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1. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O método científico está fundamentado em um elemento que é indispensável, a observação. Através da observação a partir de todos os nossos sentidos e não somente daquilo que vemos, elaboramos questões e reflexões entendendo, assim, como se dão os fenômenos e processos sociais e geográficos.

Além da observação contida no método científico, devemos sempre nos atentar para a formulação de um problema e pergunta que norteará os nossos passos nessa caminhada, a pergunta é baseada na observação de um determinado fenômeno e tem como um dos principais objetivos resolver ou apresentar caminhos para os problemas encontrados.

As ciências sociais regrediram quando se adaptaram a uma visão unidimensional da realidade a partir da influência do positivismo da escola norte-americana, que possuía uma visão centrada no funcionalismo, na ordem que leva ao progresso, na suposta neutralidade do pesquisador, entre outros elementos que levaram às ciências sociais a interpretar e a ler a realidade que nos cerca. No entanto, é a partir da segunda metade dos anos 60 que ocorrem mudanças significativas no campo das ciências sociais e o espírito crítico e reflexivo passa a ser incorporado por uma gama de pesquisadores ancorados por uma visão crítica.

O materialismo histórico é concebido por Richardson (1999), como uma ideologia e ciência do marxismo que se opõe de forma clara ao positivismo e ao estruturalismo; os principais motivos dessa oposição está contido na compreensão e no olhar que esse método tem em relação a interpretação da natureza, ao olhar pela janela da ciência o materialismo histórico vislumbra a realidade e a partir da constatação do material aproxima-se do método e do estudo através da dialética.

O que se entende por materialismo? De acordo com Marx e Engels, significa que o mundo exterior existe independente da consciência. Para o senso comum, isto é óbvio. Por exemplo, a árvore existe, independentemente da noção que tenhamos da árvore. Prova disso é que, ao bater nela, podemos nos machucar. Em termos de pensamento filosófico, porém, a questão não é tão clara. Para os idealistas, tudo que sabemos não passa de representações que se sucedem na consciência. Não se pode saber nada que não seja um fenômeno de consciência.

Assim, o mundo não existe independentemente da consciência humana. (RICHARDSON, 1999, p. 44)

A mudança qualitativa não é somente quando os números que representam um elemento quantitativo transformam-se em algo qualitativo, significa, sobretudo, a passagem de um estado para o outro, isto é, da quantidade para a qualidade, ressignificando e tornando

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possível diferentes leituras sobre o objeto de estudo investigado. Um exemplo desta compreensão é a construção no capítulo IV do que chamamos de Territórios da Morte, do Medo e de Resistência, são definições baseadas a partir de análises estatísticas que relevam a

“qualidade” de um determinado recorte territorial e escalar.

Desta forma, para compreendermos o materialismo devemos olhar para o mundo que nos cerca e identificar as pequenas interações físico-químicas que acontecem ininterruptamente até as interações mais complexas e permanentemente visíveis. Com isso, os objetos se diferenciam a partir de sua estrutura, de sua composição e de suas características, entretanto, “todos os fenômenos da natureza têm algo em comum, algo que os une”, isto é, todos eles existem, são unidos em um conceito material (RICHARDSON, 1999, p. 44).

A dialética está diretamente associada ao processo dialógico e construção dos contrários, caminha no sentido de refutar um processo ou interação a partir da redução do mesmo tornando-o verdadeiro ou falso, é o processo de desnudação do fenômeno, é retirado todo véu que esconde ou que nega a essência em si mesma e, o elemento que antes estava escondido, é colocado à prova, evidenciando seus reais processos e contradições.

Seus argumentos são divididos em três etapas, a tese, a antítese e a síntese. A tese está relacionada a elaboração de um argumento que torna evidente, claro e desnudado o fenômeno ou processo que será questionado; a antítese é o argumento oposto a tese apresentada inicialmente e, por fim, a síntese é a união das duas proposições e mantém os elementos que foram comprovados a partir dos contrários, é através da síntese que uma tese se eleva e é colocada em outro patamar.

