• Nenhum resultado encontrado

O PROCESSO DE ESCOLHA DO CURSO SUPERIOR DOS PARTICIPANTES DA

É bastante expressivo o percentual de estudantes (75%) que não recebem algum tipo de auxílio financeiro institucional para estudar, em contrapartida, 25% (33) afirmaram que recebem, sendo ele cedido pela UNIVALI - bolsa do artigo 1702 (32), bolsa integral3 (1) - ou empresa privada4 (2) (Gráfico 14).

75%

25%

Não recebo Sim recebo

Gráfico 14: Auxílio financeiro institucional Fonte: Primária coletada em 2007/2

4.2 O PROCESSO DE ESCOLHA DO CURSO SUPERIOR DOS PARTICIPANTES DA

Médio7 (Enem). Dos participantes da pesquisa (Gráfico15), 30% afirmaram não terem ingressado na universidade através do Vestibular, ingressando através do Processo Seletivo Especial ou pelo Enem. Os demais participantes (70%) ingressaram na universidade através do Vestibular. Destes 70%, 29% prestaram uma vez, 19 % prestaram por duas vezes, 11%

realizaram três vezes e 4% prestaram quatro vezes. Os participantes que realizaram vestibular cinco vezes, seis vezes, dez vezes ou ainda para mais de quatro vezes (sem especificar a quantidade), correspondem a 1% cada. E ainda 3% dos participantes não responderam a esta questão. Estes dados confirmam outras pesquisas onde o vestibular ainda é o sistema mais adotado para o ingresso nas Universidades.

30%

29%

19%

11%

4%1%1%1%1%3% Nenhuma

1 vez 2 vezes 3 vezes 4 vezes Mais de 4 5 vezes 6 vezes 10 vezes Não respondeu

Gráfico 15: Número de vezes que o participante prestou o vestibular.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

Dos participantes que prestaram mais de uma vez o vestibular (Gráfico 16), 48% dos participantes realizaram para o mesmo curso que está cursando atualmente e 48% para cursos diferenciados do atual. Os demais 4% não responderam a questão. O fato de a todo o momento surgirem novos cursos de graduação, juntamente à cobrança quanto à escolha faz com que muitos jovens, não se atentem a uma orientação profissional para a escolha mais acertada, deixando-se influenciar por familiares, amigos e sociedade. Este fator demonstrou mais claramente quando os estudantes (70%) escolheram mais de um curso no momento de prestar o vestibular, explicitado no Gráfico 17.

6 Tem como objetivo o ingresso na universidade sem a realização de qualquer tipo de prova, onde a classificação é realizada mediante análise do histórico escolar do Ensino Médio e do currículo profissional, se possuir (UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ. Seletivo Especial. Disponível em: <

http://www.univali.br/modules/system/stdreq.aspx?P=177&VID=default&SID=578827386879450&S=0&C=27 309 >. Acesso em: 19 mai. 2008).

7 Avaliação designada aos alunos que concluirão o Ensino Médio, a qual, a nota obtida na prova serve como referência e avaliação do desempenho individual dos participantes. É reservada até 10% das vagas de alguns cursos de graduação para esta modalidade de ingresso (UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ. Enem.

Disponível em:

<http://www.univali.br/modules/system/stdreq.aspx?P=178&VID=default&SID=578827386879450&S=0&C=2 7314>. Acesso em: 19 mai. 2008).

48%

48%

4%

Não Sim Não respondeu

Gráfico 16: Tentativas de vestibular para mesmo curso.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

A partir dos dados obtidos através das tentativas para o vestibular, alguns alunos prestaram para mais de um curso ou curso diferente do que está realizando (Tabela 4). Pode- se constatar que a grande maioria (44 ou 58%) dos estudantes realizaram vestibular para mais de 2 cursos diferentes do que está atualmente, 30% (23) para 1 curso diferente, 5% (4) para 3 cursos e 1% (1) dos estudantes prestaram vestibular para 4 cursos diferentes. Os demais 6%

(5) não respondeu a questão.

Número de cursos F %

1 diferente 23 30

2 diferentes 44 58

3 diferentes 4 5

4 diferentes 1 1

Não respondeu 5 6

Tabela 4: Cursos diferentes prestados para o vestibular (freqüência (F) / porcentagem (%)).

