Para o recorte da área de influência direta da UHE Espora, utilizou-se o banco de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, do Sistema Estadual de Estatística de Informações Geográficas – SIEG e do USGS-US Geological Survey (2018). A escala de 1:250.000, utilizada nesta pesquisa, justifica-se em razão de o estado de Goiás não ter mapas com escala de 1:50.000 e de 1:100.000 para região sudoeste de Goiás. A área de estudo possui 837,29 km² e um perímetro de 181km, com uma área alagada em torno de 30,6 km².
O programa computacional utilizado para o mapeamento do uso da terra e delimitação do reservatório da UHE Espora (GO) foi o software ArcGIS 10.6.1 (licenciado pelo Laboratório de Geoinformação da UFJ). Seguiram-se os procedimentos e critérios descritos por Souza et al. (2014), por meio da ferramenta Spatial analyst Tools.
Na produção dos mapas temáticos de geologia, geomorfologia e solos, foram utilizadas as bases do shapefiles disponibilizadas pelo SIEG, na escala de 1:250.000, Datum WGS 1984, do fuso 22 sul. As cores dos mapas foram definidas conforme paletas de cores da EMBRAPA (2018). Os mapas de declividade, de altimetria e o de perfil topográfico foram elaborados a partir do Raster, com escala de 1:250.000, adquiridos do Banco de Dados Geomorfométricos do Brasil - TOPODATA, com resolução de 30 metros, utilizando a ferramenta Toobox, 3D Analyst tools. As classes de declividade foram geradas conforme a proposta de Ramalho Filho e Beek (1995) (Quadro 7).
Justifica-se o uso das classes de declividade conforme proposta de Ramalho Filho e Beek (1995) que ele utiliza o método preconizado pelo Sistema da Aptidão Agrícola das Terras para avaliação da aptidão agrícola.
Quadro 7 - Classes de declividade conforme proposta de Ramalho Filho e Beek Declividade (%) Classes
0 – 3 Plano
3 – 8 Suave ondulado
8 – 13 Moderadamente
Ondulado
13 – 20 Ondulado
< 20 Forte Ondulado Fonte: Ramalho Filho e Beek (1995). Elaborado pelo próprio autor.
O mapeamento de uso e ocupação da terra da bacia hidrográfica do reservatório da UHE Espora foi realizado em intervalos de cinco em cinco anos (2003, 2008, 2013 e 2018), com o propósito de entender as alterações de uso e ocupação das terras da bacia da UHE Espora antes e após a construção do reservatório, contemplando um período de 20 anos. As cores dos mapas foram estabelecidas de acordo com o IBGE (MONTEIRO FILHO, 2013). Foram utilizadas imagens dos satélites Landsat 5 – Sensor TM (Thematic Mapper) e do Landsat 8 – Sensor OLI (Operational Land Imager), utilizando as bandas R (red), G (green) e B (blue) (USGS, 2019), adquiridas pelo sistema Earth Explorer do U.S. Geological Survey (USGS), gerido pela National Aeronauticsand Space Administration (NASA). Datum – WGS84.
As seleções das imagens dos satélites deram-se a partir das melhores resoluções, levando em consideração as imagens da área de estudo com menores coberturas de nuvens (Quadro 8), com base nos quatro períodos analisados. A primeira imagem, datada de 17/08/2003, corresponde à fase anterior à construção do reservatório da UHE
Espora; a segunda imagem é de 14/08/2008 – período posterior ao rompimento da barragem do reservatório da UHE Espora; a terceira imagem é de 15/08/2013, período de estabilidade do reservatório; a quarta e última imagem, de 10/08/2018, é do período de coleta dos dados para desenvolvimentos da pesquisa.
As bandas (3, 4, 5 e 6) do satélite Landsat foram utilizadas na geração da composição colorida (RGB), com uso da ferramenta Composite Bands. Posteriormente, foi selecionado o método de classificação não-supervisionada pela ferramenta
“Multivariate/Iso clauster Unsupervised”, que executa a associação dos pixels semelhantes, formando as classes de uso em um arquivo matricial tipo raster, o qual foi convertido em formato vetorial, tipo shapefile (shp) (NASCIMENTO et al., 2016).
