4.1 Análise e levantamento do problema
4.1.1 Problema: O que fazer com o descarte de uniformes?
4 LEVANTAMENTO E ANÁLISE DE INFORMAÇÃO
ambiente, seja pela nova demanda de recursos finitos para sua produção ou contaminação do ecossistema pelo descarte inadequado.
A boa gestão dos resíduos descartados passa por uma série de etapas, desde a identificação de como será a destinação correta dos resíduos em questão, até a identificação e seleção de empresas certificadas que realizam essa destinação de maneira ecologicamente correta.
Inclusive, toda empresa que se propõe a realizar esse tipo de descarte precisa de certificados para cada etapa do processo, garantindo, assim, o cumprimento das exigências legais e, consequentemente, possuir dados para comprovar a destinação correta dos materiais. Isso tudo se deve ao fato de que existem normativas nacionais e internacionais que regulam o licenciamento ambiental e procedimentos a serem cumpridos, tanto pelas indústrias, quanto pelas empresas que irão realizar a destinação final dos resíduos.
4.1.2 Qual o tamanho desse problema?
De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – ABIT (2022), o Brasil tem o quarto maior parque produtivo de confecções do mundo, e se posiciona como quinto maior produtor têxtil mundial. Estima-se, ainda, que 170 mil toneladas de resíduo têxtil poderiam ser aproveitadas pelo próprio setor, tendo a Logística Reversa como principal parceira. O desperdício dos restos de tecido é descomunal. A ABIT (2022) estima que, aproximadamente, 90% dos resíduos são descartados indevidamente. Parte dessa produção se concentra em uniformes profissionais, sendo que são produzidas 256 milhões de peças por ano.
A indústria têxtil é considerada como umas das mais poluidoras do mundo. No seu processo produtivo podem ser utilizados 8.000 tipos de produtos químicos. Sete tipos de pesticidas utilizados no cultivo do algodão são considerados cancerígenos.
Os estudos de Almeida et al. (2016), apontam que os produtos têxteis são praticamente todos recicláveis. Porém, a taxa de reciclagem desses, seja no pré ou pós-consumo, não é muito relevante. Foi realizado um estudo que determinava as ações dos fabricantes para que os produtos têxteis pudessem ter uma maior aceitação e um mercado de fibras recicladas. Os resultados ressaltaram três grandes questões em relação aos produtos e processos de reciclagem, são elas: a falta de mercado, falta de equipamentos e custo do produto. Algumas outras questões como estratégias
de marketing foram comentadas como sendo outra forma de disseminar o processo aliado à publicidade cooperativa. Outros estudos concordam quanto à importância de se desenvolver nos consumidores uma consciência de consumo e o conhecimento sobre produtos têxteis reciclados. (TUTIA et al., 2015).
Segundo a ELLEN MACARTHUR FOUNDATION (2017), “em 2030 estima-se que o nível total de resíduos de vestuário possa chegar aos 148 milhões de toneladas – equivalente ao desperdício anual de 17,5 kg per capita em todo o planeta”.
4.1.3 Financeiramente é viável a Logística Reversa de uniformes?
É necessário entender que as empresas engajadas nesse propósito estão preocupadas com a geração de valor para os seus colaboradores, investidores, clientes e na comunidade local. Uma instituição com mau planejamento ambiental consome muito mais recursos e energia, ocasionando maior custo produtivo.
A motivação das empresas em realizar a Logística Reversa, normalmente, está ligada a três âmbitos principais: ambiental, financeiro e legal. Normalmente, as empresas focam no eixo ambiental para geração de valor, de forma a criar uma vantagem competitiva por meio da criação de uma imagem de empresa ecológica e preocupada com o meio ambiente que a rodeia. Assim, existe a demonstração de que a empresa está preocupada com o impacto ambiental de suas atividades e produtos, e a redução desse impacto, de maneira geral, cria um importante elemento de marketing.
No âmbito legal, existe uma pressão na legislação existente que impulsiona o desenvolvimento de políticas para promover a Logística Reversa em diversos pontos da cadeia produtiva.
O maior ponto do problema, se concentra no âmbito financeiro. É nesse ponto que o fator econômico entra em cena como motivação para a Logística Reversa.
Normalmente, a operação da Logística Reversa em si não se configura como um produto de alto rendimento, uma vez que os produtos transportados já estão no final de sua vida útil, o que rebaixa muito o valor agregado dos produtos transportados, e, por vezes, o frete em si se torna mais caro que o produto transportado em questão.
