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CRISE ECONÔMICA E ESTADO BRASILEIRO: O papel da mídia na construção da opinião pública
Leonardo EvaristoTeixeira (G – UFG) Pedro Afonso Martini Dreyer (G – UFG) Carlos Augusto de Oliveira Diniz (Orientador)
Na construção de uma sociedade democrática é fundamental que a coletividade seja capaz de entender o contexto no qual se insere, pois somente dessa forma será possível guiar e sem ser guiado pelo Estado capitalista. A compreensão do contexto macro contribui sobremaneira para a formação de concepções que serão capazes de perceber as ações estatais e ratificá-las ou retificá-las, pois somente um cidadão com percepção de sistêmica será capaz de ser crítico neste processo. Essa capacidade crítica é fundamental para conduzir o Estado em sua missão constitucional de garantir o bem comum. Ocorre, que quando a população se deixa conduzir por veículos de comunicação em massa percebe-se a formação de uma letargia social decorrente da formação de uma opinião pública e descontextualizada. Essa situação faz com que forças econômicas não democráticas dominem o processo de tomada de decisões, pois contam com a opinião pública distorcida que aponta o olhar da sociedade para problemas periféricos e não estruturais. Neste sentido nos momentos de crise econômica com apoio de uma opinião pública direcionada para questões periféricas o poder econômico aproveita para fortalecer suas bases dentro do Estado. Essa teia conta com os meios de comunicação que desenvolve um raciocínio condicionado pelas
“verdades” e com isso abram caminho ao sistema financeiro. Nesta linha com o objetivo de investigar a influência dos meios de comunicação nos cenáriosde crise econômica no Brasil. Para tanto utilizou-se o método dialético materialista para a conclusão de que não é a previdência, ou o serviço público, que gera a crise econômica, mas sim a falta de auditoria na dívida pública brasileira que consome cerca de 45% do Produto Interno Bruto do Brasil.
Palavras-chave: Dívida pública. Crise econômica. Mídia. Opinião Pública.
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O DEVER DO TRABALHO E A SAÚDE DO TRABALHADOR
Mariana de Lima Rocha (UEMS – FUNDECT) Dabel Cristina Maria Salviano (UEMS)
Trabalhar é ação característica de quem é humano. No entanto, seu exercício não tem se ligado a noções de prazer ou gozo, mas sim a submissão. O vocábulo tem tanto o sentido de realização de uma obra que expresse a individualidade de alguém garantindo reconhecimento social, obra duradoura para além da vida quanto o de esforço rotineiro, repetitivo, inevitável de resultado consumível. Essa face desgostosa do trabalhar tem relação com o modo como sua execução se organizou ao longo dos séculos culminando na revolução industrial e no florescimento do capitalismo monopolista Junto com os avanços do século XX vieram os retrocessos humanos e econômicos. De um lado guerras hediondas com a morte de muitos inocentes e, de outro, crises financeiras mais potentes e frequentes que no século XIX, forçando o capital a mutação para se manter ativo seguindo modelos como o toyotismo, ou seja, a prática da acumulação flexível. Para acompanhar essas demandas as leis trabalhistas têm sofrido flexibilização, bem como o salário dos empregados afetando a sua qualidade de vida em que o trabalhador se vê, cada vez mais, trabalhando em jornadas menores que no passado, porém mais intensas. Logo, a pesquisa tem por objetivo verificar as condições do trabalho contemporâneo e suas contradições em relação aos direitos fundamentais garantidos pela constituição, averiguando o subemprego, a precarização e como esses fatores desgastam a saúde do empregado. O método utilizado é o indutivo com consultas a códigos, bibliografias e discussões do grupo de pesquisa. Por fim, o resultado da pesquisa foi o desenvolvimento de uma maior compreensão acerca dos processos de precarização no Brasil, tanto no setor privado quanto no público, em consonância com a reestruturação produtiva do capital mundial, bem como às políticas neoliberais adotadas em face às crises financeiras dos últimos anos, deteriorando efetivamente a saúde de quem trabalha.
Palavra-chave: Bem-Estar. Precariado. Just-in-time.
O TRABALHO NA (IN) CONSCIÊNCIA DA MASSA
Samuel Levy Trindade Júnior (UEMS)
A emergência do cidadão livre ocorreu lentamente na Europa, entre os séculos XVII e XIX. Mas o que, exatamente, permitiu aos indivíduos se libertarem das amarras do modo de produção feudal, de início, foi o fator trabalho, pois o feudalismo caracterizou-se pela conjunção entre servidão e exploração do produtor direto (os camponeses) em uma relação de dependência com seu senhor. O declínio da relação
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senhor-servo e a possibilidade de vender livremente, no mercado, a sua força de trabalho foram características que melhor definiram o processo de emergência do cidadão livre, tal como se entende na atualidade, e a nova estratificação social. Esse cidadão livre rompeu com a obrigação devida ao senhor feudal (a talha, a corveia, as banalidades e toda uma série de tributos tradicionais) e conquistou direitos e mobilidade social, anunciando lentamente o fim do feudalismo. O capitalismo beneficiou-se dessas mudanças e foi-se impondo com pequenas variações em cada país europeu. Em termos gerais, entre os séculos XVII e XIX, o indivíduo passou a ser livre não apenas em termo econômicos, mas igualmente em termos políticos e sociais, embora o conceito de liberdade apresentasse significados diferentes em cada país ou região. Mas, sem a existência desse cidadão que se movimentou e vendeu livremente a sua força de trabalho, não seria possível pensar na autoexpansão do capitalismo, que se sustentou graças à capacidade de extrair cada vez mais lucro dos processos produtivos industriais. Dentre essas indústrias existem as mercadorias produzidas pela indústria cultural que são consumidas, principalmente, no tempo livre, “tempo de não trabalho”, segundo Theodor Adorno. O avanço e o desenvolvimento das tecnologias de produção de mercadorias fizeram com que as pessoas trabalhassem menos tempo do que em outras fases do capitalismo. O tempo que sobrava era, e é, reservado para o consumo, inclusive de produtos culturais. Nem todas as pessoas podem, efetivamente, usar de todo o seu tempo livre para descansar. Multidões de trabalhadores usam seu tempo de não trabalho para ir a médicos, fazer compras, consertar coisas, limpar a casa, estudar, sem contar os que gastam horas no trânsito entre a casa e o trabalho.
No tempo que sobra disso tudo, nos fins de semana, nas férias e nos feriados, nesse tempo, também se consome. Mesmo que a opção seja ficar em casa assistindo à televisão, consome-se energia. Mas também aí há uma organização do tempo de audiência que é determinada pelo ritmo e pelo conteúdo da programação, inclusive o fluxo de mensagens publicitárias. Tudo funciona como se a pessoa estivesse todo o tempo submetido a uma força invisível – mas muito bem organizada – que lhe dissesse o que fazer e como fazer. Olhando desse ponto de vista, o tempo livre é uma continuidade do tempo de trabalho, não pelo que a pessoa executa, mas pelo ritmo a que ela está submetida. Por isso, nessa busca histórica verificaremos que o trabalhador hodierno deixou de ser comandado e controlado apenas no período da execução do seu labor, mas pela indústria midiática, que o aliena, tornando-o massa ignara.
Palavras-chave: Trabalhador. Trabalho livre. Indústria cultural. Massa.