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Promessa de casamento: Esponsais

Promessa de casamento:

Esponsais

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8 A expressão presunção “juris tantum” é usada para uma presunção rela va, ou seja, da como verdadeira até que se prove o contrário.

familiar, dada sua tessitura instável, mais per nente à moral que ao direito (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2014). Os Tribunais brasileiros construíram jurisprudência sobre indenização em casos de rompimento de namoro, considerando que são indenizáveis danos materiais e morais apenas em situação onde ocorre ato ilícito grave, independente do contexto afe vo.

Há no cias de que algumas pessoas estão registrando

“contratos de namoro”. Trata‐se de negócio jurídico realizado por duas pessoas que mantém relacionamento amoroso (namoro) e pretendem, por meio da assinatura de documento a ser arquivado em cartório, afastar os efeitos da união estável (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2014).

Pergunta‐se: este contrato é capaz de inibir os efeitos da união estável?

Existe também o chamado “namoro qualificado”, sobre o qual a jurisprudência ainda está em construção. Em um julgado do STJ, o Ministro Marco Aurélio Bellizze discorre sobre a questão ao decidir que convivência com expecta va de formar família no futuro não configura união estável9, nos seguintes termos:

[…]não houve união estável, “mas sim namoro qualificado, em que, em virtude do estreitamento do relacionamento, projetaram, para o futuro – e não para o presente –, o propósito de cons tuir en dade familiar”. De acordo com o ministro, a formação do núcleo familiar – em que há o “compar lhamento de vidas, com irrestrito apoio moral e material” – tem de ser concre zada, não somente planejada, para que se configure a união estável.

“Tampouco a coabitação evidencia a cons tuição de união estável, visto que as partes, por con ngências e interesses par culares (ele, a trabalho; ela, por estudo), foram, em momentos dis ntos, para o exterior e, como namorados que eram, não hesitaram em residir

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9 JUSBRASIL. Convivência com expecta va de formar família no futuro não configura união estável.

Disponível em: <h ps://stj.jusbrasil.com.br/no cias/173362891/convivencia‐com‐expecta va‐de‐formar‐

familia‐no‐futuro‐nao‐configura‐uni;ao‐estavel>. Acessado aos 14 de junho de 2016.

Por fim, o relator considerou que, caso os dois entendessem ter vivido em união estável naquele período anterior, teriam escolhido outro regime de casamento, que abarcasse o único imóvel de que o casal dispunha, ou mesmo conver do em casamento a alegada união estável.

O namoro qualificado representa uma relação mais estreita que o simples namoro, mas não se trata de união estável e não produz seus efeitos jurídicos peculiares. Ainda de acordo com o STJ (2016)10: “Para que um relacionamento amoroso se caracterize como união estável, não basta ser duradouro e público, ainda que o casal venha, circunstancialmente, a habitar a mesma residência; é fundamental, para essa caracterização, que haja um elemento subje vo: a vontade ou o compromisso pessoal e mútuo de cons tuir família.”

O noivado (ou esponsais) acontece quando homem e mulher firmam a promessa recíproca de unirem‐se por meio do casamento, formando uma comunhão familiar de vida.

O rompimento do noivado, em algumas situações, pode subsidiar indenizações por danos materiais e morais.

Noivado não é contrato, o que não impede a configuração de ato ilícito, quando o noivo desistente viola a legí ma expecta va de casamento, impondo ao outro, prejuízo material e/ou moral (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2014). Há inúmeros exemplos jurisprudenciais no Tribunal de Jus ça de São Paulo, como se observa nas transcrições abaixo:

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10 Disponível em: h p://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/Comunica%c3%a7%c3%a3o/

Not%c3%adcias/Not%c3%adcias/Conviv%c3%aancia‐com‐expecta va‐de‐formar‐fam%c3%adlia‐no‐

futuro‐n%c3%a3o‐configura‐uni%c3%a3o‐est%c3%a1vel?utm_source=dlvr.it&utm_medium=tumblr.

Acessado aos 14 de junho de 2016.

Rompimento de noivado em data próxima ao do casamento.

Sentença de improcedência. Apela a autora, alegando que o rompimento unilateral de promessa de casamento enseja a indenização por danos morais; conteúdo probatório demonstra a responsabilidade do réu pelo evento; teve despesas com contratações para a preparação da cerimonia e da festa.

Descabimento. Ausência de ilícito a mo var danos materiais ou morais. Desgaste e rompimento do relacionamento é risco do matrimônio. O rompimento não ofende a dignidade da pessoa e não gera ofensa ou situação vexatória.Recurso improvido.