Fonte: Primária coletada em 2007/2

No que diz respeito à investigação sobre sua iniciação no curso superior (Gráfico 17), constata-se que 79% dos estudantes participantes estão realizando seu primeiro curso de graduação, 13% já iniciou um curso de graduação, mas abandonou, 1% já iniciou e já concluiu, 1% está cursando Ciências Contábeis paralelo ao da UNIVALI e 6% não responderam. Quanto a grande demanda dos participantes da pesquisa estarem realizando o seu primeiro curso de graduação, pode-se inferir pelo motivo quanto a faixa etária, uma vez que na sua maioria (74%) representam um corpo discente bastante jovem, situando-se, no momento da pesquisa, na faixa etária entre 18 a 26 anos (101).

Quanto aos alunos (13%), que já iniciaram o curso de graduação, mas abandonaram, pode-se inferir à luz da literatura, segundo Augustin (apud MORAES; THEÓPHILO, [200_]) que uma das causas do abandono é a falta de informação e assim a dificuldade de escolher a

profissão. Dentre tantas que o mercado de trabalho apresenta, outras causas referem-se às diversas influências para este abandono, a autora cita como exemplo, alguns pontos negativos frente ao mercado de trabalho. Desta forma o jovem absorve essas informações e não busca conhecer profissionais bem sucedidos em sua área de atuação, e assim, subsistindo inseguro e muitas vezes abandonando do curso.

79%

6%

13% 1%1%

Não, este é o primeiro

Sim. Mas já foi concluído.

Sim, mas abandonei.

Sim, estou cursando em paralelo ao da Univali Não respondeu

Gráfico 17: Iniciação de curso de nível superior.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

Quanto à especificidade das respostas acima, foi observado que referente à iniciação e conclusão de outro curso (Tabela 5), houve 7 estudantes que atenderam a este quesito. Em que, 44% (3) concluíram o curso de Administração, e os demais, com 1% cada, concluíram Ciências Sociais, Economia, Odontologia e Turismo.

Curso já concluído F %

Administração 3 44

Ciências Sociais 1 14

Economia 1 14

Odontologia 1 14

Turismo 1 14

TOTAL 7 100

Tabela 5: curso já concluído (freqüência (F) / porcentagem (%)).

Fonte: Primária coletada em 2007/2

Quanto ao curso iniciado, mas abandonado (Tabela 6), constatou-se que 13% (3) começaram a cursar Ciências Biológicas. Verificou-se também que para os demais cursos a representatividade foi de 4% (1), os quais eram: Letras português e inglês, Engenharia Civil, Administração, História e Aeronáutica, Eletrônica, Geografia, Optometria, Direito e

Veterinária, Enfermagem, Engenharia Civil e Design, Educação Física, Design Gráfico, Relações Públicas, Psicologia, Cinema e Fonoaudiologia e Teologia.

Iniciou curso, mas abandonou F %

Aeronáutica 1 4

Administração 1 4

Ciências Biológicas 3 13

Cinema 1 4

Design gráfico 2 9

Direito e Veterinária 1 4

Educação Física 1 4

Eletrônica 1 4

Enfermagem 1 4

Engenharia civil 2 9

Fonoaudiologia 1 4

Geografia 1 4

Historia 1 4

Letras português e inglês 1 4

Optometria 1 4

Psicologia 1 4

Relações públicas 1 4

Teologia 1 4

Veterinária 1 4

TOTAL 17 100

Tabela 6: Curso iniciado, mas abandonado (freqüência (F) / porcentagem (%)).

Fonte: Primária coletada em 2007/2

No momento em que foi realizada a escolha do curso de graduação, nota-se que 37%

dos estudantes decidiram no 3º ano do ensino médio, 32% às vésperas do vestibular, 11% no ensino fundamental, 9% no 1º ano do ensino médio, 5% no 2º ano do ensino médio e 6% não respondeu (Gráfico 18).

