Com o crescimento das cidades, a produção de ruído também acaba aumentando devido ao aumento das indústrias, ruído de tráfego, e demais fontes que existem nos grandes centros.
A acústica é uma preocupação considerada recente no mercado, que está cada vez mais em crescimento. Há alguns anos atrás, quase não se ouvia a palavra acústica em um canteiro de obra, ou na elaboração de um projeto. Dependendo do tipo de obra, o contato com a acústica se dava através de vendedores de materiais para isolamento acústico, que visitavam as obras para oferecer novos materiais que estavam entrando no mercado. Hoje em dia, a realidade é outra. Muitos materiais já estão no mercado, e já foram bem aceitos pelos construtores. A demanda está aumentando, porque a cidade está crescendo, o trânsito rodoviário e aéreo aumenta cada dia mais, e os empresários enxergaram que as reclamações dos usuários estão aumentando e estão tendo repercussões maiores. O reflexo no Brasil da realidade de outros países que já tem a preocupação com o conforto acústico nos ambientes, foi o surgimento de novas normas com preocupações acústicas. Surgiu então a norma NBR 15575 – norma de desempenho [52], que entrou em vigor em 2013, e estabelece requisitos para o atendimento de diversos sistemas presentes em empreendimentos habitacionais e as certificações LEED [53], que são selos de certificações de construções de alta performance ambiental e energéticas. Com isso a indústria da construção civil começou a se movimentar para entender como se adequar a essa realidade de construir com novas preocupações, sem onerar as construções para não perder clientes no mercado.
Muitos profissionais (arquitetos, engenheiros), não sabiam da real importância da acústica no cotidiano das pessoas. Esse desconhecimento com o assunto, e o desconhecimento da realidade em outros países, dos resultados positivos que já foram apresentados em outros países, foi gerando um atraso nas buscas de aprofundamentos nesse assunto.
Neste trabalho, foi apresentada uma pesquisa realizada em diversos países que implantaram regulamentos/normas para direcionarem projetos das edificações escolares, buscando assim uma boa qualidade acústica em salas de aula. A metrologia aparece em evidência por serem apresentados valores mensuráveis, que podem ser previstos em projetos, devido a hoje em dia os profissionais terem mais acessos as informações específicas dos materiais.
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No caso específico das salas de aula, tem que ser dada atenção especial para a transmissão da informação de maneira falada, pois as crianças pequenas tem maior dificuldade em entender as palavras. Realizou-se uma busca por essas informações, através de publicações de pesquisadores, que descrevem estes valores através de testes de inteligibilidade.
Como no Brasil as informações de parâmetros acústicos para se desenvolver um bom projeto acústico, deixa muito a desejar, buscou-se nas normas/regulamentos desses países pesquisados. Os valores encontrados nessas normas/regulamentos são coerentes, sem discrepância entre elas. Apesar de serem normas/regulamentos de países com realidades geográficas, climáticas, culturais, sociais, distintas, elas apresentam exigências dos mesmos parâmetros, com outra linguagem, com valores bem próximos, conforme mostrado na Tabela abaixo.
Tabela 17 – Resumo dos parâmetros acústicos adotados pelas normas
No capítulo em que foram apresentados os estudos de caso, pode-se observar alguns relatos de pesquisas realizadas em edificações escolares nas diversas regiões do país, e em todos os casos, as salas de aula estudadas apresentaram níveis dos parâmetros acústicos estudados, acima dos recomendados pelas normas. Através dessas pesquisas, pode-se perceber que não basta apenas definir um tempo de reverberação e um nível de ruído de fundo para
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afirmar que a edificação escolar tem um bom desempenho acústico, como é o caso das normas brasileiras. No Brasil, as estatísticas mostram o grande número de profissionais licenciados anualmente devido a problemas relacionados às cordas vocais ou ao estresse, e o baixo índice de aproveitamento dos alunos devido a não ter qualidade acústica nas edificações escolares.
Para a realização de um projeto de acústica, o projetista tem que ter a preocupação com o ambiente internamente para que o seu uso seja de maneira confortável, e externamente, com relação à vizinhança. No momento dos cálculos de previsão de ruído de fundo e tempo de reverberação, tem que ser calculado com a condição de sala pronta para uso (equipamentos ligados e sem ocupação), porque após a ocupação as condições mudam de maneira imprevisível. Da mesma maneira, ocorre com a questão do isolamento, porque as fontes de ruído externo também são dinâmicas.
Hoje em dia existem diferentes softwares que podem auxiliar na confecção de um projeto acústico, o que torna a execução do projeto bem mais rápida e menos cansativa. O acesso aos dados acústicos dos materiais está se tornando bem mais imediato, visto que os fabricantes já estão disponibilizando essas informações. Com relação aos bancos de dados dos materiais, esta pesquisa não buscou informações sobre a variação das propriedades de acordo com a região do país. Sugerimos que este assunto seja realizado uma pesquisa futura.
No mercado já estão sendo oferecidos cursos para os profissionais que querem se aprofundar mais na acústica de salas de aula. Acredita-se que se as informações coletadas nesta pesquisa junto as normas/regulamentos dos países estudados, fossem disponibilizadas em uma norma técnica brasileira, seria muito vantajoso para os profissionais que buscam se aperfeiçoar neste assunto. A consequência seria uma execução de projetos de escolas com mais qualidade acústica, que implicaria em um ensino aplicado de maneira mais tranquila e saudável, em um ambiente mais adequado, e com melhor aproveitamento por parte dos alunos.