O desafio da Logística Reversa pode ser distribuído em categorias, sendo elas os aspectos políticos, legais, operacionais e sociais. Os Quadros abaixo demonstram, de maneira objetiva, os desafios de cada categoria:
Quadro 1 - Aspectos políticos e legais dos desafios para a implantação de Sistemas de Logística Reversa (SLR) no Brasil.
Fonte: COUTO e LANGE (2017).
Quadro 2 - Aspectos operacionais dos desafios para a implantação de Sistemas de Logística Reversa (SLR) no Brasil.
Fonte: COUTO e LANGE (2017).
Quadro 3 - Aspectos sociais dos desafios para a implantação de Sistemas de Logística Reversa (SLR) no Brasil.
Fonte: COUTO e LANGE (2017).
A sigla ASG tem sido uma resposta importante e necessária das empresas aos desafios da sociedade contemporânea, especialmente na integração da geração de valor econômico com foco na governança ambiental, social e corporativa. É uma forma de mostrar responsabilidade e compromisso com os mercados em que atuam, seus consumidores, fornecedores, colaboradores e seus investidores. Esses três pilares são utilizados como critérios para entender se uma empresa possui sustentabilidade corporativa, estendendo a perspectiva de análise de negócios para além das métricas financeiras. Instituições estão buscando o ASG para se tornarem cada vez mais eficientes. Processos produtivos que respeitam a saúde e bem-estar dos colaboradores, segurança e respeito na comunidade ao seu redor podem reduzir custos, proporcionando novas oportunidades quando o produto se torna mais sustentável no mercado, atraindo novos investidores e clientes preocupados com programas sustentáveis.
Segundo Marcelo Bacci, CFO da empresa brasileira de papel e celulose, Suzano, “as práticas de ASG podem trazer resultados financeiros melhores”. A empresa Suzano®, no final de 2020, captou mais de US$ 500 milhões com uma
emissão de liked bond, “resultado da menor taxa de juros da história”, comenta o executivo. (VIRI, 2020).
Como mensurar os ganhos com ASG? Essa é uma pergunta cada vez mais frequente atualmente. As indústrias que demonstrarem as melhores práticas de ASG começam a usufruir de taxas financeiras mais atrativas disponibilizadas pelo mercado se atingirem a performance sustentável.
Estima-se que US$ 30 trilhões de dólares estão investidos em empresas que praticam ações sustentáveis e não param de crescer nos últimos anos. No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (AMBIMA), também teve crescimento considerável, pelos dados da entidade, a procura aumentou no último trimestre ultrapassando 787%. Com isso, deixou de ser apenas ações de marketing e passou a ser estruturas corporativas mais profundas para geração de valor, definidas pelas regras da ONU e pelo Fórum Econômico Mundial (VEJA, 2021).
As transformações digitais estão revolucionando os mercados, o fenômeno ASG pode ser comparado a essa transformação, empresas, sociedade e governos estão cada vez mais preocupados na adoção das boas práticas do ASG. Esse fenômeno vem para mudar o mundo empresarial e financeiro das empresas. O impacto na sustentabilidade ambiental passou a ser monitorado pelos grandes investidores e se tornou decisivo pelas instituições financeiras na escolha de seus investimentos.
4.2 Benchmarking
4.2.1 ADS Logística Ambiental®
No início de janeiro de 2022, teve-se a oportunidade de realizar contato com o Sr. Adalberto Panzan Jr., proprietário da empresa ADS Logística Ambiental®, para realizar benchmarking do projeto aplicativo referente ao tema Descarte de Resíduos Têxteis, tendo a oportunidade de conhecer todos os pontos que a legislação e agências reguladoras preveem, e suas dificuldades no seu trâmite.
Na fundação da ADS Logística Ambiental®, o principal objetivo era disponibilizar para as empresas opções de coleta de materiais alcalinos (pilhas) e lâmpadas, pois o mercado começava a ter um olhar de preocupação para o impacto ambiental no
descarte inadequado. Ainda não existiam políticas de sustentabilidade claras para agregar valor às Cias. No decorrer dos anos, o tema começou a ganhar grande relevância, proporcionando uma transformação para a ampliação da Logística Reversa para outros itens como eletrônicos, toners, calçados, uniformes e entre outros resíduos gerados no dia a dia.
Com o avanço das políticas de compliance ambiental foi necessário desenvolver suporte para quantificação dos resíduos, para demonstrar a economia circular, com o propósito da destinação dos resíduos de forma adequada transformando-os em matéria-prima, evitando, assim, a utilização de novos recursos na produção. A sociedade está, cada vez mais, dando credibilidade às empresas que possuem políticas ambientais definidas, aumentando o seu valor e relevância. Elas também contribuem para indicadores de ISO 14001 entre outras normas.