11%

9%

5%

37%

32%

6%

Ensino Fundamental

Ens. Médio: 1 ° ano

Ens. Médio: 2° ano

Ens. Médio: 3º ano

Às vésperas da inscrição no concurso vestibular

Não respondeu

Gráfico 18: Momento da escolha do curso superior.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

Os resultados das pesquisas sobre o momento da escolha do curso de graduação, vem ao encontro do que Neiva (2002) discute sobre as etapas do processo de escolha profissional.

O maior percentual está entre o 3º ano do ensino médio e às vésperas do vestibular, momento este em que o adolescente encontra-se na etapa de escolhas-tentativas, o qual avalia as áreas de interesse analisando as dificuldades e as satisfações da determinada ocupação. Sendo assim, as escolhas são como tentativas de se definir neste processo de mudança do adolescente, através da auto-imagem, onde o mesmo irá ensaiar esta dinâmica em todos os âmbitos de sua vida. A escolha profissional ocorre dentro da realidade social de cada jovem, o qual sofre influências de algumas instituições em que este jovem está inserido, como a família, os amigos, a sociedade e a escola.

Como percebido acima, a grande maioria dos estudantes (69%) dos estudantes escolheram o curso de graduação no 3º ano do ensino médio ou ainda às vésperas do vestibular, portanto é na etapa de conclusão do Ensino Médio que a escolha se dá. Pode-se inferir que a escola, desta forma, tem grande influência quanto à participação e inserção dos estudantes no mercado de trabalho confirmando sua função, visto que, segundo o Ministério da Educação8

A Educação Básica é composta pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. O objetivo da Educação Básica é assegurar a todos os brasileiros a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores [LDBEN Art. 21 e 22]. Dois são os principais documentos norteadores da Educação Básica: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 e o Plano Nacional de Educação -

8MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. A Educação básica no Brasil. Disponível em:

<http://portal.mec.gov.br/seb/index.php?option=content&task=view&id=715&Itemid=864>.Acesso em 15 jun.

2008.

PNE, Lei nº 10.172/2001, regidos, naturalmente, pela Constituição da República Federativa do Brasil.

Sendo assim, se não há o cumprimento destas responsabilidades, não há a facilitação quanto à escolha profissional pela Instituição escolar. Segundo Neiva (2002, p.81), as instituições educativas, parece persistir em “dissociar o intelectual do afetivo, o informativo do formativo, o pedagógico do psicológico”. É importante a participação das escolas no processo da escolha profissional, pois o aluno precisa não somente absorver as matérias, mas também aplicar o conteúdo de aprendizagem na vida profissional.

Outra questão importante, ressaltada por Neiva (2002), é o fato, de que esta atuação não deve ser deixada somente para as instituições de Ensino Médio intervir, quando existe, mas sim, começar desde a pré-escola. Exercitando junto aos alunos no processo de decisão, desde suas atribuições básicas até determinadas decisões institucionais, referentes ao seu ensino, contribuindo e cobrando por ele. Ainda, poderia-se incluir no plano de ensino das instituições, atuações quanto à informação pessoal e profissional, juntamente com as disciplinas específicas.

Desta forma, ressalta-se a importância da preocupação das Instituições de Ensino quanto ao cumprimento de seus objetivos, citados acima, propondo-se em adaptar-se, ou ainda, desenvolver propostas para atingí-lo. Ao atingir estes objetivos proporcionar-se-ia aos alunos a possibilidade de focarem-se no objetivo principal do terceiro ano, ou seja, os estudos.

Facilitando aos alunos no seu processo de escolha, do contrário, encontramos estatística como a dos participantes da pesquisa, onde a maioria dos estudantes (69%) decidiram no último ano antes do vestibular.

Deve-se também levar em consideração que apesar de que a decisão tenha ocorrido no terceiro ano, temos um número considerável de estudantes que apresentou indecisão, pois 48% prestaram para mais de um vestibular e ainda para mais de um curso de graduação.

No que se refere ao processo de escolha do curso, 43% dos estudantes ficaram em dúvida entre 2 ou mais cursos de áreas distintas, 42% optaram por um único curso, 14%

ficaram entre 2 ou mais cursos de áreas afins e 1% dos participantes não respondeu (Gráfico 19).

