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Propaganda Eleitoral no Rádio e Televisão

2.2 PROPAGANDA ELEITORAL

2.2.1 Diferentes meios de Divulgação

2.2.1.3 Propaganda Eleitoral no Rádio e Televisão

d) se a ofensa for produzida em dia e hora que inviabilizem sua reparação dentro dos prazos estabelecidos nas alíneas anteriores, a Justiça Eleitoral determinará a imediata divulgação da resposta;

e) o ofensor deverá comprovar nos autos o cumprimento da decisão, mediante dados sobre a regular distribuição dos exemplares, a quantidade impressa e o raio de abrangência na distribuição84.

Entretanto apesar de a propaganda eleitoral escrita não possuir grandes restrições, o legislador foi cuidadosamente preocupado com a propaganda eleitoral nos rádios e televisão.

Esta proibição decorre diretamente do princípio da igualdade que rege a propaganda política, assegurando todos os partidos, coligações e candidatos condições igualitárias de acesso aos veículos para divulgar suas campanhas88.

Destarte, qualquer partido poderá expor suas idéias e seus planos de governo, sem distinção de qualquer um, garantindo assim o principio constitucional, e respeitando o tempo determinado na legislação.

Nessa propaganda, por ser gratuita, os tempos reservados para a sua vinculação serão distribuídos pela Justiça Eleitoral, na forma do regrado no art. 47 da lei n. 9.504/97, entre todos os partidos e coligação que tenham candidato e representação na Câmara dos Deputados89.

O autor Armando Sobreiro Neto ressalta que:

A modalidade propaganda eleitoral gratuita, assim denominada em razão de não haver ônus aos partidos políticos, coligações e candidatos, é restrita às transmissões de rádio e televisão, razão pela qual sujeitam-se ao tratamento legal todas as emissoras de rádio e emissoras de televisão que operam em VHS e UHF, bem assim os canais de televisão por assinatura sob a responsabilidade de Senado Federal, da Câmara dos Deputados, das Assembléias Legislativas e da Câmara Legislativa do Distrito Federal90. Salienta-se que todas as emissoras que estão sujeitas a este tratamento sem distinção de qualquer uma, obedecendo também suas regras de gravação.

Os programas de propaganda eleitoral gratuito deverão ser gravados, e as gravações deverão ser conservadas pelo prazo de vinte (20) dias pelas emissoras de até um (01) kW e pelo prazo de trinta (30) dias pelas demais (DL n. 236/67, art. 71, par. 3º)91.

Esses prazos deverão ser respeitados minuciosamente, pelas emissoras para que comprovem toda a propaganda eleitoral transmitida pelos partidos.

88 BARRETO, Lauro. Propaganda política&direito processual eleitoral. p.65.

89 MICHELS, Vera Maria Nunes. Direito eleitoral: de acordo com a constituição federal, LC 64/90, leis 9.096/95, 9.504/97, 11.300/06, EC 52/06 e Resolução do TSE. p. 95.

90 SOBREIRO NETO, Armando Antonio. Direito eleitoral – teoria e prática. p.151.

91 MASCARENHAS, Paulo. Lei eleitoral comentada. p. 81.

A ordem de apresentação dos candidatos no primeiro dia do horário eleitoral gratuito será obtida mediante sorteio da Justiça Eleitoral, sendo a primeira a ser exibida no dia seguinte à última propaganda veiculada na véspera e assim sucessivamente (art. 50) 92.

Desta forma, não poderá o candidato mencionar que há preferência por este ou por aquele determinado candidato, tendo em vista que além de sorteio, também será feito revezamento entre os programas apresentados.

A partir de 1º de julho do ano da eleição, até o término desta, durante a programação normal e noticiários, é vedado às emissoras de rádio e televisão:

a) transmitir, ainda que sob a forma de entrevista jornalística, imagens de realizaçao de pesquisa ou qualquer outro tipo de consulta popular de natureza eleitoral em que seja possível identificar o entrevistado ou em que haja manifestação de dados;

b) usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou regularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito;

c) veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes;

d) dar tratamento previlegiado a candidato, partido ou coligação;

e) veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debates políticos;

f) divulgar nome de programa que se refira a candidato escolhido em convenção, ainda quando preexistente, inclusive coincidente com o nome do candidato ou com a variação nominal por ele adotada. Sendo o nome do programa que o mesmo do candidato, fica proibida a sua divulgação, sob pena de cancelamento do respectivo registro93.