Uma das maiores dores para operacionalizar a coleta dos materiais e o seu acondicionamento, ainda é a Logística Reversa, pois existe uma diferença muito grande entre ela e os itens que não possuem valor comercial, entre outras ações que contribuem para o sucesso da operação.
“O propósito da nossa Logística Reversa é prover soluções ambientais de itens descartados para que sigam um caminho rastreado, desde o seu ponto de consumo até a sua destinação final, de forma correta” enfatiza Adalberto Panzan Jr.
Os compromissos com ASG são uma realidade para as empresas em todo o mundo, para o atingimento dos parâmetros ambientais de compliance. Além de preservar o meio ambiente, o reaproveitamento dos resíduos também colabora com a redução dos lixões e aterros sanitários, altamente poluentes para o meio ambiente, evitando a exploração de novos recursos naturais e gerando economia.
As secretarias estaduais, municipais e o governo Federal, com o Programa Lixão Zero, começam a estabelecer políticas de Logística Reversa de vários itens do nosso consumo, com a homologação de pontos de coleta para destinação. Alguns países da Europa já estão coletando resultados expressivos com a Logística Reversa.
De acordo com os governos Europeus, a Logística Reversa representa uma prioridade para os Ministérios do Meio Ambiente, com o lançamento de novos programas de reaproveitamento e destinação.
Adalberto Panzan Jr. ainda destacou que grande parte das ações necessita da conscientização das pessoas, não adianta apenas querer, precisa-se convocar a sociedade e realizar convênios com instituições que acreditam no propósito para um
mundo melhor, só assim se iniciará uma transformação para reduzir o perigo iminente com a escassez dos recursos ambientais.
4.2.2 Azul Cargo®
Em março de 2022, foi realizado um benchmarking com o Sr. Douglas Moreira Pacheco (Gerente de Planejamento de Cargas SR) da Azul Cargo®.
Foi apresentado o presente projeto aplicativo de Logística Reversa para resíduos sólidos do tipo têxtil, mais especificamente, uniformes das empresas, com o objetivo de restringir o escopo, saindo do campo de varejo e focando apenas no Business to Business (B2B) e a busca de uma parceria com a empresa Retalhar®. Após a explicação do escopo, o Sr. Douglas, manifestou-se otimista quanto ao projeto, corroborando com a questão ASG da Azul Cargo® e sendo, portanto, considerado um diferencial como oferta de serviço para os clientes da companhia.
Em seguida, foi abordada a possibilidade de realização de benchmarking com alguns clientes Azul Cargo®, com o objetivo de identificar como os uniformes são destinados nessas companhias, para entender o interesse e dificuldades quanto à destinação deles. O Sr. Douglas informou que seria viável devido já ter tido iniciativas similares, anteriormente, para outros projetos da Azul Cargo®.
O único ponto levantado durante o benchmarking pelo Sr. Douglas, com relação ao projeto aplicativo, foi a busca de um modelo de negócios que consiga dar exposição à marca Azul Cargo®, uma vez que, inicialmente, a proposição é que esse serviço de Logística Reversa seja um bônus aos clientes corporativos da Azul Cargo®, não havendo cobrança, corroborando com a veia ASG que a Azul Cargo® tem buscado ter e levar ao mercado, beneficiando a todos os envolvidos.
4.2.3 Retalhar®
Em março de 2022, foi a vez de conversar com Gabriel Castanho, responsável pela área comercial da Retalhar®. Abaixo segue as perguntas e respostas dessa conversa:
1) O processo de transporte de uniformes até a Retalhar® é uma dor para possíveis clientes?
Resposta: Com certeza. Costumamos dizer que a Retalhar®, é um negócio social, onde a gente faz a Logística Reversa de resíduos têxteis, em geral (antes era apenas uniformes). Por que é uma dor? Porque eu acredito que logística é uma coisa muito maior que transporte. Não é só mover uma carga de A para B. É considerar todo o impacto ambiental e todo custo envolvido nisso. E tem muita burocracia para transportar resíduo, e que entra na questão do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), pois quem tem a obrigação do PGRS só pode enviar resíduo com o Manifesto de Transporte de Resíduo (MTR), e nem todas as transportadoras têm autorização para trabalhar, precisam fazer o cadastro no Sistema Estadual de Gerenciamento Online de Resíduos Sólidos (SIGOR) para o Estado de São Paulo. Por si só, já é um processo burocrático, mas que envolve um pensamento logístico, o que faz mais sentido. Inclusive, as maiores transportadoras do Brasil, muitas delas fornecedores da Retalhar®, sofrem com essa burocracia. Então, é possível imaginar que não é algo tão simples.
