PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE DO MARIDO E PAI.
MANUTENÇÃO DA QUALIDADE DE SEGURADO. A pessoa que, após perder a qualidade de segurado, volta a trabalhar como empregado, torna-se segurado obrigatório no dia da contratação, nos termos do art.11, I, a da Lei 8.213/91. A circunstância do segurado falecer no dia seguinte não adie a sua qualidade de segurado, sendo devida a pensão aos dependentes159.
Os documentos necessários para requerer a pensão por morte são:
- documentos pessoais (CIC, RG), comprovante de residência; - requerimento em formulário próprio do INSS; - Carteira de Trabalho e Previdência Social (antiga Carteira Profissional) ou do documento equivalente; - se o segurado for autônomo, facultativo, empregador, empregado doméstico: cartão de inscrição; carnê de recolhimento das contribuições e GPS; - se o segurado for empregador, prova dessa condição (contrato social da firma, registro de firma individual, ata da assembléia da eleição etc.); - se o segurado tiver falecido em gozo de benefício, carnê de pagamento. Este documento substitui os indicados nas letras c e d; - Certidão de Óbito do segurado; - comprovante da qualidade de dependentes (Certidão de Casamento, nascimento dos filhos, provas de condição de companheira ou de dependente designada etc.); - termo de responsabilidade (formulário próprio do INSS) 160.
A pensão por morte deve ser requerida até trinta dias após o óbito do segurado para retroagir a data do seu falecimento. Após trinta dias o benefício será a partir da data de requerimento.
a) Certidão de nascimento de filho havido em comum;
b) Certidão de casamento religioso;
c) Declaração do imposto de renda do segurado em que conste o interessando como seu dependente;
d) Disposições testamentárias;
e) Anotação constante da CTPS feita pelo órgão competente;
f) Declaração especial feita perante tabelião;
g) Prova do mesmo domicílio;
h) Prova de encargos domésticos evidentes e existência de sociedade ou comunhão nos atos da vida civil;
i) Procuração ou fiança reciprocamente outorgada;
j) Conta bancária conjunta;
l) Registro em associação de qualquer natureza, em que conste o interessado como dependente do segurado;
m) Anotação constante de Ficha ou Livro de Registro de Empregados;
n) Apólice de seguro da qual conste o segurado como instituidor do seguro e a pessoa interessada como sua beneficiária;
o) Ficha de tratamento em instituição de assistência medica, da qual conste o segurado como responsável;
p) Escritura de compra e venda de imóvel pelo segurado em nome do dependente;
q) Declaração de não emancipado do dependente menor de 21 anos;
r) Quaisquer outros que possam levar à condição do fato a comprovar.
No caso de dependente inválido, a invalidez será comprovada mediante exame médico pericial a cargo do INSS162.
Aquela tradicional situação que a mulher cuida da casa e dos filhos e o homem trabalha para manter o lar, vem mudando nos últimos anos, pois muitos homens perderam o emprego em virtude da crise financeira que abateu sobre o Brasil. Os homens passaram a ficar em casa e a mulher passou a trabalhar fora.163
Com isto, não só a mulher pode depender financeiramente do homem, como o homem pode depender financeiramente da mulher.
3.2 A DISCUSSÃO DO RECONHECIMENTO DA UNIÃO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO
Atualmente não existe no Brasil nenhuma previsão legal no ordenamento jurídico que regulamente o casamento, a união estável ou união civil entre pessoas do mesmo sexo. Sendo importante ressaltar que as relações homossexuais interessam ao Direito porque destas relações de afeto decorrem conseqüências patrimoniais164.
O Decreto nº 181, de 24 de janeiro de 1890, considerou inexistente o casamento contraído entre pessoas do mesmo sexo. A teoria do ato inexistente, lição de K. S. Zachariae, afirma que a falta de um elemento essencial do casamento provoca a inexistência do mesmo165.