Conforme essas regras exposto acima, todas deverão ser respeitadas a fim de garantir uma propaganda com seriedade, para que não se tente desvirtuar a real finalidade.

A partir de 1º de agosto do ano da eleição, é proibido as emissoras transmitirem programas apresentados ou comentados por candidato já escolhido em convenção, sujeitando

92 SANTANA, Jair Eduardo. Direito eleitoral: para compreender a dinâmica do poder político. p. 123.

93 SOBREIRO NETO, Armando Antonio. Direito eleitoral – teoria e prática. p.149.

a emissora infratora ao pagamento de multa no valor de 20.000 (vinte mil) a 100.000 (cem mil) UFIR, duplicada em caso de reincidência94.

Como pode-se observar, as emissoras serão punidas com multas, caso haja descumprimento da legislação.

As disposições acima retratadas aplicam-se aos sítios mantidos pelas empresas de comunicação social na internet e demais redes destinadas à prestação de serviços de telecomunicações de valor adicionado. Isso significa que estão sujeitos às regras proibitivas em comento quaisquer serviço onerosos, tais como tevês por assinatura e telemarketing95.

Além dos horários e propaganda eleitoral gratuita, os candidatos cujo partido tenha representação na Câmara dos Deputados terão assegurada sua participação em debates organizados pelas emissoras de rádio e de televisão, facultada a presença de outros candidatos (art.46) 96.

Neste contexto subtende-se que os debates promovidos, pelos meios de comunicações são muito contributivos para que os eleitores conheçam bem os candidatos e suas propostas, além de ser uma espécie de um espelho da concretização da democracia.

O debate ao vivo entre candidatos, promovido e transmitido por emissoras de rádio e televisão, pelo menos em tese, é o meio mais legítimo, mais democrático, e mais eficaz para que os eleitores possam melhor avaliar as propostas, posicionamentos, objetivos e até mesmo a capacidade, serenidade e desenvoltura daqueles que se apresentam como postulantes ao voto popular97.

Entretanto existem algumas peculiaridades, tendo em vista o grande poder de influência que este tipo de programa possui.

Não há dúvida da influência que os debates exercem sobre o eleitorado, com maior ênfase nas eleições majoritárias, em face do que a legislação eleitoral estabelece balizamento tendente à preservação do princípio da igualdade entre os candidatos98.

94 MASCARENHAS, Paulo. Lei eleitoral comentada. p. 84.

95 SOBREIRO NETO, Armando Antonio. Direito eleitoral – teoria e prática. p.149.

96 SANTANA, Jair Eduardo. Direito eleitoral: para compreender a dinâmica do poder político. p. 125.

97 BARRETO, Lauro. Propaganda política&direito processual eleitoral. p.65.

98 SOBREIRO NETO, Armando Antonio. Direito eleitoral – teoria e prática. p.150.

Os debates deverão fazer parte da programação e previamente divulgados pelas emissoras, devendo ser sorteado o dia da sua realização e a ordem de fala de cada um dos candidatos, salvo se os partidos e coligações interessados celebram acordo noutro sentido99.

As regras dos debates são feitas como acordo entre os candidatos, no entanto caso não haja mútuo acordo deverão ser respeitados alguns critérios básicos.

Não havendo acordo, os critérios básicos sobre o acesso igualitário dos candidatos aos debates são os seguintes:

a) nas eleições majoritárias: o debate poderá ser realizado com a presença de todos os candidatos dos partidos/coligações com a representação na Câmara dos Deputados ou repartido em grupos, com a presença mínima de três candidatos;

b) nas eleições proporcionais: os debates serão organizados de modo que assegurem a presença de número equivalente de candidatos de todos os partidos/coligações, podendo desdobrar-se em mais de um dia (art. 26, I e II, da Resolução TSE n. 21.610/2004) 100.

Essas regras visem, como muitas outras a igualdade, entre todos para que ninguém seja favorecido mais ou menos por determinados atos.