Apesar da proximidade dos resultados entre os dois maiores grupos - os estudantes que optaram por 2 ou mais cursos de áreas completamente diferentes e os que optaram por um único curso – chama a atenção ao primeiro grupo, uma vez que sua escolha demonstra claramente a incerteza sobre sua decisão, tendo a dúvida sobre dois ou mais cursos de áreas diferentes.

Para Bohoslavsky (1998), diferente são os momentos da escolha, percebe-se que a maioria encontra-se no segundo momento chamado de “momento de escolha”. O “momento de escolha” se constitui pelo reconhecimento de objetos disponíveis mas havendo ainda ambigüidade e ambivalência, deixando o adolescente em dúvida sobre o curso a seguir, assim como demonstrado nos dados apresentados pelos participantes pesquisados, os quais (57%) tinham dúvida quanto a 2 ou mais cursos.

42%

43%

14% 1%

Por um único curso.

Entre 2 ou mais cursos de áreas completamente diferentes.

Entre 2 ou mais cursos de áreas afins.

Não respondeu

Gráfico 19: Afinidade entre os cursos escolhidos.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

Considera-se que uma escolha amadurecida é aquela em que o indivíduo observa, analisa e adquire conhecimentos sobre todos os aspectos possíveis da situação em que se encontra, pondera as vantagens e desvantagens das opções disponíveis e só então, toma sua decisão. Fazer isso é compor de forma consistente os critérios sob os quais a decisão será tomada (Neiva, 2002; Soares, 2002).

Desta forma, o tempo de espera entre a conclusão do ensino médio e o início do curso de graduação (Gráfico 20) é variável entre os estudantes. Dos participantes da pesquisa, 35%

aguardou menos de 6 meses e os demais obtiveram uma equivalência, pois 15% dos estudantes aguardou de 2 anos a 5 anos, 15% esperou de 5 a 10 anos, 14% mais de 10 anos, 13% de 6 meses a 1 ano, 7% de 1 a 2 anos e 1 % não respondeu a esta questão. Sendo assim, 48% dos estudantes aguardou até 1 ano para ingressar no Ensino Superior, o que caracteriza a população jovem de participantes.

35%

7% 13%

15%

15%

14% 1% Menos do que 6

meses de 6 meses a 1 ano

de 1 a 2 anos de 2 a 5 anos de 5 a 10 anos mais de 10 anos Não respondeu

Gráfico 20: Tempo entre a conclusão do ensino médio e o início da graduação.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

Dos 139 estudantes participantes (Gráfico 21) 91(67%) estão cursando sua primeira escolha ou opção, 23 (17%) estudantes estão cursando um curso que não está relacionado à sua 1ª opção e 18 (13%) estudantes afirmam que o curso atual está relacionado com sua 1ª escolha. Dos demais, 2 (1%) participantes já concluíram seu curso escolhido, 2 (1%) estudantes já iniciaram o curso escolhido mas abandonaram e 1(1%) estudante não respondeu.

Assim como nesta pesquisa, os participantes da pesquisa de Moretto (2004), 79,4%

dos estudantes estão cursando sua primeira graduação, 9,9% estão cursando o curso relacionado à 1ª escolha, 6,1% não está relacionada à 1ª escolha, 2,9% já iniciou e abandonou o curso da primeira escolha e 1,7% já concluiu o curso da 1ª escolha.

Considerando a acumulativa, 80% dos estudantes estão cursando sua primeira escolha ou o curso atual está relacionado a ela, o que caracteriza que os estudantes, dentre a dúvida em dois ou mais cursos, dado informações acima, otimizaram sua escolha do curso de graduação.

91

18 23

2 2 1

100 2030 4050 6070 8090 100

Sim, estou cursando a minha 1ª escolha ou

opção.

Não, mas o curso atual

está relacionado

àquele da minha 1 a escolha.

Não, o curso atual

não está relacionado

àquele da minha 1 a escolha.

Não, mas eu já conclui o curso que

eu havia escolhido.

Não, mas eu já iniciei o curso que eu havia escolhido e

o abandonei.