Portanto: ‘‘Inexistentes seriam aqueles casamentos que não reúnem os elementos de fato que a sua natureza ou seu objeto supõe e cuja falta impossibilita sua concepção. Seria um ‘‘não- casamento’’, com total e absoluta irrelevância negocial 166’’.
A doutrina tem encontrado fundamento para as uniões homossexuais no âmbito dos direitos fundamentais, no artigo 5º da C.F., pois o mesmo garante a liberdade, a igualdade sem distinção de qualquer natureza, está incluída assim, a opção sexual que se tenha.
A C.F. bem ampara os brasileiros sem distinções de qualquer natureza, conforme o seu art. 5º, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
A valorização da dignidade da pessoa humana, como elemento fundamental do estado democrático de direito, não pode restringir à liberdade sexual167.
Desconhecer e desrespeitar os efeitos das uniões entre pessoas do mesmo sexo, ‘‘é no mínimo negar validade ao princípio do respeito à dignidade humana da pessoa168’’.
Filho, ainda menciona que ‘‘perante o Direito a união entre pessoas do mesmo sexo costuma ser enquadrada dentro das chamadas ‘‘uniões marginais’’ que ainda sofrem reprovação social e jurídica, a exemplo da união adulterina e a incestuosa169’’.
162 Cf. MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da seguridade social, p. 317.
163 Cf. FILHO, Francisco das C. Lima. União Livre e o Novo Código Civil, p. 11.
164 Cf. PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Uniões de pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas. Publicada na Revista da Faculdade de Direito da UFPR. Volume 31, 1999. p. 52.
165 AZEVEDO, Álvaro Villaça. Estatuto da família de fato, p. 468.
166 BRITO, Fernanda de Almeida. União Afetiva entre Homossexuais e seus aspectos jurídicos, p. 33.
167 Cf. FLEURY, Maria José Perillo. Sociedade de Fato: reconhecimento entre parceiros homossexuais, previsibilidade do risco de contaminação e o direito a indenização por danos morais. Publicada no Júris Síntese.
No 42. Jul/Agos/2003. p. 05.
168 FILHO, Francisco das C. Lima. União Livre e o Novo Código Civil, p. 15.
Nesse contexto, manteve o atual C.C. o impedimento para reconhecimento jurídico da união estável entre pessoas do mesmo sexo, já que não deixa margem de dúvida no sentido de negar status de família jurídica ao prever expressamente a diversidade de sexos para a configuração do companheirismo.
Ainda que tenha vindo a C.F., com ares de modernidade, outorga a proteção do Estado à família independentemente da celebração do casamento, continuou a ignorar a existência de entidades familiares formadas por pessoas do mesmo sexo170.
O C.C. deixou de fora a união entre homossexuais, porque a sociedade não assimilou a relação entre homossexuais. Assim, segundo Dias,171 o C.C. deixa desamparada dez por cento da população brasileira, que trabalha, que produz, paga impostos, sendo, portanto, sujeitos de direitos e deveres.
O Direito é um dos mais importantes instrumentos de inclusão e exclusão das pessoas no laço social. É o Estado, através de seu ordenamento jurídico, quem prescreve as normas de apropriação ou expropriação à categoria de cidadãos. A história já nos demonstrou que esses critérios de inclusão e exclusão trazem consigo um traço ideológico que não pode mais ser desconsiderado pelo Direito, sob pena de se continuar repetindo injustiças e reproduzindo ainda muito sofrimento172.
O princípio da igualdade como inclusão no laço social é um avanço, mas não basta. É que a igualdade proclamada de forma genérica, como anunciada nos textos constitucionais, na medida em que vai se generalizando, vai se tornando cada vez mais abstrata. Na medida em que vai se tornando abstrata, pode ter efeito contrário, ou seja, vai se distanciando da igualdade de direitos. Partindo deste pensamento, deveríamos, antes de tudo, considerar as diferenças, porque será a partir destas que se fará a verdadeira democracia e tornara-se possível estar mais próximo do ideal de justiça173.