2) Um uniforme que é enviado para cliente (quando ele compra), por não ser considerado descarte, o processo é considerado diferente?
Resposta: Sim, muito mais simples. Você não precisa ter todo esse cuidado para poder transportar apenas com MTR, limitando apenas algumas transportadoras que possuem o cadastro no SIGOR. Por conta dessa “especialização” que as transportadoras possuem, o valor do frete é mais alto, elas cobram mais, pois elas têm esse diferencial (possibilidade de transportar resíduos). Essa obrigatoriedade é nova, com uma lei que entrou em vigor em 2021, é muito recente.
3) Então, obrigatoriamente, o transporte do resíduo precisa ser com uma transportadora com MTR?
Resposta: Apenas se houver a obrigatoriedade da empresa em ter um PGRS. Se não houver essa obrigatoriedade, basta emitir uma NF de simples remessa para o transporte acontecer, o que transforma o processo muito mais simples e barato.
4) Quem é obrigado a ter o PGRS?
Resposta: Precisa verificar a lei que institui esse plano.
5) Uniforme é considerado um resíduo?
Resposta: Sim, com certeza. Ele é um resíduo têxtil enquadrado na categoria de resíduos sólidos.
6) Mesmo com iniciativas como upcycling, para transformar o uniforme em outro produto, ainda assim é considerado resíduo?
Resposta: Sim, é considerado resíduo, mas só se a empresa estiver obrigada pelo PGRS. Inclusive, uniformes novos que não foram utilizados, são enquadrados como resíduos, pois estão sendo encaminhados para serem vendidos, por exemplo, estão sendo encaminhados para descarte.
7) Conceitualmente, qualquer produto que esteja sendo encaminhado para descarte (incineração, upcycling etc.), é considerado resíduo?
Resposta: Sim, principalmente se estiverem sendo encaminhados para a Retalhar®, pois a nossa Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) não nos possibilita fazer qualquer outra coisa com o resíduo, a não ser destinar. A Retalhar®, do ponto de vista fiscal, é um destinador, a gente só pode beneficiar o resíduo e preparar ele para ser reciclado ou reaproveitado, ainda que seja um material novo (nunca usado e ainda na embalagem).
8) Quem precisa ter o MTR e o cadastro no SIGOR?
Resposta: Todos da cadeia do resíduo, ou seja, o gerador (cliente da Retalhar®), a transportadora (fornecedor da Retalhar®) e o destinador (Retalhar®), pois o governo utiliza do MTR para rastrear o resíduo e sua destinação.
9) Sabe dizer sobre o custo e complexidade para ter o MTR?
Resposta: Não é caro e nem complexo. A gente já conversou com transportadoras que não tinham e eles se cadastraram e começaram a operar.
10) Alguma região do Brasil possui maior dificuldade de atendimento por parte da Retalhar®?
Resposta: Sim. A operação da Retalhar®, hoje, é na cidade de São Paulo e, por conta disso, acima de 1.000 a 1.500 km, em geral, não é uma regra, mas é baseado em estudos desenvolvidos pela Retalhar®. É praticamente inviável o transporte dos resíduos até a Retalhar®, porque, normalmente, o custo de transporte, levando em consideração que são transportados exclusivamente pelo modal rodoviário, é maior que o serviço cobrado pela Retalhar®. A gente até tem clientes mais distantes, entretanto, são clientes que geralmente possuem, de alguma forma, outras formas de entregar os resíduos na Retalhar® (frete-retorno, por exemplo), o que viabiliza o transporte. Para distâncias muito grandes (Região Norte e boa parte da Região Nordeste), a gente nem faz cotação. Outra questão, é que a cadeia de reciclagem têxtil, é muito restrita ao sudeste.
11) E nesses casos, de clientes muito distantes, qual a alternativa?
Resposta: Normalmente, esses clientes preferem utilizar de outros meios, como por exemplo, destinar para aterros perto ou até mesmo incinerar. Essa alternativa, não chega a ser um concorrente da Retalhar®, mas é um substituto, que claramente não é sustentável e que está contribuindo para emissão de CO2, mas é uma alternativa muito mais barata.
12) Considerando que a questão do custo seja resolvida por meio de uma solução apresentada por este projeto aplicativo, não há nenhuma outra questão para que a Retalhar® possa atender a esses clientes mais distantes, certo?