Não respondeu

Gráfico 21: Relação do curso idealizado e o que está freqüentando.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

Quanto ao grau de informação sobre o curso de graduação (Gráfica 22) que está freqüentando, 66% afirmaram que tinham informações superficiais, 26% tinham um conhecimento vasto e 7% responderam que estavam totalmente desinformados. E ainda, 1%

não respondeu.

Segundo Bohoslavsky (apud LEVENFUS, 1997), a informação profissional é um dos requisitos de grande importância para o processo da escolha profissional, visto que para se realizar a escolha de uma profissão é necessário que o jovem tenha o conhecimento das carreiras, ocupações, áreas de trabalho, demanda de profissional, etc. Mas diante de uma grande demanda de cursos e de ocupações, a possibilidade do jovem em conhecer todos estes fica muito aquém do idealizado, pautando-se nesta probabilidade, pode-se inferir a dificuldade dos estudantes (66%) em obter maiores informações sobre seu curso de graduação anteriormente à sua escolha.

7%

26%

66%

1%

Totalmente desinformado Um vasto conhecimento Informado superficialmente Não respondeu

Gráfico 22: Conhecimento do curso que freqüenta.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

A Psicologia Educacional atua em instituições escolares e educativas que participam do processo de ensino-aprendizagem e diversas são as temáticas de estudo, pesquisa e atuação profissional neste campo de atuação, dentre elas está a Orientação Profissional. Segundo Lassance e Sparta (2003), o orientador torna-se um agente de mudanças e para isto é necessário que possua uma sólida fundamentação teórica, que conheça as mudanças do mundo do trabalho e que compreenda seu papel político e ideológico comprometendo-se com a sociedade.

Independente da abordagem utilizada, é importante ressaltar que a Orientação Profissional, para Soares (2002), permite que o indivíduo aprenda a escolher não somente uma profissão, mas que essa aprendizagem possa ser aplicada a outros aspectos de sua vida.

Assim, a proposta da Psicologia em atuar na área de Orientação Profissional basea-se,

também, na proposta de Bohoslavsky (1998) a qual permite aprender a escolher uma profissão.

Desta forma, quanto à participação em atendimento de Orientação Profissional (Gráfico 23), 76% dos participantes responderam que nunca participaram, 19% afirmaram que participaram de alguma forma e 5% não respondeu ao questionamento.

76%

19%

5%

Não Sim Não respondeu

Gráfico 23: Participação em Orientação Profissional.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

Considerando a sociedade como um todo, têm-se constatado que a maior parte da população que tem condições de fazer uma escolha profissional diante do mercado de trabalho, são os jovens de classe média, média alta e o aluno de escola particular, cujo objetivo é ingressar no mercado através de um curso universitário (Lisboa, 2002). O que contrapõe com os dados dos participantes, os quais 82% afirmaram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a escolha do curso de graduação, mesmo que, 63% cursou integralmente, o ensino fundamental em escola pública e 55% cursaram o Ensino Médio integralmente em escola pública.

Com 66% dos participantes com informações superficiais sobre o curso de graduação e 76% de estudantes que nunca participaram de algum tipo de Orientação Profissional, pode- se inferir a dificuldade da criação e participação de jovens em Serviço Orientação Profissional.

Visto este contexto, a fundação da Associação Brasileira de Orientadores Profissionais (ABOP) em 1993, objetivou unir os orientadores profissionais brasileiros para a discussão de experiências, estudos e pesquisas cientificas à luz da literatura relacionada à área da Orientação Profissional, assim como ampliar e firmar esta prática no Brasil. Deste modo, cresce a possibilidade dos estudantes de todas as classes, obterem a oportunidade de participar

de um serviço de Orientação Profissional e conseqüentemente estarem mais informados quanto as cursos de graduação e o mercado de trabalho.

A escolha não é uma tarefa fácil, muito são os determinantes que influenciam neste processo, ou ainda, pouca são as oportunidades dadas, uma vez que não somos estimulados e educados a escolher. Assim, diante de seu processo de escolha, segundo Bohoslavsky (apud SOARES, 2002, p.12) “a escolha está multi e sobredeterminada pela família, pela estrutura educacional e pelos meios de comunicação em massa, como também pela estrutura dialética social e estrutura dialética subjetiva”.