Quadro 8 - Características das imagens de satélites selecionadas para o estudo Data da Imagem Órbita Ponto Satélite Bandas
RGB
Resolução Espacial 17-08-2003 223 73 Landsat 5 TM
5, 4, 3
30 m x 30 m 14-08-2008 223 73 Landsat 5 TM
15-08-2013 223 73 Landsat 8 OLI 6, 5, 4 10-08-2018 223 73 Landsat 8 OLI 6, 5, 4 Elaborado pelo próprio autor.
A correção dos polígonos que ficaram ambíguos nas classes pré-definidas pelo programa foram realizadas utilizando-se a ferramenta “Fild Calculator” para alteração dos atributos e reclassificação das respectivas classes corretas; a partir disso, foi gerado o mapa temático final de uso da terra para cada período analisado.
Para fins de acompanhamento dos atributos físicos na área da pesquisa, foram elaborados quatro perfis topográficos da área representativa da pesquisa, seguindo os procedimentos descritos por Rodrigues, Silva e Cavalcante (2017), sendo considerados cinco atributos físicos da paisagem, levando em consideração os mapas de geologia, altimetria, declividade, solo, uso e ocupação, junto às informações adquiridas em trabalhos a campo, que contribuíram para identificar as Geounidades na bacia em questão.
Os perfis topográficos foram construídos de acordo com a proposta de Gomes e Cabral (2019), a partir dos atributos físicos dos mapas temáticos de Altimetria, Geologia e Solos, realizados no ArcGIS 10.6.1, licenciado pelo laboratório de Geoinformações da Universidade Federal de Jataí-UFJ. O perfil topográfico foi gerado a partir da imagem de satélite SRTM (Shuttle Radar Topography Mission), com dados de altitudes e
resolução espacial de 30 metros, disponibilizados pelo TOPODATA, folha 18S_525, gerando um gráfico bidimensional, demostrando o relevo, em que é traçada uma linha previamente definida para analisar a área estudada.
A partir da confecção do perfil topográfico no ArcGIS, ele é enviado ao software CorelDraw para edição das Geounidades. As unidades estruturais foram identificadas com a integração dos mapas temáticos e utilizadas as características dos ambientes mais significativos da dinâmica local. A identificação das unidades estruturais foi realizada a partir da unidade geológica, pois, essas unidades são as mais heterogêneas e têm maior exposição de classes de interferências na paisagem da bacia hidrográfica da UHE Espora.
Os mapas de uso da terra foram elaborados pelo software ArcGIS 10.6.1., utilizando a classificação não supervisionada Iso Cluster Unsupervised Classification, realizada por meio da união dos pixels espectralmente próximos, que dão origem às classes que foram executadas pelos classificadores (algoritmos), conforme 3ª edição do Manual Técnico de Uso da Terra (IBGE, 2013), que divergem de acordo com o programa utilizado. Foram geradas 300 classes e, para um melhor refinamento e qualidade dos mapas, foram conferidas uma por uma, para diminuir a mistura das classes.
Dessas 300 classes, foram identificadas as classes de uso da terra, que foram unidas de acordo com sua classe, por meio da função ArcToolbox, Spatial analyst tools, Reclass.
O número de classes foi gerado conforme o predomínio na área de pesquisa, utilizando o Sistema de Classificação de Uso da Terra (SCUT), que possibilita a definição das legendas do mapeamento, permitindo a identificação e descrição da cobertura e uso da terra, conforme Manual Técnico de Uso da Terra do IBGE. Para definição dos procedimentos metodológicos dos mapas de Uso da Terra, as classes englobaram as categorias: “Água”, para classe de águas continentais; “Áreas antrópicas agrícolas”, pertencente às classes de Culturas temporárias e pastagens e “Área de vegetação Natural”, Campestre (IBGE, 2013).