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Procedimentos de Trabalho

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 157-161)

Escolhemos, pois, os seguintes procedimentos de pesquisa:

5. Pesquisa bibliográfica: a partir dos materiais publicados sobre a temática;

6. Pesquisa documental: diários, fotografias, relatórios, programas de governo nas suas diferentes instâncias, etc;

7. Levantamento: caracteriza-se pela investigação direta das pessoas, cuja opinião se quer conhecer (indígenas em contexto urbano na cidade do Rio de Janeiro remanescentes do Grupo Raízes Históricas Indígenas).

8. História Oral: Aqui entendemos Memória como um conceito crucial para melhor definir o percurso metodológico desta investigação, para além dos aspectos biológicos e psicológicos, o “comportamento narrativo” (LE GOFF, 1996) dos sujeitos em questão (indígenas em contexto urbano na cidade do Rio de Janeiro (2012 – 2017).

Partiremos de uma forma específica de memória, conforme Le Goff (1996), a “memória étnica”, responsável pela reprodução dos comportamentos nas sociedades humanas.

Ainda a noção de “memória coletiva”, que, conforme Le Goff (1996, p. 426):

[. . .] foi posta em jogo de forma importante na luta das forças sociais pelo poder.

Tornarem-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos da memória coletiva.

Assim, na relação entre memória e relações sociais (e relações de poder), a memória produz um saber e constitui parte da História Oral. Dessa forma,

A memória, onde cresce a história que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens (LE GOFF, 1996, p. 477).

Utilizaremos aqui a metodologia da História Oral com base em Polack (1989), Le Goff (1996) e Alberti (2005).

Com base em Alberti (2005) consistirá nas seguintes etapas:

8. Escolha do método: recuperação do passado conforme concebido pelos que o viveram ao estudar as versões que os entrevistados fornecem acerca do objeto de análise;

9. Escolha dos entrevistados: a quem entrevistar? Que tipo de pessoas entrevistar?

Qual o significado de sua experiência com o tema?

10. O número de entrevistados;

11. Escolha do tipo de entrevista: a. entrevistas temáticas – participação do entrevistado no tema escolhido; b. história de vida – o centro do interesse é o próprio indivíduo na história.

12. Elaboração do roteiro geral das entrevistas e do cronograma de trabalho;

13. Gravação em vídeo (ou áudio a depender do grau de inibição ou desinibição do entrevistado). Observar o ambiente e adequá-lo antes da entrevista;

14. Escuta do material e da transcrição;

ANEXO B

Roteiro de entrevista de História Oral

Identificação

1. Qual seu nome indígena e seu nome de registro?

2. Qual sua etnia, povo e qual cidade estado do Brasil provém?

3. Qual sua idade e composição familiar? (quantos e quais filhos, marido, esposa)?

São ou os considera indígenas? De qual etnia?

Moradia

4. Onde reside no contexto urbano da cidade do Rio de Janeiro atualmente? Em quais lugares já residiu na cidade do Rio de Janeiro? Que tipo de moradia tem (casa própria, aluguel, mora com parentes ou amigos)?

5. Fale um pouco de sua História de Vida, como se inicia sua história na aldeia?

6. Quais as questões sua etnia indígena enfrentou e enfrenta na aldeia de origem?

Esta questão foi trabalhada?

7. O que motivou sua saída da aldeia para a cidade do Rio de Janeiro, ou de seus parentes (pais, avós)? O Rio de Janeiro foi o primeiro destino? Se não, por onde passou e conte-nos um pouco desse percurso?

8. Como foi a chegada na cidade do Rio de Janeiro? Quais questões enfrentou nos primeiros contatos com a cidade?

Trabalho

9. Você tem um trabalho atualmente? Onde ou com o que trabalha? Tem ligação com sua cultura de origem? Fale-nos um pouco sobre sua relação com o trabalho na cidade do Rio de Janeiro.

10. Dos locais de trabalho não ligados à cultura indígena onde trabalhou na cidade do Rio de Janeiro quais foram e por quanto tempo? Por que motivo saiu, se saiu deste ou destes trabalhos?

