A literatura institucionalista mais recente salienta o papel que tem a qualidade institucional no processo de desenvolvimento econômico. Seguindo o indicado pela literatura, espera-se que o gradual avanço observado na qualidade das instituições dos municípios baianos permita maior desenvolvimento econômico nas próximas décadas. Neste trabalho, caracterizou-se desenvolvimento a partir de algumas variáveis determinantes, como os indicadores econômicos e sociais mais utilizados pela literatura acadêmica, que representam nível de riqueza e bem estar da população.
Desse modo, note-se que, de fato, existe uma forte correlação positiva entre nível de riqueza e qualidade institucional verificado nos gráficos a seguir.
Figura 29 - Relação entre IQIM e o PIB dos municípios baianos, 2000 e 2012
Fonte: Elaboração própria.
Os dados analisados revelam correlações lineares positivas (0,33) e (0,58) entre o IQIM e o logaritmo do PIB de 2000 e 2012 dos municípios baianos, conforme o gráfico da Figura 29, indicando que as variáveis variam no mesmo sentido. Este resultado reflete a existência de uma relação positiva e crescente ao longo do tempo entre nível de riqueza e qualidade institucional da região.
Observe que o mesmo acontece com a relação entre IQIM e o logaritmo do PIB per capita de 2000 e 2012 dos municípios baianos. O gráfico da Figura 30 apresenta a correlação positiva (0,26) e (0,47) nos dois períodos analisados.
Figura 30 - Relação entre IQIM e o PIB per capita dos municípios baianos, 2000 e 2012
Fonte: Elaboração própria.
A relação cross-sections (municípios) da qualidade institucional e a renda per capita observada nos revelam o indicado pela literatura. Através dos resultados desta relação, parece ser razoável admitir que exista um efeito da qualidade institucional no PIB per capita dos municípios baianos, em função das correlações observadas. Obviamente tal relação é apenas uma primeira aproximação dos dados, não caracterizando nenhuma relação de causalidade, dado os vários problemas de endogeneidade típicos deste tipo de dado. Certamente, controlando por outras variáveis, a relação entre IQIM e nível de renda deve ser mais acentuada.
Outra relação interessante foi correlacionar o Índice de Qualidade Institucional com o Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios baianos. O IDHM é um indicador que está relacionado com a qualidade de vida da população e qualidade dos serviços públicos,
educação e saúde. Estes fatores de influência impactam diretamente nas condições de vida e, portanto, na melhoria da expectativa de vida da população.
Além da qualidade institucional e do nível de renda apresentar relação positiva, como já demonstrado anteriormente, a literatura também sugere indícios de que locais com melhores condições de vida, geralmente apresentam nível de qualidade institucional mais adequado. Logo, a hipótese sugerida é de que os municípios baianos com índices elevados de IQIM apresentam também IDHM mais elevados. Esta relação pode ser verificada nos gráficos a seguir.
Figura 31 - Relação entre IQIM e IDHM dos municípios baianos, 2000 e 2012
Fonte: Elaboração própria.
Desde 2000, se comparado com o ano de 2012, percebe-se que aos poucos houve um aumento gradual desta relação. Apesar de alguns municípios serem à exceção desta relação positiva, a reta de tendência, como um todo, mostra-se positiva para os dois períodos analisados, com uma maior expressividade em 2012.
Como já foi pontuado neste trabalho, as diferenças observadas nos níveis de riqueza que impactam diretamente na desigualdade social existente entre os municípios baianos é algo que deve ser repensado. Melhorar a qualidade institucional do Estado da Bahia pode ser uma condição necessária para o sucesso de qualquer desenvolvimento de uma determinada região.
A ideia é que mudanças institucionais possam ocorrer sempre que houver necessidade, buscando garantir um espaço maior de convergência e com uma distribuição de renda mais igualitária.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Motivado pelo crescente interesse na relação entre desenvolvimento e qualidade institucional, vários indicadores foram sendo desenvolvidos na tentativa de capturar a qualidade das instituições. No Brasil, parte deste esforço é refletido na formulação do Índice de Qualidade Institucional Municipal – IQIM, que surge como tentativa de mensurar vários aspectos institucionais no âmbito dos municípios, desde a capacidade de gestão e estrutura administrativa de uma dada localidade até o grau de democracia presente no processo de gestão da coisa pública.
O IQIM foi elaborado pelo Consórcio Monitor/Boucinhas e Campos, coordenado pelo Ministério de Planejamento Brasileiro para o ano de 2000 sendo na sua gênese uma ferramenta prioritariamente de gestão, mas, tendo se transformado ao longo dos últimos anos numa importante referência para a academia brasileira, especialmente nos estudos que relacionam crescimento econômico e instituições.