A C.F. não é um conjunto de regras, mas um conjunto de princípios, aos quais se devem afeiçoar as próprias normas constitucionais, por uma questão de coerência. Mostrando-se uma norma constitucional contrária a um princípio constitucional, tal fato configura um conflito, e assim, a norma deve ser considerada inconstitucional174.
169 FILHO, Francisco das C. Lima. União Livre e o Novo Código Civil, p. 13.
170 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p.08.
171 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p. 08.
172 PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Uniões de pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas, p. 148.
173 Cf. PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Uniões de pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas, p. 149.
174 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p. 05.
Firmando a C.F. a existência de um estado democrático de direito, tende à realização dos direitos e liberdades fundamentais. O núcleo do atual sistema jurídico é o respeito à dignidade humana175.
A proibição da discriminação sexual, eleita como sendo fundamental, alcança a vedação à discriminação da homossexualidade, pois diz com a conduta afetiva da pessoa e o direito de opção sexual.
Neste sentido, os Tribunais do Rio Grande do Sul são pioneiros no entendimento da união estável homossexual.
A 7ª Câmara Cível do TJRS decidiu que:
RELAÇÃO HOMOERÓTICA – UNIÃO ESTÁVEL – Aplicação dos princípios constitucionais da dignidade humana e da igualdade. Analogia.
Princípios gerais do direito. Visão abrangente das entidades familiares.
Regras de inclusão. Partilha de bens. Regime da comunhão parcial.
Inteligência dos artigos 1.723, 1.725 e 1.658 do Código Civil de 2002.
Precedentes jurisprudenciais. Constitui união estável a relação fática entre duas mulheres, configurada na convivência pública, contínua, duradoura e estabelecida com o objetivo de constituir verdadeira família, observados os deveres de lealdade, respeito e mútua assistência. Superados os preconceitos que afetam ditas realidades, aplicam-se os princípios constitucionais da dignidade da pessoa, da igualdade, além da analogia e dos princípios gerais do direito, além da contemporânea modelagem das entidades familiares em sistema aberto argamassado em regras de inclusão. Assim, definida a natureza do convívio, opera-se a partilha dos bens segundo o regime da comunhão parcial. Apelações desprovidas176. Ao buscar-se identificar o conceito de família, a primeira visão é a da família patriarcal, nitidamente hierarquizada, com papéis bem definidos, constituída pelo casamento, com uma formação extensiva177.
Silvio Rodrigues conceitua família como sendo: ‘‘Formada por todas aquelas pessoas ligadas por vínculo de sangue, ou seja, todas aquelas pessoas provindas de um tronco ancestral comum; o que corresponde a incluir dentro da órbita da família todos os parentes consangüíneos178’’.
175 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p.06.
176 BRASIL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação Civil n. 70005488812. Rel.
Des.: José Carlos Teixeira Giorgis. J.: 25.6.2003. Disponível em: <júris síntese>. Acesso em:
17.out.2004.
177 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p.08.
178 RODRIGUES, Sílvio. Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 2001. Apud. ORTOLAN, Guilherme S. de O., LOPES, Paulo E. V. de P., LOPEZ, Nelly M. M. Contextualização Histórica e de Direito Comparado acerca da União Estável., p. 02.
Mas a família envolve não só os parentes consangüíneos, mas todas aquelas pessoas que por livre vontade queiram estar umas com as outras, incluindo aí o marido e a mulher, o convivente e a convivente.
Não se diferencia mais a família pela ocorrência do casamento ou pela existência de prole. Ou seja, não são mais condições essenciais para que a convivência mereça reconhecimento e proteção constitucional. Portanto, se a existência de filhos não é essencial para que a convivência de duas pessoas mereça a proteção legal, não se justifica ter a C.F. deixado de abrigar, sob o conceito de família, a convivência entre pessoas do mesmo sexo, uma vez que a própria lei não permite qualquer distinção em razão do sexo179.