A negação da negação é uma das leis mais interessantes contidas no materialismo dialético, é a partir dos processos antagônicos que novas formas e conteúdo são criados, o novo só existe porque o velho foi consumido e superado pelas forças existentes na matéria, nós estamos incessantemente trocando de células e para que as novas células possam nascer as velhas se findam.

A forma como analisamos e compreendemos a extensão e em alguns momentos a continuidade de um problema cientifico é o que de certa forma possibilitará a utilização de um método mais qualitativo ou quantitativo, parte novamente da intencionalidade do pesquisador, bem como dos objetivos que pretende alcançar, assim “a abordagem qualitativa de um problema, além de ser uma opção do investigador, justifica-se, sobretudo, por ser uma

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forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social” (RICHARDSON, 1999, p.

79).

Mas afinal o que é a pesquisa qualitativa, como ela estrutura e estabelece tom à pesquisa científica? Embora haja uma enorme discussão acerca do que é a pesquisa qualitativa e das diferenças existentes entre a abordagem qualitativa e a quantitativa, sabemos que de forma geral a pesquisa qualitativa busca compreender a disposição de significados e elementos situacionais de um determinado sujeito ou fenômeno social.

Além da adoção de uma abordagem qualitativa para construir uma pesquisa social bem como geográfica, podemos utilizar a perspectiva da pesquisa social crítica através da investigação de um fenômeno particular reconhecendo e atribuindo valor a sua história, ao seu desenvolvimento e ao produto que investigamos, fruto, portanto, de um processo acumulativo, antagônico e dialético, assim “o propósito desse estudo não é apenas registrar mudanças em sua aparência ou essência, mas revelar a natureza dinâmica da relação entre a aparência e a essência do fenômeno” (RICHARDSON, 1999, p. 92).

Buscamos construir a pesquisa dentro do rigor necessário para comprovar a seriedade e a veracidade contida nas linhas aqui apresentadas, no próximo item daremos início aos procedimentos metodológicos que nos trouxeram os resultados aqui apresentados, traremos o escopo de como realizamos o levantamento bibliográfico, banco de dados da violência LGBTfóbica, banco de dados referentes a ações e Paradas, desenvolvimento das entrevistas semiestruturadas e o processo de mapeamento.

1.1. Levantamento Bibliográfico

A primeira afirmação em torno da etapa metodológica que envolve o levantamento de obras como teses, dissertações, livros, capítulos de livros, artigos, entre outras obras, é compreender, que como vimos anteriormente, a pesquisa bibliográfica é a base para todo e qualquer trabalho científico. As pesquisas bibliográficas ou levantamentos bibliográficos podem se resumir a busca, seleção, filtragem e organização das informações sobre determinados assuntos, temas e conceitos.

O processo de levantamento bibliográfico ou seleção de obras científicas em seus mais variados formatos é realizado a partir da intencionalidade do pesquisador, esse é um ponto

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central para se compreender os resultados obtidos e o caminho percorrido até se chegar no banco de obras e materiais levantados.

Por meio do levantamento bibliográfico e do material recolhido e organizado é possível também a realização de um mapeamento das obras facilitando a busca das informações a partir dos diferentes recortes e intencionalidades, seja a partir do todo da dissertação, seja a partir dos capítulos específicos que envolvem sua construção.

No passado, os levantamentos bibliográficos e até mesmo a pesquisa documental, era realizada por meio de catálogos de bibliotecas ou materiais impressos, hoje em dia esses materiais podem ser facilmente encontrados em plataformas digitais, bancos e repositórios que disponibilizam todo o conteúdo de forma gratuita e aberta.

