Os telecentros, para além de oferecer um serviço de voz, permitem aceder a Internet de alta qualidade, cujo funcionamento é suportado por uma antena via satélite.
Os equipamentos instalados nos telecentros funcionam com o apoio de uma estação de energia solar que garante o seu funcionamento e ligar para qualquer rede de telefonia. O objectivo da empresa é levar o serviço liga-liga a todas as regiões do país e promover a inclusão digital nas referidas comunidades.
Figura 2.3. Telecentro, equipado com painéis solar (FONTE: Cortesia da INFRASAT).
A INFRASAT é uma aposta do governo angolano e tem como objectivo assegurar o sistema de comunicação por via satélite em todo país.
Os satélites em que a INFRASAT trabalha para distribuir os seus serviços são: NSS7, AMOS5, RASSON E INTELSAT.
Clientes: Para além de 500 telecentros espalhados, tem como clientes a Movicel, Unitel, Projecto BI (Bilhete de Identidade), Projecto INSS, e Odebrecht.
Despacho Presidencial nº 21/06 de 21 de Junho. O estudo contou com o Consórcio russo, liderado pela empresa ROSOBONEXPORT, RSC Energia (construtora do satélite
ANGOSAT-1).
O ANGOSAT-1 é a denominação dada ao primeiro satélite angolano geoestacionário que fornecerá oportunidades de expansão dos serviços de comunicação via satélite, acesso a internet, rádio, e transmissão televisiva.
O projecto ANGOSAT é parte integrante do Programa Espacial Nacional, em que um dos seus objectivos visa a criação de competências nacionais no domínio das tecnologias de comunicação por satélite.
Do projecto ANGOSAT resultaram os seguintes Diplomas:
Despacho Presidencial nº 5/11, de 25 de Janeiro, aprova a contratação do financiamento referente ao contrato de empreitada para construção e colocação em órbita do satélite ANGOSAT-1.
Despacho Presidencial nº 101/13, de 09 de Outubro, cria a comissão interministerial para a coordenação geral do Programa Espacial Nacional.
Decreto Presidencial nº 154/13, de 09 de Outubro cria o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional, com o objectivo de gerir e acompanhar o desenvolvimento do Programa Espacial Nacional.
Decreto Executivo n.º 183/14, aprova o Estatuto Orgânico do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional, abreviadamente designado por «GGPEN».
Conforme aprovado pelo Conselho de Ministros, o Governo Angolano efectuará o lançamento de um satélite, em cooperação com a Republica Federativa da Rússia. Este terá como função suportar as comunicações por satélite em todo território nacional, e será útil também para alguns países africano.
O projecto ANGOSAT promoverá a formação dos técnicos, assim como a pesquisa no sector, para melhor gerir este satélite. Já existe quadros angolanos a serem formados na Rússia, no âmbito deste projecto. E outras iniciativas do sector das telecomunicações são efectuadas, tais como participação em simpósios e conferências na área de satélites.
Com a materialização do ANGOSAT-1, Angola será um país com infraestruturas espaciais, com competências científicas e tecnológicas nacionais, que proporcionará melhoria nos
serviços de telecomunicações, conectando principalmente as pessoas que vivem em áreas remotas.
O custo de um canal é independente da distância entre os pontos que integram a rede. A multiplexação dos dados permite a recuperação dos mesmos independentemente de sua localização geográfica. O custo actual da comunicação via satélite é compatível com o custo da comunicação analógica terrestre. Nos últimos anos o custo da transmissão digital caiu constantemente, bem abaixo da via satélite. Com o satélite angolano, prevê-se redução de despesas para o país e melhoria da prestação de serviços por parte do sector das telecomunicações.
3.1. Configurações Técnicas de ANGOSAT-1
O satélite ANGOSAT-1 tem uma estrutura modular dividida em dois módulos principais:
um módulo de comunicação ou carga útil que consiste em hardware e software que permitem a execução da missão, e um módulo de serviço ou plataforma universal, onde se encontram os subsistemas que permitem a operação autónoma e o controlo do satélite.
O satélite ANGOSAT-1 terá um período de vida útil de 15 anos e estará posicionado a 14.5º E na órbita geostacionária, possuirá 22 transponders, sendo 16 de 72MHz na banda C, totalizando 1152 MHz e 6 de 72 MHz na banda Ku, totalizando 432 MHz. O Satélite terá uma capacidade convencional equivalente a 44 transponders de 36 MHz cuja capacidade de cobertura abrange para além de Angola, toda África e parte da Europa. O satélite possui um peso de 1,055 Kg, carga útil de 262,4 Kg e uma potência de 3.753 W.
A Figura 2.4 apresenta o espaço de iluminação do satélite ANGOSAT-1 para banda C.
Figura 2.4. Mapa de cobertura do ANGOSAT-1 na Banda-C (FONTE: Cortesia da INFRASAT).