Analisando as médias de alguns determinantes que influenciam os estudantes participantes na sua escolha pelo curso de graduação (Gráfico 24), pode-se verificar a seqüência do determinante que mais influencia para o que menos influencia que é: realização pessoal (4,13), possuir habilidade para esta profissão (3,67), mercado de trabalho (3,55), afinidade com matérias do currículo (3,41), reconhecimento (3,38), retorno financeiro (3,23), status da profissão (3,02), contato direto com a atividade relacionada (2,65), resultado dos testes profissionais (2,13), amigos (1,85), fama (1,63), sair da sua cidade para estudar (1,61), pequena concorrência no vestibular (1,5), tradição familiar (1,49), pressão da família (1,43) e profissão de um dos pais (1,38).

3,55 4,13

3,23 3,02

3,38

1,5 1,63 3,41

1,61 3,67

2,13

1,43 2,65

1,85

1,49 1,38

0 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5

Merc. Trab.

Real. Pes. Ret. Fin.

Status Reconh.

Peq conc. Fama

Afin. Maté. Sair cidade

Habilidade Teste

Familia Cont. Ativ.

Amigos Trad Fam.

Prof pais Outros

Gráfico 24: Determinantes que influenciam a escolha profissional.

Fonte: Primária coletada em 2007/2

Alguns destes dados não se distanciaram da pesquisa de Barbosa (2006) a qual apresenta como maior influência na escolha profissional o determinante realização profissional, mercado de trabalho, retorno financeiro, habilidade para o desempenho da

profissão escolhida e afinidade com a matéria do currículo. Com pouca influência: contato direto com a atividade e profissão dos pais. Nenhuma influência: status, reconhecimento, pequena concorrência no vestibular, fama, sair de casa, teste vocacional, amigos e tradição familiar.

É impossível pensar o homem como um ser separado da sociedade, sem interferências do mesmo. De acordo com Soares (2002), muitos são os fatores que influenciam neste processo de escolha: fatores políticos, econômicos, sociais, educacionais, familiares e psicológicos. Luz (2002) explana sobre a realização profissional como a maior influência na escolha dos participantes dessa pesquisa (4,13). Esta realização é considerada pelo autor acima como a concretização de um desejo que trará prazer, satisfação, orgulho, aspirações e a expectativa com relação ao projeto de vida de cada pessoa.

Quanto a possuir habilidade para exercer a profissão (3,67), Luz (2002), refere-se a pessoa possuir aptidão para realizar determinada tarefa. As aptidões mais investigadas em processos de Orientação Profissional são: compreensão de linguagem, fluência verbal, rapidez de percepção, rapidez e exatidão de cálculo, raciocínio abstrato, percepção espacial, memória auditiva, memória visual, atenção concentrada, atenção difusa e raciocínio mecânico.

Como terceiro determinante de influência na escolha do curso de graduação dos participantes está o mercado de trabalho (3,55), o qual se entende por ser um conjunto de empregos oferecidos pelas empregas aos indivíduos competentes, aptos, ao trabalho.

Afinidade com matérias do currículo (3,41), alude-se quanto ao interesse e afinidade com as matérias que o curso de graduação oferece. O reconhecimento (3,38), muito se assemelha com a satisfação social, segundo Luz (2002), o qual, o estudante escolhe o curso universitário como forma de reconhecimento e aceitação na sociedade, quanto a profissão escolhida.

O retorno financeiro (3,23), numa sociedade capitalista como a nossa, o dinheiro adquire um valor fundamental na vida das pessoas, pois acreditam que pode receber uma boa remuneração com a obtenção do diploma e o exercício desta profissão. O status da profissão (3,02), o qual o profissional ocupará dentro de uma sociedade, indicando a posição atribuída pela sociedade, conferindo-lhe um lugar de destaque e respeito (LUZ, 2002).

O determinante, contato direto com a atividade relacionada (2,65), sugere-se as atividades profissionais dos cursos que estão relacionados com atividades que os estudantes participantes realizam ou já realizaram.

Os demais determinantes não foram desprezados, mas na escala estabelecida para os estudantes da pesquisa, eles estão entre obter nenhuma influência e pouca influência no processo de escolha do curso de graduação atual.

Documentos relacionados