(Relator(a): James Siano; Comarca: Serrana; Órgão julgador: 5ª Câmara de Direito Privado; Data do julgamento: 23/02/2016; Data de registro: 23/02/2016) (grifos nossos)

APELAÇÃO – AÇÃO INDENIZATÓRIA – Pedido de indenização por danos morais em virtude do encaminhamento não autorizado de histórico telefônico do autor a sua noiva, o que haveria ensejado o término do relacionamento – Falha na prestação do serviço devidamente demonstrada – Violação ao direito de in midade do requerente – Agressão a direito da personalidade que, por si só, dá ensejo a danos morais – Indenização no valor de R$ 10.000,00 que se mostra apta a sanar de forma justa a lide – Inversão das verbas de sucumbência – Recurso provido.

(Relator(a): Hugo Crepaldi; Comarca: Diadema; Órgão julgador: 25ª Câmara de Direito Privado; Data do julgamento: 19/11/2015; Data de registro: 19/11/2015).

Nessa perspec va, um noivado pode ser desfeito?

Sim, mas tem que se evitar abusos de direito e o enriquecimento sem causa da parte adversa, em situações onde se caracteriza a quebra da boa‐fé obje va pré‐

contratual. As doações realizadas em vista do casamento futuro (aprestos ‐ presentes de casamento) devem ser devolvidas, caso o noivado seja rompido, a fim de se evitar o enriquecimento sem causa dos ex‐noivos (art. 546 do CC/

2002), uma vez que a doação só se aperfeiçoa com o casamento. Se este não exis r, aquela não se completa.

Após o casamento, não pode o doador impugnar a doação (injus ficadamente).

Segundo Gagliano e Pamplona Filho (2014), a

diferença entre noivado e união estável é que a união estável é pública, con nua e duradoura (entre duas pessoas), com o obje vo de cons tuição de família. Na união estável, os par cipes agem como se casados fossem, se submetendo aos deveres do casamento (art. 1724 do CC/

2002), regime de bens (art. 1725 do CC/2002) e sucessão patrimonial (art. 1790 do CC/2002). Promessa de casamento não implica, necessariamente, em união estável, pois não há o animus imediato em formar família (é futuro).

Atividade

Responda às seguintes perguntas:

1. João e Maria se conheceram em um show sertanejo. Dançaram, beberam e foram para um motel, onde zeram sexo. Na manhã seguinte, Maria pegou um taxi e foi para casa.

Ela e João não mais se viram. Meses depois, Maria descobriu que estava grávida. Pela estimativa do médico, acreditou que o pai fosse João. Com a ajuda de alguns conhecidos, descobriu que João era militar e havia sido transferido para Belém. Os meses passaram e o lho de Maria nasceu. Como Maria estava desempregada, decidiu entrar judicialmente com ação de investigação de paternidade em desfavor de João, pedindo a concessão liminar de alimentos provisionais. O Juiz, ao receber a ação, entendeu que a relação entre João e Maria foi muito rápida e eventual, havendo grande possibilidade de que o pai fosse uma terceira pessoa, razão pela qual negou os alimentos provisionais. Ao mesmo tempo, determinou que João realizasse exame de DNA. Diante da recusa de João, o que deve o Magistrado fazer? Fundamente.

2. João e Maria eram noivos. Durante o período do noivado, João adquiriu um terreno com recursos próprios. Casaram-se. Anos depois, em sede de divórcio, Maria pede a divisão desse mesmo terreno, alegando ser um bem comum. Maria tem razão em seu pleito?

Fundamente.

Para acessar as respostas destas a vidades u lize o QR‐code abaixo:

Item 4.1

5 Introdução

Conforme mencionado, há duas modalidades básicas de casamento: civil e religioso com efeitos civis. Há, entretanto, formas especiais, a saber: i) casamento por procuração; ii) casamento nuncupa vo ou em iminente risco de morte (in ar culo mor s ou in extremis); iii) casamento em caso de molés a grave; iv) casamento perante autoridade diplomá ca e; v) casamento celebrado no estrangeiro.

5.1 Casamento por Procuração

Alguns atos jurídicos possuem a caracterís ca da pessoalidade, não admi ndo representação, como, por exemplo, do direito de voto e a adoção. O casamento escapa a essa regra. Segundo Gagliano e Pamplona Filho (2014), o casamento por procuração, na verdade, é um casamento realizado por meio de um mandato (a representação é voluntária – o mandatário não é um mero portador de consen mento, é um procurador). A procuração apenas delimita os poderes do procurador ou mandatário (cf. art. 1542 CC/02 –deve ser procuração pública com poderes especiais).

Podem exis r dois procuradores (um para cada nubente) ou apenas um procurador, sendo o outro nubente.

O procurador pode se recusar a casar por mo vo jus ficado