Resposta: Certo, o problema é exclusivamente o custo.
13) Especificamente, para essa questão do frete, como é a cotação da Retalhar®? Vocês indicam alguma transportadora e o cliente negocia diretamente com eles, ou vocês embutem no preço do serviço?
Resposta: A gente tem duas formas de precificar o frete. A Retalhar® não tem transportadora própria, então a gente terceiriza. Também não temos uma única transportadora com quem trabalhamos, são várias. Na proposta, passamos o valor do nosso serviço e, à parte, o valor do transporte, até para que o cliente possa comparar quanto está pagando apenas pelo serviço e quanto está pagando pelo transporte. A outra forma, seria o gerador do resíduo trazer o
resíduo até a Retalhar®, ficando o frete por sua conta sem a intermediação da Retalhar®.
14) Considerando que o nosso projeto seja implantado em alguma empresa, a Azul Cargo®, por exemplo, seria possível a Retalhar® utilizar desse parceiro em suas cotações?
Resposta: Sim, não vejo problema quanto a isso, desde que esse parceiro consiga atender, de fato, considerando todas as especificações necessárias (custo reduzido, inclusive).
15) Há alguma padronização de como esses uniformes precisam chegar até a Retalhar®?
Resposta: Existem alguns tipos de padronização. Primeiro, o mais importante, é cuidar para que o resíduo não se torne um resíduo Classe I. Como isso pode acontecer? Existem duas categorias de resíduos: Classe I e II. O resíduo Classe I é um resíduo que possui qualquer possibilidade de contaminação física, química ou biológica e o Classe II não tem essa possibilidade. Então, muitas vezes, por falta de processos, o gerador do resíduo deixa o material de Classe II exposto a umidade, chuva etc., e ele se transforma em um resíduo de Classe I, já não podendo ser reaproveitado para reciclagem. O primeiro processo de padronização é cuidar para que um resíduo de Classe II não se transforme em um resíduo de Classe I. Depois disso, não é mais tão complicada a padronização, bastando apenas acondicionar o resíduo em paletes, bags ou caixas. Por fim, por conta do volume e peso, é necessário algum equipamento mecanizado para carregar esses materiais para os caminhões, como por exemplo, empilhadeiras ou paleteiras (que poderiam ser orgânicas a veículos de transporte com rampas articuladas). Importante, também, realizar a pesagem do material antes de enviar, pois a cotação do frete é baseada, dentre outras coisas, no peso do resíduo.
16) Então essa questão de pesagem, padronização e colocação no caminhão é uma preocupação do gerador do resíduo?
Resposta: Sim, mas há outra questão importante, que é a de separação de uniformes (resíduos têxteis) de EPIs, pois, botas, capacetes e outros EPIs, não
são aceitos pela Retalhar®, pois não são resíduos têxteis e não podem ser misturados com uniforme. O problema é que algumas empresas consideram EPI como uniforme, o que gera uma dificuldade no entendimento. Caso a Retalhar® receba esse material, será devolvido, gerando um custo adicional ao cliente.
17) Após a contratação do serviço da Retalhar®, é gerado algum certificado de destinação do resíduo?
Resposta: Sim, o certificado garante segurança ao cliente, informando qual o volume recebido, local de destinação, dentre outras informações. Outro documento entregue ao cliente é o relatório de impacto, informando qual o impacto causado com aquela destinação correta, bem como o laudo de inutilização das peças, com filmagem das peças na Retalhar® sendo inutilizadas.
18) Há a possibilidade de se obter esses documentos para análise?
Resposta: Sim, sem problema, vou disponibilizar a vocês.
19) Além do custo, existem outras dores identificadas pela Retalhar®?
Resposta: Uma dor muito recorrente é o fato de os clientes da Retalhar® não possuírem processos bem definidos para entrega dos resíduos ao transportador, por exemplo, informando um peso previamente e durante a coleta esse peso ser muito maior. Isso causa muito transtorno, pois, na maioria das vezes, o transportador não possui veículo adequado para aquela nova demanda, ficando o transporte inviável. Outra dor, é a questão do próprio processo de destinação, em que a ausência de processos desencadeia os problemas ao longo da cadeia de destinação. E por processos pode-se entender como coisas simples, por exemplo, acondicionamento dos uniformes, controle de quantidade, controle de vida útil, localização etc.
20) O nosso projeto, considerando a Logística Reversa dos uniformes com preços mais atrativos, faz sentido para o modelo de negócio da Retalhar®? Geraria valor aos clientes?