Nesse contexto, esta dissertação se propôs a mensurar a qualidade institucional dos municípios do Estado da Bahia através da estimação do IQIM, tendo como base de referência o ano de 2012. Surgem como objetivos correlatos à análise da dinâmica do IQIM entre 2000 e 2012 e o estudo de possíveis padrões espaciais da qualidade institucional municipal no estado da Bahia.
A respeito das principais conclusões relacionadas com os resultados dos objetivos propostos e da metodologia utilizada, elas expressam as potencialidades e limitações institucionais dos municípios baianos para impulsionar a capacidade administrativa do governo em suprir as necessidades básicas da sociedade como um todo.
Pela estratificação dos municípios baianos em agrupamentos homogêneos, referente às três categorias relevantes a qualidade institucional, Grau de Participação, Capacidade Financeira e Capacidade Gerencial, as quais englobam um conjunto de variáveis associados ao IQIM final, foi possível verificar quais municípios possuem os melhores e piores níveis de gestão e estrutura administrativa de suas prefeituras municipais.
Dessa forma, em relação à participação da sociedade nas ações e tomada de decisões do poder público local, pode-se concluir, através dos indicadores que compõe a categoria Grau de Participação, que, na grande maioria dos municípios do Estado, é fraca a participação da população em relação aos conselhos municipais, onde apenas cinco municípios baianos apresentaram todos os conselhos analisados e somente um com todos eles devidamente instalados no ano de 2012. No agregado, e comparado com o ano de 2000, verificou-se que a Bahia apresentou e ainda apresenta um nível muito baixo deste tipo de participação da população.
Com relação à categoria Capacidade Financeira, observou-se uma situação um pouco menos preocupante. Contudo, é possível perceber também, que boa parte dos municípios baianos não possui um nível de condição considerado bom quanto a sua capacidade de investimento do poder público local, revelando sinais de precariedade das finanças desses municípios. Esta mesma situação foi ainda pior no ano de 2000, em que estes mesmos municípios demonstravam mais dificuldades em participar de consórcios públicos, no controle da participação da dívida na receita corrente líquida e na geração de poupança real per capita.
Quanto à categoria Capacidade Gerencial dos municípios baianos, concluiu-se que, no geral, os municípios apresentaram um desempenho satisfatório nos dois períodos analisados.
Os resultados observados foram ainda melhores no ano de 2012, comprovados pela maior presença dos recursos de gestão própria, como a cobrança do IPTU, e a existência dos instrumentos de gestão e planejamento para gerir e planejar seus recursos. Desta forma, pode- se constatar um número maior de municípios com nível de condição bom da capacidade de administração pública.
Embora ainda discreta, percebeu-se uma evolução positiva da qualidade institucional dos municípios baianos no período, refletida tanto na média do IQIM em 2012 como na distribuição do índice com um número maior de municípios com IQIM médio e alto em comparação com o ano 2000.
Através da análise espacial identificou-se a presença de poucos clusters, confirmando que a Bahia se mostra um estado heterogêneo quando se trata de qualidade institucional.
Apesar de haver municípios com boa qualidade institucional, no geral, esta capacidade não influencia e nem é influenciado por municípios vizinhos, o que nos leva a crer que a boa capacidade institucional é fruto de uma melhor organização social, político e institucional, portanto, mérito do próprio processo endógeno de cada região.
Salvo algumas particularidades, do ponto de vista da qualidade institucional do Estado da Bahia, mesmo que precário em determinados municípios, representam as possibilidades de desenvolvimento local e sustentável, pensando no atraso econômico e padrão de vida dos municípios baianos. Verificou-se através da relação entre qualidade institucional e renda um efeito positivo, onde espaços que concentram maior organização e capacidade institucional podem sim apresentar melhores níveis de desenvolvimento socioeconômico como sugerido pela literatura.
Apesar de algumas limitações a respeito dos dados utilizados, e pelo fato também do próprio IQIM ser um índice que agrega um número razoável de variáveis institucionais, a dissertação no geral favorece a compreensão da qualidade institucional de determinados municípios, mas especificamente dos municípios baianos. Além disso, esta dissertação é também uma possibilidade de contribuição importante para a literatura institucionalista na medida em que fornece subsídio para trabalhos empíricos futuros, especialmente estimações econométricas que busquem relacionar qualidade institucional e desenvolvimento econômico.
Portanto, conclui-se que este tipo de análise poderá se materializar na discussão de prioridades e na definição das medidas de controle, participação e eficiência na formulação de políticas públicas e de desenvolvimento sustentável no estado da Bahia.
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