A Figura 2.5 apresenta o espaço de iluminação do satélite ANGOSAT-1 para banda Ku.
Figura 2.5. Mapa de cobertura do ANGOSAT-1 na Banda-Ku (FONTE: Cortesia da INFRASAT).
O sistema ANGOSAT-1 é composto por dois segmentos: um Segmento Espacial, composto por um satélite o Angosat-1, também conhecido como veículo espacial
localizado acerca de 36.000 km, um segmento Terrestre e um Segmento de Controlo também conhecido como (MCC – Centro de Controlo e Missão), que é a estação de monitoramento e de controlo em terra e tem como objectivo monitorar, corrigir, e garantir a perfeita operação do sistema Angosat-1.
Figura 2.6. Centro de Controlo e Missão do ANGOSAT-1 (FONTE: Cortesia do GGPEN).
3.2. Lançamento do ANGOSAT-1
O primeiro satélite angolano ANGOSAT-1 foi lançado com sucesso no dia 26 de Dezembro de 2017, através do foguete transportador ucraniano Zenit-3SLBF, a partir do cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão. O lançamento aconteceu exatamente às 20:00, tempo de Angola.
Durante os primeiros 8 minutos, assistiu-se a separação do primeiro e o segundo estágio do veículo lançador Zenit-3SLBF. O terceiro e último estágio do lançador, transportou o satélite até a órbita geostacionária e a separação ocorreu quando eram sensivelmente 4h54 minutos.
O satélite começou o processo o processo de interacção com o centro de controlo e missão de satélites quer na Rússia como em Luanda. Esta comunicação é efectuada por intermédio da telemetria que o satélite envia para terra.
Seguiu-se então o processo de construção da orientação e estabilização do satélite em relação a terra e ao sol e da abertura dos painéis solares.
Devido ao processo de vaporização de gases, vacumização e uma certa inação do computador de bordo, o satélite por algumas horas deixou de enviar telemetria. No entanto, as 15h00 de Angola do dia 28, foi restabelecido a telemetria com o ANGOSAT-1.
Após do lançamento, decorreu o período de teste que terminou no mês de Abril de 2018.
Com o lançamento do ANGOSAT, o país ganha assim, uma infraestrutura que vai tornar os serviços de telecomunicações com custos mais baixos e de melhor qualidade. Com a entrada em funcionamento do primeiro satélite angolano, os serviços de televisão, telefonia e de internet vão ser mais baratos. Este é um processo que vai contribuir para a inclusão social e coesão nacional de todos os angolanos.2
Angola é o sétimo país africano a ter um satélite próprio de comunicação em órbita, após o lançamento do ANGOSAT, juntando-se à Argélia, África do Sul, Egipto, Marrocos, Nigéria e Tunísia.
O satélite vai tornar o país numa referência no âmbito espacial, com reconhecimento a nível mundial na criação e capacitação de quadros altamente qualificados nas áreas de Engenharia e Tecnologia espacial. Vai ainda apoiar o desenvolvimento sustentável, a defesa e a segurança do estado, através da pesquisa e desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais, contribuindo assim para o posicionamento de Angola como um dos líderes na área Espacial em África.3
No dia 23 de Abril de 2018, foi assinado o acordo de construção de um novo satélite entre as partes angolana e russa em Luanda e arrancaram no dia seguinte, em Moscovo, os trabalhos para a construção do ANGOSAT-2, uma versão actualizada do satélite ANGOSAT-1, para compensar o investimento feito para a construção do ANGOSAT-1, em órbita desde Dezembro de 2017, mas encontra-se inoperante, ou seja, não comunica com a Terra.
2 Jornal de Angola
Capítulo – 3: PERSPECTIVA DO USO DO ANGOSAT-1 PARA TRANSMISSÃO DA TPA LIVRE EM ANGOLA
1. Considerações iniciais
O satélite é, incontestavelmente, o elemento de comunicação mais importante deste final de século, pelas suas grandes vantagens que apresenta, sobretudo no que tange a questão da distância e custos independentes (conforme foi abordado na secção 1.10.1).
Ao afirmar, em 1945, que os satélites seriam no futuro as "vozes do firmamento", o escritor norte-americano Arthur C. Clarke demonstrou, mais do que simples visionarismo, uma percepção transparente do conceito de desenvolvimento. Transcorrido meio século, mais do que vozes, os satélites tornaram-se, com a revolução tecnológica experimentada, um instrumento de ação política, de ações de guerra, de segurança, educação e notadamente de lazer.
Neste capítulo-3, será apresentado uma perspectiva do uso do satélite angolano ANGOSAT-1 para transmissão da TPA por satélite livre no território angolano, sobre tudo nas áreas mais remotas do país, tornando assim o ANGOSAT-1 num instrumento de laser para toda população angolana, permitindo deste modo com que todos os angolanos possam beneficiar do ANGOSAT-1.