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2.9 Recursos Atmosféricos

2.9.2 Qualidade do Ar

De acordo com os resultados do monitoramento meteorológico, é possível observar que a

ventilação na região é extremamente deficiente, com velocidades médias do vento variando de 0,8 m/s a 1,4 m/s e ocorrência de calmarias entre 36,2% e 52,6%. Durante a noite e madrugada, as

calmarias chegam a atingir o valor de 92,9%, na estação localizada em Sambaetiba, e 65,3%, na estação VOR Infraero.

Também, nos meses mais frios e secos é comum a ocorrência de nevoeiros de radiação na região. Esse tipo de fenômeno é consequência do resfriamento da superfície do solo durante a noite e madrugada, provocando, por conseguinte, um resfriamento das camadas de ar próximas ao solo e ocasionando a inversão térmica de baixa altitude, que impede a dispersão dos poluentes do ar.

Assim, as características meteorológicas observadas sugerem serem frágeis as condições de dispersão atmosférica na região em determinados períodos, podendo provocar a ocorrência de situações com concentrações elevadas de poluentes do ar.

Estação Itambi

Na localidade de Itambi, Distrito de Itaboraí, distante cerca de 10 quilômetros do COMPERJ e próxima à BR 493, são registradas as maiores concentrações de partículas, com eventuais ultrapassagens aos padrões de qualidade do ar. É evidente a influência das atividades do centro urbano do Distrito e o intenso tráfego de veículos na rodovia na qualidade do ar local.

De forma que pode-se afirmar que a movimentação de veículos, as obras de implantação do Complexo e o crescimento induzido na região colaboram para que haja alteração nos índices de qualidade do ar da região. Também, ressalta-se que a grande quantidade de vias não pavimentadas na localidade e a presença de olarias, que muitas vezes ainda utilizam lenha como combustível, contribuem para o aumento das concentrações de partículas em suspensão e gases.

Estação Alto do Jacu

A Estação Alto do Jacu, apresenta picos de concentração de partículas totais em suspensão e partículas inaláveis. Vizinha ao COMPERJ e próxima da via não pavimentada do acesso, utilizada por caminhões e outros veículos ligados às obras civis de implantação do Complexo e da Rodovia RJ 116.

Embora não sejam ultrapassados os padrões de qualidade do ar de longo período, são observadas concentrações crescentes de poeira na qualidade do ar.

Estação APA Guapi-Mirim

Os resultados de concentração de partículas totais em suspensão e inaláveis, resultantes do monitoramento que vem sendo realizado na APA de Guapi-Mirim, revelam que a qualidade do ar naquele local se mantém de acordo com os padrões estabelecidos pela legislação ambiental vigente, porém, demonstra um acréscimo gradual nas concentrações anuais, denotando a influência das alterações que vêm ocorrendo na região.

Estação VOR Infraero, Sambaetiba e Porto das Caixas

Nessass três estações onde há monitoramento de gases na qualidade do ar, não têm sido ultrapassados os padrões estabelecidos pela legislação. De maneira geral, as concentrações de SO2, NOx e CO encontram-se muito abaixo dos níveis considerados seguros para proteção da saúde da população e da fauna e flora. Contudo, alguns picos isolados de concentração de ozônio e partículas inaláveis têm sido observados na Estação de Sambaetiba, fortemente influenciada pelo fluxo de tráfego de caminhões pesados nas vias não pavimentadas.

Quanto às concentrações de benzeno, em qualquer local monitorado, os resultados apresentam-se pouco significativos, conforme esperado.

O monitoramento meteorológico na região permitiu a confecção de “Rosas de Poluição” para cada localidade, retratando o comportamento das concentrações de poluentes em função da predominância dos ventos. Ao examinar as concentrações de gases e partículas à luz das predominâncias dos ventos na região, pode-se verificar a grande influência nas estações de monitoramento, das emissões atmosféricas provenientes dos núcleos urbanos de São Gonçalo e Itaboraí. O comportamento observado (Figura 2.47) sugere que as concentrações de poluentes são

remanescentes das atividades urbanas e industriais que lá ocorrem, e que se dão relativamente próximas da região monitorada.

