FERRAMENTAS E APLICAÇÕES GENÉRICAS
Parte 5 Aspectos relacionados à memória
2. Ferramenta para análise da inovação em revistas para tablets
2.2 Propriedades narrativas .1 Recursos multimídia
usuário interaja com as informações de modo específico; ou até os algorit- mos, que fazem uma seleção de conteúdos para o leitor baseada nos rastros deixados por ele durante a navegação (Barbosa, 2014).
A análise da inovação em revistas para tablets no tópico da Personali- zação se concentra em questões relativas aos dados fornecidos direta ou indiretamente pelo usuário e o sistema do aplicativo. Desta forma, o avalia- dor deverá verificar a vinculação do software com outros ligados a serviços como e-mail e redes sociais, além da existência de espaços para que o leitor tenha acesso a sua coleção.
2.2 Propriedades narrativas
outras ferramentas com o objetivo de intensificar as sensações, explorar ao mesmo tempo vários sentidos - visão, audição e toque. São as notícias para serem sentidas, segundo a autora.
Outros autores, como Canavilhas (2012), Longhi (2014) e Normande (2013), preferem falar em narrativas imersivas. O exemplo que sintetiza a inauguração de uma nova fase de reportagens hipermultimidiáticas ou imersivas na era pós-PC é Snow Fall, publicada pelo site do jornal The New York Times, em 20 de dezembro de 2012. A estética do produto acabou in- fluenciando diversas outras publicações para produzirem especiais com ní- veis semelhantes de aprofundamento e combinação de diferentes formatos.
Esta forma de produzir e apresentar o conteúdo que cruza antigas e no- vas mídias para uma produção de informações que atende os novos estilos e expectativas dos leitores ativos e distribui em multiplataforma é chamada de convergência jornalística (Díaz Noci, 2010; Jenkins, 2008; Quinn, 2005).
O conceito não é novo, como ressaltam García, Salaverría e Masip (2008), no entanto, é um fenômeno que tem se intensificado a partir da chegada dos dispositivos móveis. Veículos como revistas e jornais impressos passaram a organizar seus conteúdos distribuídos no tablet, por exemplo, explorando elementos multimídia e interativos dando origem a produtos originais. No caso da revista, pela maior vocação em apresentar resultados criativos do ponto de vista estético, espera-se que, com o amadurecimento da exploração destas possibilidades, mais inovações sejam observadas ao longo do tempo.
Ao realizar a tarefa de análise dos recursos multimídia em revistas para tablets, o pesquisador identificará quais os itens explorados pela publicação em suas reportagens. Além disso, a abertura da revista, o uso das bases de dados e a publicidade também serão investigadas.
2.2.2 Hipertexto
A exploração do uso dos links para organização e aprofundamento de conteúdo é outra característica do jornalismo na web. Além da estruturação e viabilização do hipertexto, Mielniczuk (2003) aponta que ele é um elemen- to inovador do jornalismo digital. A autora também propõe uma tipologia dos links utilizados no webjornalismo: “relativos à navegação do produto; ao
universo de abrangência do link e ao tipo de informação. Sendo que, nessa última classe, há uma subdivisão que diz respeito aos links que pertencem à narrativa do fato jornalístico” (p.135).
Canavilhas (2012) acredita que, assim como na web, a hipertextualida- de é uma característica fundamental em plataformas móveis. Para ele, o recurso permite um consumo personalizado e possibilita um movimento ativo do usuário com a ferramenta. Todavia, alguns dos exemplos recentes reconhecidos como mais inovadores no jornalismo em redes digitais têm apresentado usos limitados do hipertexto em suas narrativas. Em Snow Fall, que venceu o Prêmio Pulitzer na categoria feature writing, o uso do link na reportagem é apenas interno, ou seja, o leitor não sairá da lá nem mesmo para outro texto publicado pelo site do jornal e que tenha algum vínculo com o tema. Outras reportagens seguem este mesmo estilo, inclusive no Brasil, como na Folha de S.Paulo.
A análise do hipertexto pelos aplicativos e pela edição das revistas visa investigar se as possibilidades oferecidas pelos tablets estão sendo explo- radas pelos veículos. Por conta disso, é preciso verificar se além de links internos que organizam a narrativa, os externos também são utilizados pe- las publicações em suas reportagens e publicidade. Os hiperlinks externos e a atualização em tempo real, quando integrados ao conteúdo das revis- tas digitais e móveis, transformam-nas em um produto aberto e dinâmico, algo impensável quando a observação recai sobre o formato impresso. Ao apontar para uma página na web, rede social ou outro aplicativo, o usuário conectado é levado a um novo ambiente, que não necessariamente respeita o padrão de periodicidade da edição, através da mesma plataforma.
2.2.3 Atualização
A atualização é o último tópico de inovação analisado pelo instrumento.
Por conta da necessidade de concorrer com a velocidade da circulação da in- ternet, muitos veículos impressos empreenderam uma exploração da plata- forma dos tablets de forma que conjugue a atualização e a profundidade da informação, junto com os recursos oferecidos pelos dispositivos e a deman- da dos usuários. Entre os exemplos mais citados estão o ressurgimento dos jornais vespertinos em aplicativos autóctones para os dispositivos moveis
como o iPad Evening Edition, do jornal The Times, além do italiano Reppublica Sera e do brasileiro Globo a Mais8 que derivam dos respectivos periódicos (Barbosa, 2013; Canavilhas & Satuf, 2013; Palacios et al. 2014).
No caso das revistas, a periodicidade continuou sendo um elemento forte mesmo depois da criação de versões exclusivas para tablets. Nem os produ- tos autóctones em formato de revista trouxeram significativas mudanças neste formato.
No entanto, as publicações para tablets que derivam de revistas impres- sas e não circulam diariamente poderiam explorar de forma inovadora este recurso e atender às expectativas do leitor, sem quebrar o “contrato de periodicidade”. Na ferramenta de análise, no tópico da Atualização, do Hi- pertexto e da Interação existem questões que averiguam a possibilidade da combinação do conteúdo fechado da revista com recursos que dinamizam a publicação, como o hiperlink externo e a integração com redes sociais.
A utilização do instrumento de análise segue recomendações semelhan- tes às sugeridas por Codina (2003), que produziu a ferramenta original de avaliação de websites. Em busca de uma coleta que produza dados com- paráveis, também utilizaremos o mecanismo de “ocorrência” e “não-ocor- rência” para o preenchimento da ficha. Para a resposta positiva, assinala-se
“1”, caso contrário, “0”. Ao final de cada tópico, será possível ter um valor total ou percentual de cada edição da revista e compará-lo com o mesmo título em outro momento ou com publicações diversas da mesma categoria.
O avaliador deve ter uma experiência inicial com todo o produto – realizar o download e navegar pelo aplicativo, comprar o número e consumi-lo intei- ro – e depois iniciar o procedimento de análise com o apoio da ferramenta elaborada.
8. O vespertino encerrou suas atividades no dia 15 de maio de 2015, cerca de três anos após o lança- mento.
3. Análise da trajetória inovadora das revistas para tablets no Brasil