penal, visa assegurar o resultado final do processo, ou ainda para assegurar a ordem pública evitando prováveis danos que o acusado solto poderá causar.

Preso em flagrante será apresentado à autoridade policial mais próxima do local em que se deu a prisão, será comunicado à família do conduzido ou quem ele indicar os fatos de sua prisão, em seguida será lavrado o competente auto de prisão em flagrante.

A autoridade competente para a lavratura do auto de prisão em flagrante é a autoridade judiciária e a autoridade policial. Autoridade judiciária é o juiz de direito e a autoridade policial trata-se do Delegado de Polícia de carreira.

Com relação ao crime permanente, enquanto não cessar a permanência poderá ser o agente preso em flagrante.

Nos crimes habituais para efetuar a prisão em flagrante será necessária à pluralidade das ações, há necessidade de que as ações se repitam, ou seja, se torne um hábito para o autor dos delitos.

Já nos casos de infrações penais de menor potencial ofensivo será lavrado o termo circunstanciado e quando prestar o acusado compromisso de comparecer aos atos do processo não se imporá prisão em flagrante.

O presente trabalho não tem por objetivo limitar a discussão acerca do tema abordado, mas sim dar sua parcela de contribuição àqueles que vierem pesquisar, estudar e debater esse assunto que se encontra sempre presente em concursos públicos.

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