Figura 2.46. Rosa de Poluição da Estação VOR-Infraero Fonte: Elaboração própria

A seguir, a síntese deste diagnóstico da AAE COMPERJ, destacando potencialidades e fragilidades e da situação, em 2007/09, quando da AAE Petrobras.

AAE COMPERJ – Situação Atual

Potencialidades Fragilidades

Concentrações de poluentes em conformidade com os padrões de estabelecidos, revelando a não deterioração da qualidade do ar.

 Baixa capacidade de dispersão de poluentes.

Adoção de medidas de controle de poeira pouco efetiva (umidificação precária de vias não pavimentadas).

 Adoção de tecnologias não enquadradas como melhores práticas disponíveis nas unidades industriais.

Utilização de combustível fóssil mais poluente em detrimento do gás natural.

AAE Petrobras – Situação em 2007/09

Vários fatores de caráter físico-geográficos influenciam significativamente os níveis de qualidade do ar observados na RMRJ. A capacidade natural de dispersão de poluentes é influenciada pelas características urbanas e pela acidentada topografia que criam divisores microclimáticos naturais, afetando, significativamente, e de modo diversificado, a ventilação e, por conseguinte, os mecanismos de transporte e dispersão dos poluentes na região.

A topografia, a cobertura vegetal e a distância das fontes de umidade influenciam, significativamente, na distribuição da precipitação. A pluviosidade média anual situa-se em torno de 1.500 mm.

A região de Itaboraí, aonde vai se instalar o COMPERJ, apresenta um clima tropical do tipo AW, relativamente uniforme durante todo o ano. No verão, em decorrência do grande calor, não amenizado pelos ventos e elevada umidade relativa, ocorrem fortes chuvas, enquanto no inverno, mais seco, os totais pluviométricos e a média das temperaturas são mais baixos. Contudo, pela existência de dois meses secos de inverno e por possuir totais anuais de pluviosidade entre 1.000 e 1.500 mm, esta área pode ser interpretada, também, como sendo de clima tropical semiúmido.

O período mais chuvoso na região é a transição entre primavera-verão e o verão, até seu término em março, e a estação mais seca é o inverno, principalmente os meses de junho e agosto.

Com relação à circulação do ar, de acordo com as informações geradas pelas estações meteorológicas instaladas na

região do futuro Complexo Petroquímico, a ventilação natural da região é deficiente, com velocidades médias do vento variando de 0,8 m/s a 1,4 m/s e ocorrência de calmarias entre 36,2% a 52,6% para o período monitorado.

Historicamente, as concentrações de partículas totais em suspensão violam os limites para proteção da saúde humana em quase todos os locais onde há monitoramento.

As estações de amostragem localizadas nos municípios de São Gonçalo e Niterói, dentre outras localizadas na Baixada Fluminense, são as que apresentam os maiores níveis de concentração de partículas inaláveis.

Na região do COMPERJ, enquadrada como Bacia Aérea IV, a Petrobras vem monitorando, desde fevereiro de 2007, os parâmetros: material particulado, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos e ozônio, além de terem sido instaladas algumas estações de monitoramento de parâmetros meteorológicos.

Também, tem sido realizado o monitoramento de BTX, por meio do emprego de metodologia de amostragem passiva, em vários pontos da região.

Embora o período de monitoramento até a AAE Petrobras não tenha sido suficiente para que se pudesse caracterizar a qualidade do ar da área, algumas ocorrências são bastante significativas e devem ser destacadas.

Segundo os resultados apontados em apenas quatro meses ocorreram cinco ultrapassagens ao padrão de qualidade do ar para o ozônio. Os demais poluentes não apresentaram violações aos padrões de curto período. Para o BTX, a maioria dos valores encontrados estava abaixo do limite de detecção do método utilizado, caracterizando-os como zero.

Com relação aos indicadores, na ocasião da AAE Petrobras foi possível apenas identificar uma concentração de referência desses parâmetros uma vez que não existiam resultados suficientes para uma avaliação.

No documento 2. DIAGNÓSTICO ESTRATÉGICO - Lima - UFRJ (páginas 153-157)