Portanto, se estabelecida uma convivência marital entre seres humanos, sejam do mesmo sexo ou não, surgem dessa convivência, fatos e negócios de ordem jurídica muitas vezes conflitante e que reclamam a prestação jurisdicional, especialmente quando é posto à prova o equilíbrio e a segurança dos ordenamentos existentes.
Desta forma, pode-se concluir que não é impossível juridicamente dar processamento ao pedido de reconhecimento da sociedade de fato havida entre pessoas do mesmo sexo, vez tratar-se de norma em branco, prevalecendo, na espécie, para o correto julgamento da lide as fontes primárias do direito, quais sejam: jurisprudências, o direito consuetudinário, a moral, etc.
Nesse sentido, a jurisprudência pátria, em especial no Rio Grande do Sul, já há algum tempo, vem entendendo possível o reconhecimento da sociedade de fato para casais homossexuais:
EMENTA: HOMOSSEXUAIS. UNIAO ESTAVEL.
Possibilidade Jurídica do pedido. É possível o processamento e o reconhecimento de União Estável entre homossexuais, ante princípios fundamentais insculpidos na Constituição Federal que vedam qualquer discriminação, inclusive quanto ao sexo, sendo descabida discriminação quanto a união homossexual. E justamente agora, quando uma onda renovadora se estende pelo mundo, com reflexos acentuados em nosso país, destruindo preceitos arcaicos, modificando conceitos e impondo a serenidade científica da modernidade no trato das relações humanas, que as posições devem ser marcadas e amadurecidas, para que os avanços não sofram retrocesso e para que as individualidades e coletividades, possam andar seguras na tão almejada busca da felicidade, direito fundamental
179 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p.08.
de todos. Sentença desconstituída para que seja instruído o feito. Apelação provida180.
Independentemente da limitação jurídica que confere o Direito Civil às uniões do mesmo sexo, no Direito Previdenciário, e em particular no caso de pensão, busca-se a proteção do dependente com a concessão do benefício alimentar, que afasta eventuais impedimentos de ordem puramente civil.
É neste sentido que o Tribunal Regional Federal da 5ª Região decidiu:
PENSÃO ESTATUTÁRIA – MORTE DE COMPANHEIRO HOMOSSEXUAL Servidor Público Federal – Carência da Ação – Impossibilidade jurídica do pedido – Inexistência – Integração por analogia – Vedação legal – Inocorrência – Reconhecimento do direito no regime geral da previdência – Princípios da igualdade e da liberdade individual – Proibição constitucional de distinção em liberdade individual – Proibição constitucional de distinção em razão do sexo – Comprovação de dependência econômica e vida em comum – Deferimento181.
Atualmente, o Parlamento Europeu pediu que os países da União Européia permitissem o casamento de homossexuais. Da mesma forma, aboliram a discriminação de homossexuais e deixaram de penalizá-los. Já a Grã-Bretanha, a pretexto de evitar o homossexualismo, vem promovendo restrições aos direitos dos cidadãos em várias áreas. No mesmo sentido, o Parlamento Britânico amenizou as limitações, reduzindo a idade consentida para relações homossexuais de 21 anos para 18 anos de idade182.
A tradicional Inglaterra e mais recentemente a França admitiram o casamento entre homossexuais, recebendo o reconhecimento e a proteção do Estado enquanto ente familiar, podendo, inclusive, constituírem filhos através de processos de adoção para casais masculinos e fecundação in vitro para os casais femininos183.
Alguns ordenamentos jurídicos como o da Holanda, Hungria, Noruega, Suécia, entre outros, já estabeleceram normas de convivência para as uniões do mesmo sexo. Há alguns anos, o parlamento dinamarquês, seguindo uma tendência dos países nórdicos, aprovou um projeto de lei autorizando o registro de uniões homossexuais, com os mesmos efeitos legais do casamento,
180 BRASIL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação Civil n. 598362655. Rel.
Des.: José Ataídes Siqueira Trindada. J.: 1.3.2000. Disponível em: <júris síntese>. Acesso em:
17.out.2004.