[...] a lei veda a participação de um mesmo candidato à eleição proporcional, em mais de um debate da mesma emissora, buscando sempre preservar a igualdade entre todos os concorrentes101.

Havendo descumprimento de normas, a Justiça Eleitoral determinará a suspensão da programação por 24 horas, conforme mencionado logo abaixo por Mascarenhas.

As emissoras de rádio e televisão que descumprirem o disposto neste artigo poderá ter a sua programação normal suspensa por vinte e quatro (24) horas, e em caso de reincidência, o período de suspensão será duplicado. A duplicação da penalidade será feita de relação à última aplicada102.

99 MASCARENHAS, Paulo. Lei eleitoral comentada. p. 87.

100 SANTANA, Jair Eduardo. Direito eleitoral: para compreender a dinâmica do poder político. p. 78.

101 MICHELS, Vera Maria Nunes. Direito eleitoral: de acordo com a constituição federal, LC 64/90, leis 9.096/95, 9.504/97, 11.300/06, EC 52/06 e Resolução do TSE. p. 97.

102 MASCARENHAS, Paulo. Lei eleitoral comentada. p. 87.

Michels enfatiza ainda, que [...] a cada 15 minutos, a obrigatoriedade de a emissora suspensa informar que tal saída do ar ocorreu por desobediência à lei eleitoral, sendo que a cada nova infringência o período de suspensão é dobrado103.

Vale ressaltar, que assim como na propaganda eleitoral na imprensa escrita o candidato que se sente ofendido, por calúnia, injúria ou difamação, tem direito de resposta, tal direito também está regrado na propaganda eleitoral nas emissoras de rádios e televisão, mais precisamente no parágrafo 1º inciso I e II, e no parágrafo 3º inciso II e II e alíneas seguintes.

Nos casos de ofensa veiculada na programação normal das emissoras de rádio e televisão, deverá a Justiça Eleitoral, à vista do pedido de direito de resposta, notificar imediatamente o responsável pela emissora que realizou o programa para que entregue em 24 (vinte e quatro) horas, sob as penas do art. 347 do Código Eleitoral detenção de três (3) meses a um (1) ano e pagamento de 10 (dez) a 20 (vinte) dias-multa, cópia da fita de transmissão, que, após a decisão, lhe será devolvida. O responsável pela emissora, recebendo a notificação da Justiça Eleitoral ou mesmo informado através de cópia protocolada do pedido de resposta, pelo reclamante ou por seu representante legal, preservará a gravação até a decisão final do processo.

Deferido o pedido de resposta, esta será dada em até 48 h (quarenta e oito horas) após a decisão, em tempo igual ao da ofensa, porém nunca inferior a 1 (um) minuto. Vale dizer, mesmo que na ofensa tenha sido gasto menos tempo, a resposta será sempre de, no mínimo, um minuto104.

Salienta-se, que assim como decorre na programação normal das emissoras de rádio e televisão não puder ser inferior a um minuto, tal regramento também se utiliza quando se trata da ofensa praticada no horário eleitoral gratuito.

Quando a ofensa foi vinculada no horário eleitoral gratuito, o tempo para a resposta nunca será inferior a um (1) minuto, podendo ser maior, tempo igual da ofensa veiculada.

Nesse caso, a resposta será veiculada no horário eleitoral gratuito destinado ao partido ou coligação ofensor, devendo, necessariamente, referir-se aos fatos nela veiculados105.

Apesar de a legislação estabelecer normas severas aos meios de comunicação como o rádio e a televisão a fim de garantir a imparcialidade dos candidatos, ainda deixa muita a desejar ao se tratar de propaganda eleitoral na internet, um dos meio muito recentes, mais que está muito difundido entre os eleitores mais novos, na qual será objeto de estudo a seguir:

103 MICHELS, Vera Maria Nunes. Direito eleitoral: de acordo com a constituição federal, LC 64/90, leis 9.096/95, 9.504/97, 11.300/06, EC 52/06 e Resolução do TSE. p. 97.

104 MASCARENHAS, Paulo. Lei eleitoral comentada. p. 108.

105 MASCARENHAS, Paulo. Lei eleitoral comentada. p. 108.