Para Fonseca (2002) a pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento das referências teóricas que já foram analisadas, isto é, são pesquisas concluídas e que resultaram na publicação efetiva de algum material ou conteúdo, seja através de plataformas virtuais ou bibliotecas físicas. A pesquisa bibliográfica é, portanto, o primeiro passo para a construção de qualquer pesquisa científica, é nesse processo que se compreende e se tem contato com a totalidade do tema pesquisado e como ele é abordado nas diferentes áreas do conhecimento científico.

Como já apresentado, o levantamento bibliográfico trata-se de forma inicial, da busca e filtragem de materiais expressos em artigos, monografias, teses e dissertações, que são investigadas e selecionadas através do interesse em áreas temáticas que possibilitem uma leitura em torno de aspectos relevantes na construção da pesquisa e, de uma boa base teórico- conceitual.

A busca foi realizada através de um refinamento que envolveu a seleção de palavras- chaves, bancos e repositórios a partir das intencionalidades e objetivos da pesquisa. Adotou- se e debateu-se conceitos, elementos e características presentes dentro das discussões acerca da geografia, dos Movimentos Sociais3, Movimentos Socioterritoriais, Movimentos Socioespaciais, Movimento LGBTQIA+; Espaço e Espacialidade; Território e Territorialidade;

Diversidade Sexual e de Gênero e Violência.

Deste modo, livros, teses, dissertações, artigos e monografias, são ferramentas que nos auxiliaram no processo de construção e ampliação do conhecimento já produzido,

3 Apesar do conceito de movimentos sociais a partir de um enfoque sociológico não ser um dos temas centrais da investigação, considerou-se importante a realização de um levantamento e reflexão que fornecesse bases conceituais e teóricas para tecer críticas, bem como estabelecer às potencialidades da geografia em relação a esse conceito.

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provocando conflitos e críticas em relação à diversas temáticas que trouxeram desconforto, nos fazendo buscar novas interpretações e leituras da teoria e da práxis acerca desses temas adjacentes.

A metodologia utilizada para a aplicação do levantamento bibliográfico, consistiu, na seleção de palavras-chave e na escolha de bibliotecas que disponibilizam obras online, e, por fim, na leitura de cada resumo, identificando conceitos, elementos e características que fazem parte da geografia e/ou se adequam aquilo que estamos procurando, ou que não destoam tanto da ciência geográfica e da concepção teórica e metodológica dos movimentos socioterritoriais e socioespaciais. Quando foram selecionadas obras mais destoantes foi exatamente no sentido de estabelecer um quadro conceitual dos extremos e das diferentes maneiras de se analisar um mesmo objeto.

As palavras-chaves utilizadas foram selecionadas mediante debates e discussões entre orientando e orientador, na busca por uma seleção e filtragem adequada, possibilitando o acesso a obras importantes em diferentes áreas do conhecimento. É válido destacar que a construção científica de conceitos, teorias e métodos perpassa etapas como a descrita neste tópico. Sem o levantamento bibliográfico, certamente não seria possível conhecer novos trabalhos, objetos e debates sobre os assuntos que atravessam essa pesquisa e podem, portanto, potencializar a leitura do objeto investigado nesta dissertação.

Figura 1 - Palavras-chaves selecionadas para a realização do levantamento

Organização: Wilians Ventura Ferreira Souza, 2023.

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As palavras-chaves selecionadas para a realização do levantamento bibliográfico foram: Diversidade Sexual e de Gênero; Espaço e Espacialidade; Território e Territorialidade;

LGBTQIA+; Movimentos Sociais, Socioespaciais e Socioterritoriais e Violência contra LGBTQIA+. Para além da escolha das palavras-chaves selecionadas intencionalmente, realizou-se uma breve discussão para que o processo de levantamento não fosse realizado de qualquer maneira, portanto, cada palavra-chave selecionada corresponde a uma intencionalidade específica e um diálogo com partes da dissertação.