181 BRASIL. Tribunal Regional Federal. Apelação Civil n. 238842. Relª. Desª. Fed.: Margarida Cantarelli. J.: 13.3.2002. Disponível em: <júris síntese>. Acesso em: 17.out.2004.
182 Cf. PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Uniões de pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas, p. 149.
exceto em relação à adoção de crianças. Paradoxalmente, o país onde menos se soube conviver com estas diferenças, a África do Sul, é o que tem a primeira constituição do mundo (1996) onde está expressamente proibida a discriminação em razão da opção sexual184.
As Cortes Supremas do Canadá, Estados Unidos e Havaí, já se posicionaram em relação a este assunto, afirmando que: a discriminação por orientação sexual configura discriminação sexual185.
Nesse mesmo sentido, tramita no Brasil, a Proposta de Emenda à Constituição nº 139/95, da ex-Deputada Marta Suplicy, de alteração dos art. 3º e 7º da C.F., para incluir a proibição de discriminação por motivo de orientação sexual186.
No Brasil, a lei não toma conhecimento do homossexualismo, não lhe dá aprovações nem punições187.
Está tramitando no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 1.151/95, também de autoria da ex-Deputada Marta Suplicy, que disciplina as uniões homossexuais. Deixando de lado suas imprecisões técnicas e toda a polêmica que ele tem levantado, aprovado ou não, é indicativo da reivindicação do reconhecimento pelo Estado da existência dessas relações. Este projeto merece aprovação, pois na medida em que o relacionamento íntimo entre essas pessoas gera efeitos jurídicos relevantes, esses efeitos precisam ser disciplinados pelo ordenamento jurídico188.
A autora deste Projeto afirma: “Não se pode mais negar a existência de relações homossexuais e as diferentes formas de expressão da sexualidade, no Brasil e em outros países, sendo necessário garantir direitos de cidadania sem discriminar as pessoas devido à sua orientação sexual”189.
E ainda menciona que ‘‘a sociedade nos educa para a heterossexualidade como sendo esta a única forma correta e aceita de viver a sexualidade190’’.
Este Projeto propõe o direito à herança, sucessão, benefícios previdenciários, seguro saúde conjunto, declaração conjunta de imposto de renda e o direito à nacionalidade no caso de estrangeiros191.
183Cf. FLEURY, Maria José Perillo. Sociedade de Fato: reconhecimento entre parceiros homossexuais, previsibilidade do risco de contaminação e o direito a indenização por danos morais, p.03.
184 Cf. PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Uniões de pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas, p. 149.
185 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p.07.
186 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p.07.
187 Cf. PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Uniões de pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas, p. 149.
188 Cf. PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Uniões de pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas, p. 150.
189 AZEVEDO, Álvaro Villaça. Estatuto da família de fato, p.477.
190 AZEVEDO, Álvaro Villaça. Estatuto da família de fato, p.478.
191 Cf. PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Uniões de pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas, p. 152.
Poucos projetos de lei, na História do Brasil, foram tão discutidos e comentados como o da parceria de pessoas do mesmo sexo. No caso, as relações homossexuais interessam ao Direito, por que das relações de afeto decorrem conseqüências matrimoniais. Isto é uma prova de que ele realmente interessa a todos os cidadãos.
A votação desse projeto, sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo, não ocorreu na sessão da Câmara do dia 04 de dezembro de 1997, por falta de quorum. A autora desse projeto pedira para que fosse o mesmo retirado de pauta, temendo a forte oposição existente na época. (...) Em 1998 deveria ter sido votado esse projeto, em sessão extraordinária da Câmara, mas não foi, ante ameaça muito forte, principalmente por Deputados católicos e evangélicos, de que seria boicotado o projeto de ajuste fiscal192.
O Projeto de Lei nº 1.151/95, estabelece que o nome de união civil entre pessoas do mesmo sexo deve ser trocada para parceria civil registrada.