Lutas Sociais

11. Fale-nos de sua participação no Grupo Raízes Históricas Indígenas (Rahis)? Como e por que motivo formaram esse grupo no ano de 2012? Poderia falar um pouco das ações coletivas realizadas pelo Rahis?

12. Como vê o impacto das ações do grupo Rahis em sua atuação na cidade do Rio de Janeiro entre 2012 e o momento atual (2017)?

13. O grupo contribuiu para sua atividade como indígena? O que fica do Rahis em sua ação e atividade?

Direitos Sociais

14. O que você entende por “direitos sociais”?

15. Como relaciona “direitos sociais” com “direitos indígenas”?

16. No que diz respeito aos direitos sociais, como os acessa (se vê que os acessa) na cidade do Rio de Janeiro?

17. Já se sentiu desrespeitado em algum direito social nesses anos em que está ou esteve na cidade do Rio de Janeiro? Poderia falar um pouco em que situações?

18. Como vê a ação do Estado na garantia de direitos sociais aos indígenas que vivem na cidade do Rio de Janeiro?

19. Como relaciona seu trabalho com a defesa dos direitos sociais?

20. Num exercício de imaginação fale-nos um pouco como seria a cidade que respeita os direitos dos indígenas? Em que aspectos nos direitos sociais?

ANEXO C

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Você está sendo convidado(a) a participar, como voluntário(a), do estudo/pesquisa intitulado(a) “O Corpo Político e a Política do Corpo: indígenas em contexto urbano na cidade do Rio de Janeiro frente o acesso aos direitos sociais (2012-2017)”, conduzida por William Berger. Este estudo tem por objetivo: compreender como se tecem as relações sociais dos sujeitos sociopolíticos “indígenas em contexto urbano” frente ao acesso a direitos sociais;

identificar a história de cada participante, as percepções dos indígenas em contexto urbano e suas trajetórias da aldeia à cidade do Rio de Janeiro; identificar como se constitui coletivamente (associam, organizam) os indígenas em contexto urbano na cidade do Rio de Janeiro, entre 2012 e 2017; identificar os grupos, associações e movimentos sociais onde se associam; investigar dilemas e percepções dos indígenas no contexto urbano frente ao acesso aos direitos sociais a partir da observação da moradia, lutas sociais, trabalho direitos sociais;

identificar quais são as políticas adotadas em relação às populações indígenas em contexto urbano pela cidade do Rio de Janeiro, entre 2012 a 2016, no tocante à moradia e ao trabalho.

Você foi selecionado(a) por por se declarar indígena e ter feito parte de ações coletivas de indígenas na cidade do Rio de Janeiro (Grupo Raízes Históricas Indígenas e/ou Aldeia Maracanã). Sua participação não é obrigatória. A qualquer momento, você poderá desistir de participar e retirar seu consentimento. Sua recusa, desistência ou retirada de consentimento não acarretará prejuízo. Como possíveis riscos você poderia sua narrativa adulterada, mas será aqui observada a ética em pesquisa e nos comprometemos a lhe mostrar a transcrição de sua entrevista de História Oral antes de finalizar a tese. Sua participação não é remunerada nem implicará em gastos para sua pessoa. Sua participação nesta pesquisa consistirá em contar sua trajetória (ou de seus pais e avós), da aldeia de origem ou outro local à cidade do Rio de Janeiro e de volta (se o fez), bem como sua posição frente a três questões: ação coletiva (do/os grupo/s que participa/ou), moradia e trabalho. A duração tem em média uma hora e meia, e será conduzida por William Berger, autor desta pesquisa, com sua presença e de quem deseje que esteja com você, mas será dirigida à sua pessoa. Faremos o registro em áudio (som) e solicitaremos uma imagem sua, escolhida por você, para ser colocada junto à sua entrevista no trabalho final. Caso opte, podemos manter o sigilo de seu nome e imagem. Os dados obtidos por meio desta pesquisa serão confidenciais e não serão divulgados em nível individual, visando assegurar o sigilo de sua participação. Só será apresentado e posteriormente publicado (da transcrição de sua entrevista) o que foi previamente aceito na revisão do

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 157-161)

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