Diversidade Sexual e de Gênero: a palavra-chave diversidade sexual e de gênero foi selecionada, pois surgiram nas últimas décadas, e, sobretudo, no âmbito acadêmico, diferentes debates e discussões acerca da diversidade Sexual e de gênero, são trabalhos que atravessam às ciências sociais, filosofia, antropologia, sociologia, psicologia, geografia etc. Como aponta Facchini e Rodrigues (2018), o movimento LGBTQIA+ organizado surge pelos fins da década de 1970, com o objetivo de trazer discussões e temáticas que correspondiam as suas vidas, vivências e experiências, é evidente que a partir do surgimento do Movimento Homossexual Brasileiro (MHB) essas discussões se tornaram assuntos recorrentes. Portanto, a escolha desta palavra nasce juntamente com a nossa intenção de compreender como os sujeitos que investigam essas temáticas tem trabalhado e construído conhecimento sobre o assunto.

Movimentos Sociais, Socioespaciais e Socioterritoriais: a palavra-chave Movimentos Sociais, Socioespaciais e Socioterritoriais se apresentou como relevante para a pesquisa, visto que pretendeu-se aprofundar a discussão acerca da atuação dos movimentos a partir de outras áreas do conhecimento para além da geografia, dessa forma, levantou-se trabalhos que abordem o conceito e a compreensão do que são os movimentos sociais e os seus reflexos, disputas e produções no campo e na cidade. A abordagem dos movimentos socioespaciais e socioterritoriais desenvolvida por um conjunto de pesquisadores, possibilita a realização não somente de uma leitura sociológica dos movimentos sociais, sobretudo, do Movimento LGBTQIA+, mas também, uma leitura geográfica, centrada nas ações, nos tipos de movimentos, nas práticas, nas manifestações, ocupações, dentre outras ações que revelam um caráter também espacial e territorial.

Espaço e Espacialidade: as palavras-chave Espaço e Espacialidade foram selecionadas para a etapa do levantamento bibliográfico dada a sua importância enquanto um conceito e categoria da geografia. É possível a partir do levantamento de obras que dialoguem com a

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temática da pesquisa, evidenciar os diferentes trabalhos e temáticas desenvolvidas na geografia e que possuem o espaço e a espacialidade como um conceito central da discussão teórica desenvolvida. É importante ressaltar que, para além da importância do conceito, o Espaço nos ajudou a compreender e a complementar a leitura em torno dos movimentos socioespaciais e dos processos decorrentes de suas ações.

Território e Territorialidade: as palavras-chave Território e Territorialidade foram selecionadas para a etapa do levantamento bibliográfico por também se tratar de um importante conceito da ciência geográfica e que também assumiu uma centralidade a partir das análises que foram feitas em torno dos movimentos socioterritoriais que se manifestam na cidade a partir de diferentes intencionalidades e processos geográficos.

Violência Contra LGBTQIA+: a palavra-chave Violência contra LGBTQIA+, foi central para se identificar e agrupar os trabalhos que enriqueceram a leitura em torno dos processos de violência e violação que envolvem a comunidade LGBTQIA+ no Brasil. Como aponta o Relatório anual produzido pelo Grupo Gay da Bahia, o Brasil é o país que mais mata LGBTQIA+ no mundo; somente em 2018, como aponta a instituição, foram assassinadas 420 pessoas, havendo ainda muitos dados subnotificados. Essa constatação evidencia uma relação espacial e territorial marcada pela disputa não somente dos territórios materiais, mas também de conceitos que afirmam e reafirmam um modelo de sexualidade, dada relação apresenta uma evidente complexidade. As violências e violações acontecem em um determinado território, sob uma influência normativa, portanto, a busca pela intelecção da violência é um elemento crucial para a leitura das espacialidades e territorialidades, como também da espacialização e territorialização desses sujeitos, elementos evidenciados e presentes nas narrativas das pessoas entrevistadas.