Essa parceria constitui-se mediante registro em livro próprio nos Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais com a apresentação dos documentos dos interessados enumerados: declaração de serem solteiros, viúvos ou divorciados; prova de capacidade civil absoluta, por meio de certidão de idade ou prova equivalente; e escritura pública de contrato de parceria civil. (...) Estabelece a impossibilidade de alteração do estado civil dos contratantes, na vugencia do contrato de parceria193.
O Projeto estabelece a extinção desse contrato de parceria pela morte de um dos parceiros, por decreto judicial ou por consentimento das partes, desde que homologado pelo juiz194.
Ressalta-se que o contrato não pode ser assinado com mais de um a pessoa e os contratantes não podem casar durante a vigência do mesmo195.
O art. 10 deste Projeto inscreve o parceiro como beneficiário do RGPS, como dependente de seu parceiro segurado, desde que esteja registrado o contrato de parceria civil; extinto este, cancela-se, automaticamente, essa inscrição de beneficiário196.
Este Projeto marca o início da saída da marginalidade dos vínculos afetivos homossexuais, deixando de ser excluídos para ser incluídos no laço social, obtendo o reconhecimento de sua existência pelo Estado197.
192 AZEVEDO, Álvaro Villaça. Estatuto da família de fato, p.480.
193 AZEVEDO, Álvaro Villaça. Estatuto da família de fato, p.481.
194 Cf. AZEVEDO, Álvaro Villaça. Estatuto da família de fato. p. 483.
195 Cf. BRITO, Fernanda de Almeida. União Afetiva entre Homossexuais e seus aspectos jurídicos, p. 57.
196 Cf. AZEVEDO, Álvaro Villaça. Estatuto da família de fato, p. 486.
197 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p.07.
As uniões estáveis homossexuais não podem ser ignoradas, não se tratando de um fato isolado, ou de frouxidão dos costumes, como querem os moralistas, mas a expressão de uma opção pessoal que o Estado deve respeitar198.
Cabe mencionar, que o TRF, no ano 2000, equiparou as relações homossexuais às heterossexuais para fins previdenciários em todo o Brasil.
Dias199, concorda com a decisão do TRF, entendendo que as uniões entre pessoas do mesmo sexo devem ser equiparadas à União Estável pois existe semelhanças entre os dois relacionamentos no sentido de possuírem afeto, o companheirismo e a publicidade, podendo assim aplicar, a legislação concernente a União Estável, previstas no C.C.
Então, com isto, a legislações aplicáveis às uniões heterossexuais são também aplicáveis às uniões homossexuais.
Apesar da omissão da legislação sobre a união entre pessoas do mesmo sexo, não podemos ignorá-las, há que se discutir direitos e deveres independente do sexo dos envolvidos.
3.3 O DIREITO DO BENEFÍCIO PENSÃO POR MORTE ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO
Como já mencionado, o Brasil não admite, ainda, o casamento civil ou união estável de indivíduos do mesmo sexo. A união estável prevista no art. 226, § 3º da C.F. é reconhecida como entidade familiar apenas àquela existente entre pessoas de sexo oposto, ou seja, o homem e a mulher.
Mas, realidade fez com que no ano 2000, através da Instrução Normativa nº 25, se estabelece, por força de decisão judicial da Juíza Simone Barbissan Fortes, da 3ª Vara Previdenciária de Porto Alegre – RS, procedimentos a serem adotados para a concessão de pensão por morte de companheiro ou companheira homossexual200.
Esta Instrução estabelece no seu art. 3º, quais são os documentos necessários para a comprovação da união estável e dependência econômica de companheiro ou companheira homossexual:
- declaração de Imposto de Renda do segurado, em que conste o interessado como seu dependente; - disposições testamentárias; - declaração especial feita perante tabelião (escritura pública declaratória de
198 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p.09.
199 Cf. DIAS, Maria Berenice. União Homossexual – aspectos sociais e jurídicos, p. 09.
200 Cf. AZEVEDO, Álvaro Villaça. Estatuto da família de fato, p. 489.