LGBTQIA+: A abreviação LGBTQIA+ corresponde a Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Queer, intersexuais e Assexuais; utiliza-se essa sigla como palavra- chave e aplicação, objetivando resultados mais específicos, já que são sobre esses sujeitos que compõem o Movimento LGBTQIA+ que se pretendeu falar e escrever, portanto, identificar o que há de produção acerca desta temática foi uma busca importante.

Para a busca efetiva das produções acerca de todos os temas e palavras-chaves previamente selecionados, foram necessárias a construção e a seleção estratégica de algumas plataformas, bancos e repositórios que poderiam, de alguma maneira, contribuir com a busca dos trabalhos e produções presentes na temática da pesquisa.

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Nesse sentido, realizou-se a escolha de 8 plataformas que proporcionaram o acesso a um número elevado de artigos, monografias, dissertações, teses e livros que se interseccionam com a temática da pesquisa e com o campo de investigação, são elas: Athena – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Biblioteca Digital da Unicamp (UNICAMP), Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP (USP), Catálogos de Teses e Dissertações da CAPES, Base Minerva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Plataforma Scielo e, por fim, Google Acadêmico.

Todas as plataformas selecionadas foram essenciais para a obtenção dos títulos e arquivos levantados que, sem dúvida, trouxeram mais discussões e aprofundamentos sobre conceitos e temas que atravessam essa pesquisa. Optou-se pela escolha de três bancos e repositórios das universidades que mais realizam produções bibliográficas no estado de São Paulo: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Universidade de Campinas (UNICAMP). Entretanto, para além dessas três universidades, também foram realizadas buscas no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES o que possibilitou e ampliou o acesso a diferentes dissertações e teses produzidas em grande parte dos Programas de Pós-Graduação espacializados pelo país, bem como o Google Acadêmico que possibilitou o contato com diferentes obras, inclusive trabalhos em repositórios internacionais.

Foram levantadas ao todo 327 obras nas 8 plataformas digitais de pesquisa. Essas obras foram previamente analisadas e identificadas como importantes referências e por esse motivo foram levadas ou foram escolhidas por possuírem um debate próximo com a temática da pesquisa desenvolvida. A metodologia utilizada para a realização da escolha foi a leitura dos resumos e a identificação da relevância da obra.

54 Gráfico 1 - Qualidade das obras selecionadas

Fonte: Bibliotecas e Bancos consultados.

Organização: Wilians Ventura Ferreira Souza, 2023.

Das 327 obras levantadas, 191 (58%) são artigos científicos nacionais e internacionais, 80 (25%) são dissertações produzidas pelos alunos dos programas de pós-graduação de todo o Brasil, 44 (13%) são livros publicados com seletiva política editorial e, por fim, 2 (1%) monografias que foram escolhidas pela relevância do tema e contribuição teórico-conceitual.

191 80

44 10

2

Artigo Dissertação Tese Livro Monografia

0 50 100 150 200 250

55 Gráfico 2 - Banco ou Repositório das obras levantadas

Fonte: Bibliotecas e Bancos consultados.

Organização: Wilians Ventura Ferreira Souza, 2023.

Já em relação às 8 plataformas selecionadas para a realização do levantamento das monografias, artigos, livros, teses e dissertações, é possível observar a partir do gráfico 2, uma maior concentração de materiais levantados no Google Acadêmico com 128 (39%) produtos, seguido pela Athena – Universidade Estadual Paulista (UNESP) com 57 (17%) produtos, Plataforma Scielo com 34 (10%), seguido do Repositório da Produção Científica da Unicamp com 28 (9%) produtos levantados, Biblioteca Digital da USP com 27 (8%) produtos levantados e, por fim, a plataforma Minerva da UFRJ com 12 (4%) produtos levantados.

Vale ressaltar, que quando aplicamos as palavras-chave no Google Acadêmico obtivemos um enorme volume de trabalhos, sobretudo, pela capacidade de busca que a plataforma possui, principalmente, por estabelecer entrecruzamentos com diferentes outros bancos e repositórios nacionais e internacionais.

128 57

41 34 28 27 12

Google Acadêmico Universidade Estadual

Paulista (UNESP) Plataforma Scielo Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES Repositório da Produção Científica e Intelectual da

Unicamp Biblioteca Digital da USP

Minerva (UFRJ)

0 20 40 60 80 100 120 140

56 Gráfico 3 - Obras selecionadas por Palavra-Chave

Fonte: Bibliotecas e Bancos consultados.

Organização: Wilians Ventura Ferreira Souza, 2023.

Em relação as palavras-chaves aplicadas nos bancos e repositórios, é possível observar um maior acúmulo de obras levantadas a partir da palavra-chave movimentos sociais, socioespaciais e socioterritoriais totalizando 120 (35%) obras, seguido da palavra LGBTQIA+

com 54 (16%), território e territorialidades com 44 (13%) das obras levantadas, diversidade sexual e de gênero com 43 (13%) das obras levantadas, espaço e espacialidade com 34 (10%) obras levantadas, seguido de violência contra LGBTQIA+ com 32 (9%) das obras que foram levantadas.

120 54

44 43 34 32

Movimentos LGBTQIA+

Território e Territorialidades Diversidade Sexual e de Gênero Espaço e Espacialidade Violência contra LGBTQIA+

0 20 40 60 80 100 120 140

57 Mapa 1- Mapeamento das obras levantadas

Fonte: Bibliotecas e Bancos consultados.

Organização: Wilians Ventura Ferreira Souza, 2023.

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Como é possível observar no mapa 1, houve uma maior concentração de obras levantadas na região Sudeste do país. Os municípios de origem das obras (artigos, monografias, dissertações, teses e livros) que mais apareceram foram: São Paulo com 58 obras levantadas, Campinas com 43 obras, Presidente Prudente com 34 obras, Rio de Janeiro com 29 obras, Salvador e Florianópolis com 9 obras cada, Porto Alegre com 8 obras, entre outros municípios.

1.2. Observatório de Mortes e Violências de LGBTQIA+ no Brasil

Antes de iniciar a exposição do passo a passo em torno da construção do banco de dados relacionado à violência contra pessoas LGBTQIA+ no Brasil, é necessário realizar algumas reflexões e questionamentos que dirigem a construção dos procedimentos metodológicos e do efetivo estabelecimento de redes de pesquisas e discussões que culminaram em relevantes bancos de dados que aglutinam os processos de violência, violação e resistência direcionados as pessoas LGBTQIA+. Assim, o que significa construir um banco de dados sobre violência? Agora, aprofundando ainda mais a questão: o que significa construir um banco de dados sobre a violência contra a população LGBTQIA+ brasileira?

Existem inúmeras problemáticas acerca dos bancos de dados já construídos ou dos relatórios lançados que apontam, ou não, a existência da violência contra pessoas que fogem ou margeiam o padrão cis-heteronormativo. O primeiro ponto a ser evidenciado é que a construção e levantamento desses dados é feita na maioria dos casos por movimentos sociais e coletivos, evidenciando a ausência de apoio do Estado na elaboração dos relatórios de violência contra essa comunidade. A segunda observação é a eventual falta de rigor metodológico e estatístico no tratamento dos dados e informações apresentadas.

Ainda que insuficientes, tivemos tentativas de esforços estatais a partir de ações esporádicas e sem os entrecruzamentos e as relações necessárias para a continuidade dos trabalhos e levantamentos. O presidente Fernando Henrique (PSDB) criou o Conselho Nacional de Combate à Discriminação (2001), o presidente Lula (PT) criou no Ministério dos Direitos Humanos (2003), o programa Brasil sem Homofobia (2004), Conferência Nacional LGBT (2008), Plano Nacional LGBT (2009). No governo Dilma (PT) foi criado módulo LGBT no Disque 100, o 1º Relatório Oficial sobre Violência Homofóbica no Brasil (2012); a 